PAZ - Blogue luso-brasileiro
Sexta-feira, 3 de Julho de 2020
ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - CRITICANDO O NEW-CRITICISM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Armando Alexandre dos Santos.jpg

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Desenvolveu-se nos Estados Unidos, no século XX, uma corrente de críticos literários que pretende que uma obra literária deve ser entendida e analisada em si mesma, fazendo total abstração de quem a escreveu e do contexto cultural e histórico em que vivia seu autor. Essa corrente é conhecida como New-Criticism (Nova Crítica, ou Neocrítica)..

Sou contrário a essa corrente. No meu modo de entender, cada texto literário se insere num contexto que lhe é próprio, e não pode ser dissociado do seu autor, do seu tempo, do meio cultural em que foi produzido, às vezes até mesmo da situação política ou social na ocasião. Todas essas coisas são úteis, às vezes até necessárias para a intelecção plena do próprio texto.

Dou um exemplo. Um dos traços culturais mais marcantes da cultura russa, ao longo do século XX, foi a riquíssima literatura dos samizdat. Eram romances, contos, poesias, produzidos na clandestinidade e divulgados igualmente por baixo do pano e ao arrepio da lei, por todos os meios possíveis e imagináveis. Os eslavos em geral são muito criativos, muito imaginativos, muito fecundos. E, estimulados por uma ditadura comunista terrível, produziram maravilhas. Ora, essas maravilhas só foram criadas porque as circunstâncias políticas adversas permitiram, propiciaram e quase estimularam sua produção. Como entendê-las, então, abstraindo do contexto?

Para falar de outra arte em que os eslavos igualmente são superdotados, que é a música: como entender a música de um Tchaikovsky, por exemplo, tão atraente, mas ao mesmo tempo tão atormentada, tão vertiginosa e angustiante, ignorando seus problemas psíquicos e/ou emocionais que o levaram ao suicídio?

Imaginar que um texto possa ser analisado por si só, abstraindo de todo o resto, é imaginar esse texto num laboratório, colocado assepticamente sobre uma lâmina de vidro e devassado pelas lentes poderosas de um microscópio... No fundo, no fundo, isso é uma espécie de positivismo literário. Sou decididamente contra!

Parece-me muito difícil (para não dizer impossível) analisar um texto em si mesmo e sem levar em consideração o autor, sua biografia e seu meio cultural. Querendo ou não querendo, de modo explícito ou subconscientemente, sempre acabaremos influenciados, no nosso julgamento, pelas informações que já temos acerca do autor. O método proposto pelo New Criticism só poderia ser plenamente aplicado numa análise textual feita às cegas, com total desconhecimento do autor.

Assisti não há muito tempo a um filme sobre as primeiras vitórias obtidas na França, em concursos internacionais de vinhos, pelos produzidos na Califórnia. Eram concursos realizados, de acordo com os métodos tradicionais, às cegas. Todos os jurados eram grandes enólogos franceses, extremamente ciosos da superioridade incontestada da França em matéria de vinhos. Experimentaram dezenas de vinhos e deram suas notas. Para surpresa de todos, inclusive dos próprios julgadores, vinhos californianos triunfaram. Os juízes tinham certeza absoluta de estar elegendo o melhor dos vinhos franceses, assim como tinham certeza de que os vinhos aos quais deram nota bem baixa eram californianos... e na realidade eram franceses.

Se a degustação tivesse sido feita com conhecimento dos rótulos, é certo que os californianos jamais teriam sido vencedores. Ainda que os jurados procurassem sinceramente, com a maior isenção de ânimo e total imparcialidade, analisar todos os vinhos com critério idêntico, o simples fato de saberem que um vinho era norte-americano já o teria desclassificado, tal é a força dos preconceitos e dos critérios assentados no senso comum.

Essa é uma objeção de fundo, a meu ver, ao New Criticism.

Isso não significa que, metodologicamente, não se possa tentar, como mero exercício intelectual, analisar um texto sem tomar em consideração um autor que conhecemos. Será, talvez, uma questão de método. Mas sem a pretensão de estarmos sendo, realmente, imparciais e isentos de total subjetividade.

Algo parecido se passa com a História. É debate recorrente, entre os teóricos da História, se um historiador pode ser absolutamente imparcial e verdadeiramente objetivo. O consenso atual é pela negativa.

 

 

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS  -  é licenciado em História e em Filosofia, doutor na área de Filosofia e Letras, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Portuguesa da História.

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:15
link do post | comentar | favorito

CINTHYA NUNES - SOBREVIVER

 

 

 

 

 

 

 

 

Cinthya Nunes Vieira da Silva.jpg

 

 

 

 

 

 

 

 

 

            Os brasileiros, de modo geral, completaram pouco mais de cem dias em isolamento social recentemente. Nem sei se “pouco menos” seja expressão que se aplica, em verdade. A sensação está mais próxima de “muito mais”. Sei bem que o fato de estar sem ir a praticamente lugar nenhum há quase quatro meses, trabalhando muito menos do que gostaria e precisaria, bem como sem interagir diretamente com família e a amigos, em nada se compara com as vidas perdidas por conta da COVID-19. Ainda assim, é praticamente impossível não pensar que esse ano de 2020 está sendo único em muitos sentidos.

            Em meio a tudo isso, no entanto, a vida vai tentando achar um novo normal, um jeito de prosseguir, porque, por mais triste que seja (e é!), quem está vivo, sobrevivendo, tem que continuar. Fico pensando em como deve ter sido horrível, infinitamente mais, ver as pessoas morrerem às toneladas, em tempos de grandes guerras. Agora entendo que, conforme relatos que li, sobreviver a tragédias também tenha seu preço, pois é como se fosse errado continuar sorrindo ou cavucando motivos para manter sorrisos e esperanças.

            Com as devidas proporções, é quase o que vem ocorrendo nesses tempos de pandemia. As redes sociais, que no início de março eram inundadas de mensagens de otimismo e solidariedade, rapidamente se transformou também em um lugar de ódio. O curioso é que, em muitos casos, tal sentimento acaba se voltando contra quem está vivo e tentando ficar bem, como se isso fosse um desrespeito a quem se foi. Uma coisa, de fato, não exclui a outra. Em minha opinião isso é lamentável e fora de propósito.

            As baixas pelo vírus, não apenas no Brasil, mas no mundo todo, parece-me, ainda estão longe de cessar. Talvez quando houver uma vacina possamos estar relativamente a salvo. Mas até lá é preciso buscar, onde quer que seja, pequenas ilhas de paz, nas quais seja possível manter a sanidade mental. Choramos pelos falecidos, pelas histórias que não viverão e pela saudade que deixaram naqueles que os amaram, mas nada disso os trará de volta.

            A propósito, quem está vivo ainda tem que lidar com ameaça de gafanhotos invasores, com tornados que destroem casas e nuvens de poeira que atravessam o oceano, vindas do Deserto do Saara, para tornar ainda mais nebulosas as coisas no Brasil. Até mesmo invasões alienígenas já foram aventadas em tabloides menos ortodoxos, previstas para esse ano. Nada animador, ainda mais depois que a China (olha ela aí outra vez) identificou outro vírus com potencial pandêmico, agora relacionado aos porcos.

            De todas dez vezes nas quais se falou sobre fim do mundo, confesso que essa é a primeira em que estou achando que há potencial! Como dizem por aí: está tudo coisado! E ainda brigam com quem tenta “descoisar”? Até mensagens sobre transição planetária iminente eu tenho recebido por WhatsApp. Pelo sim e pelo não, se for possível partir levando a família, meus bichos e meus livros, estou topando vaga nas próximas saídas, embora espere que os ETs façam uma triagem prévia para não levar as mazelas daqui para outro planeta. Caso contrário, vou ficando e, enquanto o Universo me permitir, sobrevivendo ao ano mais louco da minha vida.

 

 

 

CINTHYA NUNES   é jornalista, advogada e está aceitando cotações de viagens interplanetárias que acompanhem seguro saúde – cinthyanvs@gmail.com

           



publicado por Luso-brasileiro às 11:14
link do post | comentar | favorito

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - DANIEL E A BRISA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2vl2knt.jpg

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Senti demais ao saber que o Daniel Nasser Zanni partira. Mas como? De uma hora para a outra? Bem assim.  Conhecia-o desde bebê e, ao encontrá-lo, via nele a mãe minha xará, sua avó Da. Theresinha, o Paulo, seu pai, e seu irmão Guilherme. Era ele da plenitude em ser e fazer.
Lembrei-me da passagem bíblica, comove-me, do primeiro Livro dos Reis 19, 11-13 que relata um acontecimento na vida de Elias: “O Senhor disse-lhe: ‘Sai e conserva-te em cima do monte na presença do Senhor: ele vai passar’. Nesse momento passou diante do Senhor um vento impetuoso e violento, que fendia as montanhas e quebrava os rochedos; mas o Senhor não estava naquele vento. Depois do vento, a terra tremeu; mas o Senhor não estava no tremor de terra. Passado o tremor de terra, acendeu-se um fogo; mas o Senhor não estava no fogo. Depois do fogo ouviu-se o murmúrio de uma brisa ligeira. Tendo Elias ouvido isso, cobriu o rosto com o manto, saiu e pôs-se à entrada da caverna...” Deus estava na brisa.  Por certo, no dia de sua viagem à Eternidade, o Daniel ouviu o murmúrio do Infinito e foi com a brisa tomada pelo Céu. Cessara o seu tempo do lado de cá e era de alma capaz de ouvir o sussurro do Senhor.
Recordo-me dele na Igreja com um de seus familiares e atento no Altar. Ao final da Missa ou das procissões, vinha depressa para um abraço por inteiro. Tratava com seriedade o seu trabalho na farmácia. Gostava de observá-lo repondo os produtos com perfeição.
Era da alegria e isso demonstrava, de maneira mais palpável, em suas participações no bloco Refogado do Sandi, que em tempo de Carnaval, vem para dar a cor dos confetes e serpentinas às ruas centrais, juntando marchas do passado com canções do presente. Lá estava ele caracterizado de alguma personagem que lhe agradava.  A “deretora” do bloco, Gisela Vieira, pode contar melhor sobre ele em ritmo de festa.
Ao vê-lo, com tantos encantos e com a capacidade de criar laços, o mesmo do qual falara a raposa ao Pequeno Príncipe, quando ele lhe pergunta o que significava cativar e ela lhe responde: “É uma coisa muito esquecida. (...) Significa criar laços”, aplaudia à sua maneira de ser e a forma com que seus pais o criaram. Aliás, seus pais são heróis do bem.
Deve contar, ao Criador, muitas histórias sobre os seus e também as engraçadas que gostava de nos dizer. Sem dúvida, pede a bênção diária para aqueles que o tornaram um ser humano capaz de fazer a diferença na sociedade.
Daniel: abraço por inteiro aqui e proteção de anjo de lá.

 

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:08
link do post | comentar | favorito

JOSÉ RENATO NALINI - QUEM ESTÁ COM A RAZÃO?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

José Nalini.jpg

 

 

 

 

 

 

 

 

O mundo está louco ou só os cientistas perderam a razão?

Isso porque a ciência indica um colapso ambiental, se não houver sérias restrições à emissão dos gases venenosos causadores do efeito estufa. Uma população crescente, cada vez mais acostumada com os bens da vida inexistentes há alguns séculos, faz com que o planeta se transforme num ambiente hostil para qualquer espécie de vida.

Reúnem-se os representantes das Nações, acordam tomar providências e nada, na realidade, providenciam. Continuam a vivenciar estilo insustentável, assistindo inertes à poluição que contamina todos os espaços. Atmosfera, solo, água, tudo comprometido com a insânia do bicho-homem.

O Brasil já foi promissora esperança na tutela ecológica. Enquanto o tema engatinhava no Primeiro Mundo, o notável Paulo Nogueira Neto já mostrava qual devia ser a atitude da espécie em relação ao seu habitat. Foi ele quem contribuiu para a elaboração do conceito de sustentabilidade. Além de assumir a responsabilidade de responder por um setor até então inexistente no governo: a Secretaria Especial, o futuro Ministério do Meio Ambiente.

Tivemos também o mais significativo preceito constitucional relativo ao meio ambiente: o artigo 225 da Constituição Cidadã. Ele converteu o nascituro em sujeito de direitos, um deles muito singular: o direito a um ambiente saudável.

Audaciosos, chegamos a ter uma grife verde no Ministério, a ex-seringueira Marina da Silva, alguém que vivia do extrativismo e que bem conhecia a necessidade da preservação.

A Eco-92 foi recebida, no mundo inteiro, como ocasião ímpar: o acordo entre todos os governantes de uma efetiva tutela ambiental.

Depois disso, o que ocorreu? Retrocesso acelerado. Rasgue-se o princípio constitucional da vedação do retrocesso. O atraso venceu. Com a revogação do Código Florestal, a flexibilização do licenciamento, o desmantelamento das estruturas de fiscalização, a autorização para centenas de herbicidas proibidos no mundo civilizado, mas aqui liberados.

Não se acreditava pudéssemos chegar a incêndios programados, à recusa de auxílios internacionais, à acusação de ONGs como inimigas do ambiente, assim como alusões grosseiras a chefes de Estado, primeiras damas, a covardia de atacar uma garota de dezesseis anos que tem coragem de falar a verdade e de pedir juízo aos insensatos.

Quem é que está com a razão? Os cientistas, que alertam quanto à inevitabilidade da tragédia ou aqueles que pregam a destruição da mata, sob os mais pífios e ridículos argumentos: a soberania brasileira, o excesso de reservas, parques nacionais e terras indígenas, a necessidade de produzir mais carne e mais grãos, o catastrofismo que é mania de quem não tem nada o que fazer. E por aí vai, no desfile de tolices e imbecilidades propagadas por todos os instrumentos de difusão das notícias.

O fato é que o Velho Continente já constatou a dimensão do drama. E ameaça o Brasil de não aceitar mais produtos cuja rastreabilidade aponte algum elo rompido na política planetária de preservação do ambiente.

O tiro pode sair pela culatra. O “celeiro do mundo” encontrará portas fechadas à sua produção crescente, se não prestar atenção àquilo que a ciência, os fatos, as evidências estão a mostrar como verdades inconfundíveis e inevitáveis.

Será que aí concluirão quem é que estava com a razão?

 

 

 

 

JOSÉ RENATO NALINI é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-Graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2019-2020.

 

 

question-mark-2492009_1920



publicado por Luso-brasileiro às 10:54
link do post | comentar | favorito

ANTÓNIO FRANCISCO GONÇALVES SIMÕES - 5 AS VIRTUDES CAPITAIS DO SÉCULO XXI - 1ª Série (5A) - 5ª. A HONESTIDADE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Coronel Capitão.jpg

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A honestidade é a palavra que indica a qualidade de ser verdadeiro : não mentir, não defraudar, não enganar.

Quanto à etimologia, a palavra honestidade tem origem no latim “honos” que remete para dignidade e honra. A honestidade pode ser uma característica de uma pessoa ou instituição, significa falar a verdade, não omitir, não dissimular.

Honestidade é uma valor ou qualidade própria do ser humano que tem uma estreita relação com os princípios de verdade, justiça e com integridade moral. Uma pessoa honesta é aquela que procura sempre anteceder a verdade em seus pensamentos, expressões e acções.

Através da história da filosofia, a honestidade tem sido muito estudada por diversos pensadores. Por exemplo, Sócrates dedicou-se a investigar sobre o seu significado e a indagar sobre o que é verdadeiramente esta qualidade. Mais tarde, filósofos como Immanuel Kant trataram de compor  uma série de princípios gerais que incluíram entre eles a conduta honesta. Outro  filósofo, Confúcio, diferenciou diferentes níveis de honestidade para sua ética e, de acordo com seu grau de profundidade, foram chamados Li,YI e Ren. É motivo de debate se a honestidade é uma característica inata do ser humano ou se é fruto de sua interação na sociedade.

Neste sentido, a honestidade(como qualidade ética ou moral da sociedade) está também ligada a sinceridade, a coerência, a integridade, ao respeito e a dignidade. Mas como a verdade humana nunca pode ser absoluta, a honestidade também é um valor subjectivo, na medida em que depende do contexto e dos  actores envolvidos. Por esta causa se torna dificultoso estabelecer parâmetros morais compartilhados de uma sociedade ou de uma cultura ou outra, e inclusive entre grupos ou indivíduos, estas concepções podem mudar radicalmente e o que para uns é uma demonstração de honestidade para outros não é.

Além disso, nos diferentes campos de uma sociedade típica, o conceito de honestidade é variável e mais ou menos priorizado, Por exemplo,  prioriza-se esta a honestidade na ciência, mas nas áreas políticas esta noção é muito mais discutível. Entretanto, a contaminação da honestidade tem chegado a diversos campos em que a sentença deste facto é muito versátil e depende das normas aplicadas. Assim, enquanto um evento desonesto é repudiado sem hesitação por toda a comunidade científica quando se demonstra um plágio ou uma fraude, lamentavelmente não é reconhecido em muitas ocasiões nos poderes do Estado.

Por vezes, ser honesto implica magoar os sentimentos do outro. Mas sabemos que a verdade é mais eficaz e menos dolorosa que a mentira. A pessoa que não quer ser hipócrita, diz a verdade ainda que doa. Podemos procurar formas ou momentos diferentes de o dizer, mas não deixamos de o fazer. Ser honesto, também, não é dizer tudo o que se pensa, mas dizer o que é importante e imprescindível, com a sensibilidade de quem busca o seu bem e o bem do outro. Temos um grande caminho a percorrer na honestidade. Para isso precisamos de ser humildes, sinceros e verdadeiros. Ser honesto é responder à nossa condição humana. S. Paulo, na sua carta aos Efésios 4,1-3 , dizia:”Exorto-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, a andardes de modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros com amor, procurando conservar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz”.  

 

                                                  (continua no próximo número)        

 

 

 

      

ANTÓNIO FRANCISCO GONÇALVES SIMÕES   -   Sacerdote Católico. Coronel Capelão das Frorças Armadas Portuguesas. Funchal, Madeira.  -    Email   goncalves.simoes@sapo.pt



publicado por Luso-brasileiro às 10:45
link do post | comentar | favorito

JORGE VICENTE - VIVER CONTIGO...

 

 

 

 

 

 

 

Jorge Vicente.jpeg

 

 

 

 

 

 

 

 

 

106537716_574557296767009_760509113870622957_o.jpg

 

 

 

 

JORGE VICENTE    -   Fribourgo, Suiça



publicado por Luso-brasileiro às 10:38
link do post | comentar | favorito

FELIPE AQUINO - ALGUNS DOS PENSAMENTOS DE SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Quando dava a Sagrada Comunhão, aquele sacerdote tinha vontade de gritar: aí te entrego a Felicidade!” (Forja, nº 267).

“Não abandones a visita ao Santíssimo. – Depois da oração vocal que tenhas por costume, conta a Jesus, realmente presente no Sacrário, as preocupações do dia. – E terás luzes e animo para a tua vida de cristão” (Caminho, nº 554).

“Quando te aproximares do Sacrário, pensa que Ele… há vinte séculos que te espera” (Caminho, nº 537).

“Gosto de chamar “cárcere de amor!” ao Sacrário. Há vinte séculos está Ele ali…, voluntariamente encerrado!, por mim e por todos” (Forja, nº 827).

“Sê alma de Eucaristia! – Se o centro dos teus pensamentos e esperanças está no Sacrário, filho, que abundantes os frutos de santidade e de apostolado!” (Forja, nº 835).

“Vai perseverantemente ao Sacrário, fisicamente ou com o coração, para te sentires seguro, para te sentires sereno: mas também para te sentires amado… e para amar!” (Forja, nº 837).

“Jesus ficou na Eucaristia por amor…, por ti. Ficou, sabendo como o receberiam os homens… e como o recebes tu. Ficou para que o comas, para que o visites e lhe contes as tuas coisas e, ganhando intimidade com Ele na oração junto ao Sacrário e na recepção do Sacramento, te enamores cada dia mais e faças com que outras almas – muitas! – sigam o mesmo caminho” (Forja, nº 887).

“’Portanto tu és Rei’… – Sim, Cristo é o Rei, que não só te concede audiência quando desejas, mas que, em delírio de Amor, até abandona – bem me entendes! – o magnífico palácio do Céu, ao qual tu ainda não podes chegar, e te espera no Sacrário. – Não te parece absurdo não acorrer pressuroso e com mais constância a falar com Ele?” (Forja, nº 1004).

“Deves manter – ao longo do dia – uma constante conversa com o Senhor, que se alimente também das próprias ocorrências da tua tarefa profissional. Vai com o pensamento ao Sacrário… e oferece ao Senhor o trabalho que tiveres entre mãos” (Forja, nº 745).

“Jesus ficou na Hóstia Santa por nós! Para permanecer ao nosso lado, para nos sustentar, para nos guiar. – E amor apenas se paga com amor. – Como não havemos de correr para o Sacrário, todos os dias, ainda que seja apenas por uns minutos, para Lhe levar a nossa saudação e o nosso amor de filhos e de irmãos?” (Sulco, nº 686).

 

 

sao-josemaria-236x300.jpg

 

 

Leia também: Quem foi São Josemaria Escrivá de Balaguer?

12 Pensamentos de São Josemaría Escrivá, fundador do Opus Dei

Novena do trabalho a São Josemaria Escrivá

 

“Agradar-me-ia que, ao considerar tudo isto, tomássemos consciência da nossa missão de cristãos, voltássemos os olhos para a Sagrada Eucaristia, para Jesus que, presente entre nós, nos constituiu seus membros: vos estis corpus Christi et membra de membro,”vós sois o corpo de Cristo e membros unidos a outros membros”. O nosso Deus decidiu ficar no Sacrário para nos alimentar, para nos fortalecer, para nos divinizar, para dar eficácia à nossa tarefa e ao nosso esforço”.

“Agiganta a tua fé na Sagrada Eucaristia. Pasma ante essa realidade inefável!: temos Deus conosco, podemos recebê-lo cada dia e, se quisermos, falamos intimamente com Ele, como se fala com o amigo, como se fala com o irmão, como se fala com o pai, como se fala com o Amor” (Forja, nº 268).

“Compreendo o teu empenho por receber diariamente a Sagrada Eucaristia, porque quem se sente filho de Deus tem imperiosa necessidade de Cristo” (Forja, nº 830).

“Temos de receber o Senhor na Eucaristia, como aos grandes da terra, melhor!: com adornos, luzes, fatos novos… – E se me perguntares que limpeza, que adornos e que luzes hás-de ter, responder-te-ei: limpeza nos teus sentidos, um por um; adorno nas tuas potências, uma por uma; luz em toda a tua alma” (Forja, nº 834).

“Quando receberes o Senhor na Eucaristia, agradece-lhe com todas as veras da tua alma essa bondade de estar contigo. – Nunca te detiveste a considerar que passaram séculos e séculos, para que viesse o Messias? Os patriarcas e os profetas a pedir, com todo o povo de Israel: “A terra tem sede, Senhor, vem!” Oxalá seja assim a tua espera de amor” (Forja, nº 991).

“Jesus esconde-se no Santíssimo Sacramento do altar, para que nos atrevamos a tratar com ele, para ser o nosso sustento, com o fim de que nós façamos uma só coisa com Ele. Ao dizer sem mim nada podeis, não condenou o cristão à ineficácia, nem o obrigou a uma busca árdua e difícil da sua Pessoa. Ficou entre nós com uma disponibilidade total. Quando nos reunimos no altar enquanto se celebra o Santo Sacrifício da Missa, quando contemplamos a Hóstia Sagrada exposta na custódia ou a adoramos escondida no Sacrário, devemos reavivar a nossa fé, pensando nessa existência nova, que vem a nós, e comovermo-nos com o carinho e a ternura de Deus” (Cristo que Passa).

“É preciso adorar devotamente este Deus escondido. Ele é o mesmo Jesus Cristo, que nasceu da Virgem Maria; o mesmo que padeceu e foi imolado na cruz; o mesmo, enfim, de cujo peito trespassado jorrou água e sangue” (Cristo que Passa).

“Procura dar graças a Jesus na Eucaristia, cantando louvores a Nossa Senhora, à Virgem pura, sem mancha, àquela que trouxe o Senhor ao mundo. E, com audácia de criança, atreve-te a dizer a Jesus: – Meu lindo Amor, bendita seja a Mãe que te trouxe ao mundo! Com certeza que lhe agradas, e porá mais amor ainda na tua alma” (Forja, nº 70).

“Dir-vos-ei que, para mim, o Sacrário foi sempre Betânia, o lugar tranquilo e aprazível onde está Cristo, onde Lhe podemos contar as nossas preocupações, os nossos sofrimentos, as nossas aspirações e as nossas alegrias, com a mesma simplicidade e naturalidade com que aqueles amigos seus, Marta, Maria e Lázaro, lhe falavam. Por isso, ao percorrer as ruas de alguma cidade ou de alguma aldeia, alegra-me descobrir, ainda que ao longe, a silhueta duma igreja: é um novo Sacrário, mais uma ocasião para deixar a alma escapar-se para estar com o desejo junto do Senhor Sacramentado” (Cristo que Passa).

“Da falta de generosidade à tibieza não vai senão um passo” (s. 10).

“Quanto mais generoso fores – por Deus -, mais feliz serás” (s. 18).

“Nós, os que nos dedicamos a Deus, nada perdemos” (s. 21).

“Gostaria de gritar ao ouvido de tantas e de tantos; não é sacrifício entregar os filhos ao serviço de Deus; é honra e alegria” (s. 22).

“Desde que Lhe disseste “sim”, o tempo vai mudando a cor do teu horizonte – cada dia mais belo -, que brilha mais amplo e luminoso. Mas tens de continuar a dizer “sim”” (s. 32).

“Não te comportes como esses que se assustam perante um inimigo que só tem a força da sua “voz agressiva”” (s. 39).

“Há os que erram por fraqueza – pela fragilidade do barro de que estamos feitos -, mas se mantêm íntegros na doutrina. São os mesmos que, com a graça de Deus, demonstram a valentia e a humildade heroica de confessar a seu erro, e de defender – com afinco – a verdade” (s. 42).

“É uma loucura confiar em Deus!…, dizem. – E não é maior loucura confiar em si mesmo, ou nos demais homens?” (s. 44).

“Para nos convencermos de que é ridículo tomar a moda como norma de conduta, basta olhar para alguns retratos antigos” (s. 48).

“Um conselho, que vos tenho repetido até cansar: estai alegres, sempre alegres. – Que estejam tristes os que não se considerem filhos de Deus” (s. 54).

“Não és feliz, porque ficas ruminando tudo como se sempre fosses tu o centro: é que te dói o estômago, é que te cansas, é que te disseram isto ou aquilo… – Experimentaste pensar n‘Ele e, por Ele, nos outros?” (s. 74).

“A tua felicidade na terra identifica-se com a tua fidelidade à fé, à pureza e ao caminho que o Senhor te traçou” (s. 84).

“Esperar não significa começar a ver a luz, mas confiar de olhos fechados em que o Senhor a possui plenamente e vive nessa claridade. Ele é a luz” (s. 91).

“Se arrancares pela raiz qualquer assolo de inveja, e te alegrares sinceramente com os êxitos dos outros, não perderás a alegria” (s. 93).

“Há uma quantidade bem considerável de cristãos que seriam apóstolos…, se não tivessem medo. São os mesmos que depois se queixam, porque o Senhor – dizem! – os abandona. Que fazem eles com Deus?” (s. 103).

“Não o esqueçamos: no cumprimento da Vontade divina, as dificuldades se ultrapassam por cima…, ou por baixo…, ou ao largo. Mas…, ultrapassam-se!” (s. 106).

“Quando se trabalha para expandir um empreendimento apostólico, o “não” nunca é uma resposta definitiva. Insiste!” (s. 107).

“Às vezes penso que uns poucos inimigos de Deus e da sua Igreja vivem do medo de muitos bons, e encho-me de vergonha” (s. 115).

“Sê atrevido na tua oração, e o Senhor te transformará de pessimista em otimista; de tímido em audaz; de acanhado de espírito em homem de fé, em apóstolo!” (s. 118).

“Nem todos podem chegar a ser ricos, sábios, famosos… Em contrapartida, todos – sim, “todos” – estamos chamados a ser santos” (s. 125).

 

 

Assista também: O que é o Opus Dei?

 

“A santidade, o verdadeiro afã por alcançá-la, não faz pausas nem tira férias” (s. 129).

“Não dialogues com a tentação. Deixa-me que te repita: tem a coragem de fugir, e a energia de não manusear a tua fraqueza pensando até onde poderias chegar. Corta, sem concessões!” (s. 137).

 “Sempre pensei que muitos chamam “amanhã”, “depois”, à resistência à graça” (s. 155).

“Complicações?… Sê sincero, e reconhece que preferes ser escravo de um egoísmo seu, ao invés de servires a Deus ou àquela alma. – Cede!” (s. 159).

“Converte-te agora, quando ainda te sentes jovem… Como é difícil retificar quando a alma envelheceu!” (s. 170).

“Diz que não tem tempo?… Muito melhor. Precisamente os que não têm tempo é que interessam a Cristo” (s. 199).

“Não atinges as pessoas porque falas uma “língua” diferente. Aconselho-te a naturalidade. Essa tua formação, tão artificial!” (s. 203).

“Ajuda-me a pedir um novo Pentecostes, que abrase outra vez a terra” (s. 213).

 

 

 

FELIPE AQUINO   -      é viuvo, pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br Twitter: @pfelipeaquino

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 10:20
link do post | comentar | favorito

PÉRICLES CAPANEMA - ATUALIDADE DO CASO DREYFUS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Péricles Capanema.jpeg

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Acho que é opinião geral, nada mais anacrônico que o caso Dreyfus. Tenho conjetura diferente, é palpitante. A situação pela qual passamos o evoca. Vislumbro perspectivas difíceis para os próximos anos. Tratarei delas nas hipóteses abaixo; e aí ficará clara, espero, a atualidade do caso Dreyfus ▬ ferramenta de interpretação. “Historia magistra vitae”, Cícero. Virou chavão, não deixa de ser verdadeiro e instrutivo.

 

Feridas ainda abertas. Para os leitores que ainda não o conhecem, durou 12 anos o caso Dreyfus, 1894 a 1906. Rachou a França de alto a baixo repercutindo nos âmbitos religioso, militar, político, social, moral, psicológico. Em todos, no curto. Foi o maior escândalo do fim do século XIX, dos maiores da História gaulesa. A França então se dividiu em duas ▬ sem-número de famílias fendidas, pai contra filho, mulher contra marido ▬, de um lado, “dreyfusards”; na banda oposta, “antidreyfusards”. Mais de cem anos depois ainda permanecem cicatrizes desses embates; sangram algumas poucas feridas. No primeiro campo, visão por alto, posicionaram-se republicanos, esquerda radical, esquerda socialista, intelectuais antimilitaristas, pacifistas, maçons. No segundo, também a vol-d’oiseau, monarquistas, defensores do Exército, católicos conservadores e tradicionalistas, parte da Hierarquia eclesiástica, antissemitas; de forma especial, boulangistas e outros grupos do nacionalismo extremado. Os dois lados tiveram imprensa violenta tensionando o ambiente. Até hoje não se sabe bem como o caso começou.

 

Marcos do caso Dreyfus. Em pinceladas rápidas, alguns episódios. Alfred Dreyfus (1859-1935), personagem central, servia como oficial de artilharia, origem alsaciana, família judia. Então capitão, foi acusado de espionar para a Alemanha, inimigo histórico, acabou condenado pela justiça militar em 22 de dezembro de 1894 à degradação e prisão perpétua. Partiu preso para as Guianas em 21 de fevereiro de 1895. O coronel Marie-Georges Picquart, em 2 de março de 1896, descobriu que o espião provável era o major Esterhazy. O coronel Picquart investigou a situação e nele a suspeita se transformou em certeza. O caso começou a tomar rumo distinto. Em 11 de janeiro de 1898 o Conselho de Guerra absolveu Esterhazy. O “J’accuse” de Émile Zola foi estampado na primeira página do “L’Aurore” de Georges Clemenceau, 13 de janeiro de 1898. Foi anulada a sentença contra Dreyfus em 3 de junho de 1899; ele imediatamente deixou a Ilha do Diabo, onde cumpria pena. Dreyfus foi condenado novamente por tribunal militar em 9 de setembro de 1899, agora a 10 anos de prisão com atenuantes, perdoado dez dias depois pelo presidente da República. Nas eleições de 1902, vitória das esquerdas; Jean Jaurès em 7 de abril de 1903 relançou o caso Dreyfus. Em 13 de julho de 1906 a Câmara votou lei que reintegrou Dreyfus ao Exército com grau de major. Em 12 de julho de 1906, a Corte de Cassação anulou o julgamento do Conselho de Guerra, reabilitou o capitão, reconhecendo inocência. Alfred Dreyfus, 21 de julho de 1906, recebeu a mais alta condecoração francesa, a Legião de Honra, grau de cavaleiro. Em 26 de outubro de 1906, o (agora) general Marie-Georges Picquart foi nomeado ministro da Guerra.

 

Vantagens revolucionárias. Em seu conjunto, o caso fortaleceu a república, enfraqueceu o movimento monarquista; lançou nota de descrédito sobre a alta hierarquia da Igreja, bafejou o anticlericalismo do início do século XX, favoreceu o laicismo oficial e a perseguição às congregações religiosas. Facilitou a vitória nas eleições legislativas do Bloco das Esquerdas. A mais, deslustrou o Exército, em especial a oficialidade nobre. Finalmente, foi trombeteado como vitória da razão e da justiça (enraizadas na esquerda) contra o preconceito e a intolerância (aninhados na direita e em setores conservadores). Uma parte da direita se consolidou com base em justificativas que causarão sua demolição em anos futuros. Paro por aqui.

 

E salto por cima das décadas. Outra cena, acontecimentos diferentes, atualidade incontroversa. A pandemia prende as atenções, põe vidas em perigo e deixa em frangalhos a economia. Em algum momento, que esperamos próximo, seus efeitos começarão a passar. E o mundo retomará a vida normal. Retomará? Qual normalidade? Já se fala abertamente em novo normal. Em “reset”, recomeço.

 

O rumo dos Estados Unidos. Ponto fundamental, como agirão os Estados Unidos? Estamos a quatro meses da eleição presidencial. De momento, são boas as chances de Joe Biden bater Donald Trump. Ele é idoso (de si não quer dizer muita coisa), mas o fato faz naturalmente crescer a figura da vice-presidente. Já digo a vice-presidente, Biden prometeu escolher uma mulher. Que orientação terá?

 

Notório, parece-me, Donald Trump está com a reeleição ameaçada. Nas últimas eleições presidenciais, Hillary Clinton obteve 65.853.514 votos, Donald Trump, 62.984.828; perdeu por 2.868.686 votos (no Colégio Eleitoral, Trump ficou com 304 votos, Hillary 227). Sua aprovação não subiu; existem fatores que podem baixá-la: economia em declínio, pandemia em ascensão, agitações sociais em vários pontos do país.

 

Joe Biden, esperança revolucionária. A vitória de Biden animará as esquerdas no mundo inteiro. Aconteceu com Jimmy Carter, aconteceu com Bill Clinton, aconteceu com Barack Obama. É conjeturável, entre outros pontos, a China terá mais facilidade de aumentar sua influência e poder. E não é de excluir que a pandemia forneça ocasião para a China mostrar uma face humanitária e protetora; seria o caso se lá fosse descoberta a vacina e depois distribuída mundo afora (ou vendida barata).

 

Chininha paz e amor. Será difícil, mas a China pode se lançar em bem-sucedida operação de simpatia. Assistiríamos a golpe publicitário que aplaine o caminho para o avanço chinês, torne ainda mais penosa e impopular a oposição a seus objetivos. É congruente com o quadro geral. Uns dois anos atrás escrevi um conto “Brigo pelos homens atrofiados” sob o pseudônimo Zeca Patafufo, no qual o personagem Adamastor Ferrão Bravo adverte: “Vão agigantar tudo pela propaganda. Pode estar iminente avalancha de soft power da China, a mais do duro sharp power que começa a se generalizar e já desperta vivas reações em vários países. Dando certo a ofensiva chinesa, em cortejo, imanta­da, veremos atrás sarandear malemolente a bocojança, multidões sem fim. Tanta gente modernosa não achou que a Rússia dos anos 30 tinha dado certo? O Stalin, besuntado de admirações abjetas, foi ícone de cardumes de torcedores ignóbeis; décadas de chumbo aleluiadas em histeria, mais que tudo pela intelligentsia progressista; via nos inten­tos mitomaníacos de engenharia social, executados com frieza apavo­rante, a construção da utopia socialista dos “amanhãs que cantam”; para tal, enfiada sem fim de hojes desesperadores”. Aconteceu lá atrás, poderá suceder de novo lá na frente.

 

Boicote a governos conservadores. Não apenas a governos, também a movimentos que procurem fazer frente à investida revolucionária haveria oposição da administração Joe Biden. Governos de direita serão boicotados, em especial na Europa e na América Latina, com bafejo à oposição interna de esquerda. Outro ponto provável, a agenda chamada “social” terá mais virulenta aplicação. Social aqui significa estimular a desagregação da sociedade com fortalecimento de movimentos LGBT, ideologia do gênero, liberalização ainda maior do aborto, entre outros. Pois Joe Biden vencerá à frente de uma coligação que incluirá radicais como os que agora estão derrubando estátuas ▬ a de são Junípero Serra (1713-784) foi derrubada, arrastada, chutada, cuspida, a face pintada de vermelho. Odiaram o missionário franciscano, contas feitas, por pregar religião e trazer civilização à Califórnia. Sintoma gritante de que programas destruidores serão impostos de forma intolerante. Biden, no primeiro mandato provavelmente poderá indicar dois juízes para a Corte Suprema, tingindo de maior coloração revolucionária a hermenêutica constitucional nos Estados Unidos. Gravíssimo.

 

Resistência, reação, reconstrução. Para as forças conservadoras, se as perspectivas aqui rabiscadas se realizarem no todo ou em parte, serão anos de resistência, reação (contra o “reset”) e reconstrução. Importa lembrar, para um movimento muitas vezes mais vale a legenda que dele evola que a realidade que expressa. Para o retorno triunfante (ou, pelo menos, exitoso) preservar a aura, a legenda, mais caseiramente, o bom nome, é fundamental. A reconstrução será favorecida se ao conservadorismo estiverem ligadas as noções de ordem, razoabilidade, senso de proporção, limpeza ética, religiosidade. Tudo será mais difícil se no espírito público aos grupos conservadores, no poder ou fora dele, por meio de campanhas conduzidas de forma eficaz ficarem correntemente associadas as pechas da irreflexão, irresponsabilidade e insensibilidade no enfrentamento da pandemia, para dar um exemplo. Mais ainda, corrupção e falta de escrúpulos. Como infelizmente se deu após o caso Dreyfus, parte da reconstrução poderia trabalhar sobre alicerces corroídos. Em resumo, o que acontecer agora poderá determinar ou limitar condutas nos previsíveis períodos de resistência, reação e reconstrução. E será utilizado implacavelmente por forças revolucionárias para sufocar quaisquer movimentos que se oponham a seus objetivos. Será como agora: hoje é comum líderes da esquerda de forma inescrupulosa utilizarem os labéus fascista, nazista, neonazista, neofacista para manchar reputações de oposicionistas, não importa a doutrina que esposem e a conduta que tenham.

 

Circunspecção. Fui pessimista? Espero que não. Olhemos ao redor. Foram simples conjeturas, feitas com intenção de ajudar a lutar num futuro que pode ser difícil. Dizia o professor Plinio Corrêa de Oliveira, não sou otimista, não me vejo como pessimista. Considerava-se um pessimólogo. Alguns de seus comentários: “[Sou] consciente de que o péssimo, em nossos dias, acontece com relativa frequência. É a atitude de quem se coloca diante do pior, para construir sua previsão, para poder enfrentá-lo”

 

Para poder enfrentá-lo, se acontecer. E aí sem ilusões, nem a de ter avisado. Tenho presente a “boutade” de Agripino G

 

 

 

 

PÉRICLES CAPANEMA - é engenheiro civil, UFMG, turma de 1970, autor do livro “Horizontes de Minas"



publicado por Luso-brasileiro às 10:12
link do post | comentar | favorito

HUMBERTO PINHO DA SILVA - MASS - MEDIA " DESMACARADA"

 

 

 

 

 

 

 

 

Humberto Pinho da Silva.jpg

 

 

 

 

 

 

 

 

A semana passada, aventurei-me a sair, para um longo passeio, na minha cidade. Passeio a pé, porque ainda não frequentei o transporte público.

Sai mascarado. Mal tinha percorrido um quarteirão, deparei com outro mascarado, meu velho amigo.

Ao cumprimentá-lo, à “cotovelada”, ele disparou, apontando para o periódico que comprara na banca da esquina:

- “Não sei para que ainda o compro… Aliás toda ou quase toda, a mass-media, anda “mascarada”. Tanto dão no cravo como na ferradura…”

Como percebesse, pela minha expressão, que não atingi, onde pretendia chegar, acrescentou:

- “ Como sabes, há países, como os Estados Unidos, onde os meios de comunicação, têm ideologia politica e religiosa ou ambas. Noutros, preferem serem neutrais…Como se fosse possível – ao articulista de opinião, – não ter opinião! …

“ Atiram para o ar ou escrevem em letra de forma, pareceres -  muitas vezes duvidosos, - fazem comentários, a favor ou contra, de harmonia com os interesses de ocasião ou de indivíduos.

“ Deste modo, enganam os leitores desprevenidos, que são a maioria, que chegam, na sua inocência, afirmar, convencidos que são opiniões imparciais: “ É verdade! … Li no jornal! …”

Betrand Russell, duvida, in: “ A Conquista da Felicidade”, que haja, nos USA, jornalista, que acredite na independência do seu jornal.

Parecia-me mais honesto, tirarem a “ mascara” e dizerem: somos de: Direita, Centro ou Esquerda; que parecerem, o que não são.

E o mesmo se passa em alguns jornais religiosos, quer sejam: católicos, evangélicos ou de crença não cristã, vestindo máscaras, param não mencionarem a denominação.

Certa vez fui a Florianopólis, e fiquei estupefacto: entrando na Catedral, vi, sobre os bancos, jornalzinho de certa seita!

E no adro, duas gentis meninas, distribuíam, com sorrisos felizes, a publicação! …

Não me deveria espantar, porque, na cidade do Porto, encontrei, numa igreja da baixa, sobre mesinha, montão de jornalequinhos de seita ortodoxa. Nem da Igreja Ortodoxa eram! – que merece a minha simpatia e respeito.

E mais atónito fiquei, ao verificar, sobre os altares, “ santinhos”, com a direção da seita e local de culto! …

Na política, como na religião, é preciso separar as águas, não se vá beber inquinada, pensando potável! …

Em democracia – se a há, – cada um deve ter a liberdade e a segurança, de dizer o que pensa, desde que não ofenda, penso eu, sem ser desfeiteado.

Só há democracia plena, quando há opiniões e pareceres divergentes, que se escutam e se respeitam. Caso contrário, é: democracia” camuflada” ou “ditadura democrática”, como dizia, a rir, antigo condiscípulo, já falecido.

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 09:58
link do post | comentar | favorito

EUCLIDES CAVACO - O MENINO QUE NÃO FUI - Poema e voz de Euclides Cavaco.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Dedicado aos milhares de crianças desprivilegiadas
a quem, tal como eu, a infância não sorriu.
Videografia do talentoso amigo Afonso Brandão.
 
 


https://www.youtube.com/watch?v=wKTiZI7Tjiw
 
 
 
 
Desejos duma magnífica semana.
 
 
 
 

EUCLIDES CAVACO  -   Director da Rádio Voz da Amizade , Canadá.

 

 

 

***

 

 

 

NOTICIAS DA DIOCESE DO PORTO

 

 http://www.diocese-porto.pt/

 

 

NOTICIAS DA DIOCESE DE JUNDIAÍ - SP

 

 

 https://dj.org.br/

 

***

 

 

 

Leitura Recomendada:

 

 

 

 

 

Resultado de imagem para Jornal A Ordem

 

 

 

 

 

Jornal católico da cidade do Porto   -    Portugal

 

Opinião   -   Religião   -   Estrangeiro   -   Liturgia   -   Area Metropolitana   -   Igreja em Noticias   -   Nacional

 

 

https://www.jornalaordem.pt/

***

 

HORÁRIOS DAS MISSAS NO BRASIL

 

 

Site com horários de Missa, confissões, telefones e informações de Igrejas Católicas em todo o Brasil. O Portal Horário de Missas é um trabalho colaborativo onde você pode informar dados de sua paróquia, completar informações sobre Igrejas, corrigir horários de Missas e confisões.



https://www.horariodemissa.com.br/#cidade_opcoes 

 

***

 


publicado por Luso-brasileiro às 09:24
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim
arquivos

Dezembro 2020

Novembro 2020

Outubro 2020

Setembro 2020

Agosto 2020

Julho 2020

Junho 2020

Maio 2020

Abril 2020

Março 2020

Fevereiro 2020

Janeiro 2020

Dezembro 2019

Novembro 2019

Outubro 2019

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

pesquisar
 
links