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Quinta-feira, 14 de Maio de 2020
CINTHYA NUNES - PÃO

 

 

 

 

 

 

 

 

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            Comecei a fazer pães ainda adolescente, inspirada pelo meu avô paterno, Seu José, que era padeiro. Infelizmente ele faleceu antes de conseguir me ensinar os segredos de seus pães, roscas, sonhos e outras delícias. Tivemos, no entanto, o tempo do encantamento. Pude observá-lo, muitas vezes, manipulando a farinha, transformando-a em massa que, após sair do forno, era não só alimento, mas obra de arte.

            Perfumados, saborosos, em diferentes formatos e tons que iam do marrom mais acentuado ao mais claro, de cascas sutis e miolo macio. Foi um caso de amor à primeira mordida com manteiga. Comer pão é um prazer ao qual me dedico com alegria. Não abuso, no entanto. Como com a moderação de quem degusta, sabedora de estar diante de um alimento milenar, global e delicioso.

            Assim, mesmo após a morte do meu avô, iniciei minhas tentativas de panificar. Quando estava na faculdade, logo no primeiro ano, encontrei uma receita de pão de leite condensado. Acho até que eram aquelas receitas que vinham no verso da lata. O resultado foi um pão imenso e extremamente fofo que agradava os jovens recém-saídos da adolescência e repletos de fome do pensionato misto onde morei por quase um ano. Infelizmente aquela receita se perdeu nas décadas que se sucederam.

            Há pouco mais de dez anos comprei uma máquina de fazer pães e durante meses fiquei enlouquecida! Era possível fazer geleia e até programar para que um pão ficasse pronto nas primeiras horas do amanhecer. E bastava colocar os ingredientes lá dentro, apertar uns botões e pronto: lá vinha pão. No começo sofri um pouco e alguns pães ficaram meio consistentes demais, por assim dizer. Poderiam ser usados até mesmo como tijolos, mas tão logo entendi a dinâmica da máquina, usei-a sem dó nem piedade. Só diminui o ritmo quando os botões das minhas calças, em protesto, recusaram-se a entrar na casa.

            Sem dúvida que a máquina era uma praticidade, mas eu queria mesmo era botar a mão na massa, era trabalhar pães mais artesanais e, agora já na era da internet, comecei a procurar maiores informações e vídeos, arriscando-me a fazer o meu próprio fermento natural, o levain. Foi um tempo de experiências, algumas boas e outras nem tanto, mas cada pão era uma promessa de massas melhores.

Certo dia, há cerca de 5 anos, tomei coragem e me inscrevi em uma oficina de pães, ministrada em uma escola de panificação francesa aqui de São Paulo. Ao término de 9 horas em pé ao lado de fornos industriais muito quentes, saí da aula com os braços carregados de muitos e maravilhosos pães e a cabeça cheia de ideias sobre farinhas mais fortes, fornos mais eficientes e mais uma pequena lista de coisas que eu poderia providenciar.

De lá para cá já passei por vários outros cursos e entendi que não há uma única ou correta maneira de fazer pão. Há muitos fatores que influenciam nos resultados e ainda estou muito longe dos pães que os mestres da panificação produzem. Uma coisa, no entanto, há em comum entre todos aqueles que se dedicam de verdade a essa atividade: o amor! Todo pão feito com carinho, com respeito aos grãos que se tornaram farinha, pouco importando, em verdade, se o resultado foi o melhor esperado, é especial.

 Só quem conhece o aroma de um pãozinho saindo do forno em uma tarde fria, sobretudo nesses dias tão difíceis, é capaz de entender o poder terapêutico que isso tem. Considero um processo de alquímico, incrível de acompanhar e delicioso de saborear. Fazer tem me ajudado a manter a sanidade mental. Meus vizinhos, penso eu, agradecem, eis que nas portas deles, semanalmente, apareço com pequenos mimos. Se você nunca fez pão, não se intimide: há receitas para todos os bolsos, gostos e habilidades disponíveis na internet. Aventure-se. Faça pão. Um dia isso tudo vai passar. Tenhamos fé!

 

 

 

 

Cinthya Nunes é jornalista, advogada e faz “paoterapia” – cinthyanvs@gmail.com

 



publicado por Luso-brasileiro às 13:24
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - IMPREVISTOS E REFLEXOS

 

 

 

 

 

 

 

 

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Desde que fomos atacados pela Covid-19, os imprevistos se agigantaram, isso sem dizer dos medos, pavores, dores e lutos de tantos. Conviver com o imprevisível: desmonta os nossos propósitos e, de acordo com sua intensidade, tira-nos o chão.
Diversas pessoas têm repetido o poema “José”, de Carlos Drummond de Andrade, publicado originalmente em 1942: “E agora, José? / (...) a luz apagou, / (...) a noite esfriou, / e agora, José? /e agora, você? /(...) e tudo fugiu/ e tudo mofou, /e agora, José? /(...) Se você gritasse, /(...) você marcha, José! / José, para onde?” O texto se focou nos problemas sociopolíticos do Brasil em plena Segunda Guerra Mundial em que o país entrara num regime ditatorial do Estado Novo de Getúlio Vargas, porém continua nos falando.
Os mais empobrecidos são as maiores vítimas, não apenas pela fragilidade física e situação econômica, mas também pelos limites no discernimento.
A Associação Socioeducacional Casa da Fonte, que tem como mantenedora a Companhia Saneamento de Jundiaí, através da assistente social Pérola Maria Dolce,  se colocou à disposição da comunidade do Jardim Novo Horizonte, com horários agendados e cuidados de higienização e proteção, no atendimento presencial para o cadastro do benefício emergencial, pelo telefone fixo ou celular. A constatação é a seguinte:  são poucos os mais idosos que possuem celular ou telefone fixo. Necessitam de alguém. Nem sempre os filhos se dispõem a ajudá-los. Muitos dos celulares são antigos e sem acesso à internet. Nos aparelhos mais novos, ou jamais tiveram internet ou não conseguem mais pagar o acesso. Inúmeros não sabem “navegar” e muito menos acompanhar o próximo passo para algo. A falta de escolaridade dificulta a digitação e o entendimento da pergunta feita pelo aplicativo.  A pedagoga Rosana Sueli Biagiotto também colabora no cadastro. Um dia desses, um dos atendidos, para prosseguir, necessitou procurar a vendedora de Yakult, em cujo celular fizera o cadastro, a fim de obter o código de acesso. Ou seja, é uma fantasia, em um país como o Brasil com pessoas com variadas dificuldades, considerar que cadastro, via internet, de formas diferentes, incluindo o Whatsapp, possa facilitar a vida dos indivíduos.
Que falta faz o investimento sério em educação com oportunidades iguais. E daí? Eu me importo. Nós nos importamos.

 

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.



publicado por Luso-brasileiro às 13:18
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ANTÓNIO FRANCISCO GONÇALVES SIMÕES - AS VIRTUDES CAPITAIS DO SÉCULO XXI - 1ª Série - 1ª . A LIBERDADE ( Continuação)

 

 

 

 

 

 

 

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Liberdade na Filosofia -  Segundo a filosofia, liberdade é o conjunto de direitos de cada indivíduo, seja ele considerado isoladamente ou em grupo, perante o governo do   país em que reside;  é o poder de qualquer cidadão exercer a sua vontade dentro dos limites da lei.

Diversos filósofos estudaram e publicaram  algumas obras sobre a liberdade. Para Descartes, a liberdade é motivada pela decisão do próprio indivíduo, mas muitas vezes essa vontade depende de outros factores, como dinheiro ou bens materiais.

 

Segundo Kant, a liberdade está relacionada com autonomia; é o direito do indivíduo dar suas próprias regras, que devem ser seguidas racionalmente. Essa liberdade só ocorre realmente, através do conhecimento das leis morais e não apenas pela própria vontade da pessoa. Kant   diz que a liberdade é o livre arbítrio e não deve ser relacionado com as leis.

Para Sartre: a liberdade é a condição de vida do ser humano, o princípio do homem é ser livre. O homem é livre por si mesmo, independente dos factores do mundo, das coisas que ocorrem, ele é livre para fazer o que tiver vontade.

Karl Marx diz que a liberdade humana é uma prática dos indivíduos, e ela está directamente ligada aos  bens materiais. Os indivíduos manifestam sua liberdade em grupo, e criam seu próprio  mundo, com seus próprios interesses.

Nós Portugueses  estamos habituados a  pronunciar e a cantar a palavra “liberdade” desde que em Abril de 1974  se  proclamou  publicamente a palavra liberdade, como resposta a tantos anos de ditadura..

A este propósito  alguém fez este comentário:

“ A minha liberdade está longe  da euforia da conquista de Abril, dos ideais cantados  por tantas vozes poderosas, pelas ideias que iriam mudar o país.

Não me interpretes mal, Liberdade, é evidente que a democracia é incomensurável-mente  melhor do que  qualquer ditadura, acontece apenas que ainda existem situações de aprisionamento, de condicionalismo, de vigilância.

A minha liberdade é ameaçada quase todos os dias, por ser mulher, por ter a idade que tenho, por ter feito um percurso assim ou assado. Sim, conquistámos montanhas, andámos quilómetros em mais de 40 anos. A revolução do 25 de Abril em 1974 foi bonita; não foi, no entanto, maravilhosa para sempre. Talvez o mal esteja nas pessoas.

São as pessoas que se acomodam às ditaduras, são as pessoas que definem as democracias.

Penso em ti, Liberdade, como quem pensa num objectivo máximo. Ser livre para ser quem sou, para dizer o que quero, para fazer o mesmo que qualquer outro, homem e mulher, com igualdade, paridade, com as mesmas  condições. A mesma remuneração.

Dirás, Liberdade,  que estou a ser ingrata, que as mulheres são hoje mais livres. Tens razão. Mas eu sou ambiciosa, quero mais. Não te ofendas, não”.

Na verdade, a liberdade é uma grande virtude  deste século, que  é praticada  em  muitos países, em muitas sociedades, em muitas famílias e em muitas pessoas. Mas, a liberdade deve ter uma regra:  A minha liberdade termina onde começa a liberdade do meu próximo.                      

      

(continua no próximo número)

 

 

 

 

 

ANTÓNIO FRANCISCO GONÇALVES SIMÕES   -   Sacerdote Católico. Coronel Capelão das Frorças Armadas Portuguesas. Funchal, Madeira.  -    Email   goncalves.simoes@sapo.pt

   


publicado por Luso-brasileiro às 13:03
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JOSÉ RENATO NALINI - O QUE NOS RESERVA AMANHÃ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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A morte, única certeza num porvir ignorado, suscita infinitas reflexões. Ninguém, ao menos em situação de higidez mental, a deseja. Mas ela nos espreita e não se poderá argumentar com a surpresa. Ela não só é possível e provável: ela é inevitável.

Interrompe amores e convivências. Impõe solidão. Mutila os sentimentos. Mas atinge a todos. Inapelavelmente.

Para contornar a tristeza imensa que ela causa, adotamos ritos funéreos. Velamos, oferecemos flores, sepultamos. E erigimos túmulos.

 A arte tumular é permanente na história da civilização. As pirâmides encontram similar majestoso no Taj Mahal. Cemitérios há que se tornam roteiros turísticos, seja pela celebridade dos ali residentes, seja pelos magníficos exemplares esculturais. Pense-se no Père Lachaise, de Paris, no cemitério da Recoletta, em Buenos Aires e no pouco visitado Cemitério da Consolação. Sou habitual visitante de cemitérios. Há pouco, ao adentrar ao de Vila Viçosa, em Portugal, defrontei-me com o túmulo de Florbela Espanca. Lembrei-me dos poetas que morreram jovens e fui reler a vida de Álvares de Azevedo.

Manoel Antonio Álvares de Azevedo, o “Maneco”, nasceu em SP, em 12.9.1831 e morreu em 25.4.1852, no RJ. Suas últimas palavras: “Que fatalidade, meu Pai!”.

Foi enterrado no Cemitério de D.Pedro II, na Praia Vermelha, onde hoje está o Instituto dos Cegos. Três anos depois, seus restos foram trasladados para o Cemitério São João Batista. Episódio curioso: resolvido o fechamento do cemitério, ele ficou durante dois anos abandonado. Uma tempestade acabou com vários túmulos da velha necrópole. Foi então que um amigo de Álvares de Azevedo, sabedor de que a família se ausentara do Rio, tomou a si o encargo de restaurar o túmulo. Só que o fez equivocado. Lápide aposta em outro jazigo.

Quando a família foi visitar, fez-se acompanhar do cão “Fiel”, que fora de Maneco. Este começou a chorar sobre uma sepultura abandonada. Por insistência da mãe, exumou-se o cadáver que ali estava e era o de Álvares de Azevedo. Procedeu-se, assim, à sua identificação e traslado.

Um cão pode ensinar aos humanos que o culto aos falecidos não pode ser relegado. Diante da insensibilidade que acomete os coetâneos, o que nos reservará o amanhã, quando aqui já não estivermos?

 

 

 

 

 

JOSÉ RENATO NALINI é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-Graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2019-2020.

 

 

 

 

 

 

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publicado por Luso-brasileiro às 12:01
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JOSÉ ANÍBAL MARINHO GOMES - MONÁRQUICOS QUE LUTARAM PELA LIBERDADE - BREVÍSSIMAS NOTAS

 

 

 

 

 

 

 

 

a foto de perfil de José Aníbal Marinho Gomes, A imagem pode conter: 1 pessoa, a sorrir, closeup e ar livre

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Salazar nunca permitiu que os monárquicos alcançassem o poder, anulando desta forma e de outras, a importância política D. Duarte Nuno.

 

 

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Dom Duarte Nuno de Bragança

 

 

Luís de Almeida Braga e José Hipólito Raposo, tinham criticado o regime autoritário, chamando-lhe "salazarquia" e Rolão Preto afirmava que "o Estado Novo foi a ruína da Nação".

 

 

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Luís de Almeida Braga

 

 

Hipólito Raposo, recusa em 1930 colaborar com a União Nacional, afirmando que os monárquicos deviam fazer o mesmo e opõe-se de forma directa à institucionalização do Estado Novo. Em 1940 publicou “Amar e Servir”, aqui denuncia de uma forma muito dura a Salazarquia, desferindo um severo ataque a Salazar o que lhe valeu a demissão de todos os cargos públicos que ocupava e a sua imediata deportação para os Açores.

 

 

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Hipólito Raposo

 

 

É, portanto, a partir dos anos 40 do século passado, que a oposição monárquica a Salazar começa a manifestar-se.

No ano de 1945, José Pequito Rebelo vê a lista de que fazia parte às eleições, por Portalegre recusada para o acto eleitoral de 18 de Novembro, por os candidatos da mesma não terem declarado que aceitavam os princípios fundamentais da ordem estabelecida.

 

 

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Pequito Rebelo

 

 

Em 1949 Rolão Preto candidata-se às eleições de 13 de Novembro por Vila Real e Pequito Rebelo, de novo, por Portalegre, eleições para as quais se presumia que este último seria vencedor. No entanto, o acto eleitoral foi interrompido pelo presidente da Câmara de Elvas, Mário Cidrães, que se dirigiu á mesa eleitoral e ao mandatário da lista informando-os que por decisão superior o acto eleitoral não podia continuar.

 

 

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Rolão Preto

 

 

Luís de Almeida Braga e Vieira de Almeida combatem o «Estado Novo» e são expulsos em 1949 da Causa Monárquica, por esse motivo, uma vez que este movimento monárquico não queria afrontar o regime, pois vivia na ilusão que a monarquia viria a ser restaurada.

 

 

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Vieira de Almeida

 

 

Os monárquicos começam a organizar-se e a partir dos anos 50 iniciam uma luta declarada contra o Estado Novo. Defendem a liberdade e a democracia e apoiam candidaturas oposicionistas ao regime.

Após a morte do Presidente Óscar Carmona, ocorrida a 18 de Abril de 1951, alguns monárquicos como Mário de Figueiredo e Cancela de Abreu propuseram a restauração da monarquia, mas Salazar, Albino dos Reis e Marcello Caetano opuseram-se. Aliás, este último, no III Congresso da União Nacional, que se realizou em Novembro desse ano em Coimbra, considera de menor importância a questão do regime, afirmando que ao ser levantada podia criar indesejáveis divisões entre os Portugueses.

Nesse ano de 1951, Rolão Preto apoiou a candidatura presidencial oposicionista de Quintão Meireles.

No mês de Outubro de 1957, antes das eleições legislativas de 4 de Novembro,  um grupo de monárquicos, do qual faziam parte, entre outros, Gonçalo Ribeiro Telles (um dos fundadores do Movimento dos Monárquicos Independentes (MMI), ao qual também se junta Luís de Almeida Braga), Francisco de Sousa Tavares, João Vaz de Serra e Moura e Henrique Barrilaro Ruas, publica um manifesto onde contestam qualquer forma de ditadura, que consideram ser inconstitucional e defendem a democracia como uma das soluções para resolver os problemas de Portugal.

 

 

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Ribeiro Telles

 

 

No ano de 1958 a candidatura do General Humberto Delgado à Presidência da República conta com o apoio destacado de Rolão Preto, Fernando de Morais Sarmento Honrado, Luís de Almeida Braga, sobressaindo-se este último, como causídico na defesa de Henrique Galvão, após o assalto ao Paquete «Santa Maria». 

Entretanto começam a verificar-se divisões internas no Movimento dos Monárquicos Independentes e Ribeiro Telles, com alguns monárquicos, entre os quais Francisco de Sousa Tavares e João Camossa, funda o Movimento dos Monárquicos Populares (MMP).

 

 

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Francisco Sousa Tavares

 

 

Muitos monárquicos (Gonçalo Ribeiro Telles, Francisco de Sousa Tavares, João Camossa, etc.) estiveram implicados na chamada “Revolta da Sé” que foi uma tentativa de golpe militar e civil verificada na noite de 11 para 12 de Março de 1959 que a PIDE consegue desmantelar e onde são feitos prisioneiros uma série de oficiais de patente intermédia, que contavam com o apoio  de algumas figuras de topo da hierarquia militar e alguns civis, entre os quais o Padre João Perestrelo de Vasconcelos, pároco da Sé Patriarcal de Lisboa, local, onde os revoltosos se reuniram, sendo, no total, detidas cerca de três dezenas de pessoas.

 

 

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João Camossa

 

 

Ainda em 1959, Francisco de Sousa Tavares, Gonçalo Ribeiro Telles, Sophia de Mello Breyner Andresen entre outros enviam uma carta ao Presidente do Conselho, Salazar, na qual denunciam os métodos da PIDE.

 

 

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Sophia de Mello Breyner Andresen

 

 

No dia 12 de Novembro de 1961 há as primeiras eleições após o início da Guerra Colonial, e a oposição monárquica à “salazarquia” apresenta uma lista por Lisboa, que não foi aceite pelo regime, e, da qual faziam parte, nomes como Fernando Alberto da Silva Amado; Francisco José de Sousa Tavares; Mário Pessoa da Costa; José Paulo de Almeida Monteiro; Fernando Torres Carneiro Vaz Pinto; Francisco António da Silveira de Vasconcellos e Sousa (Castelo Melhor); Gonçalo Pereira Ribeiro Teles; João Carlos Camossa de Saldanha; António Moutinho Rubio; Maria Ofélia Mafalda de Melo de Portugal da Silveira; Rodrigo da Costa Félix; Manuel Ramos Ferreira e, que reuniu à sua volta um grande número de apoiantes.

 

 

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Fernando Amado

 

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Mário Pessoa da Costa

 

Alguns monárquicos são co-autores do “Manifesto dos 101 Católicos” de 4 de Outubro de 1965, documento de activistas católicos contra a guerra colonial e o apoio da Igreja Católica à política do Governo de Salazar, entre os quais se destacam Francisco de Sousa Tavares, Sophia de Mello Breyner Andresen, Gonçalo Ribeiro Telles, Fernando de Morais Sarmento Honrado, etc.

Em 1969 surge a Comissão Eleitoral Monárquica (CEM), que apresenta uma lista própria para concorrer ao acto eleitoral de 26 de Outubro pelo círculo de Lisboa, eleições estas que não passaram de uma farsa promovida pelo regime. Pugnavam pelo sufrágio directo e pela participação na vida política do país, que se aproximava do «descalabro moral e económico» e repudiavam a repressão policial do Estado Novo, perpetrada pela PIDE, que se devia limitar às suas “naturais atribuições”. Defendem a extinção da censura, o direito de associação um sindicalismo livre e o direito à greve, uma justa repartição do rendimento, bem como a criação de um Serviço Nacional de Saúde, defendido por Mário Saraiva. Pugnam também pela existência de partidos políticos, que para Rolão Preto são “os mais vigorosos órgãos da Liberdade política, segurança das liberdades essenciais”. No campo da educação são favoráveis ao alargamento da escolaridade obrigatória e à autonomia das universidades.

 

 

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Mário Saraiva

 

 

Henrique Barrilaro Ruas, foi o principal rosto público da CEM da qual faziam também parte Francisco de Barcelos Rolão Preto; Luís Paulo Manuel de Menezes de Mello Vaz de São Payo; Fernando de Moraes Sarmento Honrado; Francisco Lopes Roseira; Joaquim Toscano de Sampaio; Maria Luiza da Conceição de Almeida Manoel de Vilhena; Fernando Teixeira Viana; Manuel Jorge de Magalhães e Silva; Abílio Leopoldo Motta-Ferreira; Fernando Costa Quintais; António Albano Pardete da Fonseca e que contou com muitos apoiantes.

 

 

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Henrique Barrilaro Ruas

 

 

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Joaquim Toscano de Sampaio

 

 

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Magalhães e Silva

 

 

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Abílio Leopoldo Motta-Ferreira (Fernando Sylvan) 

 

 

A CEM relacionou-se com outros grupos oposicionistas, que também integravam monárquicos, como a Comissão Democrática Eleitoral (CDE), a Comissão Eleitoral de Unidade Democrática (CEUD), que incluía personalidade monárquicas como Gonçalo Ribeiro Telles, Francisco Sousa Tavares, Sophia de Mello Breyner Andresen, José Luís Nunes (um dos fundadores do Partido Socialista), etc.

 

 

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José Luís Nunes

 

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Francisco Sousa Tavares junto ao Quartel do Carmo no dia 25 de Abril de 1974

 

Gonçalo Ribeiro Telles foi convidado por Henriques Ruas para integrar a lista da CEM, mas pelo facto de já ter aceite fazer parte da lista da CEUD, declina o convite, afirmando, no entanto, que se a CEM chegasse a votos, o MMP aderiria a uma Convergência Monárquica, independentemente do seu resultado das mesmas, o que veio a acontecer após as eleições.

Os jornais Diário de Lisboa e Capital, contrariamente a outros, nunca silenciaram a voz da oposição monárquica.

Nas acções de propaganda da CEM podia ler-se que: “O acto mais nobre de Um Povo Livre é escolher os seus representantes, escolher aqueles que serão, em cada dia, a sua própria voz”, bem como: “A Independência de Portugal passa pela liberdade dos Portugueses”.

Os monárquicos dos vários quadrantes da oposição defendiam as liberdades públicas, a abolição da censura de forma a permitir a liberdade de expressão e a sua intervenção era feita, sobretudo, na revista Cidade Nova, e através do Centro Nacional de Cultura, fundado por um grupo de jovens monárquicos em 1945, entre os quais destaco Afonso Botelho,  António Seabra e Gastão da Cunha Ferreira que foi o primeiro presidente. Do grupo inicial de monárquicos resta apenas Gonçalo Ribeiro Telles, sócio n.º 1 com 97 anos de idade.

A 30 de Abril de 1970, foi fundada a Convergência Monárquica, que integrava o Movimento Popular Monárquico, de Gonçalo Ribeiro Teles, fundado em 1957, a Renovação Portuguesa, de Henrique Barrilaro Ruas, nascida em Maio de 1962, e uma facção da Liga Popular Monárquica, de João Vaz de Serra e Moura, instituída em 1964.

Em virtude das posições públicas de oposição ao regime, manifestadas pelos seus dirigentes e no seguimento do manifesto da CEM, a Convergência Monárquica foi impedida de concorrer às eleições de 1973.

A participação em actos eleitorais, abriu portas, após Abril de 1974, para que os monárquicos fizessem parte, por direito próprio do sistema democrático português.

A Convergência Monárquica, está na origem do Partido Popular Monárquico (PPM) criado a 23 de Maio de 1974.

Após a revolução de Abril, nem todos os monárquicos aderiram ao PPM, integrando outros partidos como o CDS, PPD/PSD e PS.

Para memória futura aqui fica uma lista de nomes *, ainda que incompleta, ordenada por ordem alfabética, de monárquicos que combateram a II república, integrando ou não listas oposicionistas, candidatas a actos eleitorais antes de Abril de 1974.

 

Abel Tavares de Almeida

Abílio Leopoldo Motta-Ferreira (usava o pseudónimo de Fernando Sylvan)

Adriano dos Santos Gonçalves

Afonso José Matoso de Sousa Botelho

Agnelo Galamba de Oliveira

Agostinho Carlos Pignatelli de Sena Belo Ataíde Queiroz

Agostinho da Silva

Alberto de Monsaraz

Alberto Moutinho Abranches

Albino Neves da Costa

Alexandre Martins Moniz de Bettencourt

Alfredo Carreira da Cunha

Alfredo Pinheiro de Freitas

Álvaro da Graça Costa

António Albano Pardete da Fonseca

António Amadeu de Souza-Cardoso

António Augusto Afonso

António Crespo de Carvalho

António de Assunção Sampaio

António João Alves Luís Fernandes

António José Borges Gonçalves de Carvalho

António José de Seabra

António Luís Maria Matoso de Sousa Botelho

António Moutinho Rúbio

António Pinto Ravara

António Ressano Garcia Cardoso Moniz

Artur Armando Camarate dos Santos

Augusto Cassiano de Andrade Barreto

Augusto João Pereira de Castro Lopes

Augusto Martins Ferreira do Amaral

Augusto Salazar Antunes

Augusto Vinhal

Azevedo Cruz

Carlos Alberto de Aguiar Vieira Gomes

Carlos André de Morais Sarmento Pacheco do Canto e Castro

Carlos Manuel Vieira de Almeida Álvares de Carvalho

Carlos Valdez Pinto Vasconcelos

Daniel Noronha Feio

Delfim da Nóbrega Pinto Pizarro

Domingos Manuel da Cunha Pignateli Sena Belo Ferraz de Carvalho Megre

Ercília da Silva Ramos

Fernando Alberto da Silva Amado

Fernando Amaro Monteiro

Fernando Bayolo Pacheco de Amorim

Fernando da Costa Quintais

Fernando de Moraes Sarmento Honrado

Fernando Ferreira Pinto

Fernando Pedro Teixeira Viana

Fernando Torres Carneiro Vaz Pinto

Fernão Vaz Pereira Forjaz Pacheco de Castro

Francisco António da Silveira de Vasconcellos e Sousa

Francisco de Barcelos Rolão Preto

Francisco José Carneiro de Sousa Tavares

Francisco Júdice Pragana Barata Feio

Francisco Lopes Roseira

Francisco Manuel Lumbrales de Sá Carneiro

Francisco Vieira de Almeida

Frederico Guilherme José Pereira de Sá Perry Vidal

Gaspar José Cochofel de Campos Calejo

Gastão Caraça da Cunha Ferreira

Gonçalo Fevereiro

Gonçalo Pereira Ribeiro Telles

Guilherme Gomes

Henrique José Barrilaro Fernandes Ruas

Henrique Mitchell de Paiva Couceiro

Henrique Queirós Athayde

Ilídio João de Almeida Santos

Isabel Wolmar (Maria Isabel Marques Silva)

Jerónimo Barbosa de Abreu e Lima

João Carlos Camossa Nunes de Saldanha

João Carlos Vaz Serra de Moura

João Crespo de Carvalho

João José de Melo Lapa

João Manuel Bettencourt da Câmara

João Marcos Pereira Perry Vidal

João Paulo Almeida Monteiro

João Pedro Maia Loureiro

João Pinto Picão Caldeira

João Seabra

Joaquim Barata Navarro de Andrade

Joaquim de Almeida Baltazar

Joaquim L. Espírito Santo de Vasconcelos

Joaquim Paulo Dias de Aguiar

Joaquim Toscano de Sampaio

Jorge Augusto de Melo Azevedo

Jorge Manuel Pujol Figueiredo de Barros

Jorge Portugal da Silveira

José Adriano Pequito Rebelo

José Bernardino Blanc de Portugal

José Fernando Rivera Martins de Carvalho

José Hipólito Vaz Raposo

José Luís Crespo de Carvalho

José Luís do Amaral Nunes

José Manuel Le Cocq da Costa e Silva Neves da Costa

José Mário Soares Dengucho

José Paulo de Almeida Monteiro

José Vaz Serra de Moura

Júlio Rosa

Leão Ramos Ascensão

Luís Carlos de Lima de Almeida Braga

Luís Carlos Fernando de Lemos da Câmara Leme

Luís Filipe Ottolini Bebiano Coimbra

Luís Paulo Manuel de Menezes de Mello Vaz de São Payo

Manuel Alberto Ferraz de Sousa Athayde Pavão

Manuel de Carvalho Costa

Manuel de Jesus Carvalho

Manuel Jorge Fonseca de Magalhães e Silva

Manuel José Cachopo Rebocho

Manuel Mascarenhas Novais Ataíde

Manuel Óscar de Freitas Bettencourt e Galvão

Manuel Paulo Ribeiro de Castro

Manuel Ramos Ferreira

Marco António do Nascimento Monteiro de Oliveira

Marcus Daniel Zicale

Marcus de Noronha da Costa

Maria Adelina Delacruz Vidal

Maria Eliene Santana

Maria Emília Chorão de Carvalho Barrilaro Ruas

Maria Ester Pereira da Costa Pita

Maria Joana Delacruz Vidal Braga Real

Maria Luiza da Conceição de Almeida Manoel de Vilhena

Maria Ofélia Mafalda de Melo de Portugal da Silveira

Mário António Caldas de Melo Saraiva

Mário Coelho

Mário Emílio de Azevedo

Mário Mendes Rosa

Mário Pessoa da Costa

Miguel Martins Leite Pereira de Melo

Miguel Ramalho Ortigão

Nabais e Silva

Nuno Furtado de Mendonça

Nuno Vaz Pinto

Paulo da Costa Dordonnat

Pedro Agostinho de Oliveira

Pedro Alves Castanheiro Viana

Pedro Manuel Guedes de Paiva Pessoa

Pedro Manuel Marques Ferreira

Pedro Rocha Marques Ferreira

Quirino do Nascimento Mealha

Rafael Castanheiro Freire

Rodrigo Costa Félix

Rodrigo Jorge de Moctezuma Seabra Pinto Leite

Rui Ernesto Callaia da Cunha e Silva

Rui Quartin Santos

Segismundo Manuel Peres Ramires Pinto

Sophia de Mello Breyner Andresen

Victor Manuel Quintão Caldeira

Wenceslau M. de Lima da Fonseca Araújo

 

Agradeço ao Amigo Dr. Augusto Ferreira do Amaral a inclusão de alguns nomes nesta lista, que foi elaborada a partir de diversas fontes tendo por base o Dossier da Comissão Eleitoral Monárquica - CEM (1973), Convergência Monárquica 1.º ano de acção (1971); Livros das colecções da “Biblioteca do Pensamento Político”, “Edições de Cultura Monárquica” e Edições Gama (Série A - Política e Clássicos do Pensamento Político Português); Boletins da Liga Popular Monárquica; Lista Monárquica Candidata às eleições de 12 de Novembro de 1961; “Nas Teias de Salazar, D. Duarte Nuno, entre a Esperança e a Desilusão” de Paulo Drumond Braga, arquivo pessoal, etc.

Para a elaboração deste artigo, foram também consultados alguns números dos jornais Diário de Lisboa e Capital (mês de Outubro de 1969).

 

 
 
 
 
 
 
 
JOSÉ ANÍBAL MARINHO GOMES     -Director da: " REAL GAZETA DO ALTO MINHO"     Ponte de Lima, Portugal
 


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FELIPE AQUINO - O PODER DA ORAÇÃO DE UMA MÂE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Santa Mônica é o exemplo claro do poder da oração das mães pelos filhos. Ela nasceu em Tagaste (África), em 331, de família cristã. Muito jovem, foi dada em casamento a um homem pagão chamado Patrício, de quem teve vários filhos, entre eles Agostinho, cuja conversão alcançou da misericórdia divina com muitas lágrimas e orações. É um modelo perfeito de mãe cristã. Morreu em Óstia (Itália) no ano 387.

Deus estabeleceu uma lei: precisamos pedir a Ele as graças necessárias em nossa vida, para sermos atendidos. Jesus foi enfático: “E eu vos digo: pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo aquele que pede, recebe; aquele que procura, acha; e ao que bater, se lhe abrirá” (Lc 11,8-10). Quem não pede não recebe.

Jesus disse isso depois de contar aquele caso do vizinho que bateu na porta da casa do outro para pedir um pouco de pão à meia noite, porque tinha recebido uma visita e estava sem pão. Como o outro não quis atende-lo, Jesus disse: “Eu vos digo: no caso de não se levantar para lhe dar os pães por ser seu amigo, certamente por causa da sua importunação se levantará e lhe dará quantos pães necessitar”.

 

 

 

 

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Leia também: Não é fácil ser Mãe!

10 exemplos de Mães que chegaram à santidade

Santa Mônica, mãe de Santo Agostinho

O papel da mãe na criação dos filhos

A Importância da maternidade

Mãe, consolo de Deus

 

 

 

 

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Ora, o que Jesus está querendo nos ensinar com isso?

Que devemos fazer o mesmo com Deus. Importuná-lo! Mas, por que Deus faz assim? É para saber se de fato confiamos Nele; se temos fé de verdade, como aquela mulher Cananeia, que não era judia, mas que pediu com insistência que curasse o seu filho endemoniado (Mt 15, 22). Se a gente pede uma vez ou duas, e não recebe, e não pede mais, é porque não confiamos Nele.

Santo Agostinho ensinou o seguinte: “Deus não nos mandaria pedir, se não nos quisesse ouvir. A oração é uma chave que nos abre as portas do céu. Quando vires que tua oração não se apartou de ti, podes estar certo de que a misericórdia tão pouco se afastou de ti. Os grandes dons exigem um grande desejo porquanto tudo o que se alcança com facilidade não se estima tanto como o que se desejou por muito tempo. Deus não quer dar-te logo o que pedes, para aprenderes a desejar com grande desejo”.

Ninguém como ele entendeu a força da oração de uma mãe por seu filho; pois durante vinte anos sua mãe Santa Mônica rezou pela conversão dele, e conseguiu. Ele mesmo conta isso no seu livro “Confissões”.

Ele disse que ela ia três vezes por dia diante do Sacrário em Hipona, e pedia a Jesus que seu Agostinho se tornasse “um bom cristão”. Era tudo que ela queria, não pedia que ele fosse um dia padre, bispo, santo, doutor da Igreja e um dos maiores teólogos e filósofos de todos os tempos. Mas Deus queria lhe dar mais. Queria de Agostinho esse gigante da Igreja, então, ela precisava rezar mais tempo e sem desanimar. E Santa Mônica não desanimou, por isso temos hoje esse gigante da fé. Fico pensando se ela parasse de rezar depois de pedir durante 19 anos… Não teria o seu filho convertido. E nós não teríamos o Doutor da Graça.

Quando Agostinho deixou a África do Norte, e foi ser o orador oficial do imperador romano, em Milão, ela foi atrás dele. Tomou o navio, atravessou o Mediterrâneo, e foi rezar por seu filho. Um dia, foi ao bispo de Milão, em lágrimas, dizer-lhe que não sabia mais o que fazer pela conversão de seu Agostinho, que o bispo bem conhecia por sua fama. Simplesmente o bispo lhe respondeu: “Minha filha, é impossível que Deus não converta o filho de tantas lágrimas”.

 

 

 

 

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E aconteceu. Santo Agostinho, ouvindo as pregações de Santo Ambrósio, bispo de Milão, se converteu; foi batizado por ele, e logo foi ordenado padre, escolhido para bispo, e um dos maiores santos da Igreja. Tudo porque aquela mãe não se cansou de rezar pela conversão de seu filho… vinte anos!

Santo Agostinho disse nas “Confissões” que as lágrimas de sua mãe diante do Senhor no Sacrário, eram como “o sangue do seu coração destilado em lágrimas nos seus olhos”. Que beleza! Que fé!

É exatamente o que a Igreja ensina: que nossa oração deve ser humilde, confiante e perseverante. Humilde como a do publicano que batia no peito e pedia perdão diante do fariseu orgulhoso; confiante como a da mãe Cananeia e perseverante como a da mãe Mônica. Deus não resiste às lágrimas e as orações de uma mãe que reza assim.

Santo Agostinho resume com estas palavras a vida de sua mãe: “Cuidou de todos os que vivíamos juntos depois de batizados, como se fosse mãe de todos; e serviu-nos como se fosse filha de cada um de nós”.

O exemplo de Santa Mônica ficou gravado de tal modo na mente de Santo Agostinho que, anos mais tarde, certamente lembrando-se da sua mãe, exortava: “Procurai com todo o cuidado a salvação dos da vossa casa”. Já se disse de Santa Mônica que foi duas vezes mãe de Agostinho, porque não apenas o deu à luz, mas resgatou-o para a fé católica e para a vida cristã. Assim devem ser os pais cristãos: duas vezes progenitores dos seus filhos, na sua vida natural e na sua vida em Cristo.

 

 

 

 

FELIPE AQUINO   -      é viuvo, pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br Twitter: @pfelipeaquino

 



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PAULO R. LABEGALINI - NOSSOS INSUBSTUTUÍVEIS SACERDOTES

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Um dia, minha mãe entregou-me um texto que ganhou em Monte Sião, com o título: ‘O Valor do Sacerdócio’; escrito pelo romancista mexicano Hugo Vaz. Vou transcrevê-lo abaixo por considerá-lo um dos mais bonitos e verdadeiros pensamentos que já li. Eis o texto:

“Quando se pensa que nem a Santíssima Virgem pode fazer o que um sacerdote faz... e que nem os anjos, nem os arcanjos, nem Miguel, nem Gabriel, nem Rafael, nem príncipe algum daqueles que venceram Lúcifer podem fazer o que um sacerdote faz... Quando se pensa que Nosso Senhor Jesus Cristo, na última Ceia, realizou um milagre maior do que a criação do Universo com todos os seus esplendores – transformou o pão e o vinho em seu Corpo e Sangue para alimentar o pecador –, e que esse prodígio, diante do qual se ajoelham os anjos e os homens, o sacerdote pode repeti-lo todos os dias...

Quando se pensa no outro milagre que somente um sacerdote pode realizar: perdoar os pecados, e que o que ele liga no fundo do seu humilde confessionário, Deus, cumprindo sua própria Palavra, o liga no Céu, e o que ele desliga, no mesmo instante o desliga Deus... Quando se pensa que o mundo morreria da pior fome se chegasse a lhe faltar esse pouquinho de Pão e esse pouquinho de Vinho...

Quando se pensa que isso pode acontecer, porque estão faltando as vocações sacerdotais, e que, se isso acontecer, se estremecerão os Céus e se romperá a Terra, como se a mão de Deus tivesse deixado de sustentá-la; e as pessoas gritarão de fome e de angústia, e pedirão esse Pão, e não haverá quem lhes dê; e pedirão a absolvição de suas culpas, e não haverá quem as absolva, e morrerão com os olhos abertos pelo maior dos espantos...

Quando se pensa que um sacerdote é mais necessário do que um presidente, mais do que um militar, mais do que um banqueiro, mais do que um médico, mais do que um professor, porque ele pode substituir a todos em parte de suas atividades e ninguém pode substituí-lo... Quando se pensa que um sacerdote, quando celebra no altar, tem uma dignidade maior do que um rei, e que não é um símbolo, nem sequer um embaixador de Cristo, mas é Cristo mesmo que está ali, repetindo o maior milagre de Deus...

Quando se pensa em tudo isso...

Compreende-se a imensa necessidade de fomentar as vocações sacerdotais; compreende-se o afã com que, nos tempos antigos, cada família ansiava que do seu seio brotasse, como um ramo de perfume, uma vocação sacerdotal; compreende-se o imenso respeito que os povos tinham pelos sacerdotes – o que se refletia em suas leis...

Compreende-se que o pior crime que alguém pode cometer é impedir ou desanimar uma vocação; compreende-se que se um pai ou uma mãe obstruem a vocação sacerdotal de um filho, é como se renunciassem a um título de honra incomparável; compreende-se que mais do que uma igreja, mais do que uma escola e mais do que um hospital, é um seminário ou um noviciado...

Compreende-se que ajudar a construir ou manter um seminário é multiplicar os nascimentos do Redentor; compreende-se que ajudar a custear os estudos de um jovem seminarista é aplainar o caminho por onde chegará ao altar um homem que, durante meia hora todos os dias, será muito mais que todas as celebridades da Terra e que todos os santos do Céu, pois será Cristo mesmo, sacrificando o seu Corpo e o seu Sangue, para alimentar o mundo!”

Quanta verdade, não? Por isso é que eu respeito um sacerdote acima de todas as demais pessoas. Por isso, independentemente da idade, o chamo de ‘senhor’. Por isso eu tomo a bênção de todos os sacerdotes que encontro. Por isso devemos beijar-lhes as mãos. Por isso temos que rezar diariamente pelas vocações sacerdotais. Por isso não devemos falar mal de padres. Por isso devemos compreendê-los como seres humanos e amá-los como enviados de Cristo.

Já convivi e convivo com ‘estilos’ diferentes de padres, mas – Deus é testemunha – admiro a todos. Quando alguém comenta comigo alguma virtude maior de um ou de outro, até concordo, porque nossos dons são diferentes mesmo; o que censuro são as críticas maldosas. Há pessoas que tentam encontrar um pequeno motivo que seja para criticar um sacerdote e – o que é pior! – sentem prazer nisso! Será que sabem o quanto aquele pastor está cumprindo da melhor maneira possível a missão que Jesus lhe deu? Justamente ele que vive perdoando e salvando almas, se erra, não merece perdão?

É preciso entender que a vida de um padre não é fácil. Por maior que seja o carinho e a ajuda que recebe da comunidade: nunca vive próximo dos parentes; não tem um bom patrimônio financeiro; não pode desfrutar dos mesmos lugares e companhias que nós; é transferido para lugares desconhecidos, deixando grandes amizades para trás; passa por momentos de solidão; celebra muitas missas por dia; atende a dezenas de confissões; escuta problemas de toda ordem; enfim, só mesmo quem muito ama a Deus e aos irmãos é capaz de receber e perseverar na Ordem.

Sei que a minha humilde opinião ainda é pouco para prestar a justa homenagem que os nossos queridos sacerdotes merecem, mas, mesmo crendo que o reconhecimento e a força maior vêm do alto, quero agora ratificar o que sempre pensei de cada um deles: “Padre, enquanto Jesus Cristo não volta, nada neste mundo substitui a sua presença no meio de nós”.

Obrigado sacerdotes! Obrigado meu Deus!

 

 

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI - Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor Doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre.‘Autor do livro ‘Mensagens Infantis Educativas’ – Editora Cleofas.

 



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HUMBERTO PINHO DA SILVA - DOIS SACERDOTES EXEMPLARES

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Duas figuras se destacaram, pela bondade, na cidade de V. N. de Gaia:

Uma, é Diogo Cassels, ou o Senhor Dioguinho – sacerdote anglicano, que dedicou a vida, a Deus e aos pobres.

Outro, é o Padre Luís – Luís Gonçalves de Pinho Rocha, – sacerdote católico, que cumpriu, escrupulosamente, as determinações do divino Mestre.

Dois sacerdotes exemplares, que seguiram e viveram, os dois maiores mandamentos do cristianismo: Amarás a Deus e ao próximo.

Como, em anterior crónica, abordei, a figura de Diogo Cassels, contando, entre outros, a forma dramática, digna de um santo, da sua morte, irei, resumidamente, referir-me ao Padre Luís, pároco da freguesia de Oliveira do Douro (V. N. Gaia).

Padre Luís, nasceu a 19 de Maio de 1872, no lugar de Pinhão (Pindelo-Oliveira de Azeméis,) que fica nas fraldas da serra da Gralheira.

O pai, emigrara para o Brasil, na esperança de melhor vida, mas não foi feliz.

 

 

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Desde novo mostrava vocação para o sacerdócio; mas, como os recursos da família, eram parcos, dedicou-se à pastorícia.

Terminado o ensino primário, como o menino mantivesse o desejo de se dedicar à vida sacerdotal, os pais, fazendo grandes sacrifícios, matriculam-no no seminário.

Mais tarde, o Cardial D. Américo, sabedor da vida exemplar do rapaz, e o sacrifício paterno, assentou: que o seminarista estudasse a expensas da diocese.

Entretanto, conhecendo a má situação económica dos progenitores, ordenou: que lhes fosse devolvido o dinheiro despendido, até então.

O Padre Luís, foi ordenado sacerdote, com 25 anos, em 1897.

Além de abade de Oliveira do Douro, foi capelão do colégio das doroteias, conhecido por: “Sardão”, e do Santuário do Monte da Virgem, em V. N. de Gaia.

Numa modesta casinha da Rua de Sete Estrelas, em Oliveira do Douro, montou escola para as crianças aprenderem a ler. Mais tarde estendeu-a á educação de adultos.

Sua bondade chegava ao extremo de distribuir todo o dinheiro que possuía Muitas vezes deslocava-se a pé, por não lhe ser possível pagar o preço do transporte (carreira).

Conhecido o desejo de a todos acudir, foi, não poucas vezes, enganado e explorado, por gente sem escrúpulos.

Faleceu a 26 de Dezembro de 1957. Os paroquianos e a população de Oliveira do Douro – contra sua vontade, – em lugar de campa rasa, ergueram mausoléu, no cemitério da freguesia.

Hoje, a capela, onde repousa o bondoso sacerdote, é visitada por muitos, que se deslocam a Oliveira do Douro, pedindo-lhe a intercessão, junto de Deus, para dificuldades e cura de doentes.

 

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



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EUCLIDES CAVACO - FÁTIMA, ALTAR DO MUNDO - Poema e voz de Euclides Cavaco.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Este ano quase sem peregrinos, a mensagem será mais propalada através das redes sociais conforme é o objectivo deste meu poema,
enriquecido com a arte videográfica da prezada amiga Gracinda Coelho.
 
 
 
 


https://www.youtube.com/watch?v=v2WbvjAobD0&feature=youtu.be

 

 

 

Desejos duma magnífica semana.
 
 
 
 
 

EUCLIDES CAVACO  -   Director da Rádio Voz da Amizade , Canadá.

 

 

 

 

 

***

 

 

 

NOTICIAS DA DIOCESE DO PORTO

 

 http://www.diocese-porto.pt/

 

 

NOTICIAS DA DIOCESE DE JUNDIAÍ - SP

 

 

 https://dj.org.br/

 

***

 

 

 

Leitura Recomendada:

 

 

 

 

 

Resultado de imagem para Jornal A Ordem

 

 

 

 

 

Jornal católico da cidade do Porto   -    Portugal

 

Opinião   -   Religião   -   Estrangeiro   -   Liturgia   -   Area Metropolitana   -   Igreja em Noticias   -   Nacional

 

 

https://www.jornalaordem.pt/

***

 

HORÁRIOS DAS MISSAS NO BRASIL

 

 

Site com horários de Missa, confissões, telefones e informações de Igrejas Católicas em todo o Brasil. O Portal Horário de Missas é um trabalho colaborativo onde você pode informar dados de sua paróquia, completar informações sobre Igrejas, corrigir horários de Missas e confisões.



https://www.horariodemissa.com.br/#cidade_opcoes 

 

***



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Quinta-feira, 7 de Maio de 2020
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - DIA DAS MÃES NO BRASIL - MATERNIDADE, EXERCÍCIO DO AMOR SEM LIMITES

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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O maravilhoso dom feminino de acolher uma nova vida em seu ventre, desenvolvê-la, gerá-la e alimentá-la em seu seio se constitui num fator socialmente relevante e de manifesto enriquecimento geral. Com efeito, não há missão mais importante do que a de se doar à formação de seres humanos e cria-los afetiva e moralmente sadios. É por isso que nenhum dicionário define a magia do significado da palavra mãe. No entanto, em todos os idiomas ela traduz igual sentimento: o exercício do amor sem limites.

         Apesar de marcada pelo consumismo a data do próximo domingo no Brasil se revela numa celebração da vida, pois a maternidade é sua geradora e sua defensora, desde a concepção, até seu fim natural. Sua expressão não se enfraquece com barreiras colocadas pela distância física, pela identificação genética ou pelos padrões de normalidade estabelecidos pela sociedade, pois não há obstáculos intransponíveis à capacidade de demonstrar carinho e dedicação total aos filhos.

         Realmente, cada mãe possui uma vivência pessoal, mas são semelhantes nos objetivos que as movem e nos desafios que enfrentam: são elas quem mais sofrem no físico e na alma as dores dos rebentos desempregados, marginalizados, injustiçados, viciados ou afastados por quais motivos. São elas também que estão aos seus lados em todos os momentos, tristes ou alegres, agasalhando em si mesmas, os percalços e os êxitos daqueles que conduziram ao mundo após aninha-los em seus ventres. Constituem-se em apoio para a vida e em fonte de transformação.

         Nada mais justo do que homenageá-las exaltando seus permanentes atributos, mostrando-lhes quanto representam ao equilíbrio da ordem social, oferecendo-lhes ainda as mais variadas manifestações de afeto e de respeito. E num plano mais amplo, devemos cobrar de nossos legisladores a edição de normas que valorizem e protejam de modo irrestrito a maternidade, para o próprio bem das comunidades em geral, sem nunca lhes negar direitos básicos.

 

 

História do Dia das Mães

 

 

Foi o presidente Getúlio Vargas que, através do Decreto 21.366 de 05 de maio de 1932, criou oficialmente o Dia das Mães no Brasil, atendendo a iniciativa da Associação Cristã de Moços de Porto Alegre, inspirada em Anna Javis que o havia lançado nos Estados Unidos. Mas a sua história se inicia na Grécia Antiga, quando a data era comemorada em setembro, início da primavera, como homenagem a Rhea, “mãe dos deuses”. Em 1660,  passou a ser invocada na Inglaterra, no quarto domingo da Quaresma. No entanto, somente após a luta desenvolvida pela americana, visando fortalecer os laços familiares, surgiu como festa especial. Em 26 de abril de 1910, conseguiu realizar a primeira comemoração no Estado de Virgínia e, em 1914, o governo a unificou no segundo domingo de maio. Em poucos anos, mais de 40 países já a haviam adotado e em 1923, depois de observar que ela havia se transformado em motivo de lucro para os comerciantes, Anna entrou com processo para cancelar a celebração, sem sucesso. Assim, os apelos consumistas geraram arrependimento na própria criadora do evento.

 

 

Homenagem especial

 

 

 Em homenagem a esta data tão especial, transcrevemos a poesia “MÃE” de CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE:

“Porque Deus permite/ que as mães vão se embora?/ Mãe não tem limite,/ é tempo sem hora,/ luz que não se apaga/ quando sopra o vento/ e a chuva desaba,/ veludo escondido,/ na pele enrugada,/ água pura, ar puro,/ puro pensamento./ Morrer acontece/ com o que é breve/ e passa/ sem deixar vestígio./  Mãe, na sua graça,/ é eternidade./ Por que Deus Se lembra/ - mistério profundo –/ de tirá-la um dia?/ Fosse eu rei do mundo/ baixava uma lei:/ Mãe não morre nunca,/ mãe ficará sempre/ Junto do seu filho/ e ele, velho embora,/ com a mãe ao lado,/ será pequenino/ feito um grão de milho”.

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor da Faculdade de Direito no Centro Universitário Padre Anchieta no Brasil. É ex-presidente das Academias Jundiaienses de Letras e de Letras Jurídicas (martinelliadv@hotmail.com)

 



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ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - OS MEDIEVAIS ACREDITAVAM NA ASTROLOGIA ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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A possibilidade de os astros exercerem alguma forma de influência física ou psicológica nos atos humanos era assunto que preocupava os pensadores medievais. Tal influência se lhes afigurava como decorrência forçosa do modo ordenado e hierárquico de Deus governar suas criaturas; já que os seres siderais estavam acima da terra e dos homens, à primeira vista parecia natural que de certo modo exercessem alguma ação sobre o mundo e seus habitantes; a questão estava em estabelecer o modo e os limites de tal ação, sobretudo considerando o livre arbítrio do ser humano – que nenhum filósofo cristão podia razoavelmente negar ou pôr em dúvida.

São Tomás de Aquino se estendeu sobre o assunto nas suas duas obras maiores. Na Summa contra gentiles, Livro 3, estudou se Deus governa os corpos inferiores mediante os corpos celestes (caps. 82 e 83); se os corpos celestes podem influir nos entendimentos humanos (cap. 84); se podem ser causa de nossas vontades e escolhas (cap. 85); se produzem efeitos corporais necessários nos corpos inferiores (cap. 86); e se o movimento dos corpos celestes não poderia ser causa de nossas escolhas por força de uma alma que os movesse (cap. 87); para depois concluir que somente Deus e nenhuma outra criatura pode ser causa direta de nossas escolhas e volições (cap. 88).

Na primeira parte da Summa Theologiae, questão 115, estudou genericamente se os corpos celestes são causa do que acontece nos corpos inferiores (art. 3); se eles podem ser causa dos atos humanos (art. 4); se podem influir sobre os próprios demônios (art. 5); e se podem impor necessidades às coisas submetidas à sua ação (art. 6); na I-IIae, questão 9, dedicou o art. 5 ao estudo se a vontade humana pode ser movida eficazmente por algum corpo celeste; e na II-IIae, questão 95, art. 5, indagou se a adivinhação pelos astros poderia ser lícita.

Com São Tomás, ensinam os moralistas católicos que é lícita a dedução de fenômenos naturais decorrentes materialmente da influência dos astros - como por exemplo, prever o fluxo das marés ou a proximidade de tempestades pela observação dos céus, ou prever os resultados do plantio ou da poda de árvores conforme as fases da lua. Mas é ilícito supor que os astros tenham poder de dar “sorte” ou “azar” a alguém, ou que possam exercer uma influência determinante sobre a livre vontade do homem.

Sobre a astrologia e sua moralidade, ver: ROBERTI, Francesco; PALAZZINI, Pietro (orgs.). Dizionario di Teologia Morale, verbete “Astrologia”; e MOREUX, Abbé Th. Les influences astrales. Paris: G. Doin & Cie., 1942 (especialmente capítulo  L´Astrologie à travers les ages“, p. 5-40).

Também é moralmente ilícita a crença tão “moderninha” na influência dos signos e dos horóscopos. O engraçado é que ateus e descrentes se julgam espíritos superiores porque não acreditam na Revelação... mas muitas vezes são supersticiosos a ponto de mudarem o trajeto de uma viagem ou a agenda de seus compromissos diáros porque leram no jornal, ou ouviram no rádio o seu horóscopo!

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS  -  é licenciado em História e em Filosofia, doutor na área de Filosofia e Letras, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Portuguesa da História.

 

 



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CINTHYA NUNES - DIA DAS MÃES EM TEMPO DE QUARENTENA

 

 

 

 

 

 

 

 

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            Dias das Mães se aproximando e, assim como a maior parte dos brasileiros, minhas irmãs e eu estamos longe de nossa mãe há quase dois meses e, pelo caminhar da carroça, sem perspectiva de quando isso será possível, eis que, morando todos em cidades diferentes, estamos respeitando o isolamento social.

            Esse, sem dúvida, será um Dia das Mães atípico. E não apenas porque muitas mães estarão distantes dos filhos, nem porque não serão possíveis grandes almoços em família, mas pelo fato de que muitos estão lamentando perdas nesse momento. Filhos que perderam suas mães e mães que se despediram precocemente de seus filhos. Sequer com direito às despedidas tradicionais, já que o vírus retira nesse momento até mesmo o direito à dor do luto.

            De outro lado, com o comércio fechado, somente filhos mais tecnológicos e com algum dinheiro é que conseguem enviar, a distância, algum mimo para suas genitoras. Para todos os demais, resta o conforto de sabermos que estamos ao alcance de uma ligação. Não há (e nem nunca houve, na verdade) bem mais importante do que a saúde. Se o vírus nos pudesse deixar um bilhete, por certo conteria uma mensagem nos instruindo a aproveitar a vida, a agradecer cada dia de livres e profundas inspirações e expirações.

            Minha mãe, não tenho dúvida, já recebeu seu presente desse ano na graça de comemorar uma filha que, tendo contraído o vírus, recuperou-se bem e voltou ao trabalho pela saúde das outras pessoas. Sei bem que para ela só isso importa, que estejamos bem. Não há bem material que possa substituir essa paz, mas, ainda assim, gostaríamos que fosse possível estarmos sentados ao redor da mesa, comendo, rindo e desfrutando de um dia comum.

O momento, infelizmente, é outro. O mundo inteiro está passando por privações em níveis variados. É tempo de adaptação, de resiliência, de fé e coragem. Sendo uma era digital, temos ao menos algumas facilidades, mecanismos que não existiam em circunstâncias parecidas, como nos dias da Gripe Espanhola. A internet e a telefonia, nessas horas, são um alento, permitindo não apenas que possamos falar com nossos entes queridos, mas que possamos vê-los também.

Minha família, que já se falava todos os dias ao telefone, antes de tudo isso, agora está realmente dependente desse meio de comunicação. Criamos uma rotina e, diariamente, ao menos duas vezes, reunidos virtualmente, dividindo uma tela de telefone em quatro partes, tentamos rir do que é possível, matando saudades dos nossos rostos, encarregando a memória de preencher as lacunas do que não consegue se projetar a distância.

            Vivemos à espera de dias melhores, do retorno das coisas simples e essenciais como abraços apertados. Pelo dia de mães ao lado de seus filhos e de filhos sem temor pelas suas mães, sem receio de que saiam de casa para um simples passeio. Manhãs de padarias abertas, nas quais seja possível sentar para degustar um bom e demorado café após pegar o jornal na Banca da esquina e apertar as mãos dos amigos.

            Um dia isso vai passar. Até lá desejo um Dia das Mães de boas notícias, juntos ou a distancia. Que possamos encontrar alento nas vozes de quem amamos, enquanto aguardamos na antessala dos reencontros. Por ora, órfãos da presença, somos todos filhos da esperança.

 

 

 

 

CINTHYA NUNES   -   é jornalista, advogada e está com muitas saudades de sua mãecinthyanvs@gmail.com

 



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