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Sexta-feira, 29 de Janeiro de 2021
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - HISTÓRIAS EM QUADRINHOS AINDA TÊM ADEPTOS E ENCANTAM MUITA GENTE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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30 de janeiro no Brasil é o Dia Nacional da História em Quadrinhos, já que nessa mesma data, em 1869, o jornal Vida Fluminense (RJ) publicou a primeira "tirinha" de uma história ilustrada chamada “As Aventuras de Nhô Quim”, contando as peripécias de um caipira perdido na cidade grande - escrita e desenhada por Ângelo Agostini.

Vale ressaltar que para minha geração, os heróis das revistas se consagraram no decorrer do século XX, com uma vantagem a mais das grandes celebridades dessa era: a de serem amados pelas crianças e se tornarem inesquecíveis para os adultos. A razão do sucesso residiu no fato de terem sido criados a nossa imagem e semelhança, alguns frutos do cotidiano, outros, nascidos dos nossos sonhos.

 

Um pouco de história

 

Internacionalmente, «The Yellow Kid – O Garoto Amarelo» foi o primeiro personagem. Resultado da disputa de novos leitores, desenfreada por magnatas da imprensa norte-americana e foi criado por Richarda F. Outcaut em 1890. Era um menino de grandes orelhas, vestido com uma camisola que ia até o calcanhar. Em seguida surgiram «Os Sobrinhos do Capitão» de Rudolph Dirks e a partir daí, a corrida se acelerou, tendo sido criado em 1905 por Winsor Mccay, «Little Nemo no País do Sono». Todos esses elementos tiveram um objetivo: fazer rir. A primeira história dramática apareceu em 1912: «Tarzan dos Macacos», do romance de Edgar Rice Burroughs, desenhado por Hal Foster.

A fase áurea dos quadrinhos começou em 1929, com aventura e realismo ganhando destaque. Alex Raymond já celebrizava o seu herói «Flash Gordon», o senhor dos espaços. Mandrake e Lotar já eram sucessos na criação de Lee Falk e Pril Davis, os mesmos de «Fantasma». Outros que

se destacaram: «Jim das Selvas» e «Agentes Secreto X-9», de Alex Raymond; «Dick Tracy», de Chester Gould; «Capitão Marvel», de C. C. Beck; «Terry e os Piratas», de Milton Caniff; «Red Rydes», de Fred Harman; «Cisco Kid», de José Luiz Salinas; «O Reizinho» de Oto Solglow; «Pinduca» de Carl Anderson; «Betty Boop», de Max Fleisher; «Tom e Jerry» de Hanna e Barbera; «Krazy Kat», de George Harriman; «O Gato Felix» de Pat Sullivan; «O Recruta Zero», de Mart Walker; “Popeye”, de Elizie Segar; «Tintin», de Hergé; «Asterix» de Goscinny e Uderzo; «Popo», de Walt Kelly.

Walt Disney talvez tenha sido o mais importante e famoso produtor de desenhos animados. Nasceu em Chicago. Foi desenhista de publicidade e caricaturista durante algum tempo – experiência que transferiu para o cinema, onde começou sua carreira em 1923. Criador do Coelho Oswald, Mikey Mouse, Pato Donald, o cão Pluto e o papagaio Zé Carioca – ou a maioria dos mais célebres «personagens do mundo em quadrinhos».

Entre os mais importantes no Brasil e que tentaram gerar histórias genuínas de nosso povo são: Maurício de Souza, Henfil, Ziraldo e Zélio, entre outros. O primeiro foi o que mais se destacou e seus personagens «Monica», «Cebolinha», «Anjinho”, «Bidu», «Cascão» e «Horácio» já estão sendo consumidos em outros países.

 

Personalidade dos personagens

 

A personalidade dos personagens das histórias em quadradinhos que os celebrou foi o humor acessível a todas as classes sociais. Solidificaram-se e perpetuaram suas imagens entre os homens. Foi uma espécie de tradição de «pai para filho desde 1890». Em cada um, encontramos sempre um pouco de nós.

Vivemos, no entanto, outros tempos. Os heróis já estão sendo substituídos por outros, em diferentes técnicas alçadas pelo avanço tecnológico e baseados até em puros modismos. Games, muita coisa eletrônica, efeitos especiais e inúmeras criações informatizadas que podem

propiciar distração e entretenimento, mas evidentemente não serão os mesmos de meu tempo, cujos personagens lembravam nossos cotidianos e principalmente, os encantos de uma época manifestamente dourada, ingênua e embasada em sonhos, fantasias e até perspectivas futuras.

 

BREVE REFLEXÃO

 

“A vida e uma história em quadrinhos, do qual cada dia e um capitulo e cada um de nós somos meros personagens” (D. Martin).

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor da Faculdade de Direito do Centro Universitário Padre Anchieta de Jundiaí. Ex-presidente das Academias Jundiaienses de Letras e de Letras Jurídicas (martinelliadv@hotmail.com)



publicado por Luso-brasileiro às 15:45
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ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - QUO USQUE TANDEM ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Em 1962, o governo esquerdista de João Goulart promulgou a primeira das várias Leis de Diretrizes e Bases do Ensino, propondo uma transformação radical, gizada, segundo constou, por Darci Ribeiro. A meta era democratizar o ensino. Desde logo foi abolido o Latim e foi intensificado o ensino de “ciências aplicadas”. Para 7 anos depois, previa-se a modificação, também, do ensino de nível médio.

Eu, pessoalmente, sofri muito com essa mudança. Já não peguei Latim no Ginásio (que fiz de 1965 a 1968), falta que lamento profundamente, e que precisei remediar estudando o Latim por conta própria. E, exatamente quando concluí o Ginásio e deveria ingressar no Clássico, fui forçado a entrar num curso médio novo, chamado Colegial, que me obrigou a suportar dois anos de Químicas, Físicas e Biologias que eu detestava. Fiz parte da primeira geração de alunos que não puderam mais optar por fazer o Clássico ou o Científico.

É interessante notar que a grande reforma do Ensino feita pelo Regime Militar tido geralmente como “de direita”, reforma que foi desastrosa e desmantelou o ensino público tradicional, foi inteiramente gizada pelo governo esquerdista de João Goulart. Isso, pouca gente sabe e comenta hoje em dia, mas é verdade. Sou testemunha disso. Como dizia o Y-Juca Pirama, “meninos, eu vi”...

Ao longo dos anos 1970 e 1980, cada vez mais foi decaindo o Ensino Público, ao mesmo tempo que subiam propagandisticamente todos os índices de escolarização do povo brasileiro. Era um progresso quantitativo, que disfarçava uma lamentável decadência qualitativa. Foram se multiplicando os “depromados”, até analfabetos funcionais com cursos superiores concluídos.

Depois de 1990, o problema somente se intensificou. Assistiu-se a uma criação enorme e desordenada de cursos superiores, que diplomam em série pessoas que, “nos tempos de Capanema” não obteriam sequer diploma de Ginásio.

Eu atualmente leciono num curso de Pós-graduação lato sensu e encontro, por vezes, alunos que não têm a menor capacidade para ler e entender um texto, menos ainda para redigir um texto próprio. E todos já foram aprovados por um curso inteiro de graduação, em alguma instituição universitária reconhecida e credenciada pelo MEC.

A débâcle do ensino no Brasil é, hoje, incontestável. Em todos os exames internacionais, comparativos de desempenho de alunos de muitos países, conquistamos o primeiro ou o segundo lugar... de baixo para cima! Ou seja, somos sempre o último ou o penúltimo colocados.

Modismos pedagógicos, como por exemplo o nefasto “construtivismo”; modismos ideológicos, como a tal “pedagogia paulofreiriana”; uma pretensa “democratização” mal entendida; a proibição de aplicar nas escolas princípios meritocráticos, porque “lesivos dos direitos” dos não merecedores; a proibição de se aplicar, nas escolas, uma boa disciplina – tudo isso contribuiu para destruir o ensino brasileiro.

O Chile é um país que seguiu um caminho paralelo ao nosso, mas passou por experiências traumáticas muito mais violentas do que as nossas. Teve três anos de regime comunista de fato, seguido de um longo período de ditadura militar verdadeiramente violenta, nem de longe comparável à brasileira. Sucederam-se, depois da redemocratização, governos de direita e de esquerda, mas sempre mantiveram inalterada uma política educacional baseada em princípios diametralmente opostos aos que vigoraram (e ainda vigoram) no Brasil: disciplina séria, rígida meritocracia e ampliação da escolaridade sem diminuição do nível de ensino. Os bons resultados são visíveis lá, em contraposição ao que temos aqui.

Pergunto: até quando? Ou, em bom latim ciceroniano: “Quo usque tandem?”

 

 

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS  -  é licenciado em História e em Filosofia, doutor na área de Filosofia e Letras, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Portuguesa da História.



publicado por Luso-brasileiro às 15:41
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - DEUS PASSOU E FICOU

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Deus é Aquele que é. Deus passou e ficou. Passou para levá-la e manteve-se para nos fortalecer.
Foram seis dias de nossa mãe hospitalizada em estado grave. Não vir a óbito na noite da internação, após seis minutos de parada cardíaca, questionou os médicos que conversaram comigo.
De repente, a movimentação de meu irmão e da Regina, minha cunhada – mui queridos -, a Áurea Marcelino – que convive conosco há décadas – de olhar assustado à espera de uma resposta de esperança, a Rose Ormenesi de idas e vindas comigo, a Miralice Moreira me fazendo companhia na madrugada, via WhatsApp.  Tantos amigos que se juntaram em prece e palavras de consolo.
Padre Márcio Felipe me disse que era convidada a confiar em Deus. Sacudiu-me em minha autossuficiência.
Não tive dúvida da contagem regressiva do seu retornoao Criador.
Contando com Deus, senti-me chamada a fazer a minha parte nas visitas à UTI: rezar, na unidade de coração, diante de seu rosto sereno, suas preces costumeiras. Não creio em inconsciência total.
Participamos de seu calvário em orações, enquanto o Senhor nos alcançava com Seu olhar e a desejava preparada, na fé, para o último suspiro.
Deus poderia conduzir de outra maneira, mas Ele é Deus misericordioso e por isso nos fez participar de seu desenlace, do aceitar: “Senhor, estou nas tuas mãos”.
A fé exorcizou o medo e me permitiu estar firme lá, mesmo que em pedaços em casa, e com os olhos na Sagrada Face de Jesus.
Dom Vicente, Dom Gil, Padres: Márcio Felipe, Jean-Marie – lá do México -, Milton, Leandro, Márcio Odair, Madre Maria Madalena, Seminaristas Ismael e Edisandro, a todo momento, me anunciando que a fé tira a força da morte, além de colocações que reproduzi acima.
No sétimo dia de seu calvário, suspirou fundo e se foi com Deus que veio.  Páscoa divina e familiar: meu irmão com sua família na mensagem de voz, via celular,  à cabeceira e eu com o terço.
O cântico que Dom Gil me enviou de imediato na hora de sua partida: “Que os anjos te conduzam/ Pela mão, ao Paraíso/ Para a festa do Cordeiro. (...) Quem te amou assim primeiro, / Seja agora a tua paz...”
Ao se retirar, nosso pai deixou três filhos: meu irmão, a mim e a Dom Joaquim, pelo coração, e nossa mãe deixou três netos: Felipe, Renata e Padre Márcio Felipe pelo coração. Acenos do Céu.
Bendito seja Deus por tê-la feito como nossa mãe e por permanecer conosco no convite diário a esperarmos nEle!
O Senhor é meu bem-amado.

 

 

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil



publicado por Luso-brasileiro às 15:34
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CINTHYA NUNES - A EDILEUZA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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            Há alguns meses, talvez logo no início da pandemia, passei a colocar frutas e sementes para pássaros, na sacada de casa, dispostos em um comedouro que improvisei, usando uma caixa de madeira dessas usadas nas feiras livres.

            A ideia de atrair pássaros para o meu quintal já era antiga, mas somente quando acabei ficando mais tempo dentro de casa, ainda que involuntariamente, é que isso se tornou realidade. Já havia colocado dois daqueles bebedouros de beija-flor em uma pequena árvore que temos em um vaso e foi sucesso imediato, mas uma alimentador para pássaros maiores era um desafio, considerando os meus cinco gatos.

            Assim, acabei tendo a ideia de atrair os pássaros para um lugar mais seguro, onde não fossem alvo fácil para os curiosos felinos. Bem defronte a nossa singela sacada fica um pequeno e idoso ipê, do qual cuidamos com verdadeiro carinho, aceitando com gratidão as poucas flores amarelas com as quais ele nos presenteia na primavera e os galhos dele  provavelmente permitiriam aos pássaros melhor aproximação.

            Já no primeiro dia as maritacas vieram e se refestelaram com os generosos pedaços de banana e mamão maduros. Algumas, mais atrevidas, no intuito de garantir exclusividade, carregavam pedaços nos bicos, levando-os para longe. E nos dias seguintes foram chegando também azulões, rolinhas, bem-te-vis e sabiás. De alguma forma eles se organizaram e foram fazendo rodízio no comedouro até que, no meio da tarde, já não há mais nada.

            E assim o tempo foi passando, sempre com as mesmas figuras. Nesses meses vi filhotes de várias espécies sendo alimentados pelos pais e todas as manhãs, se me demoro a colocar as frutas, sempre tem algum a piar, empoleirado nas beiradas da caixa. E a clientela é exigente, porque algumas frutas são sumariamente rejeitadas e para garantir o menu preferido tive que providenciar um esquema com alguns feirantes amigos, os quais me abastecem, a preço simbólico, as frutas que já estão muito maduras para venda.

            E tudo transcorria sem maiores alterações até que, em um belo dia, ela surgiu. Branca e marrom, maior do que a maioria, a Edileuza deu o ar da graça. Edileuza é uma pomba e eu soube como se chamava assim que bati os olhos nela. Nunca conheci ninguém com esse nome, à exceção de uma personagem de programa televisivo, mas não sou capaz de dar qualquer justificativa para o “batismo”. É daquelas criaturas que tem cara do que é, ou seja, tem bico e penas de Edileuza, simples assim.

            O problema é que Edileuza mudou o equilíbrio do meu refeitório para pássaros. Folgada, fica dentro da caixa, impedindo todas as demais aves de se aproximarem. E não que ela seja brava, mas acho que ter alguém sentado na sua comida seja algo que tire realmente o apetite. Não tenho nada contra pombas e até já escrevi outros textos sobre isso, mas não aceito a postura da Edileuza, pois gosto de atender a um público variado e quero manter a diversidade da clientela.

            Costumo admirar as aves por detrás da janela do meu quarto, onde por sinal ficam também os gatos, extasiados e talvez frustrados por estarem diante do inalcançável. Do meu esconderijo vejo Edileuza chegando e se aboletando lá. Deixo que ela coma por alguns minutos e a coloco para correr, ou melhor, para voar. Minutos depois e todo o restante da galera se aproxima. A cada dia, no entanto, a Edileuza fica mais ousada, encarando-me com olhos de reprovação, legitimando seu direito de se alimentar com prioridade e calma. Tempos difíceis para todos.

 

 

 

 

CINTHYA NUNES   -    é jornalista, advogada, professora universitária e considera Edileuza uma pomba abusada demaiscinthyanvs@gmail.com (www.escriturices.com.br)



publicado por Luso-brasileiro às 15:28
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JOSÉ RENATO NALINI - QUE VENHA UM NOVO MUNDO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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No livro “O fim do milênio”, Manuel Castells anunciou a gênese de um novo mundo: culminância histórica de três processos independentes: “revolução da tecnologia da informação, crise econômica do capitalismo e do estatismo e a consequente reestruturação de ambos; e apogeu de movimentos sociais culturais, tais como libertarismo, direitos humanos, feminismo e ambientalismo”.

            Para o pensador, a interação entre esses processos e as reações por eles desencadeadas fizeram surgir uma nova estrutura social dominante, a sociedade em rede, uma nova economia, a economia informacional-global e uma nova cultura, a cultura da virtualidade real.

            Em parte, vivencia-se aquilo que se apregoou. A revolução da tecnologia da informação fez surgir o informacionalismo como a base material de uma nova sociedade. A geração de riqueza, o exercício do poder e a geração de códigos culturais passaram a depender da capacidade tecnológica das sociedades e dos indivíduos. Verificou-se uma nova reestruturação socioeconômica.

            Só que ao analfabetismo em sentido estrito e ao analfabetismo funcional, adicionou-se o analfabetismo digital. Massas excluídas viram destroçado o sonho de ascensão social. Abandonados à própria sorte, grupos sociais em tentativa desesperada de conexão com a economia convencional e de fugir à marginalidade, viram-se conduzidos àquilo que Castells chama de “conexão perversa”. Ela ocorre “quando o crime organizado em todo o mundo tirou vantagem de sua condição para promover o desenvolvimento da economia do crime global”.

            Esse promíscuo vínculo entre os invisíveis e os poderosos alimenta cadeias que exploram as drogas, o comércio de armas, o contrabando e uma série de outros ilícitos. A tragédia está no conúbio entre o fruto econômico da delinquência e a lavagem de dinheiro, sob disfarce de atividades aparentemente lícitas, mas sustentadas pela mais nefasta criminalidade.

            Um Estado perdulário e burocratizado, com vertiginoso crescimento vegetativo, onera os despossuídos com a mais pesada carga tributária do planeta. Oferece, em contraprestação, péssimos, onerosos e ineficientes serviços públicos.

            A democracia representativa não atrai o interesse da juventude. Esta procura se socorrer de apego a movimentos ambientalistas, defesa dos direitos humanos  minoritários, liberdade sexual, igualdade étnica e uma ideia de democracia que se aproxima bastante de uma espécie de neo-anarquismo.

            A crise de legitimidade atinge todas as instituições. Família, escola, Igreja, Estado. Este assenhoreou-se de inúmeras atribuições e delas não deu conta. Como as promessas básicas do acenado bem-estar social não puderam ser cumpridas, perde autoridade e legitimidade.

Uma educação deficitária não prepara o indivíduo para o trabalho. Aferra-se numa transmissão cognitiva de informações desatualizadas e, em grande parte, inúteis. Daí a evasão, o desencanto e o desemprego. Sobram diagnósticos, teses, dissertações, ensaios, pareceres. Reiteram-se avaliações para se chegar ao inquestionável: o brasileiro vive uma era ultrapassada e irreal. Não se ensina a pensar, a criticar, a criar, ou a empreender.

            Mão de obra substituível pela automação é presa fácil das facções. Estas impregnam as entranhas daquilo que um dia se pronunciava com amor: a Pátria. Hoje, ela resta em discursos violentos, irados e pronunciados com ódio, na polarização suicida de um projeto de nação fraterna.

            É nesse momento que a voz ponderada e serena do Papa Francisco exorta o mundo inteiro a se compenetrar de que toda a humanidade integra um coletivo substancialmente homogêneo. Há diferenças mínimas entre os seres humanos. Todos são irmãos e assim deveriam se comportar.

            Fraternidade é hoje conceito jurídico, pois inserto na Constituição da República. Mais uma opção retórica, a esbarrar no aprofundamento das diferenças, pois a distância inicial entre os que têm acesso a uma escola que cumpre sua missão e os que restam desatendidos vai se alargar no decorrer dos anos.

            Ecoará na consciência dos humanos sensíveis esse apelo a uma conversão? Ou continuaremos a manter distância do outro, a reforçar blindagens, a cuidar do próprio umbigo e a acreditar que tudo é obrigação do governo?

            Apesar do panorama desanimador, a situação do mundo parece recomendar reversão urgente do comportamento cidadão. Chegou-se a um ponto em que a inflexão é a alternativa. Inacreditável pensar-se que o caminho rumo ao caos continue a ser trilhado, quando tantas crianças continuam a nascer e têm inequívoco direito a encontrar um mundo melhor. Que venha, pois, esse novo mundo!

 

 

 

JOSÉ RENATO NALINI  é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2020 -2021

 

 

Mãos, Mundo, Mapa, Global, Terra, Globo, Blue, Criativa



publicado por Luso-brasileiro às 15:09
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JORGE VICENTE - VILA NOVA DE FOZ CÔA... A CIDADE DO PALEOLÍTICO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Pode ser uma imagem de texto que diz "VilaNova de FozCóa. Foz acidade Paleolítico Foz Côa reconhecida... Foi com as gravuras Rupestres, Que Foz côa se tornou conhecida. Antepassados eram mestres, tanta belez desc nhecida! Há, também, uma bela pais Vinhas, rios e montanha Valea pena fazer uma romagem, Para apréçiar, comer, conviver! E nestas quase inospitas paisagens, Antepassados nos deixara o que de majs belo eles oriam! Fazendo senipre grandes viagens De outros lugares éles vieram, Deixando as maravilhas que faziam! Jorge Vicente"

 

 

 

 

 

JORGE VICENTE    -   Fribourgo, Suiça

 



publicado por Luso-brasileiro às 14:44
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ANTÓNIO FRANCISCO GONÇALVES SIMÕES - 26 -AS 12 VIRTUDES CAPITAIS DO SÉCULO XXI 3ª. SÉRIE 7º A ETICIDADE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Eticidade é um substantivo feminino que expressa a  qualidade do que é ético e  moral, caracterizando alguém que age dessa forma..

A ética pretende dar um fundamento às exigências morais (ética pura e normativa), estabelecendo por si mesma as leis que terão de determinar a conduta moral da vida pessoal e colectiva. Neste sentido, o seu papel é muitas vezes demonstrar de que maneira é possível superar o relativismo ético.

 

Na antiguidade, os representantes da reflexão ética foram Platão, Aristóteles  e os estóicos.  Nos tempos modernos Kant e Fichte  e na Época contemporânea foram Nietzsche, M. Scheler, N. Hartmann e A. Scvhwitzer.

 

Principio da eticidade. A eticidade com os princípios de operabilidade e sociabilidade, o  princípio da eticidade constitui um pilar importante porque atribui valor à dignidade do ser humano. De acordo com esse princípio, um indivíduo deve ser íntegro, leal, honesto e justo. Isso significa que qualquer atitude que vá contra o princípio da eticidade deverá  ser punida.

 

A eticidade, sendo uma das características do código civil, garante que ele tem “sustentação ética”, porque reconhece e valoriza a probidade, a solidariedade social e outras qualidades do ser humano.

 

Hegel e a eticidade. De acordo com Hegel, a  eticidade também pode ser retratada como “moralidade objectiva” ou “vida  ética” e expressa a verdade de dois conceitos abstratos – O  direito e a moralidade. Segundo o filósofo alemão, a concretização, limitação e mediação da liberdade constituem o âmbito da eticidade, e a fim de realizar  a liberdade está presente na família, na sociedade civil e nos Estados.

 

Explicação da ética. Para Barton  a ética está representada por um conjunto de normas que regulamentam o comportamento de um grupo de pessoas, como, por exemplo, advogados, médicos, psicólogos, psicanalistas etc. Pois é comum que esses grupos tenham o seu próprio código de ética, normalizando suas acções específicas. Nesta interpretação da ética, ela não se diferencia  em nada da moral, com a excepção de que a ética serviria de norma para um grupo determinado de pessoas, enquanto a moral seria mais geral, representando a cultura de uma nação, uma religião ou  época.

Para outros pensadores a compreensão de ética é a seguinte:

A eticidade está na percepção dos conflitos da vida psíquica e na condição, que podemos adquirir, de nos posicionarmos, de forma coerente, face a esses conflitos. Consideramos, portanto, que a ética  se fundamenta em três pré-requisitos:

1) Percepção  dos conflitos(consciência).

2) Autonomia(condição de posicionar-se entre a emoção e a razão, sendo que essa

     escolha de posição é activa e autónoma). 

3) Coerência.

Assim é caracterizado o conceito de ética, reservando-se o termo eticidade para a aptidão de exercer a função ética.

 

O conceito  de ética está vinculado à percepção, autonomia e coerência. Torna-se evidente, por exemplo, que a postura religiosa a uma é autónoma, pois ela não se embassa nesses  pré - requisitos, sendo na prática equivalente a um posicionamento moralista.

Entretanto, coerentemente com o enfoque  dado à moral e à religião, mas, em função do pluralismo necessário para a aceitação de toda a crença que não seja a nossa,  haveremos de  considerar autónomo também aquele que aparentemente opta pela obediência a determinadas regras, não lhe negando (a esse indivíduo) a condição de  eticidade.

 

Um indivíduo  tornar-se-á ético quando puder compreender e interpretar o código de ética, além de actuar de acordo com os princípios por ele propostos. Caberá, entretanto, também ao indivíduo a possibilidade de discordar do posicionamento ético, devendo responsabilizar-se, justificando uma actuação diferente da proposta pelo código.

Para ser ético não basta ter-se conhecimento do código de ética, pois a pessoa poderá actuar apenas de um modo moralista; são necessárias a  assimilação e o amadurecimento de certos conceitos do que é ser um “ ser humano” para que a pessoa evolua e se humanize.

Podemos avaliar a situação de termos uma norma moral arraigada, como por exemplo a de não matar. Pode sobrevir um conflito quando estivermos frente a um indivíduo com morte cerebral, trazendo dúvidas quanto à nossa actuação. Desligando ou não os equipamentos que o estão assistindo. Conflito semelhante pode surgir frente às questões de suicídio assistido ou de  suicídio.

 

Face a todas as reflexões, que são poucas diante da complexa problemática da  eticidade, cremos que o princípio fundamental da ética deva passar basicamente pelo respeito ao ser humano como sujeito actuante e autónomo.

Os Códigos  de ética das diferentes categorias de profissionais de saúde – médicos, psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros, psicoterapeutas etc. – fincam-se, todos eles, nas mesmas bases conceituais. Condições como a de respeito à privacidade, à livre escolha do profissional por parte do paciente, do consentimento informado, permeiam todos esses estatutos legais. Eles devem ajustar-se, continuamente, às situações novas que a  evolução científica e tecnológica nos apresenta, como ocorre com a engenharia genética, a  reprodução assistida, os transplantes de órgãos e a manutenção de certas funções vitais.

Nas sociedades democráticas os códigos de ética representam a consolidação dos princípios éticos assumidos por uma sociedade. Considerando, entretanto, que os princípios são mutáveis, temos que compreender que os códigos são habitualmente retrógrados com relação ao pensar ético, pois eles se referem as experiências passadas, recomendando-se,  consequentemente, a sua análise e revisão periódica face à necessi-                        dade de se “olhar” para o presente.

 

Procuremos praticar a eticidade, cada um no seu grau de acção, para que contribuamos  que este mundo seja mais justo, mais  fraterno e mais  autêntico. Sigamos o lema : “Uma alma que se eleva, eleva o mundo inteiro”.

 

 

 

 

ANTÓNIO FRANCISCO GONÇALVES SIMÕES   -   Sacerdote Católico. Coronel Capelão das Frorças Armadas Portuguesas. Funchal, Madeira.  -    Email   goncalves.simoes@sapo.pt

 

 

 

 

Acaba de sair o novo livro de António Francisco Gonçalves Simões,colaborador deste blogue   -  Coronel Capelão da Forças Armadas Portuguesas.

 

 

 

 

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publicado por Luso-brasileiro às 14:00
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PÉRICLES CAPANEMA - A FUGA DA SOLUÇÃO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Andrés Manuel López Obrador (AMLO), presidente do México, populista de esquerda, entre outros horrores, favorece o castrismo e é leniente com o chavismo. Até por atavismo estimula movimentos revolucionários. Como numerosos dirigentes de mesma orientação, privilegia na área econômica políticas regressivas, ou seja, intervencionistas e estatistas. E assim permanece hoje plantado no atraso. Por exemplo, a PEMEX mexicana, estatal foco de roubalheira e desperdício, não muito diferente de nossa PETROBRAS, pode estar tranquila durante seu mandato de seis anos.

 

AMLO tem problema sério para resolver, vacinar com urgência a população do país contra a COVID-19. Se fracassar, além de causar mortes perfeitamente evitáveis e agravar o fechamento econômico, sua popularidade se arrastará pelo chão. Isso, não quer o experimentado político. O problema, aliás, não é apenas dele, constitui preocupação que vagueia pela cabeça de todo governante em nossos dias.

 

Para vacinar, AMLO usa com força total os recursos do Estado. Em fins de março, é o plano do governo, haverá 15 milhões de vacinados no país ▬ população de aproximadamente 130 milhões. De outro modo, mais de 21 milhões de doses aplicadas, soma de quatro fontes, Pfizer-BioNTech, CanSinoBIO, AstraZeneca e Sputinik.

 

No Brasil, fins de março, população de aproximadamente 210 milhões, segundo planos oficiais, teremos 9 milhões de vacinados. Oxalá. Como se vê, e todos sabem, nossa situação não é nada boa, dito de forma eufêmica. Por que faço o contraste? Por angústia, chamo a atenção para a urgência e relevância da situação e assim, clara como água de pote, fica posta a necessidade de arregimentar toda ajuda de que possamos dispor.

 

Volto ao México. Por coerência com seu passado, AMLO afastará a contribuição da iniciativa privada na resolução da questão. Irá pelo estatismo e intervencionismo. Certo? Errado. Redondamente errado.

 

AMLO, embora certamente não o confesse, conhece por experiência própria a agilidade paquidérmica do setor público, a habitual falta de rumos, as usuais negligência e incompetência. Conhece ainda a corrupção, a roubalheira e os favorecimentos escandalosos. Temerá seus efeitos, pouca vacinação, lentidão, economia parada, mortes em subida, raiva do público. Sua popularidade irá por água abaixo.

 

O que fez AMLO? Afirmou sem rebuços, favorecerá a presença do setor privado na solução do caso espinhoso. Um esquerdista de décadas, digo eu, agredido pela realidade e que navega no caso em mares menos encapelados que os nossos, convida, como outros governos, a iniciativa privada para participar da solução do problema. Informa a Associated Press, despacho de 28 de dezembro último, o presidente mexicano quer a ajuda do setor privado para resolver a questão. “Não nos opomos à comercialização da vacina, a que empresas privadas importem o produto e o vendam a quem possa pagar”. Para tal, ele coloca certas condições que não vem ao caso aqui relatar. E não trata, pelo menos não está no despacho da AP, do caso de empresas importarem o produto, não para vendê-lo, mas para vacinar funcionários e familiares seus, além de doar parte dele para utilização na rede pública, como aqui e ali, foi ventilado por empresários na imprensa brasileira.

 

É mais que justificável, é mesmo necessário e louvável, a distribuição das vacinas ampla e gratuita, privilegiando os mais necessitados, pelo Poder Público. Quanto mais, melhor. O que é absurdo é inibir o setor privado ─ de fato, barrar seus passos ─ a agir na mesma direção, ou seja, contribuir para vacinar logo toda a população. E, com isso, além de expandir a vacinação, diminui o peso no ombro do setor estatal.

 

Por que não acontece? Embora de início autoridades federais tenham levantado a possibilidade de chamar o setor privado para ajudar a resolver a situação, houve retrocesso. Na reunião do Conselho Superior Diálogo pelo Brasil, realizada na FIESP, 13 de janeiro, foi comunicada aos empresários a proibição governamental de os empresários comprarem vacinas para imunizar funcionários. Na ocasião declarou Paulo Skaf, presidente da FIESP: “Uma empresa que tenha 100 mil funcionários, se ela quiser ir ao mercado, comprar uma vacina e vacinar seus funcionários, isso não pode. A campanha de vacinação será orientada pelo governo, pelo Ministério da Saúde, que vai adquirir as vacinas que estiverem aprovadas pela Anvisa e distribuir aos Estados. Então essa possibilidade foi negada”.

 

Perguntei, por que não acontece o chamamento à iniciativa privada? Venho solicitando a atenção ao longo dos anos e em numerosas ocasiões para aspecto verdadeiramente pavoroso de nossa realidade: temos entranhados tumores de estimação, cuidamos deles. Nosso xodó por eles é amazônico. O estatismo é um deles. A reforma agrária, outro. Tem mais.

 

É vital para o Brasil se livrar dessa infecção, causadora de retrocessos sem fim. Enfraquece, estiola, atrofia, debilita, exaure, prostra, depaupera, enlameia o organismo socioeconômico do Brasil. Por fim, as metástases, se não eliminadas, irão matá-lo, como matam todas as sociedades sufocadas pelo coletivismo. Em resumo, de momento tal infecção, que corrói a aplicação do princípio de subsidiariedade entre nós, corta a possibilidade de o Brasil tomar o lugar natural que lhe reservam suas potencialidades.

 

Calo-me e deixo a palavra a palavra para empresário de valor que sentiu na carne a infecção letal dos tumores de estimação. Salim Mattar foi para o governo com intenção de ajudar, saiu quando percebeu a virtual inutilidade de sua presença. Coloco a seguir algumas constatações do corajoso líder empresarial: “Os liberais que vieram para o governo cabem num micro-ônibus e são vistos como pessoas sonhadoras”. E, à vera, são os de espírito objetivo, que buscam evitar as destruições causadas pelo tumor do estatismo, utopia letal.

 

Observa Salim Mattar sobre estatais, sorvedouro de recursos públicos que poderiam ser utilizados para melhorar a vida dos pobres: “Nós poderemos fechar todas as empresas que são deficitárias. Nós temos 18 empresas, hoje, que dependem do orçamento público para sobreviver. O orçamento para 2020 foi de R$ 20 bilhões de reais. Estamos tirando isso do bolso dos cidadãos pagadores de impostos e colocando em 18 empresas que dão prejuízo”.

 

Prossigo, agora ecoando o sofrimento, a perplexidade e a angústia de milhões, inconformados com a lerda vacinação no Brasil. Uma das formas de acelerá-la, talvez mesmo de resolvê-la rápida e definitivamente, seria, de forma sensata e ágil, por meio de legislação adequada, buscar a mais ampla e efetiva colaboração da iniciativa privada. Por que paira sobre nós, como nuvem tóxica, a determinação de evitá-la? Ou, de outro modo, uma vez mais, tumores de estimação impedirão a saúde? Não fujamos do problema, evitá-lo é política suicida.

 

 

 

 

 

 

 

 

PÉRICLES CAPANEMA - é engenheiro civil, UFMG, turma de 1970, autor do livro “Horizontes de Minas"



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FELIPE AQUINO - MARIA, VERDADEIRA MÃE DE DEUS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vejamos como a Santíssima Virgem é realmente Mãe de Deus. Para que uma mulher possa se dizer verdadeiramente mãe, é necessário que outorgue a sua prole, por via de geração, uma natureza semelhante (ou seja, consubstancial) a sua.

Aceita esta óbvia noção de maternidade, não é tão difícil compreender de que modo a Virgem Santíssima possa ser chamada verdadeira Mãe de Cristo, havendo Ela provido a Cristo, por via de geração, uma natureza semelhante a sua, ou seja, a natureza humana.

A dificuldade surge, sem embargo, quando se busca compreender de que modo a Virgem Santíssima pode ser chamada Mãe de Deus, pois não se vê bem, a primeira vista de que modo Deus possa ser aqui gerado. Não obstante isso, se observarmos atentamente a duas fórmulas: Mãe de Cristo e Mãe de Deus. Elas se equivalem, pois significam a mesma realidade e são, por isso, perfeitamente sinônimas.

 

 

 

 

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Mãe de Cristo e Mãe de Deus

 

Nossa Senhora, com efeito, não é denominada Mãe de Deus no sentido de que houvesse gerado a Divindade (ou seja, a natureza divina do Verbo), e sim no sentido de que gerou segundo a humanidade a divina pessoa do Verbo.

O sujeito da geração e da filiação não é a natureza, mas a pessoa. Agora, a divina pessoa do Verbo foi unida à natureza humana, provida pela Virgem Santíssima, desde o primeiro instante da concepção; de modo que a natureza humana de Cristo não esteve jamais caracterizada, nem inclusa por um instante, pela pessoa personalidade humana, senão sempre subsistiu, desde o primeiro momento de sua existência, na pessoa divina do Verbo. Este e não outro é o verdadeiro conceito da maternidade Divina, tal como foi definida pelo Concílio de Éfeso, em 1431.

Em resumo, Maria concebeu realmente e deu a luz segundo a carne à pessoa divina de Cristo (Única pessoa que há Nele) e, por conseguinte, é e deve ser chamada, com toda propriedade, Mãe de Deus.

Não importa que Maria não tenha concebido a Natureza divina como tal (tão pouco as outras mãe concebem a alma de seus filhos), já que essa natureza divina subsiste no Verbo eternamente e é, por conseguinte, anterior à existência de Maria.

Ela, sem embargo, concebeu uma pessoa – como todas as mães – e como essa pessoa, Jesus, não era humana, senão divina, segue-se logicamente que Maria concebeu segundo a carne a pessoa divina de Cristo, e é, portanto, real e verdadeiramente Mãe de Deus.

Dado o que acima demonstramos podemos concluir que o dogma da Divina Maternidade compreende que Maria é verdadeira mãe, ou seja, Ela contribuiu na formação da natureza humana de Cristo com todo o que aportam as outras mães na formação do fruto de suas entranhas e que Maria é verdadeira Mãe de Deus, pois, concebeu e deu a luz à segunda pessoa da Santíssima Trindade, ainda que não em relação a sua natureza divina.

 

 

 

 

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Leia também: Maria é a Mãe da Igreja

Por que Deus escolheu Maria para ser a Mãe de Jesus, nosso salvador?

O Verbo assumiu nossa natureza no seio de Maria

De que modo Maria também é a nossa mãe?

Nossa Senhora, Mãe do que sofre

Maria no nascimento de Jesus

Santa Maria, Mãe de Deus

 

 

 

 

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A primeira alusão à Mãe de Deus nas Escrituras

 

“Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre tua descendência e a descendência dela. Ela te ferirá a cabeça, e tu ferirás o calcanhar dela” (Gen III, 15). A tradição cristã encontrou neste trecho das Escrituras denominado de Proto-Evangelho, o primeiro traço que serve para designar o Messias e sua vitória sobre o espírito do mal. Com efeito, Jesus representa eminentemente a descendência da mulher, na luta contra a linhagem da serpente. Se Jesus é assim chamado, não é em virtude do laço remoto que o une a Eva, pois esta não pode transmitir a seus descendentes senão a natureza decaída, ferida, privada da vida divina, mas em razão do laço que o une a Maria, no seio da qual Ele tomou uma humanidade imaculada.

A Escritura nos diz expressamente que Maria é a Mãe de Jesus: “Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo” (Mt 1, 16). “Estavam junto à cruz de Jesus, sua Mãe…” (Jo 19,25). “Com Maria, a Mãe de Jesus…” (At 1, 14). Jesus não é apresentado como concebido pela Virgem (Lc I, 31) e nascido da Virgem (Lc II, 7-12).

Mas Jesus é verdadeiro Deus, como resulta de seu próprio e explícito testemunho, confirmado por milagres, pela fé apostólica da Igreja, pelo testemunho de São João etc. Para poder negar sua divindade, não há outro caminho senão rasgar todas as páginas do Novo Testamento.

Agora, se Maria é a verdadeira Mãe de Jesus e Jesus o verdadeiro Deus, se segue necessariamente que Maria é a verdadeira Mãe de Deus. São Paulo ensina explicitamente que “chegada à plenitude dos tempos, Deus mandou seu Filho, feito de uma mulher” (Gal IV, 4). Por estas palavras, manifesta-se claramente que Aquele que foi gerado desde toda a eternidade pelo Pai é o mesmo que foi depois gerado no tempo pela Mãe; mas aquele que foi gerado desde toda a eternidade pelo Pai é Deus, o Verbo. Portanto, também o que foi gerado no tempo pela Mãe é Deus, o Verbo.

Todavia, mais clara e explícita é a expressão de Santa Isabel. Respondendo à saudação que Maria lhe dirigiu, Santa Isabel, inspirada pelo Espírito Santo disse cheia de admiração: “E com me é dado que a Mãe de meu Senhor venha a mim?” (Luc I, 43).

A expressão meu Senhor é, evidentemente, sinônimo de Deus, já que, em seguida, Isabel diz: “Se cumprirão em Ti todas as coisas que te foram ditas de parte do Senhor”, ou seja, de parte de Deus. Isabel, portanto, inspirada pelo Espírito Santo, proclamou explicitamente que Maria é a verdadeira Mãe de Deus.

 

Inácio Almeida

 

 

 

 

 

 

FELIPE AQUINO   -  é viuvo, pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br Twitter: @pfelipeaquino



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PAULO R. LABEGALINI - OS QUATRO EVANGELISTAS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Após uma breve pesquisa, inicio este artigo sobre os autores sagrados dos Evangelhos.

Toda teologia do Antigo Testamento se centra em ‘Javé, o único Deus’, e, na época de Cristo, todos deveriam praticar 613 mandamentos: 365 proibições e 248 orientações positivas; o que, convenhamos, era muito complicado até para memorizar. Então, Jesus simplificou tudo: “Ame a Deus na totalidade e o próximo como a si mesmo”.

São Mateus foi instrumento do mais longo e daquele que é considerado o Evangelho da Igreja – escrito na Palestina, entre os anos 70 e 80, para os cristãos provenientes do judaísmo. Contém sete partes: prólogo, cinco livrinhos e conclusão. O autor insiste no tema ‘justiça’, apresenta Jesus como Emanuel – Deus está conosco! – e sempre cita as promessas do Antigo Testamento – cumpridas para formar o Reino dos Céus.

Mateus chamava-se Levi, filho de Alfeu, e era cobrador de impostos – odiado pela população. Quando se encontraram, Jesus apenas lhe disse: “Segue-me”, e ele se tornou um dos doze. A partir de então, participou da vida pública do Mestre e testemunhou seus ensinamentos de amor e justiça: “Quero misericórdia e não sacrifício”. Considerando as profissões de hoje, diríamos que foi o repórter da época.

Já um dos objetivos do Evangelho de São Marcos é responder a pergunta: ‘Quem é Jesus?’ Embora o autor nos deixe chegar à conclusão, um centurião romano conclui ao vê-lo morrer: “De fato, esse homem era o Filho de Deus”. Todo o texto sagrado foi escrito em Roma, entre 65 e 70, após o martírio de Pedro e Paulo. É o mais curto dos Evangelhos e, também, o mais simples de compreensão.

Marcos ressalta que Jesus começou a pregação pela Galileia, onde só havia marginais, dizendo: “Convertei-vos e crede no Evangelho”. O autor também apresenta a luta entre o bem e o mal e quase não cita o Antigo Testamento. Faz narrações dos milagres, da conversão da multidão – “todos ficaram admirados!” – e, depois, mostra muitas reflexões de Jesus com os apóstolos antes da morte. Pedro chamava este evangelista de ‘meu filho’.

São Lucas enfatizou o tema da ‘misericórdia’. Escreveu seu Evangelho por volta do ano 80, após a destruição de Jerusalém e, entre os três sinóticos – Marcos, Lucas e Mateus –, foi o último a ser escrito. Também foi autor dos Atos dos Apóstolos, apoiado na autoridade de Paulo, de quem era companheiro fiel até mesmo no cativeiro. No Evangelho, onde tudo converge para Jerusalém, mostrou o ‘caminho de Jesus’ e, nos Atos, onde tudo parte de Jerusalém, relatou ‘o caminho da Igreja’. Juntando os dois textos, o evangelista apresentou o ‘caminho da salvação’.

Lucas era médico, de origem pagã e o único não judeu. Não fez parte dos doze, mas foi discípulo dos apóstolos e um grande pesquisador da história que viveram. Portanto, não viu Jesus em vida, assim como Paulo, mas O apresenta na Escritura como ‘Salvador de todos os povos e cheio de misericórdia para com os pecadores’. Enfatiza a necessidade da oração e foi o maior biógrafo de Nossa Senhora e do Menino Jesus. Pregou até os 84 anos.

O Evangelho Espiritual de São João – rico em símbolos, imagens e linguagem do amor – apresenta Jesus como o ‘Cordeiro de Deus, Servo que tira o pecado do mundo’. Não escreveu aos pagãos, mas aos cristãos, enfatizando o mistério da Encarnação. Foi o último dos quatro a ser escrito, entre os anos 90 e 100, contendo dois capítulos e quase sem parábolas. Escreveu, ainda, o Livro do Apocalipse e três cartas.

Era filho de Zebedeu e Salomé, irmão de Tiago apóstolo, pescador, o mais novo dos doze e também aquele que o Mestre mais amava. Inicia os seus Escritos dizendo que ‘Jesus é Deus no meio de nós’, e todo o Evangelho é marcado pelos sete milagres: as bodas de Caná; as curas do filho do funcionário real, do paralítico e do cego de nascença; a ressurreição de Lázaro; a multiplicação dos pães; e Jesus caminhando sobre as águas. João destaca dois sacramentos como centro do seu Evangelho: a Eucaristia, representada pelo sangue; e o Batismo, tendo a água como símbolo.

Há uma história de um menino que se levantou cedo disposto a preparar uma surpresa para os pais. Queria fazer panquecas, mas, ao abrir o armário, acabou derrubando a lata de farinha no chão da cozinha. Percebeu o pai chegando, tentou limpar tudo depressa e acabou inteiro branco. Vendo o filho assustado, ao invés de dar-lhe uma surra, o pai o abraçou e o beijou.

É assim que somos tratados por Deus quando causamos alguma confusão. Ele nos coloca no colo e, apesar de nossas bagunças, sempre nos perdoa; porém, já é hora de conhecermos melhor os Evangelhos para termos certeza do tipo de ‘surpresa’ que mais agrada o Salvador.

 

 

 

 

 

 

PAULO R. LABEGALINI    -  Cursilhista e Ovisista. Vicentino em Itajubá. Engenheiro civil e professor doutor do Instituto Federal Sul de Minas (Pouso Alegre - MG).



publicado por Luso-brasileiro às 13:00
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - A VIDA NOS ANOS CINQUENTA EM PORTUGAL

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Sou da geração em que havia: respeito e autoridade.

As senhoras, em geral, acumulavam as tarefas do lar, com os afazeres profissionais – se os tinham, – e desempenhavam alegremente o maneio da casa, com prazer, e não obrigação.

Se alguma da classe média, contratava criada, a maioria considerava dever seu, e faziam-no sem ajuda de utensílios eléctricos, porque não os havia.

Os cavalheiros, eram sisudos. Raramente auxiliavam as esposas, seguido a rigor o velhíssimo anexim: “ O marido barca, a mulher arca”.

Cabia ao homem, o dever de sustentar a família; à mulher: cuidar dos filhos e manter o lar acolhedor.

Os filhos, em norma, eram obedientes, amorosamente submissos à mãe, e temiam o pai: “-Olha que vou contar ao teu pai!”, era o bastante para aquietar o rebelde.

As crianças, do povo, andavam descalças; não na cidade. Folgavam na rua. Brincavam com a imprescindível bola – feita de trapos e meias velhas, – e divertiam-se com joguinhos tradicionais.

A família, convivia: com vizinhos e parentes. Visitava-se frequentemente. Tomava-se, ao lanche, chá com torradas – se pertenciam à classe média, – e bolinhos secos. Quase sempre, a dona de casa, ofertava bolo caseiro, muito elogiado: “ -Depois há-de me dar a receita!”

A vida era simples. Poucos possuíam viatura, e menos ainda viajavam para o estrangeiro.

Os que possuíam casa, quinta, na província, fabrica ou comércio,na cidade, eram considerados ricos.

Os superiores hierárquicos eram tratados por excelência: -” Vª Ex.ª é quem manda…” - dizia o manga de opaca

Os filhos pediam a bênção e dirigiam-se aos pais, por você: “ - A Senhora quer que ponha a mesa?” Ainda ouvi, nos anos setenta, a moça, em São Paulo.

Respeitava-se o professor. Bastava este pedir a presença da mãe, para aterrorizar o mais destravado.

As escolas, das primeiras letras, tinham palmatória (pequena régua de madeira,) e cana. Dizem, que nos anos vinte, havia pancadaria brava. A cana nodosa, sibilava nas orelhas e na nuca, ao mais simples desrespeito.

Esses excessos, já não haviam no tempo da minha geração.

Escusado será dizer: que não havia: televisão, gravadores e telefones moveis…

Havia, infelizmente, garotos obscenos e moças assanhadas, mas a maioria, eram simples, de ingenuidade quase angélica.

Todos os jovens ou quase todos, deslocavam-se a pé, para a escola e emprego (nem todos estudavam,) em grupinhos divertidos.

Assim era a vida da maioria das pessoas, após a 2ª Grande Guerra.

Essa conduta pacata, alterou-se: modas, condutas, pareceres…

O que era natural e aceite, passou, em certos casos, a ser condenável; e o que era condenável, passou, muitas vezes, a ser aceite, e até acarinhado por mitos…

Tudo muda, tudo passa…Mudam-se os pareceres, mudam-se os conceitos, mudam-se, as vontades; mas só o coração do homem não muda…

 

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 12:11
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