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Quinta-feira, 30 de Abril de 2020
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - PRIMEIRO DE MAIO, DATA IMPORTANTE QUE RESSALTA O TRABALHO E A LITERATURA NO BRASIL

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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            Entendemos que o trabalho é tão importante quanto o Direito à manutenção do equilíbrio social. Além de dignificar a pessoa, permite o desenvolvimento de suas capacidades, define o tempo e a história humana, contribui à promoção do bem comum e garante a subsistência do trabalhador e de sua família. Constitui-se ainda em elemento de realização pessoal deste, quando executa seu ofício com prazer, unindo satisfação com precisão.

Sobre a relevância do exercício de uma atividade como profissão, invocamos parte de um texto de autoria da professora de Filosofia da PUC-SP, Dulce Critelli, que ilustra bem esse aspecto: “...Mas, visto de um ângulo existencial e geral, o trabalho é, sobretudo, fonte de sentido para a vida humana. O trabalho faz parte da nossa condição de existência neste mundo. É um nome genérico que damos para as infindáveis atividades por meio das quais cuidamos da vida. É o processo de criar o mundo e de instaurar, no mundo, o ambiente para a vida dos homens” (“Folha de São Paulo” -Suplemento Folha Equilíbrio- 07/03/2006- p.2).

         Atualmente, no entanto, vislumbra-se em nosso país um sério risco à ordem comum: os altos índices de desemprego, perceptíveis até mesmo entre os jovens, inclusive àqueles que conseguem galgar elevados graus de escolaridade, frustrando precocemente suas esperanças. Ao mesmo tempo, elevam-se assustadoramente os empregos informais, numa cabal demonstração de que as oportunidades de trabalho estão se tornando cada vez mais raras. E com a pandemia do Corona vírus ainda em evidência, as coisas devem se complicar ainda mais.

E não há expectativas de melhora diante da quase absoluta ausência de programas nas áreas industrial, agrícola, agrária e de geração de serviços. Já se disse que as nações que se beneficiaram da globalização econômica sustentam-se em princípios elementares: direitos sociais respeitados, democracia e política de criação de trabalho e renda.

         O DIA DO TRABALHO, Primeiro de Maio, foi instituído para se reverenciar o passado de lutas das classes laboriosas, reafirmar o compromisso com as mesmas propostas no presente e meditar sobre o futuro de uma sociedade igualitária, sem explorados, nem exploradores. Seria totalmente incongruente festejarmos essa data, sem refletirmos sobre a situação presente, na qual tantos não conseguem ter acesso ao emprego indispensável para a sua manutenção e outros praticamente perdidos em função do Corona vírus.   Precisamos, portanto, cobrar de nossos governantes a retomada de um crescimento efetivo da economia brasileira e a implementação de projetos de incentivo aos investimentos nos setores originários de serviços e de ocupação para os excluídos do mercado.

 

 

                            DIA DA LITERATURA NACIONAL

 

 

        

Apesar de pouco divulgado e até abafado pelas comemorações do Dia do Trabalho, também se celebra a primeiro de maio o Dia da Literatura Brasileira, em homenagem ao romancista José de Alencar, que nasceu nessa data em 1829 e dentre suas obras mais conhecidas estão ”O Guarani” (1857), “Iracema” (1854) e “Lucíola” (1862). Ele foi um dos primeiros escritores a retratarem a realidade de nosso país, enfocando personagens típicos da convivência social, tendo o índio e o sertão como  principais referências.

Uma data que deveria ser reverenciada com ênfase, já que a literatura se constitui num instrumento de educação e formação do ser humano, tendo importante função social. Infelizmente no Brasil ela não é algo comum e os seus cidadãos não possuem o hábito de lerem. No entanto, o maior desafio enquanto Nação, o de apagar os vestígios indesejáveis da ignorância, da injustiça e miséria, passa pelo acesso de todos à educação que tem nos livros e nos autores, seus maiores meios de consolidação.

 

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor da Faculdade de Direito do Centro Universitário Padre Anchieta. Ex-presidente das Academias Jundiaienses de Letras e Letras Jurídicas. (martinelliadv@hotmail.com)

                           

 

 



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ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - ANTIJESUITISMO E PRESTÍGIO DA COMPANHIA DE JESUS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Em 1759, os jesuítas foram expulsos dos domínios da Coroa Portuguesa por nefasta ação do Marquês de Pombal. Foram sumariamente confiscados todos os bens da Companhia, não só os de raiz, mas também arquivos, bibliotecas, objetos sacros. Nem sequer os manuscritos dos religiosos foram poupados.

Para o Brasil, as consequências dessa injustiça ditatorial foram enormes. Todo o ensino na América portuguesa estava, desde o século XVI, confiado aos Jesuítas. Sem eles, o Brasil ressentiu-se muito. Foi severamente proibida a utilização do nheengatu, a chamada “língua geral”, utilizada pelos inacianos em sua pregação em todo o litoral do Brasil, desde o Pará até as capitanias do Sul, e que era entendida correntemente por muitos brasileiros de origem europeia e sem qualquer sangue indígena. O resultado dessa proibição é que o Brasil, que poderia ser hoje uma nação bilíngue (como o Paraguai e o Peru), esqueceu quase completamente a memória do velho tupi, que na atualidade somente marca presença nos topônimos, em numerosas palavras do léxico brasileiro e na prosódia característica de algumas regiões em que se fala o “dialeto caipira” (como o considerou Amadeu Amaral). O falar “caipira”, de que legitimamente se orgulha nossa cidade, conserva forte influência do idioma nativo proscrito há 260 anos.

Em 1773, a Companhia de Jesus foi fechada pelo Papa Clemente XIV, pressionado por Pombal e por outros poderosos ministros de monarquias europeias. Foi um doloroso episódio da História da Igreja, até hoje ainda não inteiramente esclarecido.

Nenhuma Ordem religiosa sofrera, até então, uma investida tão brutal como a Companhia de Jesus. A figura caricatural do jesuíta - oculto por detrás das grades de um confessionário e manobrando inescrupulosamente consciências temerosas e, por meio delas, influindo na política das grandes nações - por toda a parte se impunha. Era moda ser contra a Companhia, era moda criticar os Jesuítas. Poucos ousavam, naquelas circunstâncias, defendê-los. Fazia-se em torno deles um como que consenso de hostilidade e desconfiança. Essa a força da propaganda orquestrada, da moda artificialmente imposta.

Dir-se-ia que a Companhia era imensamente impopular. Na realidade, se considerarmos em profundidade, nunca ela teve tanto prestígio como naquela época. Sintoma curioso desse prestígio real, se bem que inconfessado: muitos dos perseguidores da Companhia confiavam precisamente aos tão denegridos jesuítas a educação de seus filhos... E quando a Companhia foi fechada, dois monarcas não católicos se ofereceram a acolher os jesuítas proscritos: Frederico da Prússia e Catarina da Rússia. Reconheciam, com isso, seu papel eminente como educadores de alto nível.

Em 1814, o Papa Pio VII restauraria a Companhia de Jesus. Ao longo do século XIX, prosseguiu atuante o preconceito contra ela, e prosseguiu também seu prestígio, até mesmo entre os que a criticavam. Um exemplo curioso é reportado por Gilberto Freyre, em “Ordem e Progresso”. Lembra ele que Ruy Barbosa, quando redigiu um primeiro projeto de Constituição republicana, inseriu um dispositivo proibindo, para todo o sempre, que entrassem jesuítas na República recém-proclamada. A sugestão não vingou e a primeira Constituição do novo regime, promulgada em 1891, não continha essa vexatória exclusão. No entanto, como nota o mesmo Gilberto Freyre, os filhos de Ruy Barbosa foram educados... em colégios da Companhia de Jesus!

 

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS  -  é licenciado em História e em Filosofia, doutor na área de Filosofia e Letras, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Portuguesa da História

 



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CINTHYA NUNES - AVENTURAS EM SÉRIE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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            Em dias de quarentena a maioria das pessoas está atolada de serviços domésticos. De repente urge passar um pano para tirar o pó que se acumula sobre os móveis e faz todo mundo espirar. Espirros, aliás, nesses tempos virais, são piores do que soltar pum em público. Todo mundo te olha com um misto de pavor e reprovação. É o famoso “espalha rodinha”. Se bem que nem a rodinha de conversa é permita atualmente.

            Enfim, entre as mil tarefas do lar, as quais consomem grande parte do dia de muitas pessoas, sobretudo dos novos donos e donas de casa, uma opção de lazer acessível e segura é assistir televisão. Tenho evitado um pouco os noticiários, pegando um único resumo ao final do dia, mas depois que termino minhas obrigações diárias, sigo navegando pelos canais em busca de algo que possa me desligar nas inevitáveis preocupações, quase sempre indo parar no NETFLIX.

            Para quem não conhece, o NETFLIX é um serviço que, mediante pagamento de assinatura mensal, permite o acesso a uma plataforma repleta de filmes e séries, muitos deles originais e exclusivos. Minha preferência tem sido para as séries e tenho me surpreendido positivamente com o conteúdo de várias. Séries tem o mérito de permitir nossa permanência por mais tempo nas estórias que elas retratam. Temos tempo de nos ambientarmos no local onde os fatos se passam, bem como conhecer melhor os personagens, trazendo-nos uma sensação de familiaridade e creio que isso seja o que nos faz continuar acompanhando o desenrolar da trama.

            Encontrei duas de humor das quais gostei bastante. Ambas tratam de pessoas com mais de setenta anos, mostrando, de modo jocoso e inteligente, que a vida pode ser divertida e produtiva em qualquer idade. Grace and Frankie é estrelada por duas atrizes veteranas e as várias temporadas são diversão garantida. O Método Kominsky, protagonizado por Michael Douglas, trata de questões como envelhecimento, doença e morte, com um humor fino e ácido. Ambas provocam reflexões necessárias, trocando lágrimas por risadas.

            Gosto muito de temas policiais e descobri que há muita coisa boa com essa temática, para além do cinema americano e do glamour de Hollywood. Assisti Bordertown, Deadwind e Trapped recentemente e gostei bastante das três, sobretudo porque as duas primeiras são ambientadas na Finlândia e a última na Islândia, países sobre os quais eu quase nada sabia. Com tramas bem construídas, permitem ainda um tour pelos frios países e seus costumes. Paisagens de congelar a alma, mas que despertaram em mim o desejo de, quem sabe um dia, se o vírus permitir, conhecer pessoalmente tais lugares.

            Um ponto que chamou a minha atenção foi que nessas produções os personagens são representados por pessoas mais “normais”, sem cabelos super produzidos, maquiagem complexa às seis da manhã ou corpos esculturais. E penso que andamos precisando do menos em substituição ao mais, não só nesse mas em vários outros quesitos da vida. A qualidade das imagens, das cenas e do roteiro, ainda, em nada deixam a desejar, seja qual for o ponto de comparação.

            Esses são apenas alguns exemplos recentes, mas já perdi as contas de quantas séries assisti nessa quarentena. E elas existem para todos os gostos e idades, havendo infantis, adolescentes, de humor, terror, suspense, comédia, etc. Por óbvio que assistir a séries não nos irá tirar a dor de ver tanta coisa ruim acontecendo ao nosso redor, mas pode aliviar um pouco o estresse de não poder trabalhar, de não poder abraçar parentes e amigos. Se não podemos fugir em corpo, que nossos olhos e pensamentos possam ao menos nos distanciar momentaneamente do caos.

 

 

 

 

CINTHIA NUNES  -  é jornalista, advogada, professora universitária e está maratonando séries para prosseguir viajando – cinthyanvs@gmail.com 



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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - GENTE INVISÍVEL

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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 Conheço inúmeras pessoas invisíveis de idades diversas.
Recordo-me do senhor que vagava pelas ruas da cidade, na década de oitenta, com um dos pés enfaixado. Gostava de me contar casos miraculosos. Era um dos obscuros. Em um acesso de nervos, pela maneira que o trataram, balançou com fúria uma armação de metal que havia na praça. Passou a ser notado. Poucos ou muitos, sem recorrer à sua história, pregavam para ele algum tipo de condenação.
Lembro-me do menino de paletó de terno maior que ele, aos dez anos, dependente químico como a mãe, que morava no morro. A mãe me abordava em casa, jovem ainda, de corpo arcado, olhar opaco, os braços e forma de abraço nela mesma.  O garoto gostava de balas de morango. Nem mesmo a sua silhueta percebiam, até que, em troca talvez da própria droga, foi portador da venda de um revólver. No entra e sai em instituição para menores, sem efeito algum para ele, experimentou o cárcere no dia em que completou 18 anos. Aqueles que não o viam em suas tragédias comentaram sobre geração perdida. Tornou-se estatística de mortes dentro do sistema antes de completar 19 anos. A mãe morrera seis meses antes, tragada pelas águas da chuva em um bueiro. Não se pode dizer que foi encerrado o seu CPF, pois possuía apenas a certidão de nascimento. Ao saber de sua morte, houve quem respirou tranquilidade.
Mais um de meu convívio esporádico. Possuía rebaixamento mental e sua diversão ingênua era imitar o burrinho do Zé Béttio, radialista que faleceu em 2018.  Ignoravam-no. Nas proximidades da madrugada, o seduziam para esquetes pornográficos, motivo de deboche, quando um bar do centro descia as portas.
Gente invisível vive, desde pequeno, de goles, mais de amargura que de esperança, em casa, na escola, na rua. Une-se aos que possuem realidade semelhante. Evade-se da escola após ser considerado lixo. Fazer o que lá, sem estar alfabetizado e as aulas se tornarem enigmas? Onde foi parar a professora de olhos de colo? Gente invisível, muitas vezes, possui transtornos comportamentais. Quem facilita o tratamento? Gente invisível, em incontáveis situações, é espiada de longe por aqueles que poderiam tomar uma atitude de reconstrução. Ao se tornar manchete de jornal, ouvem-se interjeições de surpresa: “Oh, Ah, Uai, Puxa, Céus!”
Quanta falta de lucidez e comprometimento, meu Deus!

 

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.



 



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JOSÉ RENATO NALINI - POBREZA ASSASSINA

 

 

 

 

 

 

 

 

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A quase falência do Estado brasileiro dos últimos anos é fato notório. Dispensa a produção de prova. Sabe-se que a recessão, a estagnação, a falta de dinheiro para o social e menos ainda para a infraestrutura causa incontáveis dissabores. O desemprego é uma chaga que além de empobrecer a família, retira dignidade do desempregado.

Mas eu não tinha noção de que a crise econômica é também exitosa assassina. 31,4 mil mortes a mais no Brasil foram registradas no período de 2012 a 2017.

A pesquisa é séria e foi feita por pesquisadores ingleses e brasileiros, em 5.565 municípios do Brasil. Quando se verificou aumento de 1% na taxa de desemprego, houve acréscimo na mortalidade de 0,5%. Entre 2012 e 2017, o desemprego subiu de 8,4% para 13,7% e a morbidade cresceu 8%. Foi de 143 a 154 mortes por cem mil habitantes. Mais da metade desse crescimento se deve à crise econômica.

As vítimas preferenciais: sexo masculino, de 30 a 59 anos. Cidades com melhores investimentos no SUS e com eficiência na outorga da Bolsa-Família não registraram tal incremento, ao menos com tamanha intensidade.

O resultado da pesquisa foi publicado na revista científica The Lancet Global Health. Embora a morte seja multicausal, não há dúvida de que essa evidência empírica ajuda a compreender o que se passou no Brasil, principalmente entre os mais desfavorecidos, nesse lustro dramático.

Obviamente, o ufanismo vai questionar a pesquisa e vai atribuir interesses internacionais contra a soberania brasileira, inveja do nosso perfeito sistema de saúde, conspiração comunista.

Mas – e há sempre uma adversativa – contra fatos não há argumentos. Todos os brasileiros lúcidos devem se preocupar com essa chaga intolerável: mais de 30 mil semelhantes morreram por causa da crise. Os responsáveis pela corrupção pagarão por isso? É tangível o dano que não se circunscreve ao indivíduo morto, mas atinge uma comunidade inteira de pessoas de sua esfera de relacionamento?

Não há sinais de criação mágica de treze milhões de empregos. Mas há a alternativa do turismo que, levado a sério, poderia trazer milhões de visitantes ao Brasil. Para isso, invista-se em segurança pública. Depois em infraestrutura. E, sobretudo, em educação. Ela é remédio para tudo.

 

 

 

 

 

JOSÉ RENATO NALINI é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-Graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2019-2020.



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VALQUÍRIA GESQUI MALAGOLI - DUO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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É tão quieto o que rumino.

Silencioso é isto que escrevo.

Eu e a Letra – um só destino:

ser um no outro o próprio enlevo!

 

...

...

...

...

 

Tudo bem – vamos levando:

eu e o verso que se escreve...

E a gente vai se excitando

um assim que o outro se atreve.

 

 

 

 

Valquíria Gesqui Malagoli, escritora e poetisa, vmalagoli@uol.com.br



publicado por Luso-brasileiro às 13:09
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FELIPE AQUINO - UMA REFLEXÃO SOBRE SOBRE A PANDEMIA AOS OLHOS DA FÉ

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Como a humanidade é solidária, recebemos o bem e o mal que  todos realizam. Tudo de bom que precisamos recebemos do trabalho dos outros (alimento, roupa, aparelhos, etc.). Da mesma forma, os males da humanidade nos atingem, aos bons e aos maus. Cada pecado que cometemos faz aparecer em algum lugar uma semente de sofrimento.

Sabemos que Deus é Onipotente, Ele pode evitar que o mal nos atinja, mas permite que isso aconteça porque estabeleceu o mundo em leis que Ele respeita. Assim, por exemplo, Ele não pode suspender a lei da gravidade se alguém cai de um prédio, senão o mundo acabaria. Mas Deus nos deu inteligência, para discernir o bem do mal; liberdade, para escolher o bem; vontade, para praticar apenas o bem; e a consciência, que nos recomenda “fazer o bem e evitar o mal”. Então, se,  usando mal esses talentos que Deus nos deu, cometemos o mal, Deus permite que suas consequências nos atinjam para nossa correção e salvação. Os gregos já diziam que “mathos, phatos” (o sofrimento é escola).

Essa pandemia é resultado da desordem que o pecado original introduziu no mundo. Se Deus não impediu que ela se manifestasse é porque tem um desígnio de salvação atrás disso. Santo Agostinho disse que “se Deus não soubesse do mal tirar o bem, não permitiria o mal acontecer”. (O Livre Arbítrio, I, 1, 2)

Não podemos esquecer as graves e inúmeras ofensas que toda a humanidade tem feito a Deus, calcando aos pés as Suas santas leis, aceitando infelizmente o aborto, a eutanásia, o casamento de pessoas do mesmo sexo, pornografia, adultério, ideologia de gênero, além das profanações do sagrado de muitas formas. E vemos as crianças serem pervertidas na sexualidade. A pergunta que fica é essa: Até quando Deus vai permitiria tudo isso que leva a humanidade para o inferno?

 

 

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Então, aqueles que amam a Deus, precisam dobrar os joelhos e pedir perdão a Deus pelos pecados de todos, desagravando o Senhor de tantas ofensas recebidas, e pedir que essa tormenta cesse.  Disse o profeta Oséias: “Vinde, voltemos ao Senhor, ele feriu-nos, ele nos curará; ele causou a ferida, ele a pensará. Ele nos dará de novo a vida em dois dias; ao terceiro dia ele nos levantará e viveremos em sua presença” (Os 6,1-2).

Precisamos atravessar essa crise, com fé e esperança, firmes no que diz São Pedro: “Deus de toda a graça, que nos chamou  em Jesus Cristo à sua eterna glória, depois que tiverdes sofrido um pouco, vos aperfeiçoará, fortificará e consolidará” (1Pe 5,10).

É um momento de meditarmos o que nos ensina a Carta aos Hebreus, sobre a correção divina aos homens:

“Estais esquecidos da palavra de animação que vos é dirigida como a filhos: Filho meu, não desprezes a correção do Senhor. Não desanimes, quando repreendido por ele; pois o Senhor corrige a quem ama e castiga todo aquele que reconhece por seu filho (Pr 3,11s). Estais sendo provados para a vossa correção: é Deus que vos trata como filhos. Ora, qual é o filho a quem seu pai não corrige? Mas se permanecêsseis sem a correção que é comum a todos, seríeis bastardos e não filhos legítimos… Os primeiros nos educaram para pouco tempo, segundo a sua própria conveniência, ao passo que este o faz para nosso bem, para nos comunicar sua santidade. É verdade que toda correção parece, de momento, antes motivo de pesar que de alegria. Mais tarde, porém, granjeia aos que por ela se exercitaram o melhor fruto de justiça e de paz.” (Heb 12,4-10)

A maioria dos homens só pensa em dinheiro e nos prazeres da vida e o progresso tecnológico têm nos cegado para os valores eternos. Este é o momento de parar, pensar, meditar e buscar a Deus de coração contrito.

Este é o momento de “sofrer na fé”, isto é, juntar os nossos sofrimentos aos de Cristo pela salvação do mundo, como disse São Paulo: “Completo na minha carne o que falta à paixão de Cristo no seu corpo que é a Igreja” (Col 1,24). Assim, os bons, embora sofrendo, darão sentido ao sofrimento, e ele será aliviado e suportado.

 

 

 

 

FELIPE AQUINO   -      é viuvo, pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br Twitter: @pfelipeaquino

 



publicado por Luso-brasileiro às 13:00
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JORGE VICENTE - MÃE !

 

 

 

 

 

 

 

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JORGE VICENTE    -   Fribourgo, Suiça



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PAULO R. LABEGALINI - AS DUAS VIZINHAS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Duas vizinhas viviam em pé de guerra e não podiam se encontrar que era briga certa. Um dia, dona Jacira resolveu provocar ainda mais a ‘inimiga’ e mandou-lhe esterco de vaca como presente – para ver a reação da outra.

Assim que dona Clotilde abriu o embrulho, sentiu que a situação estava se tornando insuportável e passou a rezar pedindo paz entre elas. À noite, sonhou que foi visitar o inferno e viu todas as pessoas passando muita fome. Lá, os garfos eram enormes, os braços dos pecadores não se dobravam nos cotovelos e, como era regra comer pegando na ponta do garfo, ninguém conseguia levar a comida à boca.

No dia seguinte, dona Clotilde sonhou que foi visitar o céu e, lá, também os cotovelos não eram articulados, os garfos eram grandes, a regra para se alimentar era a mesma, mas todos estavam felizes e bem gordinhos. Quando perguntou a um anjo como era possível aquilo estar acontecendo, ouviu a resposta: ‘No inferno, eles não se perdoam e continuam passando fome. Aqui, ninguém guarda ressentimentos e um alimenta o outro – levando a comida do garfo até a boca do mais próximo.’

Algum tempo depois, dona Jacira recebeu uma linda cesta de flores e um bilhete de sua vizinha: “Querida, cultivei-as com o esterco que você me presenteou, aliás, um excelente adubo que serviu para reatarmos a amizade. Comprei uns garfos especiais e gostaria que você almoçasse comigo amanhã. Com carinho, Clotilde.”

Foi assim que elas aprenderam que cada um dá ao próximo aquilo que tem em abundância dentro de si. Resolveram, então, cultivar a paz para viverem em paz e, como a felicidade completa só existe nos corações de pessoas de fé, cada vez mais a oração passou a fazer parte de suas vidas.

Eu acredito que muito mais do que uma bela história, este relato serve para nos ajudar a refletir na importância do perdão nos dias de hoje. Primeiro, porque se não perdoamos não somos por Deus perdoados e não seremos salvos. Segundo, porque as consequências da falta de perdão são todas ruins à nossa saúde. Terceiro, porque quem não perdoa não é digno de professar a fé cristã e deixa de alcançar muitas graças para a família.

Eu já fui uma pessoa que rangia os dentes quando me lembrava de alguns desafetos, mas, com sinceridade, hoje isso não acontece mais. Há anos que rezo, pedindo a Jesus que faça o meu coração manso e humilde semelhante ao Dele e, com a ajuda de Nossa Senhora da Agonia, a cada dia vou melhorando um pouquinho mais.

Citei a ajuda de minha Mãezinha porque Ela me acompanha sempre e foi por seu intermédio que descobri a minha missão na igreja católica. Convivendo com pessoas que a amam com fervor, aprendi o verdadeiro espírito cristão que nos aproxima de Deus e, analisando a vida da Virgem Maria, concluí que não há limites para servir e obedecer o seu Filho Santo.

Contudo, sabemos que as graças não chegam de graça. Só as continuam recebendo em abundância aqueles que se perdoam e vivem em comunidade. É um exercício para a santidade que se completa na missão que abraçamos na igreja católica. Se Jesus Cristo perdoou até aqueles que o traíram, quem somos nós para guardarmos rancores uns dos outros?

Voltando à história das duas vizinhas, podemos tirar mais uma lição a respeito do perdão: ‘Quem quer amar como Jesus amou e quer ser protegido por Maria Santíssima, deve evangelizar e perdoar sempre. Só assim poderá chegar ao céu.’

Então, perdoe e evangelize você também, porque, com certeza, não se arrependerá.

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI - Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor Doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre.‘Autor do livro ‘Mensagens Infantis Educativas’ – Editora Cleofas.



publicado por Luso-brasileiro às 11:59
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - A ÚLTIMA RAINHA DE PORTUGAL, D. AMÉLIA ORLÉANS DE BRAGANÇA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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No ano do centenário de nascimento da Rainha D. Amélia, meu pai, foi encarregado, pelo conhecido jornalista, Costa Barreto – que muito admirava e apreciava o seu estilo poético, – a realizar pequena homenagem, à última Rainha de Portugal, para o velho matutino portuense: “O Comércio do Porto”.

Baseado no excelente texto, e em informações, que fui colhendo, seleccionei elementos preciosos, que irei apresentá-los ao leitor curioso.

A Rainha D. Amélia, nasceu quando seus pais se encontravam no exílio, em Inglaterra – o Conde Luís Filipe Alberto e a Condessa Isabel Francisca de Assis, – a 28 de Setembro de 1865, no Palácio de Twichenham, e batizada, pelo Rev. Guelle, arcebispo de Westminter, no mesmo dia que nasceu.

A mãe, a Condessa Isabel, educou-a, apesar da grande fortuna que possuía, de forma simples; incentivando-a a conviver, sem preconceito, nem vaidade bacoca de superioridade, infelizmente, tão habitual em alguns membros da Alta e mormente, da “baixa” nobreza.

 

 

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Quando a graciosa princesa chegou à idade de fazer a Primeira comunhão, em lugar de trajar vestido rico, de elevado valor, como era normal em crianças da sua linhagem, envergou vestidinho modesto, igual ao das meninas pobres da povoação de Eu.

Gostava sua mãe, dizer, para quem a ouvia, e à própria filha, que a vestira com simplicidade, para que ninguém se sentisse humilhado…

A boa educação materna, moldou-lhe o carácter e o generoso coração da princesinha, que mais tarde, seria Rainha de Portugal – D. Maria Amélia Luísa Helena de Bourbon Orléans de Bragança. A Rainha, que apertava, sem pejo, as mãos de modestos operários, e socorria, quase sempre secretamente, os pobres da cidade de Lisboa.

 

 

 

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Pelo entardecer, ao lusco-fusco, ou a pleno dia, sob o disfarce de caridosa senhora, acompanhada, apenas por uma dama, a Rainha, saia dissimulada, a visitar os pobres, carentes de tudo…até de afectos.

Além da importância, que deixava, ensinava elementares noções de puericultura; beijava afectuosamente os petizes; e, por vezes, trocava as fraldas dos bebés!...  Com sorriso nos lábios e olhos brilhando de pura alegria.

Quem pensaria, nessa remota época, que a amável senhora, que deixava, juntamente com palavras amigas, a quantia necessária, para que as crianças não passassem fome, era a própria Rainha?!

Nessas horas de caridade, envergava modesto vestido negro; e dissimuladamente, toda de preto, para não ser reconhecida, saía com o rosto sempre velado por espesso véu, que escorria elegantemente do chapéu.

Vestidos, que muitas vezes, eram fabricados por suas próprias mãos assim como os chapéus.

 

 

 

 

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O dinheiro arrecadado, que de outro modo, iria para modistas de Alta-costura, era inteiramente canalizado para casas de humildes trabalhadores e mulheres marginalizadas.

Foi incansável, também, na luta que travou (com dinheiro e influência,) contra a tuberculose, espalhando sanatórios por toda a nação.

Chegou a transformar a Residência Real de Outão, num hospital!

Seria imperdoável, nesta reduzidíssima biografia, não recordar: que em 1905, fundou o Museu dos Coches, reunindo carruagens, que estavam a detiorá -se, e, certamente, se perderiam para sempre.

Para mim, que dou muito mais valor a actos de bondade, que títulos nobiliárquicos, e universitários, gestos de ternura e generosidade, toca-me deveras o coração, e é excelente exemplo para as senhoras, que apenas, espanejam: dinheiro e beleza, nos salões do high-life.

 

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A terminar a brevíssima biografia, e ainda a título de curiosidade, acrescentarei:

Chegou a Portugal, para casar, a 19 de Maio, de 1886. Desembarcou no cais da estação ferroviária de Santa Apolónia, na companhia dos pais, irmão Filipe e o tio-avô, duque de Aumâle, general de cavalaria de França.

Decorrido três dias matrimoniou-se, na igreja de S. Domingos. Foi casamento de amor, raro na época, entre membros das Famílias Reais.

 

 

 

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Após, aproximadamente dois anos, do monstruoso regicídio, exilou-se em Londres. Depois do casamento do filho, D. Manuel, foi residir no Castelo de Bellevue, em Versalhe, onde recebia portugueses, indiferente às ideologias políticas.

Faleceu, a 25 de Outubro, de 1951, no Palácio de Bellevue, próximo de Paris.

Haveria, ainda, em Junho de 1945, visitar Portugal, terra que nunca a esqueceu, e guardava, apesar de tudo, as mais gratas recordações.

 

 

História em Imagens: A Visitar: Palácio Nacional da Pena



publicado por Luso-brasileiro às 10:55
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EUCLIDES CAVACO - HERÓI DE ABRIL - Poema e voz de Euclides Cavaco.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Neste momento dramático para todos nós,mesmo sem sair de casa podemos evocar o nosso patriotismo sem fazer o inoportuno e costumado teatro de alguns tagarelas políticos.

Videografia do talentoso amigo Afonso Brandão.
 
 


https://www.youtube.com/watch?v=oy1VF9W9HZE&feature=youtu.be
 
 

 

 

Desejos duma magnífica semana.
 
 
 
 
 

EUCLIDES CAVACO  -   Director da Rádio Voz da Amizade , Canadá.

 

 

 

 

 

***

 

 

 

NOTICIAS DA DIOCESE DO PORTO

 

 http://www.diocese-porto.pt/

 

 

NOTICIAS DA DIOCESE DE JUNDIAÍ - SP

 

 

 https://dj.org.br/

 

***

 

 

 

Leitura Recomendada:

 

 

 

 

 

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Jornal católico da cidade do Porto   -    Portugal

 

Opinião   -   Religião   -   Estrangeiro   -   Liturgia   -   Area Metropolitana   -   Igreja em Noticias   -   Nacional

 

 

https://www.jornalaordem.pt/

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HORÁRIOS DAS MISSAS NO BRASIL

 

 

Site com horários de Missa, confissões, telefones e informações de Igrejas Católicas em todo o Brasil. O Portal Horário de Missas é um trabalho colaborativo onde você pode informar dados de sua paróquia, completar informações sobre Igrejas, corrigir horários de Missas e confisões.



https://www.horariodemissa.com.br/#cidade_opcoes 

 

***



publicado por Luso-brasileiro às 10:35
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Sexta-feira, 24 de Abril de 2020
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - FERROVIA NO BRASIL. IMPORTANTE NO PASSADO, DESPREZADA NO PRESENTE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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        Celebra-se a 30 de abril, o Dia do Ferroviário já que nessa data em 1854, inaugurou-se a primeira linha ferroviária do Brasil, numa viagem que contou com a presença do imperador dom Pedro 2º e de sua mulher, Tereza Cristina.  Era a Estrada de Ferro Petrópolis, que tinha aproximadamente quatorze quilômetros de trilhos, ligando o Rio de Janeiro a Raiz da Serra, na direção da cidade que a batizou. Consolidou-se em cima de um projeto e do empreendimento de Irineu Evangelista de Sousa, que por sua iniciativa, recebeu o título de Barão de Mauá. Por ocasião dessa celebração, sempre destacamos que a nossa cidade foi extremamente importante na área.

              Com efeito, além da “Estrada de Ferro Santos-Jundiaí”, que conduzia exportações de diversas localidades ao maior porto brasileiro, foi instalada na cidade de Jundiaí-SP uma sede administrativa muito grande da “Cia. Paulista de Estradas de Ferro”, de origem inglesa, empregando muita gente e influenciando sobremaneira na consolidação de inúmeros de seus aspectos sociais, esportivos e culturais, entre os quais, o Grêmio CP (um dos clubes de manifesta projeção), o Paulista Futebol Clube e o Gabinete de Leitura Ruy Barbosa.

         Até a junção de todas as empresas a formarem a FEPASA, trabalhar na “Paulista” era motivo de muito orgulho e indicava que o seu funcionário era um “bom partido” para casamento, pois subtendia estar estável e ganhar relativamente bem. Outro ponto inesquecível: recordo-me quando criança que minha mãe às vezes acertava o relógio com a passagem do trem que víamos pelo quintal, dada precisão de horário de suas saídas e chegadas.

Dá muita saudade das viagens e passeios que fazíamos. Eram sensações incríveis e momentos prazerosos. E os funcionários das empresas ferroviárias faziam de tudo para preservar as linhas de percurso e a segurança dos passageiros. Efetivamente a ferrovia é um dos meios de transporte mais românticos, sentimentais, bonitos, eficientes e econômicos do mundo e em nosso país, ao contrário, apesar de toda a tradição que tínhamos da tecnologia europeia que aqui foi estabelecida por seus melhores técnicos, acabamos por abandoná-la.

Há contra ela atualmente vários lobbies: o das companhias aéreas, o das transportadoras por caminhão, o das empresas de petróleo, o dos fabricantes de veículos. Apesar de não se lhe outorgar o valor merecido na atualidade em nosso país, ela tem presença significativa no progresso nacional, sendo que os ferroviários eram muito respeitados e devem ser permanentemente reverenciados, mesmo com o enfraquecimento da categoria pelo muito que fizeram pela Nação.

E ainda temos esperanças e torcemos para que as glórias do passado dos trens no Brasil não sejam apenas boas lembranças a cultivarem nossas memórias para se tornarem projetos concretos de reativação do transporte no País.

 

                  

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor da Faculdade de Direito do Centro Universitário Padre Anchieta de Jundiaí. Foi presidente das Academias Jundaienses de Letras e de Letras Jurídicas. É mestre em Ciências Sociais e Jurídicas pela PUCCamp (martinelliadv@hotmail.com)



publicado por Luso-brasileiro às 12:37
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