PAZ - Blogue luso-brasileiro
Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2020
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - ORGULHARMOS DE NOSSAS RELIGIÕES

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Apesar de muitas críticas, algumas absolutamente infundadas, a Igreja Católica Apostólica Romana, como instituição tem cumprido muito bem o seu papel. Integrada por seres humanas, evidentemente não pode ser perfeita.      

No entanto, deixar de frequentá-la sob a alegação de que há indivíduos descompromissados e até desqualificados nela, não justifica. Se nos ausentarmos, não poderemos tentar adequá-los, nem nós mesmos, às suas concepções, que são difíceis e complexas num mundo extremamente consumista como o de hoje. Há de se possuir muita fé, perseverança e humildade. 

Por outro lado, quando sairmos da pandemia, estará mais do que na hora de muitos católicos se unirem concretamente para fortalecê-la, participando ativamente de seus atos litúrgicos e cultos, de sua estrutura e principalmente, da convivência com os outros de mesma crença.

E na realidade, todos deveriam orgulhar-se das religiões que professam, e nas cristãs observar o preceito de que “onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, aí estou Eu no meio deles” (Mateus 18;20).

Efetivamente todos os grupos sociais do mundo as têm e próprias , ressaltando que há mais delas do que culturas desenvolvidas pelo ser humano. Tanto que Liev Tolstói chegou a afirmar que “o homem pode ignorar que tem uma religião, como pode também ignorar que tem um coração; mas sem religião e sem coração, o homem não pode viver.»

No entanto, vale ressaltar aqui, que professar um credo, não é apenas ir ao templo e rezar. É amar todas as coisas vivas sobre a terra, ser solidário e generoso, perdoar e reverenciar os outros. Notadamente no Brasil, onde a materialização nas relações passou a ser aspecto fundamental, a hegemonia do ter e do parecer, prevalece sobre o ser; o estímulo à futilidade ganha cada vez maior espaço e o exclusivismo, gera um isolamento humano, onde a igualdade fundamental da pessoa é frequentemente violada; mais do que nunca temos que nos conscientizar que o amor próximo e à natureza devem abalizar qualquer crença.

Num momento em que a cidadania é abafada pela ação do poder econômico temos que professar nosso credo com autenticidade. De nada adianta nos mostrarmos pessoas religiosas se os atos que praticamos são contrários aos princípios básicos do Direito, da Moral e da Ética. Por inúmeras circunstâncias, nossa sociedade é marcada por gritantes contrastes, descasos, segregação, violência, crimes ambientais e uma série infindável de ocorrências que lesam e impedem a satisfação das mínimas aspirações populares. Esses quadros demonstram que a presença de Deus na vida humana se faz necessária para propiciar o equilíbrio dos justos.

Por outro lado, devemos questionar com profundidade, sob pena de descaracterizá-la, se a religião que praticamos evidencia a necessidade de se questionar com a máxima urgência e clareza, os efeitos danosos de uma concepção estreita e distorcida de toda a amplitude da dignidade humana. Assim, aliados a nossa fé e à simpatia que temos por determinado credo precisamos alcançar uma convivência humana harmoniosa, na qual todos os seres humanos sejam respeitados, independentemente de sexo, raça, situação financeira e principalmente da religião que adotam.

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI  é advogado, jornalista, escritor e professor do Centro Universitário Padre Anchieta de Jundiaí. É ex-presidente das Academias Jundiaienses de Letras e Letras Jurídicas (martinelliadv@hotmail.com)

 

 

 

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ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - UM HERÒI NEGRO INJUSTAMENTE ESQUECIDO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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É sem dúvida injusto o esquecimento em que jaz a memória do soldado Miguel Pinto da Silva Ramos, negro nascido em Minas Gerais em 1889, que se alistou como voluntário da Legião Estrangeira francesa em agosto de 1917, durante a Primeira Guerra Mundial, e foi duas vezes citado honrosamente, em seu prontuário militar, a primeira vez por ferimento, e a segunda, três dias depois, por excepcional ato de heroísmo.

Sendo Miguel neto de escravos, e sentindo particular gratidão em relação à Princesa Isabel, diversas vezes escreveu a ela e ao Conde d´Eu, que se orgulhavam do honroso procedimento do jovem mineiro e o incentivaram a prosseguir no seu esforço de guerra. Miguel faleceu em combate, em setembro de 1918, quase no final do conflito. Um companheiro seu encaminhou à Princesa os papéis e os poucos pertences deixados pelo falecido, dizendo que cumpria assim o pedido que este lhe havia feito, caso caísse em combate. A Princesa tentou conseguir o endereço, no Brasil, da família do herói, para lhe enviar aquele tocante espólio; não o conseguindo, confiou-o ao adido militar brasileiro em Paris, tenente-coronel Alfredo Malan, pedindo seu concurso para que fosse localizada a família do falecido. A Princesa juntou, ao espólio, uma carta pessoal dirigida à mãe de Miguel. No Brasil, apesar de seus esforços, Malan também não conseguiu localizar a residência da família do herói e, como última tentativa, resolveu divulgar o fato pela imprensa, na esperança de que chegasse ao conhecimento da mãe de Miguel e esta se apresentasse. A pedido de Malan, o então capitão Genserico de Vasconcellos - que mais tarde se tornaria muito conhecido como historiador militar - publicou essa documentação na “Revista da Semana”, que tinha larga circulação em todo o Brasil. Não se sabe se essa derradeira tentativa foi ou não bem sucedida.

Os documentos publicados em fac-simile na “Revista da Semana”, de 15-1-1921, são verdadeiramente comovedores e merecem ser aqui transcritos:

 

Carta da Princesa Isabel à mãe do soldado Miguel Pinto da Silva:

 

“27 de Outubro de 1919, Boulogne-sur-Seine. Minha prezada Senhora. Já uma vez tentei, sem resultado, escrever-lhe a fim de fazer-lhe chegar os papéis e alguma roupa tendo pertencido a seu finado querido filho Pinto da Silva. Este durante a guerra escreveu-me várias vezes e com prazer sempre recebi as cartas que dirigiu-me tão valente soldado. Um dia um dos seus amigos dos campos de batalha, por pedido dele caso fosse morto, enviou-me estas lembranças que tanto desejo lhe possam chegar! Como a Senhora perdi um filho, e avalio a sua dor! Ambos pugnaram pela grande causa com a maior valentia, ambos fizeram seu dever, ambos eram crentes, e a crença de que Deus lhes terá dado a felicidade eterna será o grande lenitivo no nosso sofrimento! Creia em toda a minha simpatia. a) Isabel Condessa d´Eu.”

 

            Carta da Princesa Isabel ao soldado Miguel Pinto da Silva:

 

“18 de Fevereiro de 1918, Boulogne-sur-Seine. Meu caro Miguel Pinto da Silva. Calorosas felicitações do Conde d´Eu e minhas por vossa tão bela citação que nos emocionou. Sendo Brasileira que ama a França como vós a amais, fiquei imensamente feliz com isso. O Brasil e a França estão para nós unidos, e vossa luta é ao mesmo tempo pelo direito e pela humanidade! Que Deus vos proteja! Vossa muito afeiçoada, a) Isabel Condessa d´Eu.”

 

Carta do Conde d´Eu ao soldado Miguel Pinto da Silva:

 

“1º. de março de 1918. Snr. Miguel Pinto da Silva. Faz hoje 48 anos que se terminou sob meu Comando a guerra sangrenta sustentada pelas Forças Brasileiras contra o governo do Ditador do Paraguai durante mais de cinco anos! Faça ideia como devo estar velho após tão longa carreira! Não queria deixar contudo de dizer-lhe quanto prazer nos deu à Princesa Condessa d´Eu e a mim o seu retrato enviado com sua carta de 21, bela fotografia que o representa como valente brasileiro, já ferido em combate e condecorado com a honrosíssima Croix de Guerre. Aproveito esta ocasião para enviar-lhe a nossa [fotografia], rodeada dos sete netinhos, tirada há menos de seis meses. Receba-a em testemunho de nossa estima pela sua coragem, e de amizade. Não deixe de enviar-nos notícias suas, principalmente quando estiver bastante restabelecido para regressar à frente como tanto deseja; e receba minhas expressões de nossos sentimentos afetuosos. a) Gastão d´Orleans Conde d´Eu. [P.S.] Qual é sua família e sua terra? Parece-me que é a heroica Bahia.

No prontuário militar do soldado Miguel Pinto da Silva, no item “Ferimentos e ações dignas de nota”, havia duas citações. A primeira, datada de 5 de janeiro de 1918, informava simplesmente que fora “ferido durante as operações militares por congelamento”. O congelamento dos pés, em trincheiras cheias de lama, no rigoroso inverno europeu, causava muitas baixas. Os atingidos pela “gelure” corriam grave risco de necrose dos membros congelados e gangrena. Eram por isso considerados como feridos em combate, sendo recolhidos a hospitais de campanha, onde passavam por um rigoroso tratamento, que às vezes não conseguia impedir a amputação. O que impressiona no prontuário de Miguel é que, apesar de seu estado ser considerado grave, não quis ser baixado ao hospital porque sabia que estava sendo preparada uma operação militar nos dias subsequentes e não queria deixar de participar dela. Seria seu batismo de fogo. É o que dá conta a segunda citação honrosa, datada de 8 de janeiro:

“Jovem engajado voluntariamente, pela primeira vez em combate ativo. Atingido por grave acidente de congelamento dos pés, recusou ser recolhido, a fim de participar da operação do dia 8 de janeiro de 1918. Lançou-se ao ataque como se estivesse indo a uma festa. Penetrou sozinho num abrigo inimigo, onde capturou 15 prisioneiros. Foi para todos os seus camaradas um modelo de energia, força de vontade e coragem.”

 

 

 

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS  -  é licenciado em História e em Filosofia, doutor na área de Filosofia e Letras, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Portuguesa da História.

 

 

 

 



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CINTHYA NUNES - S.O.S. VET

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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            Se tem uma coisa que aprendi sendo tutora de animais há algumas décadas, é que os danadinhos parecem escolher sempre um entre dois momentos para ficarem doentes. Acredito que com as crianças se passe o mesmo. Basta que os pais/tutores tenham recebido algum dinheiro extra ou então que estejam em um momento financeiramente mais sensível e voilà: hora de correr ao médico ou ao veterinário.

            E foi assim que, há algumas semanas eu tive que correr, em plena madrugada, até o hospital veterinário mais próximo, segurando nos braços minha cachorrinha que, em um repente começara a ter convulsões. Também como acontece normalmente com as crianças, os animais parecem ter problemas de saúde aos finais de semana, feriados e, principalmente, de madrugada.

            Quando os episódios de convulsões se intensificaram resolvi que não dava mais para aguardar o dia amanhecer e fui até um atendimento 24h. Assim que chegamos, como se tratava de urgência, ela foi atendida de pronto e, após ser estabilizada, ficou internada, o que quase aconteceu comigo também após ver o tamanho da dívida. Duas horas depois e eu estava novamente em casa, quebrada em todos os sentidos.

            Enquanto estava na clínica, aguardando que minha cachorrinha recebesse a medicação, acompanhei o veterinário plantonista até o local onde ela ficaria em observação. Foi quando notei os demais pacientes que lá se recuperaram. Havia um gato tomando soro, com uma cara de poucos amigos e, ao lado, em outra baia, um porquinho da índia que, aparentando tédio, estava com o focinho colado na grade, espiando a todos.

            Essa clínica, em especial, além de atendimento de emergência, é uma das poucas que conheço que atende animais silvestres. Alguns anos atrás eu levara para lá ser atendido, um filhote de periquito australiano que nascera aqui em casa. Depois de dois dias de internação, alimentação parental e oxigênio, ele morreu. Sinto por ele mas não me arrependo, pois fiz o que estava ao meu alcance e a natureza fez a vontade dela.

            Alguns dias depois e a cachorrinha apresentou problemas estomacais por conta da medicação forte. Foi quando me vi dentro do carro com o marido da vizinha, indo às pressas até a farmácia mais próxima, quase à meia noite. O bizarro é que ele, escocês, não fala uma única palavra em português e eu, nervosa que estava, temia pela precariedade do meu inglês. Abençoada por São Francisco de Assis, soltei o verbo e consegui conversar com ele o caminho todo, inclusive sobre o trajeto.

            Por fim a cachorra melhorou, mas ainda foram necessários muitos exames e mais duas visitas ao veterinário, para retorno. Em uma dessas consultas, tive que aguardar que a equipe de veterinários finalizasse os atendimentos de emergência e na sala de espera notei um rapaz bem nervoso, preocupado com o estado de saúde de seus pets, Mickey e Mouse. A atendente informou que os animais estavam bem e que iria trazê-los em instantes. Ainda que os nomes fossem sérios indicativos da espécie, eu não estava esperando os dois ratos, recebidos pelo tutor com um suspiro em vê-los bem.

            Fiquei pensando que trabalhar em um lugar assim não deve ser nada monótono, com pacientes tão variados. Por outro lado, estou certa de que um hospital, seja veterinário ou humano, não é o lugar mais feliz do mundo, já que nem todos os pacientes se recuperam, assim como meu periquito. Só quem tem afeto pelos animais é capaz de entender que a dor de vê-los doentes não é menor do que acompanhar um parente querido que adoece.

            Naquela que espero ter sido a última dos retornos, já que minha cachorrinha recebeu alta, vi uma mulher que em uma caixa de sapatos abrigava um filhote de bem-te-vi. O pássaro, nas últimas chuvas fortes, caíra do ninho. Compadecida, a mulher o resgatou e agora buscava atendimento médico antes de poder devolvê-lo à natureza. Senti a esperança nas pessoas procurando um espaço para se instalar de novo no meu coração ao ver que ainda há quem se importe de modo voluntário e desinteressado. Talvez, só talvez, haja redenção.

      Feliz Natal a todos, mesmo em tempos não tão felizes.

 

 

 

 

 

CINTHYA NUNES   -    é jornalista, advogada e gostaria que o Papai Noel lhe desse as renas de presente, junto com o fim da pandemiacinthyanvs@gmail.com

 

 

 

 

 

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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - REVESTIR-SE DO RESÉPIO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Pensei no revestir-se do presépio a partir de uma colocação do escritor irlandês, crítico literário, ensaísta e teólogo Clive Staples Lewis (1898-1963), conhecido por seus trabalhos envolvendo a apologia cristã, no livro “O assunto do Céu”.  Escreveu ele: "Entre as suas preces, certamente haverá o Pai Nosso. As duas primeiras palavras são 'Pai nosso’. Você vê agora o que essas palavras significam? Elas significam que você está, francamente, assumindo o papel de um filho de Deus. Para ser mais direto, você está se vestindo de Cristo. (...) Agora, no momento em que você se dá conta do 'Olhe eu aqui, me vestindo de Cristo', é bem provável que, naquele mesmo instante, enxergue alguma maneira de tornar aquele faz de conta em menos fingimento e mais realidade."
“Pai Nosso...” Revestir-se de Cristo com o propósito de viver o Natal. Vieram de Nazaré, a caminho de Belém, Maria e José para o recenseamento. Viajaram pelas estradas montanhosas, com agruras, e Maria no final da gravidez. Por certo, José, em suas possibilidades poucas, mas na força maior, porque se deixava guiar por Deus, preocupado em oferecer a ela a comodidade que não encontraram. Após a viagem cansativa, em caminhos de terra, com um burrinho como meio de transporte disponível, apenas um estábulo para dormir. Bem ali nasceu o Menino.
Vivemos um tempo doloroso. Não se pode ignorar o luto de quem perdeu os seus pela Covid-19 ou doenças outras. Foram tantas mortes neste ano! Não se pode descartar a aflição dos que ficaram com sequelas! Não se pode desconsiderar os medos e a preocupação com aqueles que não levam a pandemia a sério. Não se pode menosprezar a angústia, as indagações e os temores dos que ficaram isolados, seja em casa ou no hospital. Estamos impregnados por essas dores tantas, nossas ou não.
Há quem reclame da impossibilidade de comemorar o Natal, devido à pandemia – ou pandemônio como diz um amigo meu. Revestir-se do Natal, no entanto, é praticável e deveria ser assim todos os anos. Revestir-se de Maria e José que apresentaram o Menino aos pastores – excluídos da época- e aos reis. Todos têm o direito de saber que o Senhor se despojou de Sua majestade e se fez um de nós para nos salvar. Revestir-se da humildade e dar espaço no coração para que o Menino possa habitá-lo. Revestir-se do Menino e iluminar as trevas dos que passam por nossos caminhos.
Que o ‘Pai Nosso’ nos ajude a nos revestirmos, de verdade, do Seu Filho!

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil

 

 

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publicado por Luso-brasileiro às 14:18
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ANTÓNIO FRANCISCO GONÇALVES SIMÕES - VIRTUDES CAPITAIS DO SÉCULO XXI - 3ª A INTEGRIDADE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A integridade é um substantivo feminino com origem no latim “integritas - atis” que significa a qualidade ou estado do que é íntegro ou completo. É sinónimo de honestidade, imparcialidade, isenção, justiça, dignidade, equidade, honra, honradez, lhaneza, lisura, probidade,  rectidão, seriedade, castidade,  pureza, candura, decência, decoro, inocência, pudicícia, pudor, respeitabilidade, ingenuidade, imparcialidade e  virgindade.                                               

Em sentido figurado a integridade pode ser  descrita como honradez, pureza ou inocência. Pode, também,designar uma atitude de plenitude moral, sendo a característica de uma pessoa incorruptível.

A integridade moral   indica a inteireza e dignidade de um indivíduo. Assim, se uma pessoa for humilhada  psicologicamente ou insultada, é provável que a sua  integridade  moral tenha sido afectada.

A integridade  física remete para o bem estar ou saúde física de uma indivíduo ou grupo. Por ex. “As pessoas tiveram de ser evacuadas do estádio porque a sua integridade física estava em perigo”.

A integridade pessoal é um conceito mais amplo, que inclui a integridade moral e física, e é um direito previsto na constituição  de vários países do mundo, incluindo Portugal.

A integridade de dados é uma das características essenciais da segurança da informação, e garante que as informações não sofreram alterações que não foram autorizadas ou que são impróprias. A integridade de dados também assegura  que um documento não é alterado depois de ter sido assinado.

Integridade referencial. No contexto de bancos de dados  relacional é comum falar de integridade relacional, que te m como objectivo conservar as relações existentes entre tabelas quando algumas linhas são inseridas ou eliminadas.

 

A integridade é uma virtude desafiadora, difícil de ser praticada num mundo repleto de valores equivocados, onde a  importância do ter alguma coisa é maior do que a importância do ser alguma coisa. Na prática, integridade consolida-se quando os seus valores estão em consonância com a sua conduta.

 

O ser humano  oscila de acordo com o momento presente ou de acordo com a sua conveniência desrespeitando leis, normas e regulamentos que valem para toda a sociedade. Há muito tempo a famosa “Lei de Gérson” deixou de ser uma vantagem. Prejudicar alguém - pessoa física ou jurídica - por um motivo tolo e incoerente, em benefício exclusivo de si próprio, custa caro  para a consciência e para a sociedade.

 

Integridade requer a prática de princípios universais como paz, amor, liberdade, humanidade, igualdade, coisas simples que  independem de credo, origem, cor  nível de instrução. Integridade depende do óbvio. O que  vale para mim vale para os outros.

A integridade à luz da Bíblia. Na Bíblia  não encontramos uma palavra correspondente directa de integridade, nem no hebraico nem no grego. No entanto, ante a exigência moral e ética do conceito, pode-se afirmar que  a Bíblia, como um todo, carrega uma mensagem de integridade exigida e necessária a todo o homem e mulher no seu relacionamento com Deus, sobretudo no Novo Testamento. Integridade da mente é a característica principal  do cristão.

O Apóstolo São Paulo fala da renovação da mente onde o novo homem pensa de modo diferente do velho homem. A mente é de tal modo importante  que a palavra  traduzida como arrependimento é  “metanóia” mudança de mente.

Uma mente integra leva a atitudes diferentes diante das  circunstâncias da vida, sobretudo nas mais conflituosas. Para o pastor  Martin Luther King Júnior, “a verdadeira medida de um homem não se vê na forma como ele se comporta em momentos de conforto e conveniência, mas como se mantém em tempos de controvérsias e desafios. Nesse sentido, a conversão mediante o arrependimento é algo único. Ninguém se converte todos os dias. S. Paulo ensina que o homem, depois de convertido, renova a sua mente a cada dia a partir do maior conhecimento da  graça de Cristo. Um crescimento que   vai da fase infantil até à fase adulta quando, finalmente, esse novo homem alcança a estatura do Varão Perfeito.  E para que não haja dúvidas em seus leitores, o apóstolo enumera de modo muito prático como se dão as mudanças de comportamento: “Mentia, não minta mais; furtava, não furte mais: irou-se, não peque”. E, cuidadosamente, ele conclui a sua lista:”Não saia da vossa boca nenhuma palavra que cause destruição, mas  somente a que seja útil para a edificação”.

Uma mente íntegra resulta em palavras igualmente íntegras (puras, sem malícia). Assim S. Tiago alerta sobre a necessidade do controle da língua(as palavras). Para ele, a língua  é” fogo”, é um mundo de iniquidade e pode contaminar a pessoa por inteiro, e  põe completamente em chamas  o curso da nossa existência”. Destaca ainda que todos os animais e feras se submetem à vontade do homem, nas “ a língua, contudo, nenhuma pessoa pode dominar. É um mal incontrolável, cheia de veneno mortal. Todavia, silenciar não é necessariamente “controlar” a língua.

Para a psicóloga e jornalista Maria Rita Kehl, “quando um processo  que nem ao menos é justo, é conduzido por interesses inconfessáveis, mas que todo o mundo mais ou menos  já sabe, então  se cria uma espécie de capa de cinismo que encobre os processos sociais”, ou seja, faz-se um pacto do cinismo” onde todos, sabendo que está errado, mantêm o silêncio diante da injustiça. Este cinismo chama-se o “silêncio dos  bons”. Nesse silêncio, a falta de integridade  revela-se tão nociva quanto falta de integridade no falar. Por isso, São Tiago assevera: ”Refletí sobre isto, pois: Quem sabe que deve fazer o bem e não o faz, comete pecado”.

 

A Bíblia fala  da “integridade

“Quem anda com integridade anda com segurança, mas quem segue veredas tortuosas será descoberto”.  Provérbios  10,9.

 

“Melhor é o pobre  íntegro em sua conduta do que o rico perverso em seus caminhos” Provérbios  28,6.

 

“O Senhor Deus é sol e escudo; o Senhor concede favor e honra; não recusa nenhum bem aos que vivem com integridade”.

 

Se cada um  viver e praticar a “integridade” está a contribuir para que a nossa sociedade

seja cada vez mais justa, mais  pacífica e  mais harmoniosa.

 

 

(continua no próximo número)        

 

      

ANTÓNIO FRANCISCO GONÇALVES SIMÕES   -   Sacerdote Católico. Coronel Capelão das Frorças Armadas Portuguesas. Funchal, Madeira.  -    Email   goncalves.simoes@sapo.pt

 

 

 

 

Acaba de sair o novo livro de António Francisco Gonçalves Simões,colaborador deste blogue   -  Coronel Capelão da Forças Armadas Portuguesas.

 

 

 

 

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PÉRCLES CAPANEMA - ANO NOVO NA DESORIENTAÇÃO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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2021 está na esquina. Quantas diferenças em um ano! Sobre um ponto quero abaixo compartilhar reflexões. Continuo. Quase mais nada existe da generalizada atmosfera de superficial otimismo que perpassava dezembro de 2019. Em linhas muito gerais, a economia crescia, Trump tinha a reeleição provável, a via de novas conquistas parecia aberta para grande parte da população. O que gerava a sensação de segurança, de rumo e de perspectivas realizáveis, condições favoráveis ao equilíbrio emocional. Dava para caminhar.

 

De repente se fechou o carreiro ascensional, o mundo afundou, apareceram abismos antes encobertos pelo otimismo generalizado. Já em fevereiro a pandemia do COVID-19 veio forte, logo depois as cidades foram fechadas e as ruas ficaram desertas. Empresas faliram explodiu o desemprego, milhões e milhões despencaram na pobreza. Os governos abriram as burras para auxílios emergenciais e o déficit fiscal disparou. De outro lado, a pandemia provocou intensas disputas entre grupos políticos, o choque das opiniões esgarçou ainda mais a sociedade. A recuperação, se vier, será difícil. E não deveria ser apenas econômica. Comentarei abaixo a respeito.

 

Joe Biden ganhou nos Estados Unidos à frente de coligação que inclui correntes radicalizadas, socialistas e libertárias. Ele terá que satisfazê-las (e já as está contemplando na alta administração) ao cumprir compromissos assumidos na campanha. O que virá dali? É ponto que exige atenção e preocupa. Observei, a recuperação econômica, se vier, será difícil. Como todo sabem, suporá a aplicação generalizada das vacinas, fazendo realidade a imunidade de rebanho. Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, advertiu, os investimentos em vacinas contra a COVID-19 são muito mais baratos que as aplicações em auxílios emergenciais. Deseja aplicações maiores e urgentes. É preocupação do mercado, lembrou ainda: “Há uma disputa por vacinas. Quem terá a vacina primeiro e como a logística será feita muda todos os dias. Estamos concentrados nas vacinas e o mercado também”. Na mesma direção, advertiu Marcelo Pacheco, secretário executivo do ministério da Fazenda: “Com a vacina a população vai se sentir mais segura e, com isso, a economia vai se recuperar. Temos feito de tudo para prover os recursos necessários para a vacinação”.

 

População protegida, disseminação controlada, é o objetivo. Canadá, Estados Unidos, Alemanha e Inglaterra já estão vendo luz na boca do túnel. Outros países vão no mesmo rumo. Nós também, só que com passos lerdos. Ainda preparamos a caminhada; brigas, desleixo, obsessões, cegueira, incompetência, impediram-nos de atender populações expostas, como, por exemplo, agora o fazem Estados Unidos, Inglaterra e tantos outros. Quanto tal fato se dará no Brasil? Ninguém sabe ao certo; é triste, chapinamos no pântano dos palpites.

 

Com a vacinação generalizada, teremos o fim do distanciamento social, de momento obrigatório. Haverá aproximação das pessoas, conversas sem máscara, abraços, carinhos. (e reaproximação) Caminharemos para a normalidade, chamada por muitos de nova normalidade, pelo que ainda contém de misterioso. Duas características que provavelmente permanecerão: o “home office” e o aumento dos pagamentos e compras pela rede. Não tratarei aqui de modificações psicológicas, morais, políticas, tema muito vasto.

 

Falei de equilíbrio emocional, sensação de segurança, sensação de rumo, perspectivas realizáveis. Acabaram, veio a desorientação. E há motivos. Será dura a recuperação, tempos difíceis pela frente, o déficit fiscal vai pesar por anos. Empregos melhores e rendas em aumento, se vierem, chegarão em conta-gotas. Medidas que poderiam ajudar a retomada do crescimento, com o consequente alívio em especial para os mais pobres, comportariam enérgico programa de privatizações, diminuição do tamanho do Estado, cancelar programas malucos como a reforma agrária. Mas temos tumores de estimação no corpo social, parece que não podem ser tocados. E aqui se unem gente de todas as correntes, congregadas pelo objetivo de preservar dentro do corpo social os tumores de estimação. As advertências melancólicas do dr. Salim Mattar são apenas um sintoma, significativo embora, de tal realidade desoladora.

 

Agora, o ponto que pretendo destacar, tem relação com o equilíbrio emocional. Seria trágico repetirmos o que aconteceu nos anos 20, “les années folles”, os anos loucos O povo, cansado da guerra, cansado da gripe espanhola, jogou pela janela o sofrimento, não fez dele pedestal para a formação do caráter e raiz de vida temperante; e lançou-se na folia, quis esquecer tudo o que havia passado.  Poucos anos depois o sofrimento e as privações voltaram multiplicadas, era a 2ª Guerra Mundial. Não lancemos nós agora o sofrimento pela janela. Não passou ainda, pode demorar algum tanto a volta à normalidade e 2021 começa com a sensação de falta de rumos. Desorientação. Um ponto deveria estar sendo cogitado, não desperdiçar o confinamento, o sofrimento e as privações, fazendo desse depósito pedestal para a formação do caráter. Nutrimento da temperança. Já será grande coisa. Que Deus nos ajude. Bom Ano Novo a todos.

 

 

 

 

PÉRICLES CAPANEMA - é engenheiro civil, UFMG, turma de 1970, autor do livro “Horizontes de Minas"

 

 

 

 

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JOSÉ RENATO NALINI - QUANDO EU ME FOR…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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            A pandemia causa estrago no planeta, fere de morte a economia, porém atormenta a consciência de quem se sente ameaçado.

            Nunca foi confortável admitir a finitude. A vida contemporânea chegou ao paroxismo em termos de ocultar a morte. São tantas as requisições, os compromissos, as obrigações, tudo forçando a um atropelo no ritmo alucinante em que a maioria das pessoas mergulha. Não há tempo de pensar no encontro definitivo.

            Só que uma pandemia, que chegou a ser diagnosticada como “gripezinha” ou “resfriadinho”, leva dezenas de milhares embora. Sem explicação. Não é apenas o velhinho, embora ele seja o escolhido preferencial do coronavírus. Mas são jovens, até crianças e bebês.

            Também não é suficiente dizer que os mortos já possuíam morbidade. Diabetes, hipertensão, problemas vasculares. Há gente saudável que foi acometida e nunca mais voltou para a família.

            Tudo isso assusta. E machuca, porque extrai ao sobrevivente a oportunidade de propiciar o carinho funéreo que se incorporou em nossa cultura. Sem velório, sem acompanhamento, sem a última despedida já no cemitério, quando as famílias frequentemente preferem que se abra o caixão para o beijo derradeiro.

            Nunca ignorei a morte, até escrevi um livro sobre ela: “Pronto para partir?”. E terminei esse exercício forçado sobre a “indesejável das gentes”, após perder irmão caçula, pai e mãe, nessa ordem, dizendo que não me sentia ainda preparado para deixar esta vida tão venturosa.

            A Covid 19 nos obriga a pensar sobre ela. É evidente que há muitos planos incompletos. Muito remorso de não ter se dedicado com afinco mais intenso aos seres queridos. Projetos que podem nunca se concretizar. Assim como as milhares de vítimas deixaram sonhos e intenções, de forma cruel, dolorosa e abrupta.

            Não posso dizer como Paulo Vanzolini, que em sua canção “Quando eu for eu vou sem pena”! Ao contrário: irei muito pesaroso. Com enorme pena de deixar este mundo, que não é o Paraíso Terrestre, já foi chamado “Vale de Lágrimas”, todavia é o que nos mantém a respirar, a apreciar o nascer do sol e o poente, encantar-se com o sorriso das crianças, abraçar amigos e amar.

            Na música do Vanzolini, ele diz que “pena vai ter quem ficar”. É certo que a família sinta. Alguns amigos. Não muitos. Ninguém é insubstituível. Já vivi o suficiente para constatar que a memória é volúvel. O Brasil é a expressão mais consumada do acerto do ditado “O Rei Morreu! Viva o Rei!”.

            A Nação da tática das homenagens cultiva o cargo, as funções, o poder. Quem dispõe de um mínimo de autoridade e pode atender a certas expectativas bem humanas, costuma ser bajulado com insistência. Até que deixe o exercício dessa atividade sedutora. Aí perceberá, se ainda não sabia, o que é a humanidade.

            Minha Mestra queridíssima, Esther de Figueiredo Ferraz, escreveu um poema nostálgico, prevendo o que aconteceria com suas coisas, suas lembranças, o seu relicário pessoal, assim que ela morresse. Onde iriam parar as suas fotos, os seus papéis, as suas fotografias e cartas de amor?

            Não é difícil imaginar o que os sucessores fazem com o acervo material de uma vida que não foi a deles. Assim é que perdem-se documentos, relatos, confidências e narrativas que nunca mais se recuperarão.

            Mas é essa a vida. Essa a forma que escolhemos de passar as poucas décadas que esta vida frágil e efêmera – os dois adjetivos adquirem um sentido muito especial durante a pandemia – nos oferece.

            Não há como mudar aquilo que já passou. O tempo não tem ponteiros para voltar atrás. Não se ensaia, na vida. Vive-se ao vivo, sem edição, sem vídeo-tape.

            Seja como for, quem tiver a paciência de acompanhar esta reflexão, saiba que se eu for, agora ou daqui a pouco, irei muito contra a própria vontade.

 

 

 

 

JOSÉ RENATO NALINI  é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2019-2020.

 

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 12:06
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JORGE VICENTE - O MENINO DE BELEM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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A imagem pode conter: flor, texto que diz "o MENINO DE BELÉM Mais um Natal p'ra festejar! P'ra lembrar o Deus menino. Vem querer o Mundo abençoar. Tem nas mãos nosso destino! Nasceu muito pobrezinho, Ele ensina a ser ordeiro. Como Ele deseja, ο criador, Com convénio verdadeiro! Veio para morrer numa Cruz, Ele era ο menino Jesus. Que por nós, na Terra sofreu! Pratiquemos todos o bem, P'ra esse menino de Belém E que um dia nos leve pr'ó Céu! Jorge Vicente Natal"

 

 

 

 

 

 

 

JORGE VICENTE    -   Fribourgo, Suiça

 

 

 

 

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publicado por Luso-brasileiro às 11:59
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FELIPE AQUINO - COMO FAZER UM BOM EXAME DE CONSCIÊNCIA ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Para estar com Deus” é preciso caminhar na sua graça. Isso exige de nós paciência, confiança e perseverança.Confira alguma dicas para repensar sua vida todos os dias:

Vigiar e orar

Você se lembra de que, no Horto das Oliveiras, Jesus fez um intervalo na sua oração, foi ver se os Apóstolos o acompanhavam e os achou dormindo. Com pena, disse a Pedro: Não pudeste vigiar uma hora comigo? E a todos: Vigiai e orai, para não entrardes em tentação (Mt 26,40-41)?

Uma das melhores maneiras de “vigiar”, como Jesus nos pede, é fazer todos os dias o exame de consciência: um balanço do nosso dia diante de Deus, cheio de sinceridade, que se pode resumir nas três perguntas que São Josemaria às vezes aconselhava: “O que fiz bem? O que fiz mal? O que poderia fazer melhor amanhã?”

Talvez você me diga: “Eu já tentei fazer esse exame, mas é complicado. Não sei por onde começar e, além disso, à noite estou cansado e não consigo pensar”.

Tem razão. Não é fácil. Por isso, talvez possam ajuda-lo algumas sugestões práticas. Vamos ver.

Para começar, três ideias claras:

Primeira: o exame deve ser simples e breve (podem bastar três ou quatro minutos), nunca complicado.

Segunda: o exame será bom se nos ajudar a enxergar algumas falhas daquele dia e a pedir perdão a Deus por elas, e a ver também como perseveramos nas resoluções boas.

Terceira: o exame será completo se terminar com alguma resolução, muito prática, de melhorarmos em algum ponto no dia seguinte (por exemplo, sermos mais pontuais no trabalho, ou falar mais com a família).

É importante ter em conta que – embora seja aconselhável – não é “obrigatório” fazer o exame à noite, à última hora do dia, se estamos caindo de sono. Convém fazê-lo num momento em que a cabeça esteja ainda lúcida: por exemplo, antes do jantar, em lugar isolado (e antes de mergulhar na tv!); ou antes de nos deitarmos, mas estando ainda em pé, sentados numa poltrona; ou no local de trabalho, concentrando-nos um momento antes de encerrar o expediente; ou até mesmo no início do dia seguinte, fazendo – junto com as orações da manhã -, um breve balanço do dia anterior. Cada qual tem que achar o seu “bom momento” para o exame.

Deve-se evitar fazer o exame na cama, já deitado. Esse mesmo conselho – lembra? – dávamos ao falar da oração mental. Quem tiver suficiente autocontrole da sonolência ou padecer de falta de sono, pode-se arriscar a ler, a orar mentalmente, a rezar o terço, a fazer o exame na cama… Mas não se engane. Você já se conhece. Se tiver o cochilo fácil, sabe muito bem o que acontecerá: vai adormecer sem fazer nada.

Ainda uma sugestão dirigida às pessoas que quiserem fazer o exame com o máximo proveito: não faça o exame sem ter à mão uma agenda (ou um caderninho) e a caneta. Daqui a pouco veremos o que é bom anotar (e desculpe as repetidas recomendações que faço sobre a agenda; não é mania, é experiência).

 

 

 

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Leia também: 
Exame de Consciência
Sacramentos: Exame de Consciência – Parte 1
Sacramentos: Exame de Consciência – Parte 2
O que é consciência?

 

 

Em que assuntos nos convém pensar?

 

 

Antes de responder a essa pergunta, quero deixar muito clara uma ideia: não pretendo aconselhar nenhum “método rígido” de exame. É uma matéria em que deve haver muita liberdade e cada qual tem que achar o seu modo de fazer um bom exame. Portanto, tudo o que disser a seguir são apenas sugestões, meras sugestões que têm sido úteis para outras pessoas. Vamos a elas.

Comece pedindo luz ao Espírito Santo, para fazer um bom exame: “Vinde, Espírito Santo!”, “Que eu veja!”.

Pode ser útil, inicialmente, dar uma olhada rápida ao dia, procurando lembrar alguma coisa negativa que cutuque na consciência: “Tive uma briga feia em casa”, “Tive preguiça de cumprir tal dever”, “Deixei-me dominar pela ira naquele momento”, “Abusei da comida ao jantar”, “Falei palavras ofensivas a tal colega”, “Cedi à imoralidade na Internet”… São faltas fáceis de lembrar, sem necessidade de uma análise demorada. Uma vez recordadas, peça sinceramente perdão a Deus: “Senhor Jesus, Filho de Deus, tem piedade de mim, que sou um pecador”. E proponha-se lutar.

Mas é bom não reduzirmos o exame diário a uma espécie de preparação para uma confissão (ainda que o exame diário facilite preparar boas confissões). Muitas vezes, além de nos determos brevemente nas “faltas”, será bom determo-nos um pouco mais nas “coisas boas”.

 

 

 

 

Escada do amor e da perfeição cristã

 

 

 

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Concretamente, todos deveríamos ter um pequeno programa das melhoras que desejaríamos alcançar (de preferência listadas na agenda). Por exemplo:

– um plano de vida diário de orações, de recitação do terço, de leituras espirituais, com seus horários previstos;

– duas ou três mortificações (sacrifícios), que nos ajudem a ter, por exemplo, mais ordem, ou a segurar a língua, ou a controlar a gula de chocolate ou de cerveja, etc.

– um pequeno programa de ajuda aos outros, também de ajuda espiritual e apoio moral: “Vou conversar mais com Fulano”, “Procurarei ajudar essa outra pessoa nisso ou naquilo”…

Se revisarmos diariamente essas listas, veremos os pontos positivos que houve e aqueles em que estivemos mais falhos, e poderemos então fazer um ou dois propósitos de luta para o dia seguinte. O ideal seria abrir uma folha na agenda, ou uma página no computador, para nela ir listando esses propósitos. Por exemplo:

– 3 de maio: amanhã, ser mais otimista nos comentários quando estiver à mesa lá em casa, no jantar;

– 4 de maio: amanhã, levantar na hora certa, sem ceder nem cinco minutos à preguiça, e fazer com calma e oração;

– 5 de maio: amanhã, não deixar de dedicar, a tal hora, pelo menos 10 minutos à leitura do Evangelho ou de outro bom livro;

– 6 de maio: amanhã, ligar para esse parente que tem a esposa doente, e marcar uma visita ou, pelo menos, mostrar-lhe que estou interessado e rezando.

Como dizia acima, são apenas algumas sugestões. Veja você qual seria, no seu caso, a melhor maneira de fazer esse breve exame, de modo que o ajude a retificar as falhas e a ir subindo, dia após dia, pela escada do amor e da perfeição cristã.

 

Retirado do livro: “Para estar com Deus”. Padre Francisco Faus. Ed. Cléofas.

 

 

 

 

FELIPE AQUINO   -      é viuvo, pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br Twitter: @pfelipeaquino

 

 

 

 

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publicado por Luso-brasileiro às 11:39
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PAULO R. LABEGALINI - PERCORRENDO CAMINHOS CERTOS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Uma senhora idosa caminhava tarde da noite pela rua, quando foi abordada por um motoqueiro armado:

- Passe a bolsa, rápido!

- Eu não carrego dinheiro comigo. Deixe-me mostrar a você o que estou levando.

- Nada disso, vovó. Jogue logo a bolsa.

- Meu filho, se for levar o tesouro que tenho aqui, prometa-me que vai cuidar bem dele.

- Cale essa boca senão vou atirar.

A senhora, então, entregou-lhe a bolsa preta – que mais parecia uma sacola. O rapaz puxou o zíper e retirou uma imagem da Mãe Peregrina – três vezes admirável! Olhando para o quadro, ele falou:

- O que é isso?

- É o retrato da nossa Mãe! Nossa Senhora também é a Mãe de Deus e ama muito você!

- Como sabe disso?

- Sei porque ela é a criatura mais pura que Deus pôs na Terra. Nunca pecou e suportou os mais terríveis sofrimentos sem perder a fé. Hoje, ela só nos ajuda!

O jovem soltou a embreagem e a moto apagou. Emocionado e com os olhos fixos no rosto maravilhoso da Mãe Rainha, ele começou a chorar. De repente, apertou a imagem no peito e disse soluçando:

- O que é que eu estou fazendo aqui, meu Deus?

- Você está sendo tocado pela Virgem Maria – disse-lhe a senhora. – Olhe de novo para ela e veja que o Menino Jesus está no seu colo. Ela quer entregá-lo a você! Pode pegar!

Nesse momento, algumas pessoas que passavam pelo local ameaçaram parar, mas a devota da Mãe Peregrina já havia percebido que a arma era de brinquedo e deu sinal para que continuassem andando. O rapaz arrependido, ligou a moto, beijou a imagem e, antes de partir, devolveu o quadro com a arma de plástico em cima, dizendo:

- Por favor, jogue este revólver fora e peça desculpas a Nossa Senhora por mim.

- Ela já perdoou você, meu filho. Vá com Deus!

Ele se foi e a vovó seguiu seu caminho chorando e pensando: ‘Tenho mais duas graças para contar nos encontros que participo. Só mesmo a Virgem Maria pode proteger, ao mesmo tempo, o justo e o pecador. Nem eu fui assaltada e nem ele continuará nessa vida de pecados – tenho certeza disso!’

Coisas assim acontecem todos os dias e são fáceis de perceber quando damos importância à evangelização. Quem evangeliza e quem aceita ser evangelizado, recebe graças a todo momento e se livra de perigos que nem imagina! Só não acredita nisso quem está com a fé completamente adormecida no coração e se desvia dos caminhos certos que levam ao Céu.

Imagine você, leitor(a), se não tivesse rezado o quanto já rezou até hoje, como seria sua vida? Teria ‘se curado’ das doenças que já teve? Teria se libertado das tentações que sofreu? Teria esperança de salvação? Como já disse algumas vezes, o maior milagre que recebemos de Deus é o perdão. Quem não reza e nem pede perdão, pode até achar que vive bem, mas, como sabemos pela fé, a condenação virá. Também por isso é que minhas últimas palavras na oração da noite são estas:

“Jesus, me abençoe, me renove, me liberte, me perdoe, me cure e me salve. Coração Divino de Jesus, providenciai também graças a todas as intenções que mantenho escritas no meu oratório. Obrigado por tudo, eu vos adoro, boa noite Senhor!”

Tento explicar àqueles que converso que ‘se Deus nos ama, somos capazes de amar’. E para que esse amor seja sincero e responsável, precisamos caminhar nas estradas de Jesus: rezando, perdoando, evangelizando, servindo com humildade e, principalmente, nunca enterrando os dons que Ele nos deu. Portanto, acredito fazer a minha parte para que muitas pessoas não venham a ser assaltantes ou assaltadas.

Se trilharmos caminhos certos, nossos filhos e netos também terão no que se apoiar. Jesus foi na frente e, agora, motivamos outros a seguirem os seus passos. Se a cruz for o nosso destino, que tenhamos dignidade para suportar a dor, mas, ao mesmo tempo, temos que manter a fé e a esperança em dias melhores. E isso só faz sentido se lutarmos pelos mesmos direitos para todos, abrindo passagem para o caminho da salvação.

 

 

 

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI - Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor Doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre.‘Autor do livro ‘Mensagens Infantis Educativas’ – Editora Cleofas

 

 

 

 

 

Salvem a Liturgia!: Quando montar a Árvore de Natal e o Presépio?



publicado por Luso-brasileiro às 11:24
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