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Sexta-feira, 19 de Junho de 2020
ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - CLUNY E A REFORMA GREGORIANA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Os séculos IX a XI marcaram um período de grandes reformas na Igreja Católica. Os movimentos reformadores, brotados de modo mais ou menos espontâneo foram vários, surgidos em diferentes pontos da Europa. Surgiram ordens religiosas novas, houve mosteiros que procederam a reformas internas, com vistas ao afervoramento de seus membros e ao retorno à espiritualidade que havia presidido às respectivas fundações, houve santos que, com seu exemplo de vida e seus ensinamentos, ilustraram pontualmente esse período.

Entretanto, sem a menor dúvida, o que marcou a grande reforma da Igreja nesse período foi a renovação realizada a partir da Abadia de Cluny, na Borgonha, a qual foi crescendo de influência e chegou a reformar o próprio Papado - com a chamada Reforma Gregoriana, chefiada pelo São Gregório VII, antigo monge de Cluny, que foi Papa de 1073 até sua morte, em 1085.

Cluny nasceu como um simples mosteiro, mais um entre as muitas centenas com que então contava a Cristandade. Foi instituído no ano de 910 por Guilherme I, o Piedoso, duque da Aquitânia. Seu objetivo inicial era bem modesto: pretendia ter apenas 12 monges, em memória dos 12 Apóstolos de Jesus Cristo. Mas logo cresceu e se expandiu de modo surpreendente.

O que tornou Cluny um fato único na História da Igreja e da Europa é que, ao longo de 200 anos foi governado ininterruptamente por abades santos, que com admirável persistência e com notável compreensão da dimensão política de sua profissão religiosa, sem deixarem de serem religiosos e sem se envolverem com interesses políticos escusos, souberam influenciar a fundo a sociedade temporal de seu tempo. Os grandes abades de Cluny eram provenientes da alta nobreza, na qual também eram recrutados na sua maioria os membros da ordem.

Em torno dos grandes abades de Cluny - Beato Vernon (período de 909 a 927), Santo Odon (de 927 a 942), São Maiolo (de 948 a 994), Santo Odilon (de 994 a 1049), Santo Hugo (de 1049 a 1109) e Pedro, o Venerável (de 1122 a1156) - não apenas se reformou a Ordem Beneditina na Europa inteira (a rede cluniacense chegou a coligar mais de 2000 mosteiros, todos sujeitos ao abade de Cluny), mas foi influenciada fortemente a sociedade temporal (e essa influência se deveu, em considerável medida, aos laços de parentesco entre poderosos senhores temporais e monges destacados da rede cluniacense) num sentido de suavização dos costumes, procurando moderar os rudes hábitos de guerra, submetendo os contendores a uma lei moral e desenvolvendo, assim, a noção de guerra justa; e, por fim, essa reforma foi conquistando posições cada vez mais sólidas em Roma, chegando à eleição de vários Papas de origem monástica, dos quais, sem dúvida, o mais influente e famoso foi São Gregório VII (o monge Hildebrando), que emprestou seu nome à grande reforma da Corte pontifícia e do próprio Papado.

Encontram-se traços da ação concertada dos abades de Cluny em toda a Europa, em todas as áreas. Eles foram grandes incentivadores da reconquista ibérica, estiveram ligados à fundação da monarquia portuguesa. O Conde D. Henrique de Borgonha, pai de D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, era sobrinho de Santo Hugo. Um grande historiador português da primeira metade do século XX, João Ameal, intitulou um dos capítulos iniciais de sua História de Portugal das origens até 1940 (Porto: Livraria Tavares Martins, 1949) como “À sombra de Cluny”. Os cluniacenses estiveram por trás da consolidação do feudalismo, da instituição da cavalaria, do ciclo das canções de gesta e tiveram, também, influência artística, teológica e educacional. Durante cerca de dois séculos mantiveram-se no mesmo nível elevado de espiritualidade e dedicação até que, já no século XII, entraram num período de decadência, em parte desviados de sua missão pelos imensos bens que a Ordem havia conseguido acumular.

Foram, então, combatidos, de modo respeitoso, mas peremptório, por São Bernardo de Claraval, fundador da Ordem Cisterciense, com a qual pretendia restaurar, na sua pureza primitiva, o espírito de São Bento que os cluniacenses, depois de séculos de fidelidade, estavam esquecendo.

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS  -  é licenciado em História e em Filosofia, doutor na área de Filosofia e Letras, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Portuguesa da História.



publicado por Luso-brasileiro às 11:34
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CINTHYA NUNES - YOGA PARA TODOS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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            Sendo uma pessoa agitada, inquieta, várias vezes julguei interessante a ideia de meditar, de praticar algo que me ajudasse com relaxamento e concentração. Sem qualquer informação sobre, achava que a Yoga poderia ser uma opção, mas acabei não me aventurando, meio por falta de tempo e meio por falta de ânimo mesmo. A quarentena, essa experiência insólita proporcionada pelo ano de 2020, mudou isso também para mim.

            A ignorância é realmente uma aliada dos piores e mais equivocados julgamentos. Acreditava que a Yoga era uma prática meio passiva, centrada em respirar, expirar, meditar e não pirar. Causava-me preguiça a ideia de ficar parada em uma única posição por longo tempo, somente vibrando e recebendo energia do universo. Tinha certeza de que não era minha praia.

            Antes do início do isolamento social eu estava me exercitando com frequência, praticando várias modalidades, fosse natação, musculação ou aikido. Sem poder sair de casa, entretanto, tentei usar a esteira elétrica que possuímos, mas o que me sobrou de intenção, faltou-me em ação. Acho insuportável ficar andando para lugar nenhum, implorando para o tempo passar. Parece que coloco 5 horas dentro de 30 minutos. Super entendo a razão pela qual muitas esteiras elétricas são abandonadas, ainda na infância, pelos seus donos, covardemente.

            Um dia, lendo sobre aplicativos interessantes para a quarentena, descobri um sobre Yoga, bem recomendado pelos usuários. Mais por curiosidade do que por qualquer outra coisa, baixei o programa no meu celular e vi que era possível fazer várias aulas gratuitamente, como degustação. A apresentação era muito bonita e ainda se podia escolher o tipo de Yoga, quais partes do corpo exercitar e por quanto tempo. Resolvi arriscar e fiz a primeira aula, tendo uma imensa surpresa.

            Tudo bem que fiz a opção pela Hatha Yoga, uma forma de Yoga que, segundo eu tinha lido em algum lugar, é mais vigorosa, mas terminei os 15 minutos de exercício com muita satisfação e suor. O programa é realmente ótimo! Todo em vídeos e com excelente som instrumental ao fundo. Além da filmagem, os exercícios são narrados e é possível ir corrigindo os erros dessa forma. Gostei tanto que acabei fazendo uma assinatura anual por um valor único que é menor do que apenas uma mensalidade de várias academias. Achei bacana que eles disponibilizam um formulário para o usuário enviar uma mensagem caso não tenha condições de pagar a assinatura, justificando seus motivos.

            Registro que na minha opinião um aplicativo não substitui a prática em ambiente adequado e com professor supervisionando, mas ajuda bem nesse momento em que não é possível ainda estar com outras pessoas em práticas conjuntas e fora de casa. Eu ao menos não me sinto segura para me deitar no chão, mesmo que sobre tapetes próprios, em locais nos quais circulam várias pessoas. Sinto falta da minha natação, dos meus amigos aikidocas e lamento profundamente essa tragédia que se abateu sobre o mundo, mas precisei encontrar uma forma de me manter ativa fisicamente, de modo seguro.

            E foi assim que peguei gosto e comecei a praticar quase diariamente a Yoga, na sala de casa mesmo, tudo bem improvisado. O mais louco de tudo é que, tendo duas cachorras e cinco gatos, assim que inicio os exercícios toda uma galera se aproxima. Algumas posturas eu faço rindo, tentando me desvencilhar das lambidas e pulos, sobretudo nos primeiros minutos. Nessa semana, entretanto, a cena foi digna de registro.

            Já estava no final do treino. Era fim de tarde, a sala à meia luz, tudo bem silencioso, somente com a música instrumental ao fundo. Notei que uma das cachorras estava dormindo sobre as almofadas, até roncando. Uma das gatas, que por sinal prefere a companhia canina à felina, estava deitada de barriga para cima, parecendo desmaiada. Deitei-me para o relaxamento final e, para completar, a outra cachorrinha, a Juju, deitou-se ao meu lado, encostada ao meu corpo. Em poucos segundos eu era a única criatura acordada entre as quatro praticantes de Yoga. Posso concluir que o aplicativo, que curiosamente se chama Down Dog, foi amplamente aprovado aqui em casa.

 

 

 

CINTHYA NUNES  é jornalista, advogada e não está ganhando nada para fazer propaganda de qualquer aplicativo, mas não acharia nada ruim cinthyanvs@gmail.com

 

 

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:24
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - PANDEMIA E PRAZER

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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O psicanalista e escritor Rubem Alves (1933-2014) escreveu, em seu livro “Sobre Demônios e Pecados”, que a luxúria e um jeito de olhar. Diz ele: “Pois esta é, precisamente, a característica da luxúria: os olhos não se interessam por rostos, olhos, cabelos, mãos. Eles só veem uma coisa: os genitais”.
Vivemos um tempo de angústia e não saber conviver com ela, tentando mascará-la com prazeres desordenados, somente trará mais transtornos agora e mais tarde.
Li, na Folha de São Paulo, em 17 de maio que, com o isolamento, as vendas no sex shops aumentaram em 50%. Algumas casas, com venda online, zeraram o estoque. Dentro de 115 opções disponíveis no site de uma das lojas, algumas custam mais de R$ 3000,00.  “Enquanto falta pão na casa de um irmão.” Brinquedos sexuais se tornaram companheiros. Há empreendedores nessa área que já possuem contratos fechados de franquia. Uma delas, na zona oeste de São Paulo, após receber e-mails de interessados nos produtos, contrataram motoboys e iniciaram uma promoção: entrega de até quatro horas com preço fixo. Da venda em média de 350 produtos por mês, saltou para quase 800. Segundo uma médica entrevistada, os “brinquedos” funcionam como uma espécie de escape e proporcionam um raro momento em que ela pode focar em si mesma.
Um voltar-se para si, através do prazer, ignorando suas dores e as dificuldades dos mais pobres e fragilizados é cruel.  Abre também espaço para um crescente prazer, que pode dar no uso exagerado de bebidas alcoólicas, de drogas ilícitas, da compra de sensações através do estímulo à prostituição...
Não me escandalizo, mas lamento. O corpo é para glorificar a Deus. Embora as pessoas tenham o direito sagrado ao livre arbítrio, como afirmou São Tomás de Aquino, sobre os sete pecados capitais, a luxúria é apego ao mundo e desespero em relação ao futuro. Como esclareceu em seu livro “Trevas ou Luz”, o inesquecível Dom Joaquim Justino Carreira, o dom do Conselho, do Espírito Santo, é o remédio de Deus para curar a luxúria. O dom do Conselho, como ensinou Dom Joaquim, colocado em prática, “nos ajuda a fundamentar nossas decisões no projeto de Deus que nos conduz. (...) Os conselhos do diabo a Jesus foram péssimos. Jesus discerniu, fez a vontade do Pai e salvou a Si mesmo e à humanidade”.
Rubem Alves encerra o capítulo sobre a luxúria destacando: “Quem é tentado pela luxúria é porque não está amando. O remédio para a luxúria é o amor...”

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.


 



publicado por Luso-brasileiro às 11:09
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ANTÓNIO FRANCISCO GONÇALVES SIMÕES - 4 AS VIRTUDES CAPITAIS DO SÉCULO XXI - 1ª Série (4A) - 4ª. A HUMILDADE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Humildade é a qualidade de quem age com  simplicidade, uma característica das pessoas que sabem assumir as suas responsabilidades, sem arrogância, prepotência ou soberba.

 Humildade vem do latim “humilitas” que significa “pouca elevação” e é a virtude que consiste em conhecer as suas próprias limitações e  fraquezas e agir de acordo com essa consciência.

 

Humildade também vem do latim “humus” que designa terra. A palavra homem, derivada do latim “homo” curiosamente também tem a sua origem no termo”húmus”.

Assim sendo, a humildade pode ser entendida como um processo psicológico a partir do qual o indivíduo se relaciona consigo e com os outros de forma realista, mantendo “os pés assentes na terra” e reconhecendo as suas limitações e fragilidades., na medida em que fazem parte da sua verdade    e da sua natureza.

Esta capacidade de aceitação e de tolerância dos aspectos mais vulneráveis e dolorosos da nossa personalidade, sem os afastarmos por recurso à repressão,,dissociação ou projeção, implica a existência de algum grau de maturidade psicológica que também nos vai permitir estabelecer relações interpessoais sustentadas sobretudo na compreensão em vez de ser no julgamento e na crítica.

A tranquilidade que a humildade proporciona ao assegurar o indivíduo da sua identidade, na qual estão integradas as suas forças e as suas limitações, incremente definitivamente  a qualidade dos seus relacionamentos.

 

O indivíduo com humildade consegue aceitar que, em certos momentos da sua vida, necessita de ser cuidado e é capaz de solicitar e de receber esse por parte do outro sem se  sentir rebaixado  e humilhado.

Em contrapartida, as pessoas que durante o seu processo de crescimento vivenciaram situações de carência e de dependência em que se sentiram humilhadas e desconsideradas, poderão ter mais  dificuldade  em aceitar o receber do outro na medida em que a sua auto-estima está sustentada na capacidade de completa auto-suficiência e de dependência.

É aqui que humildade e humilhação se confundem, impedindo o processo de troca fundamental  à  vida, através do dar  e receber.  

 

Transformar humilhação  em humildade é o caminho que permite resgatar o prazer não só de dar mas também de receber, enriquecendo as trocas humanas e permitindo o acesso a um sentimento essencial:  a gratidão. Gratidão não só por estas trocas relacionais que nos permitem sair de uma posição de  “orgulhosamente sós” para uma vivência de colaboração, solidariedade e afectos mas também por tudo aquilo que a vida nos pode proporcionar em termos de prazer e de aprendizagem.

Na humildade está inerente a consciência da limitação do nosso saber e a disponibilidade permanente   para aprender, com todas as pessoas, independentemente do  seu grau de instrução, idade,. profissão ou extracto social, respeitando diferentes pontos de vista.     

                 

 

                                                    (continua no próximo número)     

 

 

 

ANTÓNIO FRANCISCO GONÇALVES SIMÕES   -   Sacerdote Católico. Coronel Capelão das Frorças Armadas Portuguesas. Funchal, Madeira.  -    Email   goncalves.simoes@sapo.pt



publicado por Luso-brasileiro às 10:42
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JOSÉ RENATO NALINI - PANDEMIA PODE FAZER UM BRASIL MELHOR

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Não se subestimem as catastróficas resultantes da Covid 19, que tornou o mundo um cenário de sofrimento e de pânico. Nem se deixe de reconhecer o golpe de morte numa economia que já não caminhava conforme nossas expectativas. Mas pense-se naquilo que a pandemia pode legar, como propulsão a um repensar em inúmeros setores.

A consolidação do uso das redes sociais. Aquilo que já era perpetrado por uma geração que já nasceu com chip, agora foi imposto aos mais renitentes. Não se consegue viver na crise sem o apoio das tecnologias da comunicação e informação.

Alguns setores evidenciam que o instrumento é eficiente, valioso e irreversível. A Justiça produz mais e melhor com a digitalização. A videoconferência está se mostrando vantajosa em todos os sentidos. É mais econômica. Dispensa a locomoção dos envolvidos, muitos dos quais sustentados pela estrutura estatal, sempre combalida e com insuficientes investimentos. O trânsito, terror dos brasileiros em todas as cidades, ganhou dinamismo e racionalidade. Economizam-se dispêndios tangíveis e intangíveis, mas de impressionante valor, qual o tempo.

Mentes obscurantistas ainda resistem a admitir que essa estratégia veio para ficar. Os tempos não permitem a preservação de ritualismos e formalismos há muito superados. A síndrome do “olho no olho” ganha em eficiência com o uso de ferramentas cada vez mais potentes e aperfeiçoadas.

Almeja-se que CNJ, ao detectar os excelentes resultados obtidos, venha a consagrar o sistema, fazendo-o prevalecer, a despeito de eventual e ainda remota vitória da ciência e da medicina contra o coronavírus.

Outro espaço em que há muito a ganhar é a educação. Ensaiava-se a transmissão de conhecimento à distância, com forte oposição de alguns nichos. É evidente que o mundo virtual pode oferecer sedução que nem sempre a escola convencional consegue propiciar. Quem já não experimentou o desencanto de um alunado que nasceu sob o embalo da Quarta Revolução Industrial, diante das preleções sensaboronas e desatualizadas de alguns que perderam o encanto pela arte do ensino.

Há muito a ser ajustado. Mas a escola teve de se reinventar. E precisará perseverar nessa marcha. O conteúdo transmitido pelas vias etéreas pode vir a ser permanentemente revisto, responder em oportuno às demandas do alunando, reavaliar-se e aprimorar-se de maneira a responder às expectativas. Atingirá não apenas o alunado, mas também seus pais. A família está aprendendo a participar mais da vida estudantil de seus membros. Valoriza-se o ensino, o aprendizado e resgata-se o mérito de um professor que nem sempre é bem compreendido pelos destinatários de seu ofício.

Os serviços ganham em agilidade e o delivery se mostrou imprescindível a atender a quantos tiveram de permanecer reclusos em seus domicílios. Com a cidade menos ocupada por aquele que até há pouco era o seu ocupante mais privilegiado – o automóvel – as entregas são mais rápidas. As empresas souberam caprichar e oferecer préstimos nem sempre utilizados por aqueles que preferiam a aquisição in loco.

A natureza também agradeceu à peste. A poluição cedeu. Os pássaros voltaram. Assim como outros animais, que espantamos para recônditos, mas que não desapareceram. Assim como as árvores, as plantas e as flores. Tudo pareceu ignorar uma calamidade que, afinal, só atinge o ser humano. Aquele que, embora sendo racional, é o maior detrator do ambiente.

As milhares de famílias que perderam seus entes queridos não puderam protagonizar o luto, mas essa dolorosa sobrecarga de sofrimento há de se sublimar em exercício posterior de rememoração de biografias, celebração do legítimo culto aos antepassados, na retomada de uma tradição que vem dos Romanos, que mantinham aceso o altar dos lares.

O ideal seria que os governos repensassem essa intolerável busca de uma retórica inútil e que a ninguém mais convence, e se dispusessem a acatar o recado das ruas. A Democracia representativa praticamente faliu. Já estava na UTI antes da enfermidade. Esta veio a escancarar o despreparo dos governos que cuidaram do discurso eleiçoeiro e negligenciaram a saúde. Não apenas em relação a hospitais, pronto socorros e unidades de atendimento. Mas que deixaram de oferecer à população uma educação de qualidade que teria funcionado como agente de prevenção de situações de vulnerabilidade, parceiras da doença.

Por que não eliminar o famigerado Fundo partidário, realizar eleições mediante uso das redes sociais, tudo viável numa Nação que consta possuir 265 milhões de mobiles, para uma população de 210 milhões de habitantes. Multiplicar o montante orçamentário à pesquisa e à ciência, incentivar a juventude a encarar a necessidade de mais cuidadores, enfermeiros, paramédicos, biólogos, jardineiros, tantas outras atividades essenciais à oferta de uma vida qualitativamente digna a quem sobreviver.

Lugar especial merece nessa previsão, o profissional da educação física. Muitos dos óbitos decorreram de morbidade preexistente, em grande parte causada por vida sedentária, falta de exercício físico, desencanto de viver, falta de perspectiva e tantas outras vicissitudes que sobrecarregam uma geração decepcionada com os rumos de sua Pátria.

O mais importante a se extrair destes melancólicos tempos, é a irrelevância do Estado e a imprescindibilidade do protagonismo cidadão. Quando a autoridade central é incapaz de responder à urgência e evidencia sintomas de desequilíbrio, é o momento de intensificar a atuação do indivíduo, dos grupos e de quem mais se mostrar sensível às carências humanas. Talvez fosse possível redesenhar o Brasil depois desta inevitável tragédia, que oferece oportunidade singular para mudar os rumos da República.

 

 

 

JOSÉ RENATO NALINI é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-Graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2019-2020.

 

 

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publicado por Luso-brasileiro às 10:32
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JORGE VICENTE - EMOÇÕES

 

 

 

 

 

 

 

 

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JORGE VICENTE    -   Fribourgo, Suiça



publicado por Luso-brasileiro às 10:23
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FELIPE AQUINO - VOCÊ CONHECE A VIDA DA BEATA NHÁ CHICA ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Conheça um pouco da história dessa simples e importante Beata brasileira…

Ainda pequena Francisca de Paula de Jesus, que nasceu em Santo Antônio do Rio das Mortes, distrito de São João del Rei (MG), chegou em Baependi (MG),acompanhada por sua mãe e por seu irmão, Teotônio. Dentre os poucos pertences, trouxeram uma imagem de Nossa Senhora da Conceição.

Em 1818, com apenas 10 anos de idade, a mãe de Nhá Chica faleceu deixando aos cuidados de Deus e da Virgem Maria as duas crianças, Francisca de Paula de Jesus, com 10 anos e seu irmão, com então 12 anos. Órfãos de mãe, sozinhos no mundo, Francisca de Paula e Teotônio, cresceram sob os cuidados e a proteção de Nossa Senhora, que pouco a pouco foi conquistando o coração de Nhá Chica. Esta, a chamava carinhosamente de “Minha Sinhá” que quer dizer: “Minha Senhora”, e nada fazia sem primeiro consultá-la.

Nhá Chica soube administrar muito bem e fazer prosperar a herança espiritual que recebera da mãe. Nunca se casou. Rejeitou com liberdade todas as propostas de casamento que lhes apareceram. Foi toda do Senhor. Tinha bom relacionamento com os pobres, ricos e com os mais necessitados. Atendia a todos os que a procuravam, sem discriminar ninguém e, para todos tinha uma palavra de conforto, um conselho ou uma promessa de oração. Ainda muito jovem, era procurada para dar conselhos, fazer orações e dar sugestões para pessoas que lidavam com negócio. Muitos, não tomavam decisões sem primeiro consultá-la, e para tantas pessoas, ela era considerada uma “santa”, todavia em resposta para quem quis saber quem ela, realmente, era, respondeu com tranquilidade: “…É porque eu rezo com fé”.

 

 

 

 

Leia também: Oração a Beata Nhá Chica

Nhá Chica: mulher de oração, de serviço e de fé

Você conhece os Santos brasileiros?

 

Sua fama de santidade foi se espalhando de tal modo que pessoas de muito longe começaram a visitar Baependi para conhecê-la, conversar com ela, falar-lhe de suas dores e necessidades e, sobretudo para pedir-lhe orações. A todos, atendia com a mesma paciência e dedicação, mas nas sextas-feiras, não atendia a ninguém. Era o dia em que lavava as próprias roupas e se dedicava mais à oração e à penitência. Isso porque sexta-feira é o dia que se recorda a Paixão e a Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo para a salvação de todos nós. Às Três horas da tarde, intensificava suas orações e mantinha uma particular veneração à Virgem da Conceição, com a qual tratava familiarmente como a uma amiga.

Nhá Chica era analfabeta, pois não aprendeu a ler nem escrever, desejava somente ler as Escrituras Sagradas, mas alguém as lia para ela, e a fazia feliz. Compôs uma Novena à Nossa Senhora da Conceição e em Sua honra, construiu, ao lado de sua casa, uma Igrejinha, onde venerava uma pequena Imagem de Nossa Senhora da Conceição que era de sua mãe e, diante da qual, rezava piedosamente para todos aqueles que a ela se recomendavam. Essa Imagem, ainda hoje, se encontra na sala da casinha onde ela viveu, sobre o Altar da antiga Capela.

Em 1954, a Igreja de Nhá Chica foi confiada à Congregação das Irmãs Franciscanas do Senhor. Desde então teve início bem ao lado da Igreja, uma obra de assistência social para crianças necessitadas que vem sendo mantida por benfeitores devotos de Nhá Chica. Hoje a Associação Beneficente Nhá Chica (ABNC) acolhe mais de 150 crianças entre meninas e meninos.

A “Igrejinha de Nhá Chica”, depois de ter passado por algumas reformas, é hoje o “Santuário Nossa Senhora da Conceição” que acolhe peregrinos de todo o Brasil e de diversas partes do mundo. Muitos fiéis que visitam o lugar, pedem graças e oram com fé. Tantos voltam para agradecer e registram suas graças recebidas. Atualmente, no “Registro de graças do Santuário”, podem-se ler aproximadamente 20.000 graças alcançadas por intercessão de Nhá Chica.

Nhá Chica morreu no dia 14 de junho de 1895, estando com 87 anos de idade, mas foi sepultada somente no dia 18, no interior da Capela por ela construída. As pessoas que ali estiveram sentiram exalar-se de seu corpo um misterioso perfume de rosas durante os quatro dias de seu velório. Tal perfume foi novamente sentido no dia 18 de junho de 1998, 103 anos depois, por Autoridades Eclesiásticas e por membros do Tribunal Eclesiástico pela Causa de Beatificação de Nhá Chica e, também, pelos pedreiros, por ocasião da exumação do seu corpo. Os restos Mortais da Venerável se encontram hoje no mesmo lugar, no interior do Santuário Nossa Senhora da Conceição em Baependi, protegidos por uma Urna de acrílico colocada no interior de uma outra de granito, onde são venerados pelos fiéis.

Fonte: http://www.nhachica.org.br/

 

 

FELIPE AQUINO   -      é viuvo, pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br Twitter: @pfelipeaquino

 



publicado por Luso-brasileiro às 10:09
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PAULO R. LABEGALINI - A MULHER

 

 

 

 

 

 

 

 

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A mãe e o pai estavam assistindo televisão, quando ela disse: ‘Estou cansada e já é tarde. Vou me deitar’. Foi à cozinha fazer uns sanduíches para o lanche das crianças na escola, passou uma água nas taças das pipocas, tirou a carne do freezer para o almoço do dia seguinte, encheu o açucareiro, pôs talheres na mesa e preparou a cafeteira para estar pronta de manhã.

Colocou ainda umas roupas na máquina de lavar, passou uma camisa a ferro e pregou um botão que estava caindo. Regou as plantas, despejou o lixo e pendurou uma toalha para secar. Bocejou, espreguiçou-se e foi para o quarto. No caminho, parou na mesa, escreveu uma nota para o professor e apanhou um caderno que estava caído debaixo da cadeira. Assinou um cartão de parabéns para uma amiga, selou o envelope e fez uma pequena lista para o supermercado.

Nessa altura, o pai disse lá da sala: ‘Pensei que você havia ido se deitar’. ‘Estou indo’ – respondeu ela. Antes, pôs água na tigela do cão e chamou o gato para dentro de casa. Certificou-se que as portas estavam fechadas, entrou no quarto de cada um dos filhos, apagou a luz de um candeeiro, pendurou uma camisa no cabide, atirou umas meias no cesto de roupa suja e conversou um pouco com o mais velho que estava estudando.

Já no quarto, acertou o despertador, preparou a roupa para o dia seguinte e arrumou os sapatos. Depois, lavou o rosto, passou creme, escovou os dentes e acertou uma unha partida. Nisso, o pai desligou a televisão e disse sonolento: ‘Vou me deitar’. Levantou-se do sofá, caiu na cama e dormiu primeiro que ela.

Agora, dá para responder por que as mulheres vivem mais? Com certeza, uma das causas é porque se preparam adequadamente para resistir as tribulações. E os homens que não estão gostando de ler isto, podem provar que estou errado, pegando no pesado junto com a esposa – sem reclamar! Também não vale dizer que ‘eu já trabalhei o dia inteiro’ porque, as trabalhadoras do lar, também fizeram o mesmo!

Bem, não podemos negar que, em quase todos os lares, a mulher trabalha mais que o homem – embora com serviços diferentes, caso a caso. Isso também acontece comigo e reconheço que não daria conta de fazer tudo o que a minha esposa faz. Mas, resolvi escrever tudo isso porque, além de prestar uma justa homenagem às nossas mães e esposas, fui tocado com o este Evangelho:

“Naquele tempo, Jesus saiu e foi para a região de Tiro e Sidônia. Entrou numa casa e não queria que ninguém soubesse onde ele estava. Mas não conseguiu ficar escondido. Uma mulher, que tinha uma filha com espírito impuro, ouviu falar de Jesus. Foi até ele e caiu a seus pés. A mulher era pagã, nascida na Fenícia, da Síria. Ela suplicou a Jesus que expulsasse de sua filha o demônio. Jesus disse: ‘Deixa primeiro que os filhos fiquem saciados, porque não está certo tirar o pão dos filhos e jogá-lo aos cachorrinhos’. A mulher respondeu: ‘É verdade, Senhor, mas também os cachorrinhos, debaixo da mesa, comem as migalhas que as crianças deixam cair’. Então Jesus disse: ‘Por causa do que acabas de dizer, podes voltar para casa. O demônio já saiu de tua filha’. Ela voltou para casa e encontrou sua filha deitada na cama, pois o demônio já havia saído dela.” (Mc 7, 24-30)

Que texto maravilhoso! Não só por ser a Palavra da Salvação, mas também porque uma mulher convenceu Jesus a fazer um milagre! Ele, que vinha curando os judeus – povo da primeira aliança –, realizou esta cura a uma criatura pagã, mostrando sim que não excluía outros povos.

No Livro do Gênesis, Deus disse: “Não é bom que o homem esteja só. Vou dar-lhe uma auxiliar semelhante a ele”. E, após criar todos os animais, pediu a Adão que lhes desse nomes. Mesmo obedecendo ao Criador, Adão não encontrou uma auxiliar semelhante a ele. Então, Deus tirou-lhe uma das costelas, formou a mulher e a conduziu a Adão, que exclamou: “Desta vez, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne!”.

Até hoje, todos os homens reconhecem que Adão teve muito bom gosto em aceitar o presente de Deus, concorda? Então, por que a mulher é tão judiada pelos maridos? Ah, nem sempre? Mas não precisaria ser assim, porque não vivemos sem elas e também não ganharemos o Céu sem a colaboração delas!

Portanto, feliz o homem que respeita a fragilidade física da esposa e se faz respeitar. Feliz o homem que tem uma mulher religiosa que o ajuda a alcançar graças para toda a família. Feliz o homem que a perdoa e a ama de coração. Feliz o homem que cumpre as promessas feitas diante do padre no dia do casamento. Feliz o homem que reconhece o sexo forte que tem ao seu lado e luta para viverem juntos até a eternidade.

Nestes meus 64 anos de vida, aprendi a aceitar a vontade de Deus em tudo o que faço e, hoje, não tenho dúvidas disso: ‘A família rezando unida é o maior exemplo do amor que Jesus Cristo tem por nós. Em minha casa, somos consagrados a Nossa Senhora e, Ela, nos mantém firmes na fé. Aliás, que outro ser humano criado por Deus passaria por tudo quanto a Virgem Maria passou sem reclamar? Tinha que ser Ela: essa fantástica Mulher!

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI - Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor Doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre.‘Autor do livro ‘Mensagens Infantis Educativas’ – Editora Cleofas.



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HUMBERTO PINHO DA SILVA - O VALOR DE UMA OBRA

 

 

 

 

 

 

 

 

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Naquela fria e sombria manhã de Inverno, do ano de 1967, estava à porta da “Livraria Silva”, na Praça de Sé, quando passa, de reluzentes divisas doiradas, o sargento Mário. Homem de Vinhais, de lábios grossos, estatura meã, rosto levemente queimado pelo abrasador sol de Bragança, que descia, despreocupado, em direção ao velho: “ Chave Douro”.

Cumprimentei-o com cortesia, curvando reverentemente o busto, lançando afetuoso e quase impercetível: “bom-dia! …”

Estacou. Mirou-me de cima a baixo, tomando expressão de espanto:

- Então ainda por aqui!? Pensei que estava no Porto?! …

- Parto dentro de horas, na automotora…Aproveito para examinarem o relógio. Dei-lhe corda…e nada! … - Disse, mostrando-o, na palma da mão.

 

 

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Caía neve miudinha. Fazia vento gelado, vindo da Sanábria, que cortava impiedosamente a epiderme. O céu era sombrio, cor de cinza.

Deambulavam, melancólicos, pela Praça, vultos rebuçados, no aconchego de lúgubres gabões, arrastando e sulcando, a lentos passos, a fofa neve, que tudo embranquecera, em grosso rolão, na enregelada madrugada.

A cidade mergulhara em misterioso silêncio; dir-se-ia, que, a passarinhada, tolhida pela friagem, emudecera nessa triste e sombria manhã de Inverno.

Pouco depois, segurando a velha mala de cartão endurecido, comprada na Baviera, acomodava-me na automotora, a caminho do Tua.

Apressei-me a visitar a pequena relojoaria, que ficava nas cercanias da Sé do Porto.

Mirou-o com ar de entendido. Entalou a potente lente, sem aro, nas pestanudas pálpebras, e levou-o para a banca de trabalho, escarafunchando o mecanismo.

Decorridos escassos minutos, o Senhor Júlio – relojoeiro da família, – entrega-me, o relógio, com o tic…tac….bem cadenciado.

Por delicadeza, perguntei-lhe, quanto lhe devia.

E quando aguardava aperto de mão, e indicação, que nada era. Este, com rosto cheio de risos, declarou:

- Apenas cinco escudinhos…

Regressei amuado: cinco escudos, por cinco minutos! …

Já embarcado, no velho comboio do Douro, ainda remoía, indignado, o “atrevimento” do descarado relojoeiro.

O tempo passou. Decorreram mais de cinco décadas. Envelheci, sem dar por isso; e descobri o “atrevimento” ou a “sovinice” do pobre relojoeiro.

Ao ler Cruz Malpique, in: “ Vocação e Profissão “, encontrei o episódio, entre Vernet, pintor francês, e o dono de célebre cavalo de corrida.

Recebera o pintor encomenda de retratar o magnifico cavalo. Vernet completou a obra em dez sessões! …

Concluída, pediu: cinquenta mil francos…

- Cinquenta mil francos, por dez sessões?! - Disse o dono do cavalo.

- Não. - Retorquiu, empertigado, o pintor. - Nesta obra está o que aprendi durante quarenta anos! …

 

 

 

Humberto Pinho da Silva    -    Porto, Portugal

 

 

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EUCLIDES CAVACO - HOMENAGEM DE GRATIDÃO AOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Prestamos aqui um justo e merecido tributo a todas as pessoas e entidades ligadas à saúde, neste poema e vídeo ESPECIAL, com assinatura de Euclides Cavaco e Afonso Brandão:
 


https://www.youtube.com/watch?v=o2ruI2LALj0&feature=youtu.be
 


PARTILHEM com os vossos amigos e profissionais de saúde.
 
 
 
 
Desejos duma magnífica semana.
 
 
 
 

EUCLIDES CAVACO  -   Director da Rádio Voz da Amizade , Canadá.

 

 

 

***

 

 

 

NOTICIAS DA DIOCESE DO PORTO

 

 http://www.diocese-porto.pt/

 

 

NOTICIAS DA DIOCESE DE JUNDIAÍ - SP

 

 

 https://dj.org.br/

 

***

 

 

 

Leitura Recomendada:

 

 

 

 

 

Resultado de imagem para Jornal A Ordem

 

 

 

 

 

Jornal católico da cidade do Porto   -    Portugal

 

Opinião   -   Religião   -   Estrangeiro   -   Liturgia   -   Area Metropolitana   -   Igreja em Noticias   -   Nacional

 

 

https://www.jornalaordem.pt/

***

 

HORÁRIOS DAS MISSAS NO BRASIL

 

 

Site com horários de Missa, confissões, telefones e informações de Igrejas Católicas em todo o Brasil. O Portal Horário de Missas é um trabalho colaborativo onde você pode informar dados de sua paróquia, completar informações sobre Igrejas, corrigir horários de Missas e confisões.



https://www.horariodemissa.com.br/#cidade_opcoes 

 

***



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Sexta-feira, 12 de Junho de 2020
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - REFLEXÕES SOBRE A IMPORTÂNCIA DO NAMORO, MESMO EM TEMPOS DE PANDEMIA

 

 

 

 

 

 

 

 

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            Numa história ligada à criatividade e ao comércio, surgiu no Brasil em 1948, por iniciativa da loja “Exposição Cliper”, o DIA DOS NAMORADOS, 12 de junho, quinta-feira próxima. Trata-se de uma celebração internacional, já que é festejada nos Estados Unidos e Europa, porém mais de quatro meses antes, no dia 14 de fevereiro, sob a denominação de “Valantine’s Day”. Ocorre que em Roma, na Itália, no ano 270 a C., um bispo chamado Valentino unia secretamente os apaixonados, contrariando a ordem do imperador Claudius, que não queria que os homens se casassem, porque depois nenhum queria ir à guerra, preferindo ficar com a esposa.

         Assim, o soberano ordenou para que o religioso fosse executado e enquanto estava na cadeia, esperando seu fim, a filha do carcereiro, que era cega, apaixonou-se por ele. Misteriosamente, ela voltou a enxergar, mas Valentino foi morto no dia 14 de fevereiro e a partir daí, em sua homenagem, foi criada essa data solene. Em nosso país, outra figura santificada é homenageada nessa ocasião. Trata-se de Santo Antonio, cuja fama de casamenteiro é bastante divulgada, bem como a de que ajudava as moças pobres a formarem seus dotes para conseguirem se casar.

         Entretanto, o que efetivamente contribuiu à concepção brasileira foi o empenho dos comerciantes e apesar do seu forte apelo consumista, prevalecem nesta ocasião momentos de flagrante romantismo e de juras de amor, circunstâncias benéficas a qualquer relacionamento entre um homem e uma mulher, bem como a troca de presentes.

         Para nós, a data constitui uma excelente ocasião para refletir sobre a importância do namoro, especialmente na vida dos jovens, que estão começando a trilhar os caminhos do amadurecimento, do amor e a descobrir os encantos e as decepções dessa tão antiga e sempre maravilhosa forma de entrosamento entre sexos opostos.

         O consagrado psicoterapeuta de adolescentes, Içami Tiba, destacou tal circunstância:- “Namorar é fundamental. O jovem está deixando seu núcleo familiar em busca de seus próprios valores e interesses. Isso inclui, entre outras, a escolha da pessoa com quem irá conviver para o resto da vida. Como o namoro nada mais é do que tentativa de relacionamentos que, através de acertos e erros, vai ajudando nessa escolha, é melhor que se namore e ‘desnamore’ muitas vezes, do que, mais tarde, se case e descase.” (in “Família Cristã”- 06/92- p. 50).      

          Assim, namorar é uma necessidade, muito mais importante que simplesmente ficar, pois enquanto o segundo é frágil, lastreado em mera atração sexual ou fácil programa descompromissado, o primeiro pressupõe responsabilidade de uma convivência futura e duradoura,  distante de aventuras passageiras e desatinadas. Reflexões mesmo para se efetivarem em tempos de pandemia

 

 

 

 

Santo António de Lisboa – Wikipédia, a enciclopédia livre

 

 

 

                                    

13 de junho. DIA DE SANTO ANTONIO

 

 

 

 

Santo Antônio nasceu em 15 de agosto de 1195, em Lisboa e foi batizado como Fernando de Bulhões. Aos 15 anos, entrou para um convento agostiniano, adotando o nome com o qual ficaria conhecido. Mudou-se para a Itália e lecionou em várias universidades. A fama de casamenteiro começou quando, na cidade onde morava, foi baixado um decreto que exigia que, tanto o homem quanto a mulher, para se unirem em núpcias, deveriam ter o mesmo nível social. Ele teria então organizado um protesto contra essa determinação. Outras biografias também informam que ele ajudou moças a completarem o valor do dote para o casamento.

Durante toda a sua vida, foi responsável por ajudar muitos pobres, além de ter fama de milagreiro. A distribuição dos pães nas igrejas  tenta reproduzir duas das características mais fortes de sua história: o desprendimento e a caridade. Conta-se que ele os tirava do refeitório do mosteiro em que vivia para dar aos necessitados, sem que seus superiores soubessem. E hoje, reza a lenda, os benzidos nos templos, devem ser colocados em recipientes onde são guardados alimentos, para que esteja garantida a fartura durante todo o ano.

Morreu em 13 de junho em 1231 e foi canonizado já no ano seguinte, pelo papa Gregório IX. Nosso desejo, portanto, é que ele sempre proteja e ilumine os casais, desde o namoro - algo extremamente importante, especialmente na vida dos jovens, que estão começando a trilhar os caminhos do amor e a descobrir os encantos e as decepções dessa tão antiga e sempre maravilhosa forma de entrosamento entre dois seres. Efetivamente, uma relação a dois necessita se embasar num encontro de pessoas abraçadas sobre o mesmo compromisso, para o bem da espécie humana e entrelaçada, para um aperfeiçoamento recíproco, com o auxílio físico, moral e espiritual.

        

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor da Faculdade de Direito do Centro Universitário Padre Anchieta de Jundiaí. É  ex-presidente das Academias Jundiaienses de Letras e de letras jurídicas (martinelliadv@hotmail.com).



publicado por Luso-brasileiro às 11:42
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ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - SIMONIA, NICOLAÍSMO E NEPOTISMO NO CLERO MEDIEVAL

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Continuemos a tratar do tema iniciado na semana anterior, sobre a decadência das instituições eclesiásticas no período que se seguiu ao desfazimento do Império carolíngio. Duas foram as irregularidades mais graves apontadas pelos cronistas na conduta do clero de todos os níveis, desde os mais modestos até os mais altos dignitários eclesiásticos: de um lado, a simonia, de outro o nicolaísmo.

Essas duas palavras necessitam uma explicação para serem bem entendidas. Chama-se simonia a conduta de quem obtém um cargo ou função eclesiástica por meios escusos, mediante pagamento em dinheiro ou em troca de favores políticos. Mais extensamente, aplica-se a palavra à venda de sacramentos, absolvições ou objetos sagrados. (ROBERTI, F.; PALAZZINI, P. (orgs.). Dizionario di Teologia Morale. Roma: Editrice Studium, 1957, verbete “Simonia”) A origem da palavra está em Simão, o Mago, que procurou comprar de São Pedro e dos Apóstolos o poder de fazer milagres e prodígios, conforme relatado nos Atos dos Apóstolos (8, 8-24).

Por nicolaísmo se designava genericamente a recusa do celibato sacerdotal, ou a prática sexual irregular e sacrílega por sacerdotes. A origem está no nicolaísmo, uma heresia gnóstico-judaica que existiu nos primeiros tempos da Era Cristã, a qual, segundo autores muito antigos, pregaria formas de amor livre, pela poligamia (um homem possuir várias esposas) ou pela poliandria (a mesma mulher ser parceira de vários homens). (Enciclopedia Espasa-Calpe.  Madrid: 1926, t. 38, verbete “Nicolaítas”)

Mesmo entre eclesiásticos de vida sexual ilibada, ocorria um outro desvio muito prejudicial à religião: o nepotismo. Nepos, nepotis é palavra latina que tanto designa e neto como o sobrinho e, mais largamente, qualquer descendente. Chamava-se nepotismo o favorecimento ilícito de sobrinhos ou outros parentes, por parte de um eclesiástico. Ainda na linguagem corrente do Brasil atual a palavra é usada para designar o favorecimento ilícito de parentes, por parte do detentor de um cargo público.

Entre eclesiásticos que não tinham e não podiam ter filhos, era muito frequente que favorecessem sobrinhos como se filhos fossem. Daí uns versinhos de autoria desconhecida, que outrora ensinavam nos seminários religiosos: “Se filhos, aos sacerdotes, / Cristo na Igreja negou, / Uma turba de nepotes (sobrinhos) / O diabo lhes legou.”

O nepotismo eclesiástico era uma praga que vicejou largamente no Medievo e ainda mais no Renascimento, deixando traços na literatura, facilmente perceptíveis por quem analisa obras literárias de época. Um exemplo entre incontáveis outros pode ser encontrado em Fèlix o el Libre de meravelles, obra escrita em 1288-1289 pelo filósofo e polígrafo catalão Ramon Llull (Raimundo Lúlio) com o intuito enciclopédico de condensar e vulgarizar todo o conhecimento humano. Trata-se de um livro ficcional com algo de fantástico, no qual o protagonista Félix é enviado por seu pai a percorrer o mundo e apreciar as maravilhas que nele colocou o Criador. Dividido em dez partes, nele se expõem noções teológicas, filosóficas, morais, cosmológicas e práticas do universo criado e da vida humana, nos seus aspectos mais variados. O estilo é muito leve, com inúmeras historietas e exemplos pelo meio, utilizando recursos literários fantasiosos que somente no século XX se tornariam habituais. É, desse ponto de vista, obra extraordinariamente pioneira. A certa altura do texto, há uma referência digna de nota: “– Era uma vez um bispo que tinha um sobrinho que muito amava. Aquele bispo tinha um castelo belo e muito rico em seu bispado, e tinha inveja daquele castelo que era seu, pois o invejava porque desejava que fosse de seu sobrinho. O príncipe daquela terra também invejava aquele castelo, e foi feita a questão de quem tinha mais inveja, o bispo ou o rei.”

 À primeira vista, o texto parece absurdo: como o bispo podia ter inveja de um castelo que já lhe pertencia? E como podia, por inveja, desejar que algo que já lhe pertencia fosse de outra pessoa, no caso seu sobrinho? Para os homens que viviam naquele tempo, isso não era absurdo, mas era algo corrente; para eles, a explicação para a aparente absurdidade era muito clara, até mesmo intuitiva: o castelo pertencia à diocese e o bispo dele tinha somente o usufruto; mas, por inveja, desejava que aquele patrimônio eclesiástico passasse à posse de sua família, na pessoa do sobrinho. Tratava-se, pois de uma típica tentação de nepotismo.

Diante desse quadro de decadência, a reação eclesiástica foi oportuna e eficaz. Os séculos IX a XI marcaram um período de grandes reformas na Igreja. Os movimentos reformadores, brotados de modo mais ou menos espontâneo foram vários, surgidos em diferentes pontos da Europa. Surgiram ordens religiosas novas, houve mosteiros que procederam a reformas internas, com vistas ao afervoramento de seus membros e o retorno à espiritualidade que havia presidido às respectivas fundações, houve santos que, com seu exemplo de vida e seus ensinamentos, ilustraram pontualmente esse período. Mesmo em meio à decadência espantosa de costumes da corte pontifícia, houve alguns Papas que tentaram seriamente proceder a uma reforma.

Entretanto, sem a menor dúvida, o que marcou a grande reforma da Igreja nesse período foi a renovação realizada a partir da Abadia de Cluny, na Borgonha, a qual foi crescendo de influência e chegou a reformar o próprio Papado – com a chamada Reforma Gregoriana, chefiada pelo São Gregório VII, antigo monge de Cluny, que foi Papa de 1073 até sua morte, em 1085. Sobre Cluny e sua atuação, já escrevi em outra ocasião.

 

 

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS  -  é licenciado em História e em Filosofia, doutor na área de Filosofia e Letras, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Portuguesa da História

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:33
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