PAZ - Blogue luso-brasileiro
Sexta-feira, 4 de Setembro de 2020
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - 8 DE SETEMBRO. DIA INTERNACIONAL DA ALFABETAÇÃO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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             Comemora-se a oito de setembro, o Dia Internacional da Alfbatetização, criado pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e  Cultura), cuja luta prioritária, é a educação para todos. Trata-se de uma data de suma relevância, já que há milhões de iletrados no mundo, que precisam ler e escrever, para o resgate da cidadania e da auto-estima. Com efeito, um dos pontos altos da Declaração de Hamburgo sobre educação de adultos, em 1997, foi o reconhecimento de que a educação permanente não constitui apenas um direito de todas as pessoas, mas é uma das chaves para as aspirações de cidadania do século 21.

          Efetivamente, alfabetizar é um processo que se desenvolve ao longo de anos e está longe de se resumir a sentar o aluno num banco escolar, para aprender a escrever o próprio nome e ler um bilhete simples, critério há muito utilizado para avaliar o  aprendizado de jovens e adultos sem domínio de leitura e escrita. Associar o desenvolvimento educacional ao desenvolvimento social é fundamental para que se obtenham resultados positivos verdadeiros no processo de alfabetização, principalmente no caso daqueles que perderam a chance de passar pela escolarização regular.

             De acordo com Jorge Werthein, sociólogo argentino e doutor em educação pela Universidade de Stanford, os desafios deste milênio, sobretudo os que se referem à urgente necessidade de reduzir a miséria e a exclusão social, “requer a instauração de um sistema permanente de educação de adultos, para erradicar o analfabetismo e assegurar, ao longo da vida, condições de aquisição e renovação dos conhecimentos básicos indispensáveis” e conclui que “a educação de adultos deve seguir um caminho que leve em conta as experiências do homem adulto, que valorize e reconheça seus aprendizados tácitos. Não se trata só de mudar a linguagem ou dar aos conteúdos uma sequência diferente, mas, antes, de encontrar novos estilos de ação, que associem o trabalho aos problemas sociais e políticos da vida cotidiana dos adultos” (Folha de São Paulo – 1.3 – 07 de junho de 1998 – artigo “Educação de Adultos e Democracia”).

         Muitos estudiosos já destacaram que diante do quadro de desigualdades sociais no mundo, a educação, também de adultos, sobressai como estratégia insubstituível para proteger direitos humanos e combater a pobreza, requisitos fundamentais da construção democrática. Num momento em que desenvolvimento é sinônimo de conhecimento, em que se produz uma admirável revolução no campo das comunicações, é intolerável que tantos brasileiros continuem a ter seu acesso barrado ao mundo da cultura e da informação, apesar dos significativos avanços nos últimos tempos. Por isso não deve ser descurado o combate ao analfabetismo e quando o Estado não propicia condições para tanto, evidentemente que o voluntariado se faz cada vez mais necessário, já que o setor privado, preenchendo uma lacuna deixada pelo Poder Público, beneficiar-se-á das conquistas neste campo. No Brasil, felizmente há um grande número de grupos que atuam nesta área.

      A Constituição Federal dispõe em seu art. 3º, incisos I a III, que "constituem objetivos  fundamentais da República Federativa do Brasil: construir uma sociedade livre, justa e solidária; garantir o desenvolvimento nacional; erradicar a pobreza e a  marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais e promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de desanimação". Para que alcancemos  tão nobres e importantes propósitos, a Educação se mostra como fator manifestamente preponderante, razão pela qual a alfabetização é uma ferramenta de extrema utilidade, a ser permanentemente utilizada e aperfeiçoada. A questão da pandemia inclusive, com aulas on line, reafirmou tal propósito.

 

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor da Faculdade de Direito do Centro Universitário Padre Anchieta de Jundiaí. Ex-presidente das Academias Jundiaienses de Letras e de Letras Jurídicas. (martinelliadv@hotmail.com)



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CINTHYA NUNES - ORA ,BOLAS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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            O gato se esticou inteiro como de costume e pulou da cama. Quase sempre dormia junto com Ana e João, principalmente quando estava frio. Eles o deixavam quente, mesmo que às vezes interrompessem seu sono, porque os humanos tinham o péssimo hábito de mexer as pernas enquanto dormiam.

            Correu para a caixa de areia e tratou de se aliviar. Era uma criatura de hábitos. De certos luxos jamais abriria mão, como ter a caixa  sempre limpa e disponível. Com fome, o gato procurou a vasilha de comida, mas a encontrou  vazia como  a fonte de água. Teriam as pessoas se esquecido dele? Primeiro acordou Ana, roçando a barriga na mão dela. Depois foi a vez de João. Foi  preciso algo mais radical como lamber as orelhas do rapaz.

Com a família desperta, era momento do desjejum. Depois da ração, todas as manhãs ele ganhava petiscos deliciosos que o deixavam cheio de energia, pois precisava dormir muitas horas. Naquele dia, no entanto, algo estava estranho. Ninguém lhe oferecera nada. Sequer um mísero agrado?

Choramingou um pouco, fez gracinhas e até mesmo se jogou aos pés do casal, mas ninguém lhe deu de comer. Ganhou carinhos, afagos e elogios. Mais do que o normal, inclusive. Começou a ficar desconfiado. Alguma coisa estava bem estranha. Foi quando a viu: a caixa, seu algoz.

Olhou para os lados procurando uma rota de fuga, em genuíno desespero, mas tinham sido mais rápidos do que ele. Janelas e  portas fechadas.. Se ao menos fosse capaz de escalar paredes até o teto, poderia ter alguma chance. Mas nem teve tempo de se mover, um par de mãos o agarrou pelo pescoço e quando se deu conta, estava dentro da caixa.

Em que momento as coisas tinham dado errado? Não tinha mais arrancado penas do periquito, pelo menos não naquela manhã. Era um bom gato, só exigia mesmo as regalias que lhe eram de direito... por estirpe. Ser aprisionado naquela caixa era humilhante, uma cela de feras.

O casal conversava com o gato fazendo aquelas vozes que se usa com muitos animais de estimação. Tentavam acalmá-lo, explicando que tudo daria certo e seria o melhor para ele. O felino se debatia enlouquecido e inconsolável. Ainda estava com fome, aquilo não passaria em branco! Haveria consequências,  o periquito que se cuidasse!

Poucos minutos depois e o bichano estava no veterinário. Não adiantava falar para os humanos que ele não precisava de banho: já era auto-limpante, e todas as coisas que eles deveriam saber, mas que preferiam ignorar. Num repente tudo ficou escuro e o gato foi transportado para o mundo dos sonhos. Por fim era tratado como rei, quase um leão, respeitado e cercado das mais belas fêmeas.

Acordou já em casa, sob os olhares preocupados dos donos. Que roupa ridícula, sentia-se sonolento, meio sem controle das patas. Não fazia ideia do que tinha acontecido. A moça o pegou no colo, fazendo-lhe carinho, enchendo-o de beijos. Finalmente ele estava recebendo o tratamento merecido. Lá no poleiro, o periquito o olhava meio enviesado.

 

Assim que se sentiu melhor, saiu para explorar o território. Talvez devesse fazer uma visitinha àquele periquito ordinário. Como todo gato que se preze, primeiro foi se higienizar. Lambeu as patas, depois foi tentar se livrar da roupa que vestia. Precisava acessar partes mais íntimas que não estavam descobertas. Foi em vão que as procurou. Não estavam mais ali! Onde tinham ido parar?? Fora mutilado covardemente enquanto estava inconsciente. Não seria mais um leão entre as leoas..., mas o periquito ia pagar caro por aquilo!

 

 

 

 

CINTHYA NUNES   -  é jornalista, advogada e espera que o periquito saiba se defender – cinthyanvs@gmail.com



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ANTÓNIO FRANCISCO GONÇALVES SIMÕES 12- AS DOZE VIRTUDES CAPITAIS DO SÉCULO XXI 1ª. Série 12ª. A RESPONSABILIDADE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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A Responsabilidade  é um substantive feminino com origem no latim, e que demonstra a qualidade do que é responsável ou obrigação de responder por actos próprios ou alheios, ou por uma coisa confiada.

 

A palavra responsabilidade está relacionada com a palavra latina “respondere” que significa “responder, prometer em troca”. Desta forma, uma pessoa que seja considerada responsável por uma situação ou por alguma coisa, terá que responder se alguma coisa corre de forma desastrosa.

 

Responsabilidade podemos definir como um dever de assumir as consequências provenientes dos nossos actos. Porém, na realidade, a responsabilidade abrange uma amplitude de conceitos que têm relação como assumir essas responsabilidades de nossos actos, praticados de forma consciente e intencional.

 

A responsabilidade, além de estar relacionada directamente com a consequência de nossos actos, também está devidamente associada a uma cosa que conhecemos como princípios, aos antecedentes a partir das quais um indivíduo toma as motivações para exercer o livre arbítrio e actuar com conformidade à responsabilidade.

Quando começamos uma actividade, seja ela qual for, e somos os responsáveis, devemos saber que as consequências de tudo aquilo que resulte dessa actividade, tanto as coisas boas como  as coisas  ruins,  são de nossa inteira responsabilidade.

 

Distingue-se as pessoas responsáveis das que  não o são, principalmente pelo que as pessoas responsáveis são as primeiras que se dão conta sobre a intenção de saber se o que se está fazendo são actividades que se devem questionar ou não. Se as regras utilizadas são as correctas ou se é ao contrário. Por outro lado, as  pessoas que não exercem responsabilidade ou que não são responsáveis, são aquelas que procuram escudar-se em desculpas para justificar sua formas de proceder, geralmente má, e não mostram compromisso real com um valor tão importante como a responsabilidade.

 

A responsabilidade é uma forma de demonstrar confiança. A responsabilidade numa pessoa é uma demonstração de um carácter forjado em boas intenções. Aquelas pessoas que são responsáveis, normalmente e com toda a segurança, desligam-se de artimanhas como a mentira e o engano, para conseguir vantagem em tudo aquilo faz.

 

Na nossa sociedade   a responsabilidade é uma característica muito apreciada e muito procurada, especialmente no mercado de trabalho, onde um trabalhador responsável é devidamente recompensado pela sua responsabilidade.

Um indivíduo que tem a responsabilidade como forma de vida, é, de modo geral, considerado um indivíduo correcto e de bom carácter.

 

Responsabilidade social. É uma característica cada vez mais importante no mundo do trabalho e sobretudo  das empresas. Isto aplica-se a todas as pessoas que têm funções de responsabilidade, quer no  foro civil, militar ou religioso.

 

A responsabilidade consiste na obrigação(vínculo obrigacional) que impende sobre aqueles que causam  um prejuízo a outrem, de  os colocar na situação em que estariam se o facto danoso não tivesse ocorrido. Distingue-se entre responsabilidade contratual(resultante da falta de um compromisso das obrigações emergentes dos contratos, dos negócios unilaterais  ou da lei) e responsabilidade extracontratual

(dimanada da violação de direitos absolutos ou da prática de certos actos, embora lícitos, causam prejuízos a outrem).

Alguém disse o seguinte :”Devemos assumir a responsabilidade pela nossa própria vida. Não podemos mudar as circunstâncias, as estações do ano ou  o vento, mas podemos mudar-nos a nós próprios. Isso é algo que estamos  incumbidos de fazer”.

Há pessoas que têm  uma dificuldade extrema em tomar decisões -seja comprar uma casa, seja mudar de emprego ou algo tão simples como escolher o menu do restaurante, ou a cor das meias que vai calçar -  para essas pessoas, a decisão é um “bicho de sete cabeças”.

 

Talvez conheçamos pessoas para  quem tudo o que acontece na vida é sempre consequência ou até culpa do comportamento ou da intervenção dos outros.

Talvez conheçamos pessoas que se sentem constantemente vítimas das circunstâncias e que se resignam  a viver uma  vida “inferior” por acharem que não há nada que possam fazer.

 

Mas, se  tivermos o sentido de responsabilidade é importante percebermos que precisamos de agir, se não queremos  viver numa vida de lamentações, de frustrações e de arrependimentos onde vivemos em função dos sonhos que outros desenharam e decidiram para nós, precisamos de assumir responsabilidade.

 

Eu sei que isto quase parece aqueles concelhos dos nossos pais quando somos adolescentes:”Tens que ser mais responsável”. “Precisas de aprender a ser mais responsável”. Mas aqui a responsabilidade não é apenas no sentido de nos “portarmos bem” socialmente ou arcarmos com as consequências de um “mau comportamento”. Responsabilidade (ou auto-responsabilidade) significa sermos capazes de assumir o comando sobre a nossa vida: sobre as nossas escolhas, sobre as nossas decisões, sobre os nossos comportamentos, sobre as nossas opções.

A partir do momento em que assumimos a responsabilidade pela nossa vida, tudo pode mudar. Aprendemos a ser mais resilientes  e a vida   passa a florescer.

 

Ser auto-responsáveis, auto  resilientes e até auto-suficientes significa ter o comando sobre determinadas áreas da nossa vida que dependem de nós ( e que podemos controlar).Sejamos responsáveis pelas nossas acções. A apatia e o medo sãos os grandes obstáculos que tantas vezes nos impedem de agir. Por isso faz o que tiveres que fazer  hoje para supera-los e passar à acção. Somos donos da “nossa vida”, e ficar à espera que ela passe por nós, descartando-nos da responsabilidade sobre tudo o que acontece nela, é uma injustiça. A vida é tua, vais ficar à espera que os outros a vivam por ti? A decisão é tua

 

(continua no próximo número)        

 

      

ANTÓNIO FRANCISCO GONÇALVES SIMÕES   -   Sacerdote Católico. Coronel Capelão das Frorças Armadas Portuguesas. Funchal, Madeira.  -    Email   goncalves.simoes@sapo.pt



publicado por Luso-brasileiro às 11:56
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - FALTOU CAMINHÃOZINHO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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O moço partiu há três meses. Completaria nesta semana 50 anos. A doença dele, para os próximos, não parecia que fosse levá-lo tão cedo.   Não dispensou o golinho de cerveja – essencial no tratamento - no bar da esquina, em que encontrava os amigos. Simpaticíssimo, de sorriso fácil e um encanto no trato com as pessoas.
Veio para cá na lotação que oferecia possibilidades melhores no Estado de São Paulo, em obra que seria construída em Serrana. 1900 km de estrada a partir do Piauí. Sua cidade possui encantos, contudo com limites a quem não possui condições adequadas para sobreviver com dignidade. Ele nem alfabetizado foi. A música regional é forte. As festas tradicionais como Reisado, São Gonçalo, Dança do Congo... Do Morro da Mariana, é possível avistar o lugar, de certa forma sem pertencer a ele, pela ausência de igualdade de acesso, no seu caso, de formação educacional e de tratamento aos seus limites intelectuais. “Capital do Mel” com falta de doçura para os empobrecidos. De Serrana para outra obra aqui. Em 2000, voltou para a cidade dele, viu a mãe e os irmãos. Em seguida, retornou no mesmo percurso e trabalho: Serrana e Jundiaí. Do alojamento da obra em nosso município, observou a moça de olhar de resistência e cicatrizes; de dores do passado, mas de recomeços alicerçados em sua esperança. Resolveram permanecer juntos. Os dois precisavam de ombro. Como escreveu Mia Couto: “Tristeza não é chorar. Tristeza é não ter para quem chorar”. Concluída a obra, permaneceu e perdeu o contato com a família. A companheira tentou, por inúmeras vezes, até por programa televisivo, reatar os laços de sangue dele.
Propus a ela tentarmos através da Diocese do local.  Já fiz isso. Na Bahia e Manaus obtivemos sucesso. Emocionante quando a distância se rompeu e a saudade se fez presença de ternura.
 A companheira se sente no dever de contar à família que aqui foi cuidado por ela, de seus passos, suas alegrias e da despedida no espaço de saúde – apenas um dia internado - ao lhe dizer que estava morrendo. Gostaria também de saber mais sobre sua história de infância. Era reservado, mesmo que perguntassem, não apreciava comentar sobre o passado. Nos últimos tempos, viviam um relacionamento como de mãe e filho.
De outrora, apenas escutou que não brincou e que jamais possuiu um caminhãozinho.

 
 
 
 
 
 
 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil


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publicado por Luso-brasileiro às 11:52
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JOSÉ RENATO NALINI - JUSTIÇA COMO ESTÉTICA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Tempos de pandemia são propícios a abrigar pensamentos plúmbeos. Milhares de mortes, algumas muito próximas. Pânico instaurado em todos os ambientes. Falta de contato físico, isolamento social, indefinição quanto a um eventual breque na escalada de desgraças.

Tudo ainda fica pior quando se constata que esta era serve a uma intensificação dos malfeitos, seja na esfera ecológica, seja no manejo do Erário, que já vinha cambaleante e que agora parece agonizar.

As mensagens edulcoradas, transmitidas pelas redes, representam breve hiato e não inibem a continuidade da angústia crônica. Mas o ser humano é de uma complexidade tamanha, que encontra fórmulas de se reinventar.

O universo Justiça é um espaço privilegiado. Mercê de previsão verdadeiramente milagrosa, em se considerando o conservadorismo da formação jurídica, foi capaz de ousadia e assimilou as TICs, implementando a cultura digital e a utilização plena da informática e da eletrônica.

Foi o que permitiu não só a continuidade na prestação jurisdicional, como um notável incremento da produtividade. O Judiciário não parou. Ressalvadas algumas resistências, próprias ao obscurantismo ou ao receio de ver enfraquecida a aura de poder que costuma envolver a mediocridade, o funcionamento do maior Tribunal do mundo – evidentemente, falo do TJSP – é um case de sucesso.

A cada solução oferecida pelo equipamento estatal encarregado de por cobro às desinteligências, o mundo se tornou melhor. É uma reflexão instigante enxergar a Justiça como um dos fatores de estetização da sociedade global.

Poder-se-ia dizer que o Judiciário é um Juno. Tem a face cruel, que aprisiona, expulsa, separa, empobrece. Mas tem a face magnânima, que restaura situações desequilibradas pela violação às normas de bom convívio, devolve o patrimônio que fora subtraído, a honra lesada, a liberdade sacrificada.

Harmonizar, pacificar, resolver situações conflitivas é algo que remete à estética. O saneamento das injustiças, por menores sejam elas, é a recomposição da ordem natural das coisas. Fenômeno que não se limita aos diretamente envolvidos no drama judicial. Quando a Justiça funciona e sua resposta corresponde à expectativa do homem comum, reacende-se a esperança de melhores dias para todos.

O mal-estar contemporâneo e os dramas que a todos acometem traduzem-se na ansiedade, sensação de vazio, depressão, adição, perda de confiança em si, depreciação de si e do outro. Acrescente-se a esta enunciação singela, o pânico pela potencialidade da contaminação, a incerteza sobre o futuro, o sabor amargo dos prognósticos sombrios com que somos recebidos diuturnamente pelas mídias.

Seria saudável que os integrantes do escolhido grupo que um dia já foi chamado de “família forense”, tivessem consciência de seu papel nesta fase melancólica de provação a que se submete a humanidade.

Uma conduta singela diz com o tratamento conferido a quem se socorre da Justiça. A aflição do sedento por uma resposta, o expõe numa fragilidade que requer mais do que a mera atenção. Polidez, cordialidade, consideração, empatia e amabilidade são ingredientes preciosos no trato com o jurisdicionado.

Celeridade é praticamente sinônimo de eficiência, em se cuidando de um Judiciário que se tornou a derradeira esperança do sofredor. A mácula maior do sistema Justiça é a sua lentidão. Tanto que o constituinte derivado incluiu o direito à prestação oportuna como o 78º bem fundamental da vida, aumentando a lista infinita do artigo 5º da Constituição Cidadã.

Consequencialismo é cada vez mais urgente, naquele sentido de se avaliar, com serenidade e sensatez, qual será o efeito concreto da decisão, quando proferida. Não se subestime o remorso de ser um fator de agravamento da aflição do aflito, mediante respostas meramente processuais, que podem acabar com o processo, mas não acabarão com o problema que a ele deu causa.

Ao rigorismo normativo, resultado do pernicioso fetiche da lei, sobrepõe-se o prestígio à ética. Esta ciência do comportamento moral do homem na sociedade pode ser considerada a estética da alma. Se existe possibilidade de se afastar desconforto, sofrimento, dor, sensação de perda ou qualquer outro malefício que incomoda a alma alheia, isso deixa de ser mera ocupação profissional, para ser ferramenta de tornar o mundo mais belo.

Em síntese, existe uma “regra de ouro”, que se sobrepõe a qualquer lei humana positivada: o não fazer aos outros o que não gostaria de que eles lhe fizessem. Um pouco mais de amor ao próximo, em detrimento de excessivos formalismo, procedimentalismo e ritualismo, mostrariam a face ética do sistema Justiça. Instrumento de verdadeira estetização do mundo.

 

 

 

 

 

JOSÉ RENATO NALINI é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2019

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:46
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VALQUÍRIA GESQUI MALAGOLI - AMIGOS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Felicidade – que truque!

Basta olhar o facebook:

Um do que o outro é mais feliz;

Mentiroso é quem não o diz.

 

Vinte e quatro horas por dia

Todo mundo é só alegria.

Todos seguem a cartilha:

Gostou? Curte e compartilha!

 

Que ferramenta é essa à mão –

Trampolim para a ilusão!

Quem está dentro critica,

Mas, ameaça... hesita... e fica!!!

 

 

 

 

 

 

Valquíria Gesqui Malagoliescritora e poetisa, vmalagoli@uol.com.br



publicado por Luso-brasileiro às 11:37
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PÉRECLES CAPANEMA - PUTIN DESFAZ ILUSÕES
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O artigo escrito por Vladimir Putin, verdadeira proclamação, abaixo trechos comentados, desfaz ilusões, uma vez mais. Traz afirmações elucidativas para gente de espírito objetivo. Contudo, para viciados em fantasias ▬ legiões que infelizmente ainda veem no ocupante do Kremlin um líder que justifica esperanças ▬, as crendices resistem à evidência. No caso, à evidência do preto no branco sobre o papel.

 

Em 10 de junho último o presidente russo publicou em “New Europe” matéria extensa, a bem dizer ensaio, sobre suas convicções e orientação política. Mereceria análise dos que têm por ofício esclarecer a opinião pública no Brasil ▬ não a vi. Afinal, trata-se de político com chance, por enquanto, de permanecer no poder até 2036, ultrapassando em tempo (como primeiro-ministro e presidente) no leme de país importante, intervencionista e imperialista, de muito, os anos de chumbo da ditadura stalinista (1927-1953).

 

O artigo de Putin se intitula “75º aniversário da grande vitória: responsabilidade histórica compartilhada e nosso futuro” ▬ em inglês, “75th Anniversary of the Great Victory: Shared Responsability to history and our Future”. Está na rede. Coloca a Rússia atual como continuadora, em especial na política externa, da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas). E enfatiza que o norte, segundo ele, lá na era staliniana e cá na era putiniana, é e sempre foi a proteção e defesa dos interesses nacionais russos. Nesse aspecto, faz clara e argumentada defesa da política stalinista, ataviando seu autor com os adereços de grande e avisado nacionalista. Por alto, só uma vez, circunlóquio rápido para minorar o peso a reserva, censura a perseguição comunista à religião e os ataques à história russa (“zombarias contra nossa história nacional, tradições e fé que os bolchevistas tentaram impor, em especial nos primeiros anos”).

 

Ponto curioso, em nenhum momento Putin diz que o povo russo lutou na 2ª Guerra Mundial pela defesa do comunismo. A guerra é patriótica, os russos defendiam a terra ancestral, a terra do pai, a terra da mãe, os lares, crianças, pessoas amadas, famílias. Stalin de fato lançou mão desse artifício, sofreria estrondosa derrota se apelasse para a defesa do comunismo contra o nazismo. O povo russo tinha horror ao comunismo, que o escravizara. E Putin embarca aqui; hoje, como ontem foi com Stalin, o foco é defender a Mãe Pátria. Mas, é claro, a Rússia com a guerra consolidou e expandiu o comunismo, realidade ovante calada por Putin.

 

Esbofeteando a história, o líder russo atribui papel decisivo à contribuição da URSS na derrota do nazismo (seria maior que o concurso norte-americano): “A União Soviética e o Exército Vermelho, não importa o que se está tentando provar hoje, foram as principais e centrais contribuições para a derrota do nazismo”. Desvaloriza, congruentemente, a amparo norte-americano à Rússia soviética enviada em especial por meio do “Lend and Lease Act”, evidenciando que a mentira, da qual era useira e vezeira a União Soviética, continua amplamente usada como instrumento de propaganda na Rússia atual: “Seremos sempre gratos ao apoio aliado fornecendo ao Exército Vermelho munição, matéria prima, alimento e equipamento. Ajuda significativa, em torno de 7% da produção militar total da União Soviética”.

 

De passagem, alguns dados sobre o “Lend and Lease Act”. Mais de um terço de todos os explosivos usados durante a guerra. 55% do alumínio, mais de 80% do cobre, 57% do combustível dos aviões, 35 mil rádios, 32 mil motocicletas, 33% dos veículos, 20 mil lançadores de foguetes foram montados em cima de caminhões norte-americanos, recuperação do sistema ferroviário, 2 mil locomotivas, metade dos trilhos para o sistema ferroviário. Um enorme etc.

 

Justifica o autocrata russo, inteiramente, qualificando-o como medida de defesa nacional, o pacto Ribbentrop-Molotov, bem como de justa a anexação tirânica à URSS da Estônia, Lituânia e Letônia “feita com base contratual com o assentimento das autoridades eleitas”. Afirma em relação às nações do Leste europeu que foram esmagadas por Stalin (Estados satélites): “[A União Soviética e o Exército Vermelho] libertaram Varsóvia, Belgrado, Viena, Praga. [...] E assim a Exército Vermelho começou sua missão de libertação na Europa. Salvou nações inteiras da destruição, da escravidão e do horror do Holocausto”.

 

Enfim, a Rússia de hoje, continuando a mesma política, seria a herdeira reconhecida da União Soviética. E o que propõe ela? De começo, como herdeira, Putin articula nova rodada de negociações, semelhante às conferências de Yalta e Potsdam, que, como aquelas, reconfigurariam o mapa mundial (em especial, certamente, zonas de influência). “Hoje, como em 1945, é importante demonstrar vontade política e discutirmos juntos o futuro. Nossos colegas, Xi Jinping, Macron, Trump e Johnson, apoiam a iniciativa russa de termos uma reunião de líderes dos cinco estados com bombas nucleares, membros permanentes do Conselho de Segurança”. Os temas são os mais esperados, amplos e genéricos ▬ tudo o que é especialmente importante. O Chefe de Estado russo julga fundamental o encontro das cinco potências para dar rumo novo e estável ao mundo inteiro.

 

Acontecerá? Não sei, julgo pouco provável, para não dizer impossível. Trump está em posição fraca nas pesquisas. Poderá ser substituído por Biden. Índia, Japão, Alemanha, Paquistão aceitarão que, como no passado, outros países decidam o futuro deles?  Quem acredita nisso? E Argentina, México, Brasil, Indonésia, Canadá, Austrália? Israel? Os povos muçulmanos? Os árabes? Entre outros, o que pensarão da tal reunião que os coloca, disfarçada mas inequivocamente, em condição análoga à do menor de idade?

 

Tem mais. A Rússia ▬ hoje, tratada como potência inescrupulosa [mais no ponto, país bandido] ▬ não tem autoridade moral para convocar nada. Depois da anexação violenta da Crimeia, foi excluída do G-8. Foi excluída também das competições esportivas internacionais por quatro anos, o que inclui as próximas Olimpíadas. Está sendo acusada de roubar pesquisas sobre a vacina contra o coronavirus. Enfiou o nariz nas últimas eleições presidenciais nos Estados Unidos. Paro por aqui.

 

Em suma, por todo o visto, parece improvável que os grandes de 1945 (e a China) se reúnam só entre eles e se julguem com poderes para decidir o destino do mundo. Contudo, é preciso ter sempre em vista a proposta de Putin, reiteração do desejo de estabelecer uma espécie de “pax romana” estável e permanente pela divisão do mundo em áreas de influência, como se deu em Yalta. É proposta perigosa, com consequência quiçá mortais; poderá voltar com outros atavios.

 

Entrementes, o governo russo continua expansionista: lembro apenas, apoia movimentos nacionalistas, as ditaduras venezuelana, síria e cubana. Objetivo sempre presente: minar o poder dos Estados Unidos. Em resumo, em sua política Putin se descreve como autêntico continuador de Stalin. E aqui concordamos com ele.

 

 

 

 

 

 

 

PÉRICLES CAPANEMA - é engenheiro civil, UFMG, turma de 1970, autor do livro “Horizontes de Minas"

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:32
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JORGE VICENTE - VINDIMAS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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JORGE VICENTE    -   Fribourgo, Suiça



publicado por Luso-brasileiro às 11:25
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FELIPE AQUINO - SETEMBRO, O MÊS DA BÍBLIA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quão saborosas são para mim vossas palavras, mais doces que o mel à minha boca” (Sl 118, 103).

“Vossa palavra é um facho que ilumina meus passos. E uma luz em meu caminho” (Sl 118, 105).

A Igreja no Brasil dedica todo o Mês de Setembro a Bíblia. Sem dúvida é uma iniciativa muito salutar. A motivação provém do fato da Igreja celebrar no dia 30 de setembro a memória do grande santo e doutor da Igreja, São Jerônimo, que a pedido do Papa Dâmaso (366-384) preparou uma excelente tradução da Bíblia em latim, a partir do hebraico e do grego; a chamada Vulgata. Foi um trabalho gigantesco que demandou cerca de 35 anos nas grutas de Belém, onde ele realizava esse ofício, vivendo uma austera vida de oração e penitência. São Jerônimo dizia que quem não conhece os Evangelhos não conhece Jesus.

São Jerônimo (347-420), chamado de “Doutor Bíblico”, nasceu na Dalmácia e educou-se em Roma; é o mais erudito dos Padres da Igreja latina; sabia o grego, latim e hebraico. Viveu alguns anos na Palestina como eremita. Em 379, foi ordenado sacerdote pelo bispo Paulino de Antioquia; foi ouvinte de São Gregório Nazianzeno e amigo de São Gregório de Nissa. De 382 a 385 foi secretário do Papa São Dâmaso. Pregava o ideal de santidade entre as mulheres da nobreza romana (Marcela, Paula e Eustochium) e combatia os maus costumes do clero. Na figura de São Jerônimo destacam-se a austeridade, o temperamento forte, o amor a Igreja e à Sé de Pedro.

Conhecer a Palavra de Deus é fundamental para todo cristão. A Carta aos hebreus diz que “a Palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes, e atinge até à divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração” (Hb 4,12).

Jesus conhecia profundamente a Bíblia e a citava. Isso é o suficiente para que todos nós façamos o mesmo. Na tentação do deserto ele venceu o demônio lançando em seu rosto, por três vezes, a santa Palavra. Quando o tentador pediu que Ele transformasse as pedras em pães, para provar Sua filiação divina, Jesus lhe disse: “O homem não vive só de pão, mas de tudo o que sai da boca do Senhor” (Dt 8,3c).

Quando o tentador exigiu que Ele se jogasse do alto do templo, Jesus respondeu: “Não tentarás o Senhor; vosso Deus” (Dt 6,16a). E quando Satanás tentou fazer com que Ele o adorasse, ouviu mais uma vez a Palavra de Deus: “Adorarás o Senhor, teu Deus, e só a ele servirás” (Dt 6,13).

O demônio não tem força diante da Palavra de Deus lançada em seu rosto; por isso, cada um de nós precisa conhecer o poder dela. Jesus morreu rezando todo o Salmo 21: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (Sl 21,2).

É preciso ler e estudar a Bíblia regularmente, todos os dias; aquecer a alma com um trecho dela; e saber usá-la nos momentos de dor, dúvida, angústia, medo, etc. Abra a Palavra, deixe Deus falar a seu coração. E fale com Deus; é a maneira mais fácil de rezar.

 

 

Leia também: Os livros da Bíblia

Interpretar a Bíblia ao pé da letra?

Como ler e entender a Bíblia?

A Igreja Católica e a Bíblia

Como ler a Bíblia?

 

 

 

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O Espírito Santo nos ensina essa verdade, pela boca do profeta Isaías; cuja boca tornou “semelhante a uma espada afiada” (Is 49,2):

“Tal como a chuva e a neve caem do céu e para lá não voltam sem ter regado a terra, sem a ter fecundado, e feito germinar as plantas, sem dar o grão a semear e o pão a comer, assim acontece à palavra que minha boca profere: não volta sem ter produzido seu efeito, sem ter executado a minha vontade e cumprido a sua missão” (Is 55,10).

A palavra de Deus é transformadora, santificante. São Paulo explica isso a seu jovem discípulo Timóteo, com toda convicção:

“Toda a Escritura é inspirada por Deus, e útil para ensinar, para persuadir, para corrigir e formar na justiça” (2Tm 3,16).

Ela é, portanto um instrumento indispensável para a nossa santificação. Não conseguiremos ter “os mesmos sentimentos de Cristo” (Fil 2,5) sem ouvir, ler, meditar, estudar e conhecer a sua santa palavra. São Jerônimo, dizia que “quem não conhece o Evangelho não conhece Jesus Cristo”.

Jesus nos ensina que “a Escritura não pode ser desprezada” (Jo 10,34). São Paulo recomendava a Timóteo: “aplica-te à leitura da Palavra” (1Tm 4,13). Ela não é palavra humana, mas “palavra de Deus…! Que age eficazmente em vós” (1Ts 2,13).

Jesus é a própria Palavra de Deus, o Verbo de Deus que se fez carne (Jo 1,1s). No livro do Apocalipse São João viu o Filho do homem… “e de sua boca saia uma espada afiada, de dois gumes” (Ap 1,16). É o símbolo tradicional da irresistível penetração da palavra de Deus.

São Pedro diz que renascemos pela força dessa palavra.

“Pois haveis renascidos, não duma semente corruptível, mas pela Palavra de Deus, semente incorruptível, viva e eterna” (1 Pd 1,23) e, como disse o profeta Isaías: “a palavra do Senhor permanece eternamente” (Is 11,6-8).

Quando avisaram a Jesus que a Sua mãe e os seus irmãos queriam vê-lo, o Senhor disse: “Minha mãe e meus irmãos são estes que ouvem a palavra de Deus e a observam” (Lc 8,21). “Antes bem-aventurados aqueles que ouvem a palavra de Deus e a observam!” (Lc 11,28).

Pela boca do profeta Amós, o Espírito Santo disse: “Eis que vem os dias… em que enviarei fome sobre a terra, não uma fome de pão, nem uma sede de água, mas fome e sede de ouvir a palavra do Senhor” (Am 8,11). Graças a Deus esses dias chegaram!

Quando Jesus explicava as Escrituras para os discípulos de Emaús, eles sentiam “que se lhes abrasava os corações” (Lc 24,32). Todos os santos, sem exceção, mergulharam fundo as suas vidas nas santas Escrituras e deixaram-se guiar pelos ensinamento da Igreja.

São Pedro disse: “Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal. Porque jamais uma profecia foi proferida por efeito de uma vontade humana. Homens inspirados pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus” (2 Pd 1,20-21).

É preciso estudar a Bíblia, fazer um curso bíblico, porque nem sempre sua leitura é fácil de ser compreendida. Ela não é um livro de ciência, mas, sim, de fé. Utilizando os mais diversos gêneros literários, ela narra acontecimentos da vida de um povo guiado por Deus, desde quatro mil anos atrás, atravessando os mais variados contextos sociais, políticos, econômicos, etc. Por isso, a Palavra de Deus não pode sempre ser tomada ao “pé da letra”, ou seja, literalmente, embora muitas vezes o deva ser. “Porque a letra mata, mas o Espírito vivifica” (2 Cor 3,6c).

 

 

 

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Assista também: Setembro: Mês da Bíblia

 

 

É por isso, que Jesus confiou sua interpretação a Igreja Católica, que a faz através do Sagrado Magistério, dirigido pela cátedra de Pedro (o Papa), e da Sagrada Tradição Apostólica, que constitui o acervo sagrado de todo o passado da Igreja e de tudo quanto o Espírito Santo lhe revelou no passado e continua fazendo no presente. (cf. Jo 14, 15.25; 16,12-13). A Igreja não erra na interpretação da Bíblia, e isso é dogma de fé. Jesus mesmo lhe garantiu isto: “Quando vier o Paráclito, o Espírito da verdade, ensinar-vos-á toda a verdade” (Jo 16,13a).

A Bíblia interpretada erroneamente pode levar a perdição; é o que diz São Pedro quando fala sobre as Cartas de São Paulo: “É o que ele faz em todas as suas cartas… Nelas há algumas passagens difíceis de entender, cujo sentido os espíritos ignorantes ou pouco fortalecidos deturpam, para a sua própria ruína, como o fazem também com as demais Escrituras” (2Pd 3,16s).

E a Igreja não despreza a ciência; muito pelo contrário, a valoriza tremendamente para iluminar a fé. Em Jerusalém, por exemplo, está a Escola Bíblica que se dedica a estudar exegese, hermenêutica, línguas antigas, geologia, história antiga, paleontologia, arqueologia, e tantas outras ciências, a fim de que cada palavra, cada versículo e cada texto da Bíblia para interpretar corretamente a Revelação de Deus.

 

 

 

 

 

 

FELIPE AQUINO   -      é viuvo, pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br Twitter: @pfelipeaquino

 



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PAULO R. LABEGALINI - HOJE, JESUS SERIA CONDENADO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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É muito estranho alguém acreditar em horóscopo e não usar de água benta, por exemplo, para se proteger. Bem, logicamente, quem pensa o contrário, também não dá nenhum valor à água benta por um sacerdote e continua preso a superstições. Mas, se os padres são os legítimos representantes de Jesus na Terra, podemos concluir que, se Ele voltasse, seria novamente condenado à morte?

Infelizmente, se não usasse de proteção Divina, acredito que sim, porque a maior parte do nosso povo perdeu o respeito por quase tudo o que é sagrado e prefere buscar alternativas pagãs para sobreviver. Muitos, só na hora do desespero recorrem a Deus, mas sem amá-lo e – pior! – sem conhecê-lo. Ninguém pode amar a quem não conhece e, quem não ama o irmão sofrido que vê, como vai amar a Deus que não vê?

Bem, dê uma pausa nesta reflexão e leia a história:

Um ateu estava passeando num bosque, olhando tudo o que ‘acidentalmente a evolução havia criado’, e pensava admirado: ‘Mas que árvores majestosas! Que belos animais!’. Caminhando, ouviu um ruído nos arbustos atrás de si. Virou-se e avistou um corpulento urso pardo vindo em sua direção. Disparou, então, a correr o mais rápido que podia, mas, olhando por cima do ombro, reparou que o urso estava demasiadamente próximo.

Tentou imprimir maior velocidade, quando tropeçou e caiu num enorme buraco. Rapidamente levantou-se, só que o urso já estava acima dele, procurando atingi-lo ferozmente com a pata. Nesse momento, o ateu deixou escapar: ‘Oh, meu Deus!’

Repentinamente, o tempo parou, o urso ficou sem reação e até as águas do rio deixaram de correr. À medida que uma luz brilhava, a voz vinda do céu dizia: ‘Tu negaste a minha existência durante todos esses anos, ensinaste a outros que eu não existia e reduziste a criação a um acidente cósmico. Agora, esperas que eu te ajude a sair desse apuro? Devo esperar que tenhas fé em mim?’.

O ateu olhou para a Luz e disse: ‘Seria hipócrita da minha parte pedir que, de repente, me passes a tratar como um cristão, mas, talvez, possas tornar o urso um cristão?!’ Disse-lhe novamente a voz: ‘Muito bem, vou atendê-lo.’ Foi quando o rio voltou a correr e os sons da floresta recomeçaram. Então, o urso recolheu as patas, fez uma pausa, abaixou a cabeça e falou: ‘Senhor, agradeço profundamente por este alimento que agora vou comer.’ Nhoc!

Aconselho a quem não deseja passar por algo parecido, sempre se lembrar que o capítulo 2 do livro do Eclesiástico ensina que Deus conduz a vida do ser humano conforme a entrega e retidão do seu coração. Reflita, agora, um pouco nestas Palavras: “Mantém o teu coração firme e sê constante, inclina teu ouvido e acolhe as palavras de inteligência, e não te assustes no momento da contrariedade... suporta as demoras de Deus... tudo o que te acontecer, aceita-o... crê em Deus e ele cuidará de ti... confia nele e a recompensa não te faltará... vós, que temeis o Senhor, esperais coisas boas: alegria duradoura e misericórdia... quem permaneceu nos seus mandamentos e foi abandonado?”.

Parece simples afirmar que acreditamos fervorosamente nas promessas do Antigo Testamento, mas até que ponto? Será que resistiríamos a uma grande tribulação de dor com dignidade cristã? Antes da certeza na resposta, não devemos esquecer que no capítulo 9 do Evangelho de São Marcos, os discípulos não conseguiram expulsar os demônios por falta de oração! E, ainda, todos os que seguiam Jesus, deixaram-no praticamente sozinho no Calvário – por temerem morrer com Ele na cruz.

Pois é, se até os doze apóstolos decepcionaram Nosso Senhor em tantas oportunidades, não é tão trivial dizermos que somos muito mais fiéis aos ensinamentos Divinos, afinal, eles largaram tudo para se dedicarem exclusivamente à Verdade e, mesmo assim... Mas, talvez, o mais importante hoje não seja este tipo de comparação.

Voltando ao livro do Eclesiástico, não é difícil concluir que só iremos ter paciência nas provações e plena confiança na misericórdia do Pai, quando colocarmos diariamente em prática os dons que recebemos no batismo: fé, esperança e caridade. Rezando sempre para crescer na fé, estudando a Palavra de Deus para não perder a esperança de salvação, e ajudando o irmão necessitado, estaremos plantando mais amor em nossos corações.

E para quem só pensa em trabalho quando terminar a pandemia, quero contar a história do barqueiro que atravessava um viajante à outra margem do rio e remava com as inscrições ‘oração’ e ‘trabalho’, uma em cada remo. Olhando as duas palavras, o homem de negócios disse ao barqueiro: ‘Você ainda está nessa de rezar? O mundo precisa de pessoas com vontade de trabalhar, homem!’ Então, propositalmente, o remo da ‘oração’ deixou de ser acionado e o barco começou a rodopiar, sem concluir a travessia.

Portanto, se você não deseja estar entre aqueles que abandonaram Jesus na cruz, olhe para frente e veja o que falta melhorar em sua vida para se aproximar mais de Deus. Dar a primeira remada, só depende de você!

 

 

 

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor Doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre.‘Autor do livro ‘Mensagens Infantis Educativas’ – Editora Cleofas.



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HUMBERTO PINHO DA SILVA - DOIS MAESTROS. DUAS CURIOSIDADES

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Comecemos por Frederico de Freitas, cofundador da célebre Companhia Portuguesa de Bailado: “ Verde Gaio”.

Residia, eu, nos anos sessenta, na bonita cidade de Bragança, quando tive o privilégio de assistir a excelente exibição da famosa Companhia. Foi uma noite inesquecível! …

Agora, uma curiosidade: Por certo o leitor não sabe, que o nosso Maestro, compôs “O Timpanas”, num simples bilhete de elétrico! …; que foi utilizado no popular filme: “As Lavadeiras de Caneças”.

E também desconhece – penso eu, – que apesar de ser dos maiores maestros portugueses, ao aposentar-se, em 1975, recebeu modestíssima reforma; e ao falecer, a viúva não teve direito a qualquer pensão! … - E já vivíamos em democracia! …

Portugal, sempre foi avaro para os seus artistas. Aliás, para quase todos os cidadãos…

Falemos, agora, de António de Melo (António Luís de Melo,) casado com D. Marta de Melo.

Os leitores, da minha idade, conheceram, por certo, a rubrica da RTP: “O Museu do Cinema”, apresentado pelo cineasta António Lopes Ribeiro (excelente comunicador, e notável intelectual,) acompanhado, ao piano, pelo Maestro António de Melo; mas, desconhecem, certamente, a razão, porque este – que se mantinha sempre calado, – despedia-se com audível: “boa noute”, ajeitando, cuidadosamente, o nó da gravata.

O gesto, era sinal, pré-combinado, para comunicar, à mulher, que estava a pensar nela…

São pormenores, que parecem não ter interesse – e realmente não tem, – mas são curiosidades, desconhecidas do grande público; curiosidades interessantes, que merecem ser recordadas, e registadas.

Por hoje, é tudo.

 

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 10:53
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EUCLIDES CAVACO - PERENE AMOR . Récita e poema de Euclides Cavaco

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Para que o amor seja perene tem que haver temperança. partilho este meu divagar poético sobre este tema,que o talentoso amigo Afonso Brandão ornamentou neste video.
 
 


https://www.youtube.com/watch?v=kIBrLqIRyH0&feature=youtu.be
 
 
 
 
 
 
Desejos dum excelente fim de semana.
 
 
 
 
 

EUCLIDES CAVACO  -   Director da Rádio Voz da Amizade , Canadá.

 

 

 

***

 

 

 

NOTICIAS DA DIOCESE DO PORTO

 

 http://www.diocese-porto.pt/

 

 

NOTICIAS DA DIOCESE DE JUNDIAÍ - SP

 

 

 https://dj.org.br/

 

***

 

 

 

Leitura Recomendada:

 

 

 

 

 

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Jornal católico da cidade do Porto   -    Portugal

 

Opinião   -   Religião   -   Estrangeiro   -   Liturgia   -   Area Metropolitana   -   Igreja em Noticias   -   Nacional

 

 

https://www.jornalaordem.pt/

***

 

HORÁRIOS DAS MISSAS NO BRASIL

 

 

Site com horários de Missa, confissões, telefones e informações de Igrejas Católicas em todo o Brasil. O Portal Horário de Missas é um trabalho colaborativo onde você pode informar dados de sua paróquia, completar informações sobre Igrejas, corrigir horários de Missas e confisões.



https://www.horariodemissa.com.br/#cidade_opco

 

 



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