PAZ - Blogue luso-brasileiro
Quinta-feira, 14 de Maio de 2020
PAULO R. LABEGALINI - NOSSOS INSUBSTUTUÍVEIS SACERDOTES

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Um dia, minha mãe entregou-me um texto que ganhou em Monte Sião, com o título: ‘O Valor do Sacerdócio’; escrito pelo romancista mexicano Hugo Vaz. Vou transcrevê-lo abaixo por considerá-lo um dos mais bonitos e verdadeiros pensamentos que já li. Eis o texto:

“Quando se pensa que nem a Santíssima Virgem pode fazer o que um sacerdote faz... e que nem os anjos, nem os arcanjos, nem Miguel, nem Gabriel, nem Rafael, nem príncipe algum daqueles que venceram Lúcifer podem fazer o que um sacerdote faz... Quando se pensa que Nosso Senhor Jesus Cristo, na última Ceia, realizou um milagre maior do que a criação do Universo com todos os seus esplendores – transformou o pão e o vinho em seu Corpo e Sangue para alimentar o pecador –, e que esse prodígio, diante do qual se ajoelham os anjos e os homens, o sacerdote pode repeti-lo todos os dias...

Quando se pensa no outro milagre que somente um sacerdote pode realizar: perdoar os pecados, e que o que ele liga no fundo do seu humilde confessionário, Deus, cumprindo sua própria Palavra, o liga no Céu, e o que ele desliga, no mesmo instante o desliga Deus... Quando se pensa que o mundo morreria da pior fome se chegasse a lhe faltar esse pouquinho de Pão e esse pouquinho de Vinho...

Quando se pensa que isso pode acontecer, porque estão faltando as vocações sacerdotais, e que, se isso acontecer, se estremecerão os Céus e se romperá a Terra, como se a mão de Deus tivesse deixado de sustentá-la; e as pessoas gritarão de fome e de angústia, e pedirão esse Pão, e não haverá quem lhes dê; e pedirão a absolvição de suas culpas, e não haverá quem as absolva, e morrerão com os olhos abertos pelo maior dos espantos...

Quando se pensa que um sacerdote é mais necessário do que um presidente, mais do que um militar, mais do que um banqueiro, mais do que um médico, mais do que um professor, porque ele pode substituir a todos em parte de suas atividades e ninguém pode substituí-lo... Quando se pensa que um sacerdote, quando celebra no altar, tem uma dignidade maior do que um rei, e que não é um símbolo, nem sequer um embaixador de Cristo, mas é Cristo mesmo que está ali, repetindo o maior milagre de Deus...

Quando se pensa em tudo isso...

Compreende-se a imensa necessidade de fomentar as vocações sacerdotais; compreende-se o afã com que, nos tempos antigos, cada família ansiava que do seu seio brotasse, como um ramo de perfume, uma vocação sacerdotal; compreende-se o imenso respeito que os povos tinham pelos sacerdotes – o que se refletia em suas leis...

Compreende-se que o pior crime que alguém pode cometer é impedir ou desanimar uma vocação; compreende-se que se um pai ou uma mãe obstruem a vocação sacerdotal de um filho, é como se renunciassem a um título de honra incomparável; compreende-se que mais do que uma igreja, mais do que uma escola e mais do que um hospital, é um seminário ou um noviciado...

Compreende-se que ajudar a construir ou manter um seminário é multiplicar os nascimentos do Redentor; compreende-se que ajudar a custear os estudos de um jovem seminarista é aplainar o caminho por onde chegará ao altar um homem que, durante meia hora todos os dias, será muito mais que todas as celebridades da Terra e que todos os santos do Céu, pois será Cristo mesmo, sacrificando o seu Corpo e o seu Sangue, para alimentar o mundo!”

Quanta verdade, não? Por isso é que eu respeito um sacerdote acima de todas as demais pessoas. Por isso, independentemente da idade, o chamo de ‘senhor’. Por isso eu tomo a bênção de todos os sacerdotes que encontro. Por isso devemos beijar-lhes as mãos. Por isso temos que rezar diariamente pelas vocações sacerdotais. Por isso não devemos falar mal de padres. Por isso devemos compreendê-los como seres humanos e amá-los como enviados de Cristo.

Já convivi e convivo com ‘estilos’ diferentes de padres, mas – Deus é testemunha – admiro a todos. Quando alguém comenta comigo alguma virtude maior de um ou de outro, até concordo, porque nossos dons são diferentes mesmo; o que censuro são as críticas maldosas. Há pessoas que tentam encontrar um pequeno motivo que seja para criticar um sacerdote e – o que é pior! – sentem prazer nisso! Será que sabem o quanto aquele pastor está cumprindo da melhor maneira possível a missão que Jesus lhe deu? Justamente ele que vive perdoando e salvando almas, se erra, não merece perdão?

É preciso entender que a vida de um padre não é fácil. Por maior que seja o carinho e a ajuda que recebe da comunidade: nunca vive próximo dos parentes; não tem um bom patrimônio financeiro; não pode desfrutar dos mesmos lugares e companhias que nós; é transferido para lugares desconhecidos, deixando grandes amizades para trás; passa por momentos de solidão; celebra muitas missas por dia; atende a dezenas de confissões; escuta problemas de toda ordem; enfim, só mesmo quem muito ama a Deus e aos irmãos é capaz de receber e perseverar na Ordem.

Sei que a minha humilde opinião ainda é pouco para prestar a justa homenagem que os nossos queridos sacerdotes merecem, mas, mesmo crendo que o reconhecimento e a força maior vêm do alto, quero agora ratificar o que sempre pensei de cada um deles: “Padre, enquanto Jesus Cristo não volta, nada neste mundo substitui a sua presença no meio de nós”.

Obrigado sacerdotes! Obrigado meu Deus!

 

 

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI - Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor Doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre.‘Autor do livro ‘Mensagens Infantis Educativas’ – Editora Cleofas.

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:05
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - DOIS SACERDOTES EXEMPLARES

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Duas figuras se destacaram, pela bondade, na cidade de V. N. de Gaia:

Uma, é Diogo Cassels, ou o Senhor Dioguinho – sacerdote anglicano, que dedicou a vida, a Deus e aos pobres.

Outro, é o Padre Luís – Luís Gonçalves de Pinho Rocha, – sacerdote católico, que cumpriu, escrupulosamente, as determinações do divino Mestre.

Dois sacerdotes exemplares, que seguiram e viveram, os dois maiores mandamentos do cristianismo: Amarás a Deus e ao próximo.

Como, em anterior crónica, abordei, a figura de Diogo Cassels, contando, entre outros, a forma dramática, digna de um santo, da sua morte, irei, resumidamente, referir-me ao Padre Luís, pároco da freguesia de Oliveira do Douro (V. N. Gaia).

Padre Luís, nasceu a 19 de Maio de 1872, no lugar de Pinhão (Pindelo-Oliveira de Azeméis,) que fica nas fraldas da serra da Gralheira.

O pai, emigrara para o Brasil, na esperança de melhor vida, mas não foi feliz.

 

 

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Desde novo mostrava vocação para o sacerdócio; mas, como os recursos da família, eram parcos, dedicou-se à pastorícia.

Terminado o ensino primário, como o menino mantivesse o desejo de se dedicar à vida sacerdotal, os pais, fazendo grandes sacrifícios, matriculam-no no seminário.

Mais tarde, o Cardial D. Américo, sabedor da vida exemplar do rapaz, e o sacrifício paterno, assentou: que o seminarista estudasse a expensas da diocese.

Entretanto, conhecendo a má situação económica dos progenitores, ordenou: que lhes fosse devolvido o dinheiro despendido, até então.

O Padre Luís, foi ordenado sacerdote, com 25 anos, em 1897.

Além de abade de Oliveira do Douro, foi capelão do colégio das doroteias, conhecido por: “Sardão”, e do Santuário do Monte da Virgem, em V. N. de Gaia.

Numa modesta casinha da Rua de Sete Estrelas, em Oliveira do Douro, montou escola para as crianças aprenderem a ler. Mais tarde estendeu-a á educação de adultos.

Sua bondade chegava ao extremo de distribuir todo o dinheiro que possuía Muitas vezes deslocava-se a pé, por não lhe ser possível pagar o preço do transporte (carreira).

Conhecido o desejo de a todos acudir, foi, não poucas vezes, enganado e explorado, por gente sem escrúpulos.

Faleceu a 26 de Dezembro de 1957. Os paroquianos e a população de Oliveira do Douro – contra sua vontade, – em lugar de campa rasa, ergueram mausoléu, no cemitério da freguesia.

Hoje, a capela, onde repousa o bondoso sacerdote, é visitada por muitos, que se deslocam a Oliveira do Douro, pedindo-lhe a intercessão, junto de Deus, para dificuldades e cura de doentes.

 

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 10:35
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EUCLIDES CAVACO - FÁTIMA, ALTAR DO MUNDO - Poema e voz de Euclides Cavaco.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Este ano quase sem peregrinos, a mensagem será mais propalada através das redes sociais conforme é o objectivo deste meu poema,
enriquecido com a arte videográfica da prezada amiga Gracinda Coelho.
 
 
 
 


https://www.youtube.com/watch?v=v2WbvjAobD0&feature=youtu.be

 

 

 

Desejos duma magnífica semana.
 
 
 
 
 

EUCLIDES CAVACO  -   Director da Rádio Voz da Amizade , Canadá.

 

 

 

 

 

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NOTICIAS DA DIOCESE DO PORTO

 

 http://www.diocese-porto.pt/

 

 

NOTICIAS DA DIOCESE DE JUNDIAÍ - SP

 

 

 https://dj.org.br/

 

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Leitura Recomendada:

 

 

 

 

 

Resultado de imagem para Jornal A Ordem

 

 

 

 

 

Jornal católico da cidade do Porto   -    Portugal

 

Opinião   -   Religião   -   Estrangeiro   -   Liturgia   -   Area Metropolitana   -   Igreja em Noticias   -   Nacional

 

 

https://www.jornalaordem.pt/

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HORÁRIOS DAS MISSAS NO BRASIL

 

 

Site com horários de Missa, confissões, telefones e informações de Igrejas Católicas em todo o Brasil. O Portal Horário de Missas é um trabalho colaborativo onde você pode informar dados de sua paróquia, completar informações sobre Igrejas, corrigir horários de Missas e confisões.



https://www.horariodemissa.com.br/#cidade_opcoes 

 

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publicado por Luso-brasileiro às 10:25
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Quinta-feira, 7 de Maio de 2020
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - DIA DAS MÃES NO BRASIL - MATERNIDADE, EXERCÍCIO DO AMOR SEM LIMITES

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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O maravilhoso dom feminino de acolher uma nova vida em seu ventre, desenvolvê-la, gerá-la e alimentá-la em seu seio se constitui num fator socialmente relevante e de manifesto enriquecimento geral. Com efeito, não há missão mais importante do que a de se doar à formação de seres humanos e cria-los afetiva e moralmente sadios. É por isso que nenhum dicionário define a magia do significado da palavra mãe. No entanto, em todos os idiomas ela traduz igual sentimento: o exercício do amor sem limites.

         Apesar de marcada pelo consumismo a data do próximo domingo no Brasil se revela numa celebração da vida, pois a maternidade é sua geradora e sua defensora, desde a concepção, até seu fim natural. Sua expressão não se enfraquece com barreiras colocadas pela distância física, pela identificação genética ou pelos padrões de normalidade estabelecidos pela sociedade, pois não há obstáculos intransponíveis à capacidade de demonstrar carinho e dedicação total aos filhos.

         Realmente, cada mãe possui uma vivência pessoal, mas são semelhantes nos objetivos que as movem e nos desafios que enfrentam: são elas quem mais sofrem no físico e na alma as dores dos rebentos desempregados, marginalizados, injustiçados, viciados ou afastados por quais motivos. São elas também que estão aos seus lados em todos os momentos, tristes ou alegres, agasalhando em si mesmas, os percalços e os êxitos daqueles que conduziram ao mundo após aninha-los em seus ventres. Constituem-se em apoio para a vida e em fonte de transformação.

         Nada mais justo do que homenageá-las exaltando seus permanentes atributos, mostrando-lhes quanto representam ao equilíbrio da ordem social, oferecendo-lhes ainda as mais variadas manifestações de afeto e de respeito. E num plano mais amplo, devemos cobrar de nossos legisladores a edição de normas que valorizem e protejam de modo irrestrito a maternidade, para o próprio bem das comunidades em geral, sem nunca lhes negar direitos básicos.

 

 

História do Dia das Mães

 

 

Foi o presidente Getúlio Vargas que, através do Decreto 21.366 de 05 de maio de 1932, criou oficialmente o Dia das Mães no Brasil, atendendo a iniciativa da Associação Cristã de Moços de Porto Alegre, inspirada em Anna Javis que o havia lançado nos Estados Unidos. Mas a sua história se inicia na Grécia Antiga, quando a data era comemorada em setembro, início da primavera, como homenagem a Rhea, “mãe dos deuses”. Em 1660,  passou a ser invocada na Inglaterra, no quarto domingo da Quaresma. No entanto, somente após a luta desenvolvida pela americana, visando fortalecer os laços familiares, surgiu como festa especial. Em 26 de abril de 1910, conseguiu realizar a primeira comemoração no Estado de Virgínia e, em 1914, o governo a unificou no segundo domingo de maio. Em poucos anos, mais de 40 países já a haviam adotado e em 1923, depois de observar que ela havia se transformado em motivo de lucro para os comerciantes, Anna entrou com processo para cancelar a celebração, sem sucesso. Assim, os apelos consumistas geraram arrependimento na própria criadora do evento.

 

 

Homenagem especial

 

 

 Em homenagem a esta data tão especial, transcrevemos a poesia “MÃE” de CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE:

“Porque Deus permite/ que as mães vão se embora?/ Mãe não tem limite,/ é tempo sem hora,/ luz que não se apaga/ quando sopra o vento/ e a chuva desaba,/ veludo escondido,/ na pele enrugada,/ água pura, ar puro,/ puro pensamento./ Morrer acontece/ com o que é breve/ e passa/ sem deixar vestígio./  Mãe, na sua graça,/ é eternidade./ Por que Deus Se lembra/ - mistério profundo –/ de tirá-la um dia?/ Fosse eu rei do mundo/ baixava uma lei:/ Mãe não morre nunca,/ mãe ficará sempre/ Junto do seu filho/ e ele, velho embora,/ com a mãe ao lado,/ será pequenino/ feito um grão de milho”.

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor da Faculdade de Direito no Centro Universitário Padre Anchieta no Brasil. É ex-presidente das Academias Jundiaienses de Letras e de Letras Jurídicas (martinelliadv@hotmail.com)

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:22
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ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - OS MEDIEVAIS ACREDITAVAM NA ASTROLOGIA ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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A possibilidade de os astros exercerem alguma forma de influência física ou psicológica nos atos humanos era assunto que preocupava os pensadores medievais. Tal influência se lhes afigurava como decorrência forçosa do modo ordenado e hierárquico de Deus governar suas criaturas; já que os seres siderais estavam acima da terra e dos homens, à primeira vista parecia natural que de certo modo exercessem alguma ação sobre o mundo e seus habitantes; a questão estava em estabelecer o modo e os limites de tal ação, sobretudo considerando o livre arbítrio do ser humano – que nenhum filósofo cristão podia razoavelmente negar ou pôr em dúvida.

São Tomás de Aquino se estendeu sobre o assunto nas suas duas obras maiores. Na Summa contra gentiles, Livro 3, estudou se Deus governa os corpos inferiores mediante os corpos celestes (caps. 82 e 83); se os corpos celestes podem influir nos entendimentos humanos (cap. 84); se podem ser causa de nossas vontades e escolhas (cap. 85); se produzem efeitos corporais necessários nos corpos inferiores (cap. 86); e se o movimento dos corpos celestes não poderia ser causa de nossas escolhas por força de uma alma que os movesse (cap. 87); para depois concluir que somente Deus e nenhuma outra criatura pode ser causa direta de nossas escolhas e volições (cap. 88).

Na primeira parte da Summa Theologiae, questão 115, estudou genericamente se os corpos celestes são causa do que acontece nos corpos inferiores (art. 3); se eles podem ser causa dos atos humanos (art. 4); se podem influir sobre os próprios demônios (art. 5); e se podem impor necessidades às coisas submetidas à sua ação (art. 6); na I-IIae, questão 9, dedicou o art. 5 ao estudo se a vontade humana pode ser movida eficazmente por algum corpo celeste; e na II-IIae, questão 95, art. 5, indagou se a adivinhação pelos astros poderia ser lícita.

Com São Tomás, ensinam os moralistas católicos que é lícita a dedução de fenômenos naturais decorrentes materialmente da influência dos astros - como por exemplo, prever o fluxo das marés ou a proximidade de tempestades pela observação dos céus, ou prever os resultados do plantio ou da poda de árvores conforme as fases da lua. Mas é ilícito supor que os astros tenham poder de dar “sorte” ou “azar” a alguém, ou que possam exercer uma influência determinante sobre a livre vontade do homem.

Sobre a astrologia e sua moralidade, ver: ROBERTI, Francesco; PALAZZINI, Pietro (orgs.). Dizionario di Teologia Morale, verbete “Astrologia”; e MOREUX, Abbé Th. Les influences astrales. Paris: G. Doin & Cie., 1942 (especialmente capítulo  L´Astrologie à travers les ages“, p. 5-40).

Também é moralmente ilícita a crença tão “moderninha” na influência dos signos e dos horóscopos. O engraçado é que ateus e descrentes se julgam espíritos superiores porque não acreditam na Revelação... mas muitas vezes são supersticiosos a ponto de mudarem o trajeto de uma viagem ou a agenda de seus compromissos diáros porque leram no jornal, ou ouviram no rádio o seu horóscopo!

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS  -  é licenciado em História e em Filosofia, doutor na área de Filosofia e Letras, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Portuguesa da História.

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:18
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CINTHYA NUNES - DIA DAS MÃES EM TEMPO DE QUARENTENA

 

 

 

 

 

 

 

 

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            Dias das Mães se aproximando e, assim como a maior parte dos brasileiros, minhas irmãs e eu estamos longe de nossa mãe há quase dois meses e, pelo caminhar da carroça, sem perspectiva de quando isso será possível, eis que, morando todos em cidades diferentes, estamos respeitando o isolamento social.

            Esse, sem dúvida, será um Dia das Mães atípico. E não apenas porque muitas mães estarão distantes dos filhos, nem porque não serão possíveis grandes almoços em família, mas pelo fato de que muitos estão lamentando perdas nesse momento. Filhos que perderam suas mães e mães que se despediram precocemente de seus filhos. Sequer com direito às despedidas tradicionais, já que o vírus retira nesse momento até mesmo o direito à dor do luto.

            De outro lado, com o comércio fechado, somente filhos mais tecnológicos e com algum dinheiro é que conseguem enviar, a distância, algum mimo para suas genitoras. Para todos os demais, resta o conforto de sabermos que estamos ao alcance de uma ligação. Não há (e nem nunca houve, na verdade) bem mais importante do que a saúde. Se o vírus nos pudesse deixar um bilhete, por certo conteria uma mensagem nos instruindo a aproveitar a vida, a agradecer cada dia de livres e profundas inspirações e expirações.

            Minha mãe, não tenho dúvida, já recebeu seu presente desse ano na graça de comemorar uma filha que, tendo contraído o vírus, recuperou-se bem e voltou ao trabalho pela saúde das outras pessoas. Sei bem que para ela só isso importa, que estejamos bem. Não há bem material que possa substituir essa paz, mas, ainda assim, gostaríamos que fosse possível estarmos sentados ao redor da mesa, comendo, rindo e desfrutando de um dia comum.

O momento, infelizmente, é outro. O mundo inteiro está passando por privações em níveis variados. É tempo de adaptação, de resiliência, de fé e coragem. Sendo uma era digital, temos ao menos algumas facilidades, mecanismos que não existiam em circunstâncias parecidas, como nos dias da Gripe Espanhola. A internet e a telefonia, nessas horas, são um alento, permitindo não apenas que possamos falar com nossos entes queridos, mas que possamos vê-los também.

Minha família, que já se falava todos os dias ao telefone, antes de tudo isso, agora está realmente dependente desse meio de comunicação. Criamos uma rotina e, diariamente, ao menos duas vezes, reunidos virtualmente, dividindo uma tela de telefone em quatro partes, tentamos rir do que é possível, matando saudades dos nossos rostos, encarregando a memória de preencher as lacunas do que não consegue se projetar a distância.

            Vivemos à espera de dias melhores, do retorno das coisas simples e essenciais como abraços apertados. Pelo dia de mães ao lado de seus filhos e de filhos sem temor pelas suas mães, sem receio de que saiam de casa para um simples passeio. Manhãs de padarias abertas, nas quais seja possível sentar para degustar um bom e demorado café após pegar o jornal na Banca da esquina e apertar as mãos dos amigos.

            Um dia isso vai passar. Até lá desejo um Dia das Mães de boas notícias, juntos ou a distancia. Que possamos encontrar alento nas vozes de quem amamos, enquanto aguardamos na antessala dos reencontros. Por ora, órfãos da presença, somos todos filhos da esperança.

 

 

 

 

CINTHYA NUNES   -   é jornalista, advogada e está com muitas saudades de sua mãecinthyanvs@gmail.com

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:12
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - BANCOS VAZIOS

 

 

 

 

 

 

 

 

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Em uma conversa com o Padre Dr. Jean-Marie Laurier do Instituto Nossa Senhora da Vida, que no momento se encontra no México, ao lhe dizer como sinto falta da participar da Missa presencial, comentou sobre a dor dos Sacerdotes, que foram ordenados para estar com o povo, celebrar, através da TV ou das redes sociais, em uma Igreja com os bancos vazios.
Na Celebração da Eucaristia, na Catedral NSD, nos dois últimos sábados, o pároco, Padre Márcio Felipe, invocando Nossa Senhora Aparecida, abençoou quem participava, via internet, e percorreu o corredor, chegando à porta principal, para abençoar a cidade. Porta aberta, luzes artificiais da praça vazia e os fantasmas, de cada um, que se elevam nos temores e na solidão. De imediato, no entanto, a sua prece afastou as assombrações individuais.
Sentimos falta sim da Igreja em ação com o povo presente, contudo vivemos uma época,que jamais atravessamos, em que se agiganta o Covid-19, um organismo acelular, invisível a olhos nus, que passa de uma pessoa para outra, muitas vezes deixa sequelas e pode ser letal. Quanto sofrimento espalhado pelo mundo a partir desse organismo que invade o ser humano e faz morada nele para amaldiçoá-lo.
O Decreto, portanto, de nosso Bispo Diocesano, Dom Vicente Costa, suspendendo as Missas e Celebrações com a presença dos fiéis, sem dúvida foi amor por sua gente, cuidado com o povo, em consonância com as autoridades sanitárias, a fim de dificultar, ao Covid-19,habitação feita em vias respiratórias e pulmões, que o sustente e o multiplique. Dessa forma, sua morte acontece. E as casas se tornaram Santuário doméstico para os que saem da autossuficiência e entram na obediência que salva.
Em momento algum a Igreja se distanciou. É preciso estar atento, pois o mal deturpa o raciocínio. Como escreveu em uma de suas cartas, em 1896, Santa Teresinha do Menino Jesus, o demônio é um “miserável privado de amor”.
Li uma reflexão do Frei Saverio Cannistrà, Padre Geral da Ordem dos Carmelitas Descalços, sobre esse tempo de tribulação.  Afirma ele: “... Tribulação, de fato, é sempre para o cristão o lugar pelo qual Cristo passou, ou melhor, pelo qual Cristo continua a passar e nos leva à luz da Páscoa.(...) Somos chamados a dar um passo atrás e abrir espaço para médicos, enfermeiros e voluntários que são os verdadeiros heróis desta pandemia do Terceiro Milênio”.
É tempo de espera com os olhos fixos no Céu.

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.



publicado por Luso-brasileiro às 11:06
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PÉRICLES CAPANEMA - DESASSOMBRO

 

 

 

 

 

 

 

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De há muito noto entristecido (e inconformado), a palavra Cristandade de tantas fulgurações vem sendo empurrada de lado. No amplo palacete das ideias, está jogada para desvão pouco iluminado, quase nunca visto e visitado. Palavra, sim, isto é, o conceito; de outro modo, a realidade que expressa.

 

Trágico, Cristandade não pode ser escorraçada do debate público. Nada apresenta ou fez de infamante; a mais, tem frescor, fulgura de luz dourada. Subo, tem justificação doutrinária sólida e enormes realizações históricas. Contudo, essa é a verdade, hoje causa constrangimentos e assim, parece, seria melhor que não frequentasse a sala, permanecesse discreta na cozinha, meio escondida, junto com vassouras e rodos. Sua presença brilhante em locais de destaque atrapalharia a fluidez normal das conversas, dificultaria aproximações entre os convivas habituais.

 

Ali na sala e nas partes principais da residência conversam entre si palavras [conceitos] como conservadorismo, valores cristãos, raízes cristãs, valores nacionais, integridade, bons costumes, herança judaico-cristã, filosofia perene, preservação da família. Gente do bem, como se vê. Cristandade, não. O máximo que vi a de regra naquele olimpo se admitiria seria a sociedade laica, vitalmente cristã, para lembrar a famosa formulação maritainista.

 

Platonicamente, Cristandade ainda pode se considerar amiga de todos os convivas mencionados, tem com eles relações antigas, parentesco. Por isso, por enquanto, fica na área de serviço, esperando a hora de sair sem ruído pela porta da cozinha. Se resistir, é congruente, seria expulsa, a coligação dos incomodados já não mais a toleraria.

 

Cristandade antes era recusada em particular pelos bad boys. Mas agora vem sendo empurrada de lado por pessoas respeitáveis, com serviços prestados, que têm um ponto em comum: não querem ouvir falar de Cristandade, nem estar em sua companhia, o silêncio a circunda. Quem já padeceu o ostracismo, sabe que é impiedoso, minucioso e feroz.

 

Corta. Folheava o mensário “Catolicismo” (nº 831), quando dei de cara com: “Cristandade – solução para o vazio da nossa sociedade niilista”. Li de novo. Era aquilo mesmo, a Cristandade apresentada como solução social para nossos dias. Li de novo. Não havia dúvida. Fui para o autor, John Horvat II. Lembrei-me, já havia lido livro dele “Return to Order” e publicado comentário a respeito sob o cabeçalho: “A coragem das definições” (está desde 26.8.2017 em meu blog periclescapanema.blogspot.com).

 

“Return to Order” provocou-me de imediato uma exclamação: “Meu Deus, que coragem!”. Daí o título do comentário: “A coragem das definições”, de onde recolho: “Existe também a fortaleza do intelectual, dela se trata aqui — o amor à objetividade o obriga por vezes a gravar no papel, conscientemente, palavras que destruirão o êxito profissional e até a nomeada social. Acontece então, a escravidão à verdade o atira sem volta no ostracismo. O pior dos erros é acertar sozinho contra muita gente, constatava amargo e risonho Agripino Grieco. Desbravador arrojado, chegou ao topo do morro, de lá descreveu panoramas novos. Horvat correu riscos — o primeiro, a incompreensão; o segundo, o isolamento. Quis assim. Assoma nítido o desassombro, em especial quando demole barreiras fincadas pelas batidas tiranias das modas do pensamento”.

 

John Horvat veio ao encontro de minhas angústias. Repetindo em “Cristandade – solução para o vazio da nossa sociedade niilista” a coragem intelectual já evidenciada em “Return to Order”, tratou com desassombro a situação que descrevi acima de forma sobretudo metafórica. Criou até um ferrete, um slogan para indicar a exclusão de Cristandade do debate público: o Anything But Christendom Syndrome, a síndrome do ABC – a síndrome do “Qualquer coisa vale, menos a Cristandade”, doença composta de várias manifestações associadas a uma condição mórbida critica. Tal enfermidade afunda suas raízes em velhos preconceitos liberais, que distorcem a natureza da sociedade cristã, observa ele.

 

Horvat desafia, desbrava e encurrala. Cordial, seguro, traz de volta para o centro do debate o que a patrulha havia expulsado. Ele, um norte-americano, começa sua justa assim (vou utilizar o original inglês, está na rede): “Graves problemas morais estão destruindo nosso país”. Continua, muitos descrevem bem os problemas, erram nas soluções. Outros, sem analisar causas, propõem soluções inócuas. Outros ainda sugerem saídas de mínimo esforço. A única solução real é o retorno à Cristandade, diz [vai explicar depois].

 

Observa, todos no debate, na esquerda, no centro e na direita, só não admitem debater uma solução: a Cristandade. É o debate inquinado pela síndrome “Qualquer coisa vale, menos a Cristandade”. Contaminou tanto o campo temporal como o religioso.

 

Explica como conservadores e direitistas estão com medo de tocar no assunto: “Existem cristãos que de fato desejam a moral com base no Decálogo. Mas não a ousam propor porque parecem esmagadoramente numerosos as pessoas e meios de divulgação contrários. A Cristandade está muito distante da sociedade presente; não é prático propô-la. Para eles, não há chance de vencer. E assim se tornam pacientes da síndrome do ‘Qualquer Coisa vale, menos a Cristandade’. Os cristãos volteiam em torno de todos os assuntos ligados a Cristandade, mas ninguém ousa pronunciar a palavra”.

 

Por falta de espaço, não vou tratar aqui da refutação que faz aos que chama de “liberais radicais” e “moderados radicais”. A recusa de todos eles em admitir sequer a ideia de Cristandade denota, escreve Horvat, “uma rigidez tirânica, enraizada no materialismo”.

 

Chega à parte final do artigo: “Como nossos problemas são morais, nossas soluções devem ser morais”. Mostra que a Cristandade é solução natural, postos o Direito Natural e a moral da Igreja, que estão conformes à natureza humana. E daí a maior felicidade e harmonia social, para cristãos e não-cristãos, encontram-se numa atmosfera de civilização cristã. Refuta falsidades, entre as quais a da imposição da Fé ▬ a Fé é um dom sobrenatural, não pode ser imposto. E pontua, tais falsidades estão sendo vociferadas em ambiente convulsionado em que uma coligação anti-Cristandade vem impondo a pauta de que tudo vale, menos a Cristandade. E nas forças da investida estão satanismo, promotores agenda LGBT+, defensores da pauta transgênero, incentivadores das blasfêmias, tudo

 

Em resumo, os tempos estão maduros para debater a Cristandade. Sua defesa precisa ser feita abertamente, sem desculpas e com entusiasmo.  Trabalho de esclarecimento, em primeiro lugar, a maioria nem sabe o que é a Cristandade. Sem tal debate, a sociedade continuará a afundar na anarquia e no libertarianismo. “Como nossos problemas são morais, as soluções devem ser morais”. E finaliza: “Precisamos urgentemente de uma civilização cristã. Essa é uma proposta [a Cristandade] que deve, pelo menos, ser tomada em consideração”. De novo, felicitações.

 

 

 

 

 

 

 

PÉRICLES CAPANEMA - é engenheiro civil, UFMG, turma de 1970, autor do livro “Horizontes de Minas"



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ANTÓNIO FRANCISCO GONÇALVES SIMÕES - AS VIRTUDES CAPITAIS DO SÉCULO XXI - 1ª Série - 1ª. A LIBERDADE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Liberdade significa o direito de agir segundo o seu livre arbítrio, de acordo com a própria vontade, desde que não prejudique outra pessoa, é a  sensação de estar livre e não depender de ninguém.

Liberdade é também um conjunto de ideias liberais e dos  direitos  de cada cidadão.

 

Liberdade é classificada pela filosofia, como a independência do ser humano, o poder de ter autonomia  E  espontaneidade. A liberdade é um conceito utópico, uma vez que é questionável se realmente os  indivíduos têm   liberdade  que dizem ter.  Diversos pensadores dissertaram sobre a liberdade, como Sartre, Descartes, Kant, Marx e outros.

 

No meio jurídico existe a Liberdade condicional, que é quando um indivíduo que foi condenado por algo que cometeu, recebe o direito  de cumprir toda ou parte de sua pena em liberdade, ou seja, com o direito de fazer o  que tiver interesse, mas de acordo com as ordens da justiça.

Existe também a liberdade provisória, que é atribuída a um indivíduo com cunho temporário. Pode ser obrigatória, permitida (com ou sem confiança) e vedada(em certos casos como o alegado envolvimento em crime organizado).  

 

A liberdade de expressão  é  a garantia e a capacidade dada a uma indivíduo que lhe permite expressar as suas opiniões e crenças sem ser censurado. Apesar disso, estão previstos alguns casos em que se verifica a restrição legítima da liberdade de expressão, quando a opinião ou crença tem o objectivo de discriminar uma pessoa ou grupo específico através de declarações injuriosas  e difamatórias.

 

Com origem no termo  em latim, “ libertas”,  a palavra liberdade também pode ser usada em sentido figurado, podendo ser sinónimo de ousadia, franqueza ou familiaridade. Por exemplo: “como você chegou tarde, eu tomei a liberdade de  pedir o almoço para você”.

 

A liberdade pode  consistir na personificação de ideologias liberais. Faz parte  do lema “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, criado em 1793 para expressar valores defendidos pela  Revolução Francesa, uma revolta que teve um impacto enorme nas sociedades contemporâneas e nos sistemas políticos da actualidade.

 

No âmbito da música, várias obras foram dedicadas ou inspiradas pelo conceito de liberdade. Um exemplo  é o Hino da Proclamação da República do Brasil, escrito por Medeiros de Albuquerque: “Liberdade! Liberdade! Abre as asas sobre nós!.

        

                                                                                                                                                                         

Liberdade e Ética – De acordo com a ética, a liberdade está relacionada com responsabilidade, uma vez que um indivíduo tem todo o direito de ter liberdade, desde que essa atitude não desrespeite ninguém, não passe por cima de princípios éticos e legais    

 

 

                                                            (continua no próximo número)

 

 

 

 

 

ANTÓNIO FRANCISCO GONÇALVES SIMÕES   -   Sacerdote Católico. Coronel Capelão das Frorças Armadas Portuguesas. Funchal, Madeira.  -    Email   goncalves.simoes@sapo.pt

 

                              



publicado por Luso-brasileiro às 10:13
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FELIPE AQUINO - POR QUE FOI NECESSÁRIO O SACRIFÍCIO DE CRISTO ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Diante do sacrifício de Cristo, não devemos olhar o Pai como um carrasco a exigir a morte do Filho amado, não. De um modo misterioso para nós, o Sacrifício de Jesus satisfez a Justiça de Deus Pai, porque por seu sacrifício o plano original para a humanidade foi restaurado; a Justiça de Deus foi satisfeita; Alguém pagou o preço das nossas faltas, e agora podemos nos apresentar diante de Deus, reconciliados. Deus é Pai, mas não é paternalista, como um pai que não faz conta dos erros dos seus filhos, burlando a justiça, não. A Justiça perfeita de Deus exige que o mal seja reparado, da mesma forma que nós fazemos com os que cometem crimes.

Para entender o sacrifício de Jesus para a remissão dos pecados da humanidade, é preciso entender que uma ofensa tem a sua gravidade de acordo com a honra da pessoa ofendida; assim, um tapa dado no rosto de um irmão é menos grave do que o mesmo tapa dado no pai ou na mãe, porque a honra desses é maior. Agora, imagine se esse tapa for dado no rosto de Deus; a sua gravidade torna-se Infinita, porque a honra e a majestade de Deus são infinitas. Dessa forma, quando o homem pecou contra Deus, ele não pôde mais resgatar a sua culpa diante da Justiça de Deus, porque a sua culpa se tornou infinita. O Catecismo da Igreja diz que: “nenhum homem, ainda que o mais santo, tinha condições de tomar sobre si os pecados de todos os homens e de oferecer-se em sacrifício por todos” (§ 616).

Como, então, nenhum homem poderia oferecer a Deus um sacrifício (Infinito) que fosse suficiente para pagar pelos pecados dos homens, então, Jesus, no seu amor, assumiu esta missão. O Verbo de Deus bendito apresentou-se para assumir a nossa natureza e nos salvar, pois, Ele sendo Deus poderia, como homem, oferecer a Deus um sacrifício de valor Infinito, e restaurar a ofensa infinita que nossos pecados provocaram contra Deus:

“Eis porque, ao entrar no mundo, Cristo diz: Não quiseste nem sacrifício nem oblação, mas me formaste um corpo. Holocaustos e sacrifícios pelo pecado não te agradam. Então, eu disse: Eis que venho (porque é de mim que está escrito no rolo do livro) venho, ó Deus, para fazer a tua vontade (Sl 39,7s)” (Hb 10, 7). O nosso Catecismo explica, então:

“A existência em Cristo da Pessoa Divina do Filho, que supera e, ao mesmo tempo, abraça todas as pessoas humanas, e que o constitui Cabeça de toda a humanidade, torna possível o seu sacrifício redentor por todos” (§ 617).

É exatamente esse Sacrifício de Cristo, que não envelhece e não caduca, que é oferecido na Santa Missa, repito, não multiplicado ou repetido, mas atualizado; tornado presente; não é uma nova paixão do Senhor, é a mesma e única.

A Igreja explica que a morte violenta de Cristo não foi o resultado do acaso num conjunto infeliz de circunstâncias. Ela faz parte do mistério do projeto de Deus, como explicou São Pedro no dia de Pentecostes: “Ele foi entregue segundo o desígnio determinado e a presciência de Deus” (At 2,23). Mas isto não significa que “os que tinham entregues Jesus a morte tenham sido apenas executores passivos de um roteiro escrito de antemão por Deus” (Cat. §599). Cada um que cooperou para a morte de Cristo, agiu com toda liberdade e responsabilidade, e ninguém foi obrigado a participar disso.

 

 

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Leia também: A História do Sacrifício

Por que Cristo quis permanecer presente na Eucaristia?

“Teus pecados estão perdoados!”

Jesus Cristo, o único Salvador!

O sentido da Santa Missa

A missa como sacrifício

 

 

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O Catecismo explica que: “Para Deus, todos os momentos do tempo estão presentes em sua atualidade. Ele estabelece, portanto, seu projeto eterno de “predestinação” incluindo nele a resposta livre de cada homem à sua graça” (§600). Isto deixa claro que não existe “o destino” do qual nós seríamos escravos.

O Senhor Jesus se ofereceu em nosso lugar. Assim como aquele cordeiro substituiu Isaac no sacrifício de Abraão, da mesma forma Cristo, o Cordeiro de Deus, nos substituiu na cruz. O profeta Isaías soube exprimir isto muito bem:

“Em verdade, ele tomou sobre si nossas enfermidades, e carregou os nossos sofrimentos: e nós o reputávamos como um castigado, ferido por Deus e humilhado. Mas ele foi castigado por nossos crimes, e esmagados por nossas iniquidades; o castigo que nos salva estava sobre ele; fomos curados graças às suas chagas” (Is 53,4-5).

O sacrifício de Jesus Cristo foi único e suficiente. “Cristo ofereceu pelos pecados um único sacrifício (…). Por uma só oblação Ele realizou a perfeição definitiva daqueles que recebem a santificação” (Hb 10,12-14). Já não é mais necessário novos sacrifícios. Cristo morreu uma só vez, e ressuscitou ao terceiro dia, e hoje no céu, intercede por nós diante de Deus.

O Papa João Paulo II disse: “Ao celebrarmos o sacrifício do Cordeiro unimo-nos à liturgia celeste, associando-nos àquela multidão imensa que grita: “A salvação pertence ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro” (Ap 7,10). A Eucaristia é verdadeiramente um pedaço do Céu que se abre sobre a terra; é um raio de glória da Jerusalém celeste, que atravessa as nuvens da nossa história e vem iluminar o nosso caminho” (EE,19).

Não se trata da mera comemoração de um passado já extinto, mas sim de um “zikkarôn”, isto é, de um “memorial”. E Jesus Cristo ordenou aos Apóstolos, que fizessem isso em memória dele. O termo utilizado pelos evangelistas, e que traduzimos por “memória” é “anamnese”. Esta palavra não quer dizer uma simples memória (mnemone), mas um recordar, tornando presente o mesmo acontecimento. Então, a santa Missa, faz memória do sacrifício de Cristo, tornando-o presente. Na Santa Ceia Cristo fez uma antecipação do seu sacrifício, na santa Missa Ele o perpetua.

O Papa João Paulo II explica o sentido da santa Missa com precisão: “A Missa torna presente o sacrifício da cruz; não é mais um, nem o multiplica. O que se repete é a celebração memorial, a “exposição memorial” (memorialis demonstratio), de modo que o único e definitivo sacrifício redentor de Cristo se atualiza incessantemente no tempo. Portanto, a natureza sacrificial do mistério eucarístico não pode ser entendida como algo isolado, independente da cruz ou com uma referência apenas indireta ao sacrifício do Calvário” (EE, 12).

 

 

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O Catecismo da Igreja resume tudo dizendo:

Na Missa “é Cristo mesmo, sumo sacerdote eterno da nova aliança, que agindo pelo ministério dos sacerdotes, oferece o sacrifício eucarístico. E é também o mesmo Cristo, realmente presente sob as espécies do pão e do vinho, que é a oferenda do Sacrifício Eucarístico” (§1410).

“A Missa é ao mesmo tempo e inseparavelmente o memorial sacrificial no qual se perpetua o sacrifício da Cruz, e o banquete sagrado da comunhão ao Corpo e ao Sangue do Senhor” (Cat. §1382).

Quem de nós não desejaria poder estar lá em Jerusalém, no Calvário, aos pés da cruz do Senhor que morria para nos salvar! Ora, em cada Missa temos esta oportunidade; se não vemos a cena com os olhos da carne, o vemos com os olhos da fé. Torna-se presente o mesmo e único Sacrifício do Senhor, de maneira incruenta, Ele não sofre mais, mas está ali em estado de eterna Vítima que se oferece por nós. O que foi a Cruz no Calvário, é o altar na Santa Missa.

O sacerdote atua “in persona Christi”, instituído pelo Sacramento da Ordem, que o faz participar do poder e da dignidade do único e eterno Sacerdote, Jesus Cristo.

“O sacrifício redentor de Cristo é único, realizado uma vez por todas. Não obstante, tornou-se presente no sacrifício eucarístico da Igreja. O mesmo acontece com o único sacerdócio de Cristo: tornou-se presente pelo sacerdócio ministerial, sem diminuir em nada a unicidade do sacerdócio de Cristo” (Cat. §1545).

Qualquer que seja o celebrante, se ele for legítimo sacerdote da Igreja, a santa Missa tem o mesmo valor. Não importa a cultura ou o grau de santidade do sacerdote, importa apenas a sua intenção e legitimidade.

Sobre isto dizia o grande doutor da Igreja, São João Crisóstomo:

“Quero acrescentar uma coisa verdadeiramente estupenda, mas não vos espanteis nem vos perturbeis. Que coisa é? A oblação é a mesma, seja quem for o oferente, chame-se ele Pedro ou Paulo; é a mesma que Jesus Cristo confiou aos discípulos e agora realizam os sacerdotes: esta última não é menor que a primeira, porque não são os homens que a tornam santa, mas Aquele que a santificou. Como as palavras pronunciadas por Deus são exatamente as mesmas que agora diz o sacerdote, assim a oblação é também a mesma” (In Epist. 2. ad Tim., hom. 2,4).

 

Retirado do livro: “O Segredo da Sagrada Eucaristia”. Prof. Felipe Aquino. Ed. Cléofas.

 

 

 

FELIPE AQUINO   -      é viuvo, pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br Twitter: @pfelipeaquino

 

 



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