PAZ - Blogue luso-brasileiro
Sexta-feira, 27 de Novembro de 2020
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - AS MUITAS E IMPORTANTES COMEMORAÇÕES DE DEZEMBRO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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            O mês de dezembro, que se inicia na próxima terça-feira, é constituído por inúmeras datas de suma relevância à ordem social, a destacar a festa natalina, que enfoca a vinda do filho de Deus, como homem, para salvação da humanidade. Com efeito, logo no seu início,  celebra-se o DIA MUNDIAL DE LUTA CONTRA A AIDS, cujas campanhas preventivas não podem se restringir à informações e acesso a preservativos. Diante da atual banalização do sexo, deve-se combater a doença de todas as formas possíveis, mas não se olvidar da questão da preparação e formação, para que o sexo se realize com orientação segura, conhecimento, responsabilidade, embasamento religioso e moral. Efetivamente, a proteção dos valores, sem os quais a sociedade entra em decomposição, é um ato de legítima defesa social. A democracia, sistema que mais genuinamente respeita a dignidade humana, reclama a preservação dessas normas, que se ampliam ainda mais em tempos de pandemia provisória.

         No dia oito de dezembro, comemora-se o DIA INTERNACIONAL DA FAMÍLIA, uma criação da Igreja Mórmon e que objetiva destacar a importância do instituto como núcleo vital da coletividade. A título ilustrativo e de reflexão, cite-se Rui Barbosa:- “A Pátria é a família amplificada. Multiplicai a família e tereis a pátria”. Esta frase, muito significativa do famoso jurista baiano, ainda se constitui numa mensagem extremamente atual para a sociedade brasileira, que enfrenta inúmeros problemas oriundos em grande parte da grave crise pela qual está passando a instituição e pela qual devemos lutar por sua recuperação e permanente estabilidade.

Instituído pela Lei Federal n. 1408 de 1951, o DIA DA JUSTIÇA no Brasil, oito de dezembro, é comemorado com um feriado para os funcionários forenses de todo o País. Além de um distanciamento popular, a expansão do Judiciário está praticamente paralisada e seus funcionários, mal remunerados, enfrentam um carga excessiva de trabalho. E o que é pior, a morosidade no andamento dos feitos e a impunidade provocada por uma série de circunstâncias, agravam sensivelmente esse quadro, principalmente com o trabalho remoto na pandemia. Tanto que inúmeras pesquisas de âmbito nacional indicam uma acentuada descrença no sistema, sendo que a maioria absoluta dos entrevistados o acha lento e até parcial. Desta forma, é preciso uma manifesta vontade política, independentemente dos frutos eleitorais que possam advir desse importante propósito, para aparelhar este Poder constituído, a fim de que sua modernização - em todos os sentidos - possa dinamizá-lo, recuperando o seu prestígio como instituição e fazendo com que a Justiça e a verdade prevaleçam e que a lei seja o idioma comum a todos os brasileiros.

Comemora-se a dez de dezembro o 72.o aniversário da DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS, elaborado com a finalidade de garantir os anseios de cada pessoa e preservar a paz entre os povos. Ele foi aprovado pelas principais nações da Terra que integram a Organização das Nações Unidas nessa data em 1948, servindo como base às leis de cada país. O documento é constituído de trinta artigos que garantem a todos os indivíduos, independentemente de raça, credo e cor, as suas liberdades fundamentais como ser humano livre. O DIA DOS DIREITOS HUMANOS, celebrado na ocasião, leva-nos a refletir sobre a questão, cuja extensão, nem sempre é entendida. Falar em direitos humanos significa tratar de um conjunto de diretrizes que beneficiam a totalidade dos indivíduos, sem distinções. Defendê-los é lutar pelo direito que os cidadãos têm a uma vida digna, inclusive à própria segurança. Em nosso país, onde parte significativa da população não tem assegurado nem mesmo o direito ao trabalho, é imprescindível manter acesa esta idéia. Ela é a luz que pode guiar os brasileiros no caminho à construção de uma sociedade justa, com igualdade de oportunidade para todos.

        

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor da Faculdade de Direito do Centro Universitário Padre Anchieta de Jundiaí. Ex-presidente das Academias Jundiaienses de Letras e de Letras Jurídicas (martinelliadv@hotmail.com)

        

 



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ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - COMO SE ORIGINARAM AS SOCIEDADES E AS FORMAS DE GOVERNO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Historicamente, as sociedades têm sua origem na família. A sociedade familiar, ou doméstica (de domus, casa) é a primeira das sociedades. Repugna ao homem viver isolado, pois tem instinto de sociabilidade e necessita de seus semelhantes. E também é contrário a sua natureza viver solto e perdido numa multidão informe, à maneira de grão de areia num deserto. O homem situa-se primeiramente numa família, e é a família (e não o indivíduo) que constitui a célula da sociedade maior.

A família - nos tempos primitivos como em todos os tempos - não é apenas um conjunto de indivíduos portadores do mesmo sangue, existente num determinado momento. Organismo vivo, a família deve ser vista projetada no tempo. Em outros termos, os membros vivos de uma família, num determinado momento, são o elo de ligação entre os seus ancestrais e os seus futuros descendentes. A noção de tradição está, assim, intimamente ligada à de família, qualquer que seja o nível social desta.

A partir da sociedade doméstica e em virtude da natural ampliação e desdobramento desta, constituíram-se sociedades maiores, ainda sem as proporções de um Estado ou comunidade política propriamente dita, mas já tendo algumas características desta. São as chamadas tribos. Designamos genericamente por tribo o estágio intermediário entre a família e a sociedade política, sem entrar na especificação das variadas formas que, nos diversos povos, se verificaram, e às quais corresponderam designações diferentes: clã, gens, fratria, cúria etc.

Nas tribos, a partir de um ancestral comum, o tronco principal ia deitando galhos e ramos, multiplicando-se os descendentes do primeiro. Aos poucos, agregavam-se pessoas de outras procedências e pelo casamento, ou por vínculos de servidão, passavam a fazer parte daquela tribo. À medida que esta aumentava, o elemento consanguinidade, antes exclusivo, ia-se tornando menos marcante, até diluir-se de todo. A autoridade na tribo, enquanto era vivo o fundador, por direito natural cabia ao patriarca (etimologicamente, pai que governa). Com a morte deste, um filho, geralmente o primogênito, assumia o comando, e assim por diante. O patriarca corresponde ao estágio intermediário entre o pai e o rei: do pai saiu o patriarca e do patriarca o rei.

Na Sagrada Escritura fica muito clara essa passagem do patriarcado para a soberania. Quando Abrão, com 318 de seus servos, combateu os reis que haviam pilhado as cidades de Sodoma e Gomorra, havia nele algo de um patriarca que já começava a agir como rei: ele era o chefe militar da sua grei, ele fez alianças com outros chefes - era a diplomacia que tinha início -, agiu como vencedor e dispôs soberanamente dos bens conquistados aos adversários. Mais tarde, o mesmo Abrão, já com seu nome mudado por Deus para Abraão, contraiu com Abimelec uma aliança que constituía um verdadeiro tratado entre soberanos, fixando bases jurídicas para o relacionamento dos dois reinos - era o Direito das Gentes que começava a se firmar (Gen., caps. 14-21). De Abraão a autoridade passou para seu filho Isaac, que sucedeu naturalmente ao pai. Já na sucessão seguinte, quando Isaac moribundo abençoou a seu filho Jacó, havia na bênção, claramente, uma transmissão de autoridade soberana: "Deus te dê do orvalho do céu e da fertilidade da terra, e abundância de trigo e de vinho. Os povos te sirvam e as tribos te reverenciem. Sê o senhor de teus irmãos, e que os filhos de tua mãe se inclinem diante de ti; aquele que te amaldiçoar seja ele próprio maldito, e aquele que te abençoar seja cumulado de bênçãos" (Gen., 27,28-29) Mais clara ainda fica a passagem do patriarcado para a soberania, entre a descendência de Jacó, no Egito (Gen., caps. 28-50

Foi pelo natural crescimento e desdobramento das tribos que se originaram as sociedades políticas maiores. Quando os laços de consanguinidade, ou pelo menos a noção clara da existência desses laços, se esvaem, o relacionamento entre os chefes e os subordinados já não se faz à maneira familiar de origem - em que o pai tudo pode e tudo manda e em que também o que é do pai pertence aos filhos - mas começa a se constituir organicamente uma vinculação jurídica nova, num equilíbrio de direitos e deveres, em que o soberano cuida do bem comum daquela sociedade, protege-a contra os adversários, e recebe dela a obediência, o serviço e as honras que lhe competem. Essa é a evolução natural da família para as monarquias primitivas. O governo monárquico nasceu, pois, com a própria natureza, diretamente derivado da primeira das autoridades, que é a paterna, na primeira das sociedades, que é a familiar.

Assim se formaram geralmente as sociedades. Mas não era o único modo. As comunidades primitivas não viviam inteiramente isoladas. Relacionavam-se umas com as outras, o que possibilitava a interpenetração delas. Por vezes, acontecia de, por razões de ordem diversa, se unirem ou se federarem várias famílias ou tribos numa comunidade política maior. Os chefes dessas parcelas conservavam sua autoridade no que dizia respeito às respectivas greis, e decidiam entre si, em bases paritárias, o que dizia respeito ao interesse comum. Eram as aristocracias que se formavam, por vezes sob a forma de conselho de anciãos. Ao cabo de algum tempo, podia acontecer de esses chefes escolherem um deles como seu principal: constituía-se assim uma monarquia, temperada de elementos aristocráticos. Ou podiam estabilizar-se, à maneira de uma república aristocrática. As sociedades políticas eram, originariamente, monárquicas ou aristocráticas. Só mais tarde apareceram as primeiras democracias.

Em sociedades tornadas muito numerosas, era natural que o desejo de expansão levasse alguns indivíduos a procurarem novas terras, a constituírem colônias em áreas que desbravavam. Tudo isso de acordo com o preceito divino "Crescei e multiplicai-vos, enchei toda a terra" (Gen., 1,28). Nessas sociedades novas, os colonizadores, por assim dizer emancipados dos respectivos vínculos patriarcais ou políticos, viam-se em pé de igualdade: corriam os mesmos riscos, faziam o mesmo trabalho, gozavam das mesmas condições para enriquecer e progredir. Sendo ainda pouco numerosos, era normal que se reunissem todos para decidirem em comum o que interessava ao bem daquela comunidade. Era uma democracia que, naturalmente, constituíam.

Essas democracias novas, com o crescimento numérico e com a normal diversificação das condições de seus membros, tendiam a evoluir para aristocracias ou monarquias. Nos tempos primitivos, as democracias propriamente ditas eram geralmente estágios intermediários na evolução dos povos. Quando tendiam a se prolongar indefinidamente, o mais das vezes já não eram democracias puras, eram regimes formalmente democráticos, porém na realidade, aristocráticos ou oligárquicos.

 

 

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS  -  é licenciado em História e em Filosofia, doutor na área de Filosofia e Letras, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Portuguesa da História.

 

 

 



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CINTHYA NUNES - HÁ ALGO DE PODRE NO REINO DO CARREFOUR

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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            Pensei muitas vezes antes de me decidir sobre se escreveria ou não sobre esse assunto, mas acabei cedendo à vozinha que, dentro de mim, falou mais alto. Enfim, penso ser importante ao menos uma reflexão sobre alguns acontecimentos envolvendo a rede de supermercados Carrefour.

            Em uma rápida pesquisa pela internet foi possível identificar pelo menos oito tristes episódios envolvendo a empresa. A título de exemplo, vou focar minhas considerações nos três casos mais recentes.

            Em dezembro de 2018 um segurança que prestava serviços em uma das lojas, na cidade de Osasco-SP, assassinou de modo cruel a cadela Manchinha, vira-lata dócil que vinha sendo alimentada como animal comunitário e que não fazia mal a ninguém. O episódio gerou comoção nacional e até protestos contra a empresa. Violência imperdoável. A imbecilidade e crueldade de quem perpetrou esse ato não encontram qualquer justificativa.

            Em agosto desse ano, o promotor de vendas Moisés Santos, que trabalhava em uma das unidades em Recife, faleceu durante o expediente. Sem qualquer demonstração de respeito, solidariedade ou empatia, a loja prosseguiu aberta, optando por ocultar o corpo das vistas dos clientes, com a colocação de um guarda-sol. A vida de quem trabalhava também em prol da empresa nitidamente não vale nada e foi tratada, ao menos publicamente, como um mero inconveniente.

            Entre outros problemas que a empresa vem “enfrentando” nos últimos anos, o ápice aparentemente foi atingido quando, nesse mês de novembro, um homem, João Alberto Silveira Freitas, foi espancado até a morte, sob pretexto de ser contido pelos seguranças na filial de Porto Alegre-RS. Nesse caso em especial muitas outras questões estão envolvidas e novamente o Carrefour se colocou no centro das piores atenções.

            Primeiramente que a única situação que poderia justificar uma morte seria o uso da legítima defesa, o que, ao que consta do noticiado, não se aplica. Descartada essa possibilidade, resta registrar que não é dado nem ao Estado retirar a vida de alguém, considerando a inexistência de pena de morte no país, muito menos pelo absurdo da alegação de contenção. Ainda que o homem estivesse cometendo algum crime, somente seria legítima a oposição equivalente, com a consequente chamada da Polícia.

            O caso veio à tona e se tornou mote de muitas manifestações e protestos, notadamente porque a vítima era negra. Intimamente eu me perguntei se a atuação dos seguranças teria sido outra se a pessoa fosse branca e concluo que talvez, mas não tenho a menor dúvida de que se fosse alguém que aparentasse uma classe social mais alta, por certo os seguranças e fiscais agiriam diferente. Não estou negando que exista preconceito quanto à cor da pele, por mais que isso me pareça abominável, mas ninguém colocaria as mãos em uma pessoa rica, muito menos nesse nível.

            Após incidente muito se falou sobre a vítima. Até uma suposta ficha de antecedentes foi transmitida. Ainda que seja verdade, uma coisa não se relaciona com a outra. O funcionário do Carrefour não é juiz e muito menos carrasco. A questão, ao menos para mim, é outra. Somente discordo da tendência brasileira de transformar algumas pessoas em mártires, mas isso é assunto para outro texto.

            Pessoas dos mais altos escalões da empresa vieram a público apresentar desculpas, mas estou certa de que não convenceram ninguém. Palavras nada são sem atitudes e algo está muito errado com o Carrefour. Talvez sejam as políticas institucionais que não se amoldam aos ideais de igualdade, liberdade e fraternidade, não sei. Seria a porca economia cada vez mais em moda no empresariado de que as metas financeiras se sobrepõem a qualquer valor humano, levando, entre outras coisas, à contratação de mão de obra pouco qualificada?

            Acredito que a empresa precise reavaliar muitas coisas. Talvez em outro país isso desse margem para o fechamento das lojas, não sei. Aqui, infelizmente, acredito que somente os responsáveis diretos irão ser penalizados e nada mais. Vidas negras, brancas, animais ou humanas, todas importam e não podemos aceitar atitudes como essas como se fossem apenas pequenos incidentes.

            Sinto pelas milhares de pessoas que trabalham nas lojas do Carrefour e que realizam seu trabalho com dignidade, mas meros e vazios discursos de CEOs e CFOs ou que sigla usem, não deveriam bastar para calar as nossas bocas.

 

 

 

 

 

CINTHYA NUNES é jornalista, advogada e se revolta com o descaso pela vida, seja ela qual for – cinthyanvs@gmail.com



publicado por Luso-brasileiro às 14:50
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - TRISTE SINA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Os pais da menininha de dois meses voltaram para as drogas. Foram nove meses da mãe, o companheiro e a bebê –nas entranhas maternas – no consumo. Um mês e pouco na abstinência por ficarem zonzos com a beleza da criança, o choro, o cabelo pouco enfeitado com laço...  De repente, veio uma necessidade imensa de vagar pelas ruas de biqueira em biqueira. Foram. Deixaram a criança em lugar da aposentadoria da avó. Não foi dado parte. Houve diferentes acontecimentos em que os dois se misturaram à neblina e se perderam na madrugada. Um dia regressam. A bebê toma o leite que é possível com o valor financeiro da casa. As fraldas rarearam e as roupinhas quase não servem mais.
A avó era mais velha ao seu chão ruir. Encontrava-se com seis anos. Aprendeu pequena ainda a buscar, no tempo de fome, o que sobrava dos restaurantes e das casas envidraçadas. Alguns adolescentes, da época, criados na fartura de bens e na pobreza de caráter, aproveitaram para exercitar nela a sua “masculinidade”. Sem proteção, assimilou que as pessoas, de acordo com a sua classe social, possuíam um tipo de corpo e o seu era para uso. Com os filhos, fez de tudo para resguardá-los, contudo não é fácil aos que se conservam na miséria que lhes foi imposta. As moradias com seus cômodos apertados, sem quintal com laranjeiras e vista para o céu, em meio ao odor da embriaguez, desestruturam por dentro. O raciocínio misturado com a desnutrição, a escola que propõe aprendizagem em número e letras e o aluno, às vezes na mais tenra idade, que busca paz em casa e colo no entorno. Difícil se equilibrar em meio a gritos, violência, palavras obscenas, garrafa de bebida quebrada... Complicado atravessar, para a sobrevivência, a ponte de corda esfarelada que dá no outro lado... E o que existe do outro lado para quem vem das margens?
Ignoram o retorno dos pais da menininha. O celular, que possuíam, “fumaram”. A avó aguarda sem notificar a Justiça. Informar as autoridades pode condenar a filha e ela, por sua história, se sente culpada pelos descaminhos da moça. Não percebe que fora derrubada pela pobreza e omissão dos que poderiam fazer algo. Infortúnio da avó, infortúnio da mãe... Tragédias contagiosas porque os olhares são indiferentes e as leis, sem quem as acompanhe e cuide, não passam de epitáfios. Triste sina dos desamparados. Peçamos a Deus por eles.

 

 

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil



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ANTÓNIO FRANCISCO GONÇALVES SIMÕES - 24– AS DOZE VIRTUDES CAPITAIS DOS SÉCULO XX1 - 2ª. Série - 1. A DIGNIDADE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dignidade é a qualidade de quem é digno, ou seja,  de quem é honrado, exemplar, que procede com decência, com honestidade. É um substantivo feminino, que vem do latim “dignitate”, que significa honradez, virtude, consideração.

 

A dignidade de um indivíduo representa a sua “integridade moral”  e um ataque a essa  dignidade é caracterizado como “danos morais” e  se na justiça é provado o contrário é cabível uma reparação do acusador. O indivíduo que incita, que afronta ou ataca a dignidade do outro é denominado “ultrajante”.

 

Dignidade é também uma qualidade moral que inspira respeito e consciência de si mesmo, é o amor-próprio, o brio, porém, quando esse amor.próprio torna-se exagerado esse sentimento é transformado em “orgulho”, em soberba.

 

O indivíduo que infringe qualquer padrão  de  dignidade, que faz trapaças, que é manipulador, que causa dolo, que pratica acções fraudulentas  é  enquadrado como um indigno, cretino e desprezível.

 

Dignidade, no sentido jurídico, entende-se como a  distinção ou honraria conferida a uma pessoa elevada, com cargo ou título de  alta graduação.

 

No Direito Canónico, dignidade é uma indicação de um cargo eclesiástico.

 

Dignidade segundo Kant. Para o Filósofo alemão Immanuel Kant, a dignidade é o valor de que se reveste tudo aquilo que não tem preço, ou seja, que não é passível de ser substituído por um equivalente. Desta forma, a dignidade é uma qualidade inerente aos seres humanos enquanto entes morais e éticos. A dignidade é totalmente inseparável da autonomia para o exercício da razão prática, é por isso motivo que apenas os seres humanos  se revestem de dignidade.

 

A dignidade da pessoa humana. A grandeza do homem e da mulher consiste, precisamente, em ser imagem de Deus e a “razão mais alta da dignidade humana consiste na vocação do homem e da mulher à união dom Deus” Existe  pura e simplesmente pelo amor de Deus que o criou e pelo amor de Deus que o conserva.

E só se pode dizer que vive na plenitude da verdade quando reconhece livremente esse amor e se confia por inteiro a seu Criador. Acertava Kirkegaard quando dizia que o homem é animal com sede de Deus.

 

A perda  da dignidade. O pecado sempre implica um detrimento, um prejuízo na pessoa que o executa: “o pecado não fere(non nocet) senão à pessoa que o comete”, escreve Tomás de Aquino. Este decair do que é, este detrimento envolve um detrimento da ordem racional, e suporta a perda da dignidade humana: “o homem – diz São Tomás de Aquino- ao pecar cai da ordem racional e portanto decai(decidit) da dignidade humana, enquanto que o homem que é naturalmente livre e independente, precipita-se na escravidão dos animais.  Tanto a liberdade quanto a dignidade humana têm seu fundamento e raiz na racionalidade. De algum modo(b«não só metafórico) i pecado é uma  queda desta prerrogativa do homem e da mulher. E mais. O verbo utilizado pelo Aquinate, “recedere” é o mesmo utilizado para significar o acto de depor as armas “recedere  ab armis”, ou “tirar a toalha”, como diriam os entendidos do boxe; o pecador sempre é um vencido, um derrotado.

Jesus Cristo e a dignidade do homem e da mulher. Há um texto muito famoso do Concílio Vaticano II que o Papa João Paulo II sempre citava: “O mistério do homem só se esclarece no mistério do Verbo Encarnado”… Cristo…manifesta plenamente o homem ao próprio homem. Por quê? Porque Cristo é o “homem perfeito que devolveu à descendência de Adão a semelhança divina, deformada pelo  primeiro pecado. Nele a natureza humana assumida, não absorvida, foi elevada também em nós a dignidade sem igual”.  Cristo é o Homem Novo  por excelência ou (como se diz em grego : kainos ánthropos) Ef. 2,15.

 

A restituição da dignidade . Por Jesus Cristo o homem e e mulher recuperam a dignidade perdida. Mas, através de que meio Jesus Cristo o reintegra em sua antiga dignidade? Pela penitência, diziam os antigos  Padres da Igreja e o repetiram os grandes

 Teólogos; a Penitência Sacramental( a confissão) e a penitência ascética(o sofrimento, o arrependimento e a  mudança de vida). Por quê?    Porque a penitência restitui ao homem e à mulher, junto com a graça, todas as virtudes e não é só isso, mas também pode voltá-lo, em certo modo, à sua primitiva honra  ou dignidade.

Assim diz São Tomás: “O homem perde pelo pecado…uma dupla dignidade a respeito de Deus:

Uma, que é a principal, é aquela  pela qual é contado entre os filhos de Deus pela graça. Esta dignidade é recuperada pela  penitência, como aconteceu   na história do filho pródigo.

A outra   é a inocência.. Esta dignidade  o penitente  não pode recuperá-la. A este respeito diz S- Gregório Magno:  os que  consideram haver-se afastados de Deus tratam  de  recompensar os  danos anteriores com os lucros seguintes… Pois também o general no  combate ama mais o soldado que tendo fugido volta outra vez e combate com coragem ao inimigo, do que ao soldado que nunca fugiu mas jamais combateu com valor”.A todos nós se podem dirigir aquelas palavras de São Leão Magno: “Cristão, reconhece a tua dignidade? Posto que agora participas da natureza  divina, não te degeneres voltando para a baixeza da tua vida passada. Recorda a que Cabeça pertences e de Corpo és membro, Lembra-te  de que foste arrancado do poder das trevas para ser transladado para a luz do Reino de Deus!.

 

A dignidade  a Bíblia.

“Ruben, tu és meu primogénito, minha força e as primícias do meu vigor, preeminente em dignidade e preeminete em poder”. Génesis 49, 3

“Aumentarás a minha  dignidade e, uma vez mais, me  abençoarás com a tua presença

  confortante”.Salmos 71,21.

“Recomendo.pois, antes de tudo, que se façam preces, orações, súplicas, e acções de graças por todos os homens, pelos reis e por todos os que estão constituídos em autoridade, a fim de que levemos uma vida serena  e tranquila, com toda a piedade e dignidade”. 1Timóteo 2,1-2.

 

(Continua)

 

 

ANTÓNIO FRANCISCO GONÇALVES SIMÕES   -   Sacerdote Católico. Coronel Capelão das Frorças Armadas Portuguesas. Funchal, Madeira.  -    Email   goncalves.simoes@sapo.pt

 

 

 

 

Acaba de sair o novo livro de António Francisco Gonçalves Simões,colaborador deste blogue.   -  Coronel Capelão da Forças Armadas Portuguesas

 

 

 

 

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Pedidos à Livraria Paulinas

 



publicado por Luso-brasileiro às 14:30
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ALEXANDRE ZABOT - KEPLER, GALILEU E NEWTON: CIENTISTAS DE FÉ - Entrevista Com o Frof. Dr. Alexandre Zabot

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Alexandre Zabot

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A história da ciência é completamente permeada por personagens de profunda fé cristã. Muitos deles eram católicos leigos ou do clero. Muitos outros ainda, cristãos protestantes ou de alguma outra vertente do cristianismo. De todos estes, três cientistas se destacam com facilidade: Kepler, Galileu e Newton. Os três têm muito em comum. Juntos são identificados com unanimidade como pais da astronomia moderna (um termo melhor é astrofísica) e da física, pois lançaram as bases da óptica e da mecânica, além de darem contribuições fundamentais para o heliocentrismo. Mas eles também tiveram em comum uma vida marcada pela fé em Cristo. Kepler era luterano, Galileu católico e Newton um “cristão” anti-trinitarista. A religião marcou a vida de todos eles, embora cada um a seu modo.

Os três viveram em épocas próximas. Kepler nasceu em 1571 e faleceu em 1630, foi contemporâneo de Galileu, que nasceu em 1564 e faleceu em 1642. Newton é de outra geração, nasceu em 1643 e viveu até 1727. Todos eram europeus: Kepler era alemão, Galileu italiano e Newton inglês. Viveram em um período muito interessante, no qual a ciência como entendemos hoje começou a surgir. E é curioso ver neles, lado a lado, comportamentos que consideramos opostos. Kepler foi um dos últimos astrônomos astrólogos e, acima de tudo, um místico. Newton foi um grande alquimista.

Todos fizeram muitas descobertas e não é possível, nem necessário, descrever todas elas aqui. Entretanto, de um modo bastante simplificado podemos dizer que Kepler foi responsável por estabelecer um modelo robusto para os movimentos celestes com suas três leis que descrevem o movimento planetário. Galileu lançou as bases para o desenvolvimento da astronomia através do uso de telescópios e, mais importante, foi o pai do princípio da inércia. Princípio este que Newton utilizou para compor suas três leis da mecânica e unificar a física terrestre com a física celeste. As leis de Newton, com as contribuições de Galileu, explicam as leis empíricas de Kepler e dão uma fundamentação teórica consistente. Porém, acima de tudo a contribuição mais importante dos três está na quebra de paradigmas. Eles estão entre os primeiros a propor leis gerais para o universo. Ou seja, a natureza se comporta de maneira previsível. Todos eles deixaram claro em seus escritos que na visão deles essa era a forma como Deus regia o universo.

A inspiração do trabalho de Kepler em busca de um modelo para as órbitas planetárias foi sempre a firme convicção de que Deus trabalha como um geômetra. Seguindo os passos dos pitagóricos ele buscava nas figuras geométricas, especificamente nos poliedros regulares, razões aritméticas que pudesse explicar os períodos e tamanhos de órbitas conforme eram observados. Não era de se estranhar que ele pensasse dessa forma. O objetivo principal do jovem Kepler era se tornar pastor luterano. Foi no seminário que ele teve contato com a astronomia, mas manteve os estudos teológicos com o forte intuito de ser ordenado ministro. Entretanto, segundo Antonio Pires na sua obra Evolução das ideias da Física, em 1594 Kepler foi indicado para assumir a posição de professor de Matemática e Astronomia na Escola Luterana de Gratz, na Áustria. Foi com muito pesar que se viu obrigado, por razões financeiras, a aceitar o posto. Mas em toda sua vida viu a teologia em harmonia com a ciência. Chegou inclusive a escrever para defender a compatibilidade do modelo de Copérnico com a Bíblia, que como sabemos, foi um dos problemas que resultou no caso de Galileu com a Igreja.

Diz a lenda que Galileu teria escrito que “A matemática é a linguagem com a qual Deus escreveu o universo”. Ainda não encontrei uma referência certa para essa citação, entretanto, é absolutamente provável que ela seja verdadeira visto que há outras menções semelhantes nas cartas e livros de Galileu. De fato, sua vida e seu trabalho atestam que ele acreditava nisso. Galileu foi um dos primeiros cientistas a usar a matemática de modo sistemático para representar suas conclusões sobre o mundo físico. Católico, com suas duas filhas freiras, ele tinha muita influência no mundo eclesial. Como o Marcio já contou na coluna de novembro. O desenvolvimento que Galileu deu à mecânica foi essencial para que Newton pudesse estabelecer suas famosas três leis da mecânica.

Em uma carta a Robert Hooke, em 1676, Newton escreveu que “se enxerguei mais longe é porque estava sobre ombros de gigantes”, reconhecendo de modo humilde a contribuição dos que vieram antes dele. Suas contribuições à física, à matemática e à astronomia são indeléveis. E, apesar de tantas contribuições importantes, se dedicou intensamente à alquimia e à teologia. Apesar de ter uma fé profunda, Newton tinha visões bastante heterodoxas quanto a Cristo. Ele escreveu muito a respeito e para ele Cristo não tinha natureza humana e divina, como os cristãos creem. Para ele, só Deus Pai é que tinha natureza divina. Ele estudou profundamente a bíblia e os textos patrísticos para validar esta opinião. Apesar disso, procurou manter sempre uma grande discrição sobre suas ideias religiosas. Afinal, seu próprio emprego estava ameaçado, uma vez que pelos estatutos do Trinity College, para se tornar professor ele deveria ser ordenado ministro anglicano. Mas sua consciência não permitia isso, dadas suas crenças nada ortodoxas. Segundo o respeitado historiador da ciência e biógrafo de Newton, Richard Westfall, ele foi salvo na última hora por uma dispensa real para a ordenação do detentor da cátedra de Professor Lucasiano de Matemática, que era a posição de Newton.

Na edição de julho-agosto de 2010 eu escrevi sobre o determinismo, dizendo que esta corrente filosófica defendia que as leis da mecânica newtoniana eram capazes de prever todos os acontecimentos futuros do universo. Com isso, Deus seria deixado de lado, o livre-arbítrio seria uma farsa. Evidentemente que Newton, como uma pessoa profundamente religiosa, se opôs ao determinismo. Com pura intuição, motivado pela fé, ele tentou demonstrar que não era possível prever os movimentos planetários em qualquer instante do futuro. Segundo ele, a complexidade das interações não permitia essa análise, mesmo em teoria. Novamente Newton estava certo! Como falei no artigo sobre determinismo, isso foi provado dois séculos depois pelo matemático Henri Poincaré ao desenvolver a Teoria do Caos. O caso de Newton contra o determinismo é muito interessante por mostrar que a ciência e a fé podem se unir para mostrar a invalidade de uma posição filosófica falsa. Este, aliás, é um tema muito oportuno para se tratar em uma próxima coluna.


03/2011

 

 

 

 

 

ALEXANDRE ZABOT   -    Fisico. Doutorado em Astrofisica. Professor da Universidade Federal de Santa Catarina.   www.alexandrezabot.blogspot.com.br

 

***

CIÊNCIA E ESPIRITUALIDADE

 

ENTREVISTA COM O PRF. DR. ALEXANDRE ZABOT

 

https://youtu.be/nlI2Z7xBkpg

 



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JOSÉ RENATO NALINI - A REINVENÇÃO DA EDUCAÇÃO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Participei de uma reunião da Academia Paulista de Educação e, a convite de Hubert Alqueres, manifestei-me após a palestra de Maria Helena Guimarães Castro. Ela dissecou os Pareceres elaborados pelo CNE, com singular protagonismo dela, hoje candidata à Presidência do Conselho Nacional de Educação, para a educação brasileira pós-pandemia.

            Concordei com as manifestações de outros luminares da educação brasileira que participaram do encontro: o próprio Hubert, hoje Presidente do Conselho Estadual de Educação, Guiomar Namo de Melo, Rose Neubauer e Nina Ranieri, entre outros. Na minha vez, falei que o Covid19 havia oportunizado um completo repensar da educação.

            Baseado em constatação empírica de meu período na Secretaria Estadual de Educação de São Paulo, convenci-me de que minha intuitiva sensação alicerçava-se na realidade. Os jovens não gostam da escola, como ela é hoje. Não aguentam mais as não raro insossas preleções com a reiteração de informações nem sempre atualizadas. Enquanto isso, dispõem do Google, que em segundos oferece respostas atualíssimas. As redes sociais propiciam contato com uma realidade colorida, sonora, dinâmica e atraente. As aulas convencionais podem competir com isso?

            Minha opinião é a de que a educação deve ser assunto de todos e diversificada, como é a própria sociedade humana. Observar o pluralismo. Incentivar tudo o que der certo e não reprimir experiências ainda não tentadas. Por isso é que aplaudi o Ministro Luis Roberto Barroso quando votou a favor da educação em casa, no lar, promovida pelos pais ou por alguém por eles contratado para ensinar sua prole.

            Não havia lido uma entrevista que Luciano Huck fez com Peter Diamandis, autor do livro “Abundância. O futuro é melhor do que você imagina” e geneticista formado pelo MIT. É também fundador da Singularity University e considerado pela revista Fortune um dos 50 maiores líderes do mundo. Fiquei mais confortado ao verificar que essa sumidade tem opinião análoga à minha. Melhor dizer: penso como ele. Como é estranha essa possibilidade de pessoas que não se conhecem partilharem convicções insólitas – são poucos os que defendem postura como essa – e tão semelhantes.

            Mas foi o que aconteceu ao ler o texto (OESP, 02.08.20). Peter Diamands tem dois filhos de 9 anos em Los Angeles, onde as escolas estão fechadas. O que vem em seguida? Responde: “Porque, sinceramente, colocar eles em salas de aula com mais 30 alunos nos seus computadores ou nos seus tablets, e apenas um professor lidando com todos por meio de videoconferência, isso não funciona”.

            E fala em “reinventar a educação”, que abordei na minha modesta fala. “A educação não mudou em centenas de anos, ainda é uma sala com uma pessoa falando para 30 alunos, se você tiver sorte, ou para 100, se você não tiver. Metade das crianças está perdida, metade está entediada. É um processo ridículo. Temos de reinventar a educação”.

            Como fazer isso?

            É o que milhares de mentes abertas estão pensando. Acredita-se que dentro de pouco tempo haverá opções educacionais que não se enquadram na “old fashion” de uma escola que permaneceu em séculos passados. “A melhor educação do mundo, aquela voltada para os filhos e filhas dos bilionários, vai ser uma educação individual, com um professor incrível, superinteligente, que conhece o nível educacional daquela criança, conhece as habilidades dela com a língua, sabe a cor favorita dela, sabe qual é o astro esportivo preferido, o ator e a atriz preferidos, e poderá dar a ela uma educação tão pessoal que a criança vai adorar, ela vai estar sempre envolvido em aprender”.

            Esse professor particular pode ser a Inteligência Artificial.

            O exemplo dos videogames é ilustrativo. Na educação formal, o aluno começa com 10 e vai perdendo pontos a cada erro. No videogame, começa-se do zero e os pontos vão aparecendo à medida dos acertos.

            A China já tem aplicativos que focam a face do aluno e verificam se ele está aprendendo, interessado ou entediado. Acompanhamento personalizado. Viável para todos, desde que haja juízo por parte dos gestores das verbas estatais.

            O único senão é que essa educação especialíssima já existe para filhos de muito ricos. Quando chegará para os excluídos? É exatamente para estes que a reinvenção da escola é um projeto muito importante e mais urgente do que a perda de tempo com Fundos Eleitoral e Partidário, fake News e outros assuntos que ocupam brasileiros e seu tempo nas bugigangas eletrônicas.

 

 

 

 

 

JOSÉ RENATO NALINI é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2019-2020.

 

 

 

 



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JORGE VICENTE - EMIGRAR...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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A imagem pode conter: texto que diz "Emigrar... Emigrar é moda velha, Dá-nos mesmo muita alegria. É só para quem trabalha, Sem a luta, não há vitória! Não tenhas receio de o fazer, Quando de ti não precisam. Que ninguém te venha dizer, Mais vele ouvir teu coração! Pensa bem no teu futuro, Ignora o país de "céu" escuro. És descendente de Camões! Nesta época tão insegura, Tenta mais esta aventura, Tu podes ganhar uns tostões! Jorge Vicente 4"

 

 

 

 

 

 

JORGE VICENTE    -   Fribourgo, Suiça



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FELIPE AQUINO - O QUE É A MANSÃO DOS MORTOS NA BÍBLIA ? SERÁ O PURGATÓRIO ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Mansão dos Mortos não é o Purgatório; era apenas o estado de vida das almas que morreram antes de Jesus morrer.

O Credo ensina que “Jesus desceu à mansão dos mortos”. Isso significa que, de fato, Ele morreu e que, por Sua morte por nós, venceu a morte e o diabo, o dominador da morte (Hb 2,14). São João disse que Ele veio a nós para “destruir as obras do demônio” (1 Jo 3,8). “Ele foi eliminado da terra dos vivos” (Is 53,8). “Minha carne repousará na esperança, porque não abandonarás minha alma no Hades nem permitirás que teu Santo veja a corrupção” (At 2,26-27).

 

 

 

 

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Leia também: 
Mansão dos mortos
A descida do Senhor à mansão dos mortos
O Purgatório nas Escrituras

 

 

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Jesus morreu, mas Sua alma, embora separada de Seu corpo, ficou unida à Sua Pessoa Divina, o Verbo, e desceu à morada dos mortos para abrir as portas do céu aos justos que o haviam precedido (cf. Cat. §637). Para lá foi como Salvador, proclamando a Boa Nova aos espíritos que ali estavam aprisionados. Os Santos Padres da igreja dos primeiros séculos explicaram bem isso. São Gregório de Nissa (†340) disse: “Deus [o Filho] não impediu a morte de separar a alma do corpo, segundo a ordem necessária à natureza, mas os reuniu novamente um ao outro pela Ressurreição, a fim de ser Ele mesmo, em Sua pessoa, o ponto de encontro da morte e da vida, e tornando-se, Ele mesmo, princípio de reunião para as partes separadas” (Or. Catech., 16: PG: 45,52B).

São João Damasceno (†407), doutor da Igreja e patriarca de Constantinopla ensinou que: “Pelo fato de que, na morte de Cristo, a Sua alma tenha sido separada da carne, a única pessoa não foi dividida em duas pessoas, pois o corpo e alma de Jesus existiram da mesma forma desde o início na pessoa do Verbo; e na Morte, embora separados um do outro, ficaram cada um com a mesma e única pessoa do Verbo” (De fide orthodoxa, 3, 37: PG 94, 109 BA).

A Escritura chama de ‘Morada dos Mortos’, Inferno, Sheol ou Hades, o estado das almas privadas da visão de Deus; são todos os mortos, maus ou justos, à espera do Redentor. Mas o destino deles não é o mesmo como mostra Jesus na parábola do pobre Lázaro recebido no “seio de Abraão”. Jesus não desceu aos infernos (= interior) para ali libertar os condenados nem para destruir o inferno da condenação, mas para libertar os justos, diz o Catecismo (§ 633).

 

 

 

 

 

 

FELIPE AQUINO   -      é viuvo, pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br Twitter: @pfelipeaquino



publicado por Luso-brasileiro às 11:30
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PAULO R. LABEGALINI - TRÊS BELAS HISTÓRIAS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Um homem começou a pintar um barco de vermelho brilhante, como fora contratado para fazer. Enquanto trabalhava, percebeu que a tinta passava por um buraco no fundo e decidiu consertar o vazamento. Quando terminou, recebeu seu dinheiro e se foi.

No dia seguinte, o proprietário do barco procurou o pintor e lhe deu um belo cheque. O homem ficou surpreso com o presente e disse:

- Ontem, o senhor já me pagou pela pintura!

- Mas isto é por ter consertado o buraco.

- Não está me pagando uma quantia muito alta por algo tão insignificante?

- Meu caro amigo, deixe-me contar-lhe que esqueci de mencionar o vazamento e, quando o barco secou, meus filhos o pegaram e saíram para uma pescaria. Imagine meu alívio e alegria quando os vi retornando sãos e salvos. Então, examinei o barco e constatei que você o havia consertado. Percebe, agora, o que fez? Salvou a vida dos meus filhos! Não tenho dinheiro suficiente para pagar-lhe pela sua boa ação. Rezarei para que a Virgem Maria sempre o abençoe por isso. Vá em paz!

Pois é, a nossa felicidade sempre está em fazer outras pessoas felizes; portanto, não importa para quem, quando e de que maneira, mas ajude, ampare, enxugue as lágrimas e conserte os ‘vazamentos’ que puder. Cada boa ação feita com amor, vale como uma caridade a mais e, com certeza, contará pontos para você no Céu.

É importante lembrar que da mesma maneira que gostamos de receber ajuda nas dificuldades, todos gostam, e uns precisam muito mais da nossa compaixão do que imaginamos, como neste próximo caso:

Um jovem disse ao abade do mosteiro:
- Eu gostaria de ser um monge, mas nada aprendi de importante na vida exceto jogar xadrez. Por ser uma bela e nobre diversão, quem sabe se este lugar não está precisando de mim?
O abade estranhou o pedido, mas pegou um tabuleiro, chamou um velho monge e solicitou que jogasse com o rapaz. Antes de começar a partida, porém, acrescentou:
- Embora precisemos de diversão, não podemos permitir que todos fiquem praticando xadrez. Então, teremos apenas o melhor dos jogadores aqui. Se nosso monge perder, ele sairá do mosteiro e abrirá uma vaga para você, meu jovem.
O abade falava sério e o rapaz sentiu que jogava sua própria vida. Começou a suar frio e a olhar para o tabuleiro como se fosse o centro do mundo! E, com muita habilidade nas jogadas, atacou o monge que, mesmo perdendo, não escondia seu olhar de santidade.
Vendo a serenidade do adversário, o rapaz começou a errar de propósito, afinal, não seria justo entrar para o mosteiro daquele jeito. De repente, o abade jogou o tabuleiro no chão, dizendo:
- Jovem, você aprendeu muito mais do que lhe ensinaram. Primeiro, concentrou-se para vencer e foi capaz de lutar pelo que desejava. Depois, teve disposição para sacrificar-se por uma nobre causa. Seja bem-vindo ao mosteiro, porque mostrou que sabe equilibrar a justiça com a misericórdia.

Fatos parecidos acontecem também na vida real, não é mesmo? Eu me recordo que quando tinha 15 anos de idade e morava em São Paulo, fui passar férias em Monte Sião e acabei participando do ‘I Campeonato dos Vagabundos’ – futebol de salão com jogadores que não tinham emprego. No meu time, o capitão era o Oscar, que jogou três copas do mundo pela seleção brasileira.

Chegamos à final do torneio e, no começo do jogo, tive uma distensão na coxa que me impedia de correr. Como não tínhamos reservas, mesmo chorando de dor, permaneci na quadra até o final da partida e vencemos por 1 x 0. A taça era uma enorme caneca de chope, doada pela fábrica de porcelana, e resolvemos sorteá-la aos jogadores campeões. Cinco nomes foram para o papel e... eu ganhei! Fiz muita festa e, já no dia seguinte, voltei a São Paulo, levando a linda taça e sentindo muita dor na perna.

Depois de alguns anos, um colega daquele time me contou que o Oscar havia colocado o meu nome nos cinco pedaços de papel para que eu possuísse a caneca – recompensa por jogar machucado. Fiquei comovido com aquela atitude e, há cerca de quatro anos atrás, fui ‘devolver’ a taça a ele, por ser o primeiro troféu que ganhou antes de se tornar profissional. E a caneca encontra-se exposta no seu centro de treinamento em Monte Sião – o maior da América Latina!

Velhos tempos? Sim, mas tudo o que foi bom e agradou a Deus pode voltar a fazer parte do nosso dia-a-dia. Basta querermos praticar boas ações ou retribuir grandes favores, como fiz com o José Oscar Bernardi. E ele nem sabe, mas rezo por ele, assim como o dono do barco reza pelo pintor que salvou a vida de seus filhos, assim como o monge reza pelo rapaz que o deixou vencer a partida de xadrez... assim como você deve sempre rezar pelo Papa, que também nunca deixou de rezar por você!

 

 

 

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI - Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor Doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre.‘Autor do livro ‘Mensagens Infantis Educativas’ – Editora Cleofas



publicado por Luso-brasileiro às 11:21
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - COMO MÚSICO; ADVOGADO E PADRE, SAÍRAM DE BOA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Quando, em 1945, os americanos ocuparam Garmish, um jeep, cheio de soldados, estacionou, à porta da casa de Richard Strauss.

Apearam-se, na intenção de entrar à força. se necessário fosse, na residência, - (desconhecendo que era do famoso compositor,) para a revistar.

Surgiu-lhes, então, idoso de oitenta e um anos, que tranquilamente os interrogou:

- “O que desejam?! …”

Os militares ficaram mudos de espanto. O dono da casa era o grande e conhecido Maestro Richard Strauss.

E prosseguiu:

- “ Sou o compositor do: “ Cavaleiro da Rosa”.

De imediato o comandante, em sentido, cumprimentou-o, fazendo a continência, seguido pelos subalternos.

Estavam diante do célebre músico, e compositor, Strauss, admirado em todo o mundo.

 

 

***

 

Outra história, igualmente verídica, ocorrida em meados do século XX, em Gaia (Portugal):

Havia, na rua Cândido dos Reis (Direita,) farmacêutico, republicano de sete costados.

Certo dia, o abade de santa Marinha (dr. Azevedo Maia,) que não poupava, nas homilias, os desvarios dos republicanos, foi seriamente ameaçado de morte, por certa organização secreta.

Aflito, não conhecendo a quem recorrer, lembrou-se do farmacêutico, Homem reconhecido pela bondade e justiça.

Atónito, ouviu-o atentamente, condoído da má sorte do abade. Deu-lhe guarita, em sua casa, durante semanas, facilitando-lhe a fuga, para o exílio (Paris)

Há homens justos, de consciência, desde a extrema-direita, à mais nefasta esquerda…; até entre bandidos…

Não dizia, ao morrer, o gangster americano, Crowley: que possuía coração bondoso, e que matava, apenas, para se defender?! Se assim pensava um bandido, o que dizer de um politico…

 

 

***

 

Agora, outro episódio curioso:

Contaram-me – já lá vão muitas décadas, – que uma manhã, a policia secreta portuguesa (PIDE) bateu à porta de famoso advogado, para o levar a interrogatório.

Como o jurista estivesse a almoçar, juntamente com a família, a criada, a tremer, foi avisá-lo.

Regressou com o seguinte recado:

-”O Senhor Doutor está a terminar a refeição…”

O agente, amavelmente, respondeu-lhe:

- “Pois diga ao Senhor Doutor que não se apresse. Eu aguardo que termine de comer…”

Decorrido minutos, o advogado apareceu. Ao dirigir-se ao agente, disse-lhe num tom interrogativo:

-”Não receou que fugisse? …”

Ao que o policia, prontamente, respondeu:

- “ Nós sabemos, que o Senhor Doutor, é pessoa de bem. Não ia fugir…Não anda a lançar bombas…”

Esta cena verídica, ilustra bem, que, mesmo para a famigerada policia, as pessoas honradas e honestas ainda eram respeitadas.

Na vida, como na política, pouco importa a ideologia e os partidos; mas, o carácter, a bondade e os bons sentimentos de cada um.

 

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 11:06
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