PAZ - Blogue luso-brasileiro
Sexta-feira, 26 de Março de 2021
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - Amanhã é DIA DO CIRCO no Brasil

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Estripulias de palhaços, malabarismos, mágicas, olhares surpresos e gargalhadas fazem parte de um universo fantástico chamado circo.

         Quem hoje, que já passou dos quarenta anos, não se lembra da alegria contagiante que o circo provocava desde que iniciava sua temporada numa cidade?

Era gostoso ver o desfile anunciando sua estréia, visitar o local onde se instalava e finalmente assistir aos espetáculos.

         Hoje, infelizmente, com a televisão, a internet e o consumismo desenfreado que impera nas relações humanas, a arte circense está meio adormecida entre as pessoas.

Vai sobrevivendo em função de uns poucos abnegados artistas ou montagens mais modernas, misturando personagens já conhecidos com os tradicionais personagens do picadeiro, como recentemente fez a Turma da Mônica com o Circo dos Sonhos.

Há ainda os Circos Escolas e trupes que optam continuar enfrentando os obstáculos, que atualmente vão desde a dificuldade para encontrar um terreno para instalarem a lona, até o sofrimento para atrair público, já  distanciado da tradição circense.

Mesmo assim, num esforço para manter a arte da lona e do picadeiro viva, muitos reinventam suas performances, tentando preservar a magia vibrante do circo.

Piolin, o mais emblemático dos palhaços brasileiros, completaria 122 anos no  dia 27 de março. É em homenagem ao seu aniversário que nesta data se comemora o Dia do Circo. Aproveitamos a ocasião para reverencia-lo. Ele começou a sua carreira por acaso, como substituto e nunca mais largou o ofício.

Tinha só oito anos e apresentava vários números no circo de seu pai – o Circo Americano. Um belo dia, o garotinho teve que se passar por um palhaço e, de tanto talento, arrancou risos e mais risos da plateia. Piolin emigrou para outros meios de comunicação. Fez filmes, gravou discos e realizou incontáveis espetáculos.

Mas foi no circo, onde a sua simplicidade, alternando-se com seu grande dom artístico, o consagrou e ele por sua vez, eternizou essa importante forma e virtuosa arte de alegrar e entreter as pessoas.

O (seu) epitáfio de seu túmulo, assim dispõe: “Meu sonho era ser engenheiro. Queria construir pontes, estradas, castelos. Construi apenas castelos de sonhos para minha gente. Sou, de qualquer maneira, um engenheiro. E, estou feliz com isso”.

Em sua homenagem e a todo encanto que a arte circense provoca, nosso desejo que o circo viva muito tempo ainda.  Que vença as suas dificuldades. Que ganhe cada vez mais apoio oficial e prestígio popular.  A cultura brasileira só teria a agradecer e o público, parafraseando o também palhaço Arrelia, responderia com ênfase a sua típica indagação:  “como vai?, como vai? como vai?”: - “Muito bem, muito bem, muito bem, bem, bem!”.

 

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor da Faculdade de Direito do Centro Universitário Padre Anchieta de Jundiaí. É autor de inúmeros livros, entre os quais “O Sentimento de Justiça” (Ed. Litearte). Ex-presidente das Academias Jundiaienses de Letras e de Letras Jurídicas (martinelliadv@hotmail.com)

 

 

 

Circo de Monte Carlo" está de volta à SIC - Fantastic - Mais do que  Televisão

 

 

 

 

 



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ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - RECORDANDO UMA GRANDE DAMA LUSO-BRASILEIRA (2)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Continuo recordando a grande figura da Profa. Dra. Nelly Martins Ferreira Candeias, que nos deixou no último dia 27 de janeiro.

A primeira vez que me lembro de ter conversado com ela foi no ano 2000. Houve um almoço no Terraço Itália, promovido pela Academia Paulistana da História, para a entrega do Prêmio Clio de História aos autores de alguns livros sobre a História de São Paulo, publicados no ano anterior. Éramos vários os premiados, quase todos acompanhados por familiares e amigos convidados; no total, havia cerca de 100 pessoas no almoço. Para surpresa geral, compareceu o prefeito de São Paulo, Celso Pitta, que já estava então sendo acusado de irregularidades, já estava sendo acossado de todos os lados e deveria, pouco depois, concluir seu mandato, sem se recandidatar. Sua popularidade já estava muito em baixa. Nesse almoço, estava a Dra. Nelly, mas, no meio de tanta gente, não chegamos a conversar. Mas, saindo do almoço, recordo que fui para o IHGSP, onde novamente encontrei Dra. Nelly, e juntos comentamos, rapidamente, a coincidência do duplo encontro, no mesmo dia.  Que me lembre, foi a primeira vez que falamos.

Percebi, desde logo, tratar-se de uma mulher muito inteligente, determinada, com grande capacidade de realização e uma incrível força de vontade. Seu currículo, na USP, confirmou plenamente essa primeira impressão. Notava-se, por outro lado, ser pessoa educadíssima, refinada e de excelente trato social. Igualmente essa impressão foi confirmada em incontáveis ocasiões, nos anos posteriores. Mesmo nos momentos mais dramáticos, até mesmo em debates acalorados, a Dra. Nelly sempre se portou com absoluto autodomínio, sempre em grande estilo, com uma espécie de grandeza sem nada de afetado ou artificial, mas pelo contrário, muito natural em sua pessoa.

Depois do primeiro encontro, somente no final de 2001, quando ela se candidatou à presidência do Instituto, voltei a ter contato com ela.

Ela me telefonou, certa noite, para pedir meu voto. É provável que estivesse com uma lista de eleitores, ligando para todos. Possivelmente, nem se recordasse bem de mim, não ligasse meu nome ao de uma rápida conversa de mais de um ano antes.

Na véspera ou na antevéspera, havia me telefonado o antagonista de Dra. Nelly, o antigo presidente que procurava reeleger-se. Era um senhor com quem eu tinha excelentes relações, pois fora por indicação dele que eu, 7 anos antes, ingressara no IHGSP; poucos meses antes, eu até havia editado um livro desse senhor. Ele me convidou para fazer parte de sua chapa, dizendo que eu poderia escolher qualquer dos cargos, menos o de Presidente, naturalmente, que ele reservava para si. Declinei de modo amável, pois sabia que sua causa já estava de antemão derrotada. Seus três anos de mandato tinham sido decepcionantes. Ele nem sequer residira em S. Paulo, durante esse período, mas num município do interior, no qual havia nascido e do qual fora nomeado Secretário da Cultura. O Instituto estava em total decadência, com dívidas assustadoras, parecia próximo de chegar ao seu fim. Um dos membros da chapa desse senhor me disse que somente havia uma coisa a fazer, e essa era a missão inelutável da próxima diretoria: declarar o Instituto insolvente, encerrar as atividades sociais e doar à USP, se a USP quisesse receber, todo o acervo do Instituto, sua biblioteca, seu arquivo e seu museu. Tudo seria entregue, desde que a USP se comprometesse a colocar uma placa de bronze, no local que destinasse para conservar o acervo, declarando que se tratava de doação do extinto IHGSP...

Essa mesma pessoa me disse que somente aceitara fazer parte da chapa do então presidente do IHGSP por razões de amizade e gratidão, mas me confidenciou que talvez até votasse na chapa oposta, ou seja, na Dra. Nelly, por ser um mal menor para o Instituto. Ela, se eleita, rapidamente se convenceria de que o Instituto era inviável e, sendo professora titular da USP, poderia fazer a transferência do acervo em condições mais propícias do que com o presidente antigo.

Quando Dra. Nelly me telefonou, para pedir meu voto, eu disse a ela, com franqueza e lealdade, que não a conhecia ainda suficientemente, mas já tinha todas as razões para considerar sua chapa como preferível à alternativa, de modo que assegurei que votaria nela. Apenas ponderei à Dra. Nelly que, sendo amigo pessoal do seu oponente e sendo, ademais, grato a ele, preferia manter meu apoio discreto, sem partir para a oposição frontal em relação a seu antagonista. Ela, com muita elegância, respondeu que compreendia e aprovava minha postura.

De fato, a chapa de Dra. Nelly foi eleita com esmagadora maioria de votos e, desde o início, Dra. Nelly iniciou seu hercúleo trabalho de reerguimento do Instituto, trabalho esse que está descrito num relatório que redigi e foi publicado na revista do Instituto, referente ao período janeiro 2002/agosto 2004.

A chapa derrotada passou, imediatamente, a ser oposição. Passei a apoiar e colaborar, em toda a medida das minhas possibilidades, com a nova diretoria, mas, de comum acordo com Dra. Nelly - sempre elegante nas suas posturas - mantive bom relacionamento pessoal com seu opositor vencido. Esse bom relacionamento somente cessou quando, dois ou três anos depois, o antigo presidente moveu processo injusto contra a administração de Dra. Nelly, acusando-a de estar liquidando o patrimônio do Instituto. Desde então, nunca mais tive relações com o antigo presidente.

 

 

 

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS  -  é licenciado em História e em Filosofia, doutor na área de Filosofia e Letras, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Portuguesa da História.

 

 

 

 

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CINTHYA NUNES - SUBTERRÂNEAS ÁGUAS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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            Fecho os olhos e penso que consigo imaginar o cenário. O riozinho de águas limpas, repleto de peixes, com verdes margens pelas quais pequenos mamíferos e anfíbios se revezavam, serpenteava as ruas do bairro em que vivo.

            Apenas recentemente descobri a existência dele, no entanto. Infelizmente, nada mais tem da beleza e da vida de outrora. Canalizado na década de 60, o Córrego do Sapateiro hoje corre oculto, moribundo sobre o asfalto que o sepultou.

            Há cerca de doze anos, quando me mudei para a Vila Clementino, assim denominado um pequeno recorte da conhecida Vila Mariana, na cidade de São Paulo, ouvi, de antigos moradores, já idosos, que tudo aqui em volta fora, um dia, um vale pelo qual um rio passava. Nunca me deram maiores detalhes e, para além de lamentar saber da canalização, também não busquei outras informações.

            Há pouco mais de um ano, enquanto caminhava com minhas cachorras, notei que em alguns locais havia a inscrição “Aqui passa o Córrego do Sapateiro”. Muito mais perto do que eu imaginava, há menos de 50 metros de minha casa, assim, escondido pelo avanço brutal da cidade grande, um rio, agora subterrâneo, tem seu curso, o qual se alonga até o Parque do Ibirapuera, onde por fim respira em um pequeno trecho, abastecendo os lagos do local e terminando por desembocar no Rio Pinheiros.

            De acordo com uma pesquisa que fiz na internet, ao todo o Córrego do Sapateiro tem 6.600 metros de extensão e, segundo com a fonte consultada, era anteriormente chamado de Rio das Pedras. Teria mudado de nome em função da existência de um curtume que havia nas proximidades do Matadouro Municipal, atual Cinemateca. Naquela região as águas do rio eram tingidas de vermelho, pelo sangue dos animais abatidos.

            Não posso deixar de lamentar a forma pela qual são tratados os cursos d’água em nosso país, sobretudo aqueles que se situam nos trechos urbanos. Assoreamento, poluição e canalização têm colocado fim não somente à beleza, mas à vida que vem através da água e por conta dela.

            Pela localização do Córrego do Sapateiro, passível de verificação pelo mapa das águas invisíveis de São Paulo e pelas demarcações feitas em alguns locais do bairro, estou certa de que eu poderia avistá-lo da janela do meu quarto e fantasio imagino o quão incrível seria  essa visão caso ele tivesse recebido o tratamento adequado.

            Por certo que o bairro não teria a mesma conformação e, muito provavelmente, nem mesmo minha casa estaria no mesmo lugar, mas ainda assim eu gostaria que as coisas fossem diferentes, que os seres humanos tivessem uma relação de respeito com o meio ambiente, permitindo que os rios corressem libertos e repletos de vida.

            Não creio que um dia o Córrego do Sapateiro volte à superfície, que recupere, mesmo em partes, seu caminho externo. Correrá até o fim dos tempos por dentro da terra, perpassando galerias misteriosas, numa via crucies solitária, escondida dos olhos curiosos de quem nunca o viu ou jamais o esqueceu.

            Além de algumas poucas fotos que localizei na internet, não há muitos registros do Corrégo do Sapateiro,  o que é uma pena e mais uma prova do descaso com o qual a natureza é tratada. Considero, entretanto, que ainda tenho o mínimo privilégio de ouvir o Córrego ou o que restou dele, já que em um determinado local, aqui bem próximo, é possível escutar as águas correndo pela galeria subterrânea, quase num lamento.

            Dizem que um rio nunca é o mesmo, pois suas águas nunca são as mesmas. Nesse e em tantos outros casos, a mais pura e infeliz verdade.

Obs. E você, leitor, sabe alguma coisa sobre a história dos rios canalizados de sua cidade?

 

 

 

 

CINTHYA NUNES   é jornalista, advogada, professora universitária e gostaria, mais do que nunca, de poder molhar os pés nas águas de rios cristalinos – cinthyanvs@gmail.com/www.escriturices.com.br

 

 

 

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A linha vermelha indica o curso do corrego

           

       



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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - ESCOLHA A ESCOLA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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“Escolha a Escola” é o título do primeiro livro do meu amigo Prof. Eliezer Barbosa da Silva, embora ele já tenha participado de antologias. Nascido em Pernambuco, em Bezerros, encontra-se em Jundiaí desde 1997. Sua cidade natal é rica em cultura como a encontrada no ateliê do Mestre de xilogravura, artista e cordelista J. Borges, que retrata o cotidiano do nordestino.  É impregnada também pelas belezas da natureza: as do Parque Ecológico de Serra Negra.
Trouxe para cá sua alma inspirada por essa realidade, além dos cuidados ternos que recebeu de seus pais, de quem possui o maior orgulho. Foi aqui que se fez professor e transformou muitas de suas aulas em poesia.
O amor à palavra, inerente ao autor, me faz recordar o Romanceiro da Inconfidência de Cecília Meireles: “Ai, palavras, ai, palavras/ que estranha potência a vossa! / Todo sentido da vida/ principia a vossa porta:/(...)/ sois o sonho e sois a audácia, / calúnia, fúria, derrota...”
Gostei muito do título do livro: “Escolha a Escola” e o acréscimo: “Porque estudar é a maior rebeldia”. Verdade. Estudar, não apenas frequentar a escola, possibilita a lucidez das virtudes, que de fato podem transformar a sociedade em que vivemos; a lucidez sobre os limites da liberdade de expressão para o bem.
Seu amor incondicional aos alunos e à equipe das escolas pelas quais passou se sobressaem.
No poema à Escola Estadual Dom Joaquim Justino Carreira, na qual foi professor, colocou como título “Dom Jardim”. Dentre outros versos, “Lá no bairro do Almerinda/ Comecei a florescer/ Juntamente àquelas flores/ Que ainda estão lá plantadas. / (...) Amo minha segunda casa/ Dom Joaquim Justino Carreira/ Um jardim que nos abraça...”. Além da beleza das imagens, o título “Escola Dom Jardim” me transporta para quem lhe deu o nome, meu inesquecível amigo Dom Joaquim, que era das sementes, das flores, dos frutos. Dom Joaquim afirmava que “Ter fortaleza é ficar firme diante dos acontecimentos principalmente das dificuldades...”. O mestre, sem dúvida, carrega o dom da fortaleza.
Quanto ao poema “A Casa da Fonte”, com seu histórico desde a  inauguração da CSJ – responsável pela construção e operação da Estação de Tratamento de Esgoto, nossos agradecimentos e a certeza de que desejamos ser o que o autor coloca em versos:
“...O amor une as pessoas, estreita os laços também
Quem antes era ajudado, agora ajuda alguém
Se você não nos conhece o convite está feito
Venha beber desta fonte, que a todos tem aceito...”
Conforme ele escreve na apresentação, o livro é “gostoso de se ler, é uma ode à educação...” Sem dúvida, estudar e ser do correto é a maior rebeldia.

 

 

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil



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JORGE VICENTE - GOSTO ...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Pode ser uma imagem de uma ou mais pessoas, flor e texto que diz "Gosto... Gosto de fazer chorar A lua no entardecer Mas, gosto de fazer cantar o sol no seu amanhecer! Gosto de fazer calar ο vento quando sopra Se ele me vem acordar Fico pior que uma cobra! Gosto de fazer vibrar Quando o amor me visita É momento para amar É sempre o melhor da fita! Também gosto de fazer rir Nos momentos de tristeza Faz bem a todos sorrir É um sinal de grandeza! Jorge Vicente"

 

 

 

 

 

 

 

JORGE VICENTE    -   Fribourgo, Suiça



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JOSÉ RENATO NALINI - A AUTOMAÇÃO ROUBARÁ SEU EMPREGO?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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            Já não deve surpreender ninguém que o amanhã será um deserto de empregos. Mas não de atividades. Estas surgirão e demandarão pessoas qualificadas para exercê-las. O autor do livro “Um Mundo Sem Trabalho”, Daniel Susskind, constatou que a pandemia acelerou a automação. Aquilo que era projeto passou a ser realidade.

            Para o pesquisador de Oxford, há duas automações. Aquela que substitui ação humana e que já existe há muito, sobretudo na indústria e agricultura e a fracionada, que apenas interfere em uma parte da atividade submetida ao ser pensante. Avalia-se que 60% das profissões formais têm elevado potencial de automação até 2026.

            O interessante é que nem tudo pode ser automatizado. Invoca-se o chamado paradoxo de Moravec, formulação do austríaco Hans Moravec, nos anos 1980. Indagado sobre as profissões que estariam livres de serem automatizadas, ele respondeu: “Tarefas que achamos complicadas são facilmente resolvidas por máquinas e as que achamos simples, os computadores não conseguem resolver”. Por isso estão em alta as profissões de enfermeiros, cuidadores, nutricionistas, terapeutas, isso para falar na urgência de se manter uma estrutura de saúde compatível com os riscos da pós-modernidade.

            Mas outros espaços também necessitam de pessoas. O mundo maltratado pelos devastadores da natureza precisará de pessoas que coletem sementes, que façam mudas, que mantenham viveiros. Que incentivem crianças a um constante replantio do verde que foi exterminado, da recomposição das matas ciliares, da utilização de qualquer terreno ocioso para abrigar hortas, pomares e conjuntos de árvores. Estas são fundamentais para a preservação da higidez climática e para a saúde humana. Enquanto a criminalidade destrói a Amazônia, o Pantanal, o Cerrado e a Mata Atlântica, é um refúgio da esperança fazer com que as crianças se mantenham amigas do ambiente.

            O globo será o ambiente dos idosos. Estes precisarão de companhia, de academias para treino, de lazer e entretenimento. Também haverá muitas anomalias mentais. Cresce a necessidade de psiquiatras, psicanalistas, psicólogos, terapeutas para casais e para solitários. Se a tendência à extinção de empregos se concretizar e sobrevier a renda mínima, será preciso criar esquemas de acompanhamento dos que não terão o que fazer. O trabalho não é apenas castigo, mas é fonte de diversão, para quem gosta do que faz. Como cuidar daqueles que têm com que viver, mas não têm o que fazer com suas vidas?

            A educação no século 21 tem de acordar para investir nas habilidades socioemocionais. A inteligência artificial é poderosa e sábia. Mas não é suscetível de emoção. Aquilo que necessitar de sensibilidade, empatia, ternura, emoção, nunca será objeto de funcionamento de máquina. A ferramenta da consciência ainda é insubstituível. Ao menos por enquanto.

            Segundo os estudiosos, algo que pode ser imediatamente automatizado é o atendimento do tipo call center. Meios eletrônicos tais como WhatsApp ou chatbots (conversa com robôs), dispensam a presença de um humano para atender às solicitações mais corriqueiras. Também tendem a desaparecer, gradual e lentamente, as aulas prelecionais. O professor que tem de repetir suas aulas infinitas vezes, pode fornecer um conteúdo digital que vai satisfazer a muitos discípulos. Ele será quase que um professor particular, para responder às dúvidas, para orientar e para tutorar o educando.

            Em compensação, haverá a necessidade de novos profissionais como especialista em serviços sanitários. É aquela pessoa que zelará e garantirá a qualidade de um ambiente inteiramente livre de vírus e insuscetível de causar eventuais infecções. É algo com que todos deverão se preocupar de hoje em diante.

            Outra profissão em alta é o “coach”, o profissional habilitado a capacitar outros nas competências comportamentais, também chamadas “soft skills”. O coach será muito requisitado no futuro próximo.

            Também se indica o especialista em Tecnologia da Informação sob demanda. Todos estão mergulhados no mundo web e vão precisar, cada vez mais, de profissionais que virão a domicílio resolver problemas pontuais, de conectividade, de estrutura tecnológica, de tudo aquilo que é novidade e surpresa na vida digital.

            Com a necessidade de se reverter a onda de extermínio da natureza, todas as profissões vinculadas ao mercado verde também serão muito bem vindas. A ecologia não é mais um saber sofisticado e desnecessário, cultivado por fundamentalistas ambientais. É algo de que depende o futuro da humanidade. Por isso é urgente recrutar jardineiros, agrônomos, técnicos em agricultura, engenheiros florestais, floricultores, paisagistas, especialistas em orquidários, cultores de hortas orgânicas, formadores de pomares, de hortas, de aproveitamento de qualquer terra e revitalizadores de solo extenuado.

            O mundo terá de ser outro, ou, simplesmente, não será… É de se recordar a profecia de Mikhail Gorbatchev quando esteve na ECO92, de saudosa memória: “O ser humano tem trinta anos para mudar seus hábitos de consumo e de conduta. Depois disso, a Terra continuará a existir. Mas prescindirá da espécie humana para isso!”.

            Pode ser que isso não aconteça. Mas ninguém pode garantir que isso deixe de acontecer.

            Quantos anos faltam para que esse lapso ocorra?  

 

 

 

 

  

JOSÉ RENATO NALINI  é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2019 -2020

 

 

Inteligente, Casa, Sistema, Homem, Pessoa, Apartamento

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publicado por Luso-brasileiro às 11:47
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ANTÓNIO FRANCISCO GONÇALVES SIMÕES - 4. AMOROSO(A) (Completo)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A palavra “amoroso” é um adjectivo  que  provém do substantivo  “amor” com o sufixo “oso”. Há várias palavra relacionadas com “amoroso”:carinhoso, meigo, amorosamente, amorosa, meiguiceiro e requebrador., Há várias expressões em que se emprega  o termo “amoroso”:

- Qu sente amor :terno, carinhoso, meigo, sorriso amoroso.

-Propenso ao amor:  que tende para o amor, amorável, tem um génio amoroso.

-Que é suave, macio, brando, tem um clima amoroso.

-Tem um modo terno.

-Que é carinhoso, que demonstra afecto, é meigo, é um  cão amoroso.

 

Amoroso também pode ser  empregue como substantivo: por exemplo: este é um filme para os “amorosos”.

 

 

A Igreja e a Bíblia.   A Igreja  de Deus é como uma Mãe Amorosa:

 

As Sagradas   Escrituras descrevem as características que distinguem a Igreja de Deus, e qualquer outra. Parte de sua singularidade vem do amor incondicional de Deus presente em seus membros.”Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”.João  13,35.

O  amor de Deus é como o amor de uma mãe por seus filhos, mas o amor de Deus é ainda mais profundo. A verdadeira Igreja de Deus porta-se como uma mãe carinhosa com seus filhos.

A Israel do Antigo Testamento era vista como uma mãe e seus cidadãos como filhos. A Bíblia usa o termo mãe para ilustrar o amor de Deus e Seus filhos  filhas ( 2 Coríntios 6,18). “Como a alguém que sua mãe consola, assim Eu  vos consolarei…”(Isaías  6,13). 

Descrevendo a forma como Paulo e outros anciãos serviam a Igreja, ele  escreveu: ”Fomos bondosos quando estávamos  entre vocês, como uma mãe que cuida dos próprios filhos”( 1 Tessalonicenses 2,7).

  1. Paulo simbolicamente, caracterizou a Igreja de Deus como uma mãe(Gálatas 4,26). Em Apocalipse 19,7 a Igreja é vista como a noiva prometida de Cristo. Evidentemente, Deus, através de Suas instruções amorosas e misericordiosas, proporciona um ambiente acolhedor a Seus filhos por meio da Igreja.

 

A Igreja de Deus tem as características de uma mãe cuidadosa e amorosa. A mãe tem desejo natural de nutrir e proteger. No entanto, essa capacidade de carinho e protecção é  limitada pelo facto de ser humana e carnal. Os membros da Igreja de Deus sabem e compreendem, no entanto, que Deus é a  fonte do amor espiritual da Igreja. O apóstolo João define a Deus como amor:”Porque Deus é amor( 1 João 4,8). Ele também define o que é o amor de Deus” Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados” 1 João 5,3).

Os Dez Mandamentos, escritos em Êxodo 20  e Deuteronómio  5, resumem como devemos amar a Deus e nosso próximo .Jesus os sintetizou em dois grandes mandamentos:”

“Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e  de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o  teu próximo como a  ti mesmo”(Mat.22,37-39)- Estes dói grandes mandamentos denotam o amor de Deus..Eles são praticados de forma voluntária e protectora. Os membros da Igreja esforçam-se para praticar esse amor divino. Os membros da Igreja seguem o exemplo de  Seu Salvador, Jesus Cristo(Mateus 5,38-48).

Eles estão preocupados com duas grandes prioridades: colocar Deus em primiro lugar em suas vidas e amar ao próximo como às suas próprias vidas (Mat. 22,36-40). Apesar de não serem perfeitos, membros da Igreja de Deus vivem e refletem o amor do Deus  Eterno. Eles ensinam o amor de Deus – que se preocupa com os oytros- que faz parte do Evangelho de Cristo. Aguardamos ansiosamente o tempo m que todos os seres humanos vão experimentar o amor de Deus dessa maneira. Até lá, o dia do estabelecimento do Reino de Deus na Terra, nós vamos encorajando e recebendo as pessoas que desejam compartilhar connosco o amor de Deus, expressado por Sua Igreja.

 

 

O amor de  casal.  O amor entre um casal  é um relacionamento muito especial! Deus criou  o casamento para ser relacionamento abençoado, cheio de amor entre os dois cônjuges. O amor de casal é muito forte e ajuda a vencer as dificuldades no casamento.

 

 

O amor de casal na Bíblia.

 

“Então , o Senhor Deus declarou:”Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e lhe responda” Génesis “2,18

“Com a costela que havia tirado do homem, o Senhor Deus fez uma mulher e a levou até ele. Disse então o homem:”Esta, sim, é osso dos  meus ossos, e carne da minha carne! Ela será chamada mulher, porque do homem foi tirada”. Por essa razão o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles tornarão a ser uma só carne”.

(Génesis 2,22-24). Assim, eles já não dois, mas sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém separe

 

“O amor é paciente, o amor é bondoso. Não  inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura os seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas  se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo9 espera, tudo0 suporta”.  1 Coríntios  13,4-7.

“Da mesma forma, os maridos devem amar cada um a sua mulher como a seu próprio corpo. Quem ama sua mulher, ama a si mesmo. Além do mais, ninguém jamais odiou o seu próprio corpo, antes o alimenta e dela cuida, como também Cristo faz com a Igreja”. (Efésios, 5,28-29.).

“É melhor ter companhia do que estar sozinho, porque maior é a recompensa do trabalho de duas pessoas. Se um cair, o amigo põe ajudá-lo a levantar-se. Mas pobre do homem que cai e não tem quem o ajude a levantar-se! ,E,  se dois dormirem juntos, vão manter-se aquecidos. Como, porém,. manter-se aquecido sozinho? Um homem sozinho pode ser vencido, mas dois conseguem defender-se. Um cordão de três dobras nãse rompe com  facilidade” Eclesiastes 4, 9-12.

“Não foi o Senhor que os fez um só? Em corpo e  em espírito eles lhe pertencem. E por que um só? Porque ele desejava uma descendência consagrada .Portanto, tenham cuidado: Ninguém seja infiel à sua mulher da sua mocidade”. Malaquias 2,15.

Ponha-me como um selo sobre o seu coração; como um selo sobre  o seu  braça: pois o amor é tão forte quanto a morte e o ciúme é tão inflexível quanto a sepultura. Suas brasas são fogo ardente, são labaredas do Senhor. Nem muitas águas conseguem apagar o amor: os  rios não conseguem levá-lo na correnteza. Se alguém oferecesse todas as riquezas da sua casa para adquirir o amor, seria totalmente desprezado”.Cânticos 8, 6-7.

“Não te desamparem a benignidade e a fidelidade; ata-as ao teu pescoço: escreve-as  na tábua do teu coração e acharás graça e bom entendimento aos olhos de Deus e dos homens” Provérbios  3,3-4.

“Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor; estes três; mas o maior destes é o

O amor”. S. Paulo aos Coríntios 3,13.

 

 

 

 

 

ANTÓNIO FRANCISCO GONÇALVES SIMÕES   -   Sacerdote Católico. Coronel Capelão das Frorças Armadas Portuguesas. Funchal, Madeira.  -    Email   goncalves.simoes@sapo.pt



publicado por Luso-brasileiro às 11:37
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PÉRCLES CAPANEMA - A CURA DO MENDIGO CEGO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Cegueira involuntária e cegueira voluntária. Estava lendo noticiário nacional, mas o que me vinha à cabeça estava longe dele, era a cena poética da cura do cego de Jericó. Corrijo-me, em parte, é falso o que afirmei. Vinha ao espírito não só a pobre cegueira involuntária do mendigo cego curado por Jesus, mas a situação dantesca da cegueira voluntária, realidade amazônica, fruto dos erros da inteligência e das prevaricações da vontade. Cegueira voluntária, real ou apenas moralmente; um homem que fura os próprios olhos é sempre cena dantesca. A primeira foi eliminada no mendigo pela voz de Cristo.

 

Ativismo compassivo. Teremos força para eliminar a segunda, a voluntária? Ou, por outra, existe cura para a noite voluntária do espírito? Para alguém que se inflige a cegueira mental, pior que a material padecida por um mendigo nas estradas da Palestina? Existe, sim. Qual? Voluntária, também. Esclarecendo-o, ajudando-o a mudar o rumo da vontade, estimulando novos hábitos de pensamento e conduta. É ativismo compassivo. Aviso, sob a luz da compaixão, cegueira voluntária e vacinação serão o miolo do artigo. Além da cura do cego de Jericó.

 

A tua fé te curou. Jericó, como se sabe, fica na Palestina, Cisjordânia, às margens do rio Jordão, a umas cinco léguas de Jerusalém. “Cidade das Palmeiras”, é considerada a cidade mais antiga ainda existente, e ainda a de menor altitude, 270 metros abaixo do nível do mar. Por ali entraram os judeus livres que retornavam da escravidão egípcia. Jericó viu também a libertação de um pobre mendigo do negrume dos olhos. “Ao sair Jesus da cidade com seus discípulos e com uma grande multidão, estava sentado à beira da estrada um cego mendigo, chamado Bartimeu, filho de Timeu. Quando soube que era Jesus o Nazareno, começou a clamar: ‘Jesus, filho de Davi, tem compaixão de mim!’ Muitos mandaram que se calasse, mas ele clamava ainda mais: ‘Filho de Davi, tem compaixão de mim!’ Jesus parou e disse: ‘Chamai-o’. Chamaram o cego, dizendo-lhe: ‘Tem ânimo; levanta-te, ele te chama’. Lançando de si a sua capa, de um salto levantou-se e foi ter com Jesus. Perguntou-lhe Jesus: ‘Que queres que eu te faça?’ Respondeu-lhe o cego: ‘Mestre, que eu tenha vista’. Disse-lhe Jesus: ‘Vai, a tua fé te curou’. No mesmo instante recebeu a vista, e o foi seguindo pela estrada.” (Mc, 10, 46-52).

 

Compaixão. Foi a fé que curou o cego? Ou foi o coração compassivo de Jesus, tocado pela firme manifestação da fé? Tocado pelo sofrimento. Foi a compaixão. Deixo o mendigo cego de Jericó, agora curado. Fazia o melhor, seguia Jesus pelas estradas poeirentas da Palestina. Agora, o Brasil.

 

Compra e doa tudo. Olhar na pandemia, de outro modo, nas necessidades da vacinação. Fez falta a compaixão. Trago de início os surpreendentes (para dizer pouco) artigos 2º e 3º da recente lei 14.125/2021: “Art. 2º Pessoas jurídicas de direito privado poderão adquirir diretamente vacinas contra a Covid-19 que tenham autorização temporária para uso emergencial, autorização excepcional e temporária para importação e distribuição ou registro sanitário concedidos pela Anvisa, desde que sejam integralmente doadas ao Sistema Único de Saúde (SUS), a fim de serem utilizadas no âmbito do Programa Nacional de Imunizações (PNI). § 1º Após o término da imunização dos grupos prioritários previstos no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, as pessoas jurídicas de direito privado poderão, atendidos os requisitos legais e sanitários, adquirir, distribuir e administrar vacinas, desde que pelo menos 50% (cinquenta por cento) das doses sejam, obrigatoriamente, doadas ao SUS e as demais sejam utilizadas de forma gratuita”.

 

Asfixia na vacinação e sufoco na economia. “Poderão adquirir vacinas, desde que sejam integralmente doadas ao SUS”. E assim, até que todas as pessoas pertencentes aos grupos prioritários sejam vacinadas (cerca de 77 milhões), as empresas brasileiras podem adquirir quantas vacinas quiserem. Sem problema algum, atendidas as exigências da lei. Mas terão de as doar, todas, ao SUS. Você entendeu direito, leitor, expliquei direito, está na lei; não se trata de avantesma de algum coitado delirante. Passado o limite dos grupos prioritários, sabe lá Deus quando será alcançado (mantido o atual ritmo, Deus ajude que não, na média da presente velocidade, 233 mil por dia, lá pelo fim do ano), as empresas poderão adquirir vacinas, mas terão de doar 50% do lote para o SUS. O que vai acontecer agora? É fato, o Brasil precisa de vacinas agora. Tenhamos compaixão do povo. Sem mudança na lei, até que seja ultrapassado o limite dos 77 milhões, a bem dizer nenhuma empresa estabelecida no Brasil vai comprar vacina. Óbvio ululante, ao alcance do beócio mais chapado. Com isso, mais fechamento na economia, aumento do número de mortes. Por que parece não ter importância? Por que parece não ter urgência? Veremos abaixo. Na prática, está sufocada pelo Poder Público, na fonte, no seu aspecto de momento mais urgente e importante, a colaboração da iniciativa privada. Legislativo e Executivo, contudo, trombeteiam dia e noite que querem e precisam com urgência da colaboração do setor privado para debelar crise que já matou mais de 300 mil brasileiros e vai logo chegar aos 500 mil e, ademais, sufoca a economia.

 

Ilegalidade evitável. Outra consequência desagradável e evitável da lei. Por baixo do pano, ilegalmente, algumas empresas importarão e clandestinamente vacinarão funcionários, familiares deles, donos, familiares dos donos, amigos. Já está acontecendo. Elas na prática estão defendendo vidas, estão garantindo o funcionamento do negócio, empregos. Quem as censurará? Muitos; mas a maioria as julgará com leniência e até com aprovação. Alexandre Padilha, deputado federal petista, requereu ao MP/MG que abra investigação e que sejam confiscadas vacinas, que segundo divulgação na imprensa, compradas por empresas, estariam sendo aplicadas em Minas Gerais. Circulam vídeos, existe ação da Polícia. Nada disso precisaria acontecer para o bem de todos.

 

Ventania de bom senso. Arejamento, espaços abertos, ação pelo bem comum, é o que fazem de forma crescente alguns ativistas compassivos. Trabalham pelo interesse dos seus negócios, mas, ao mesmo tempo, sua ação revela compaixão pela situação brasileira. Nesse sentido, e justamente, são ativistas da compaixão. Diante do quadro de insensatez ovante (vou ficar por aqui), dois empresários em especial, Luciano Hang e Carlos Wizard, liderando sem-número de colegas da iniciativa privada, tentam viabilizar a entrada efetiva do setor privado no combate à pandemia. Para tal pedem mudança na lei 14.125.

 

Liberdades legítimas. Argumentam, com razão, que, em sintonia com o Poder Público, comprar vacinas e imunizar funcionários, além de salvar vidas, diminuirá o peso nas costas do SUS e ademais evitará fechamento de empresas, com consequente perda de empregos. Ação em sintonia com o Poder Público, sublinham. E garantem, já têm 1 milhão de vacinas que poderiam chegar logo ao Brasil. Declarou Luciano Hang ao Antagonista: “A lei veio com problema de fabricação. O Congresso e o governo deveriam dar liberdade total para os empresários comprarem vacinas para seus colaboradores. O governo precisa de licitação para comprar, é um processo demorado. O setor privado tem muito mais velocidade. Eu comprei recentemente 200 cilindros de oxigênio para Manaus. Não fiquei fazendo muita cotação. Queria para o dia seguinte e consegui. O setor privado é mais rápido e muitos empresários estão querendo comprar vacinas.” Ocorre-me, a BMW e a Volkswagen fecharam fábricas por temor da Covid-19. Houve diminuição da atividade econômica, queda de empregos, prejuízo de fornecedores, sofrimento de famílias. As duas empresas têm contatos importantes no Exterior, dispõem de aptidão grande para trazer vacinas. Fechariam suas fábricas, se tivessem possibilidade de vacinar os funcionários? Mas a lei-mordaça, cerceando liberdades legitimas, impede-as de agir a favor de seus funcionários. O caso delas se repete Brasil afora. Uma lufada de oxigênio. Li agora, Rolando Spanholo, juiz substitituto da 21ª vara federal de Brasília, em controle constitucional difuso, considerou “usurpação inconstitucional da propriedade privada” os dispositivos da lei 14.125, acima referidos. E autorizou um grupo de agentes de turismo, delegados (Sindicato dos Delegados de Polícia de São Paulo) e servidores a comprar no Exterior a vacina sem doar tudo para o SUS. Razão, os mencionados dispositivos violam o direito fundamental à saúde, pois atrasam a imunização. Espero que tal iniciativa prospere, suscite imitadores no Brasil inteiro e dê copiosos frutos de vida e prosperidade.

 

Privilégio e desigualdade. Qual a razão para barrar brutalmente a entrada do setor privado no fornecimento das vacinas? Qual o motivo que justificaria a medida cruel que favorece a asfixia de pacientes e da economia? Dois motivos de ordem doutrinária, nenhuma razão ponderável de ordem prática. Estão aqui: não pode haver privilégio, não pode haver desigualdade, ambos mantras da cegueira voluntária. É preciso deixar claro para os cegos, e são multidão, pois os normais já veem, existem privilégios (leis privadas) que prejudicam o bem comum, existem privilégios que favorecem o bem comum. O segundo caso deve ser estimulado. Estamos nele. De modo igual, existem desigualdades que prejudicam o bem comum. Mas existem desigualdades que favorecem o bem comum. O segundo caso deve ser estimulado. É a presente situação. Funcionários e familiares de muitas empresas serão favorecidos com a mudança da lei. As empresas continuarão abertas. Ótimo. Sua situação privilegiada favorecerá também ao país. Ótimo de novo. Com efeito, a inciativa do grupo de empresários traz liberdade para o povo, liberdade e estímulo para a economia. Representa compaixão para milhares de famílias. Apoiemos o que fazem esses ativistas da compaixão. Parabéns a eles e a todos os que caminham nessa direção. Realço, combatem o preconceito ▬ tais birras contra o legítimo privilégio e a legítima desigualdade são tumores de estimação que corroem em especial a intelligentsia brasileira. E para desgraça do Brasil o importante para os setores da cegueira voluntária é nutrir tumores de estimação e daí sua antipatia com a evidente urgência em punçá-los. Furar abcessos é tarefa imprescindível. Que tenham êxito os ativistas da compaixão, seja como autores de ações judiciais, seja como promotores dos movimentos de opinião pública e de esclarecimentos dos poderes constituídos em Brasília. Sua defesa de legítimos interesses privados tem enorme repercussão social. Com eles vitoriosos, sairemos do pântano do retrocesso e avançaremos em estrada segura

 

 

 

 

 

 

 

 

PÉRICLES CAPANEMA - é engenheiro civil, UFMG, turma de 1970, autor do livro “Horizontes de Minas"

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:20
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FELIPE AQUINO - O QUE A IGREJA DIZ SOBRE A ALMA DAS PESSOAS QUE MORREM ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Igreja ensina que quando morremos somos julgados por Deus, podendo ir para o céu, o purgatório terminar a purificação, ou mesmo para o inferno, se rejeitarmos a Deus.

Veja o que diz o Catecismo da Igreja:

1008 – A morte é consequência do pecado. Embora o homem tivesse uma natureza mortal, Deus o destinava a não morrer (Sab 2, 23). A morte foi, portanto, contrária aos desígnios de Deus criador e entrou no mundo como consequência do pecado. “A morte corporal, à qual o homem teria sido subtraído se não tivesse pecado” (GS, 18), é, assim, o “último inimigo” do homem a ser vencido (1Cor 15,26).

1009 – A morte é transformada por Cristo. Jesus, o Filho de Deus, sofreu Ele também a morte, própria da condição humana. Todavia, a pesar do seu pavor diante dela (Mc 14, 33-34), assumiu-a em um ato de submissão total e livre à vontade de seu Pai. A obediência de Jesus transformou a maldição da morte em bênção (Rom 5, 19-21).

1010 – O sentido da morte cristã – Graça a Cristo a morte cristã tem um sentido positivo. “Para mim, a vida é Cristo, e morrer é lucro” (Fl 1, 21). “Fiel é esta palavra: se com Ele morremos, com Ele viveremos” (2Tm 2, 11). A novidade essencial da morte cristã está nisto: pelo Batismo, o cristão já está sacramentalmente “morto com Cristo” para viver uma vida nova; e, se morrermos na graça de Cristo, a morte física consuma esse “morrer com Cristo” e completa, assim, nossa incorporação a ele em seu ato redentor.

1011 – Na morte, Deus chama o homem a si. É por isso que o cristão pode sentir, em relação à morte, um desejo semelhante ao de S. Paulo: “O meu desejo é partir e estar com Cristo” (Fl 1, 23) e pode transformar sua própria morte em um ato de obediência e de amor ao Pai, a exemplo de Cristo. (Lc 23, 46)

1013 – A morte é o fim da peregrinação terrestre do homem, do tempo de graça e de misericórdia que Deus lhe oferece para realizar sua vida terrestre segundo o projeto divino e para decidir seu destino último. Quando tiver terminado “o único curso de nossa vida terrestre” (LG, 48), não voltaremos mais a outras vidas terrestres. “Os homens devem morrer uma só vez” (Hb 9,27). Não existe reencarnação depois da morte.

1014 – A Igreja nos encoraja à preparação da hora da nossa morte (“Livra-nos Senhor, de uma morte súbita e imprevista”: antiga ladainha de todos os santos), a pedir à Mãe de Deus que interceda por nós “na hora da nossa morte” (Ave-Maria) e a entregar-se a São José, padroeiro da boa morte.

 

 

 

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Leia também: O que há depois da morte?

Será que os mortos estão dormindo?

O que a Igreja ensina sobre a morte?

Com a morte tudo se acaba?

 

 

Mortos

 

1055 – Em virtude da “comunhão dos santos”, a Igreja recomenda os defuntos à misericórdia de Deus e oferece em favor deles sufrágios, particularmente o santo sacrifício eucarístico.

 

Juízo Final

 

1059 – “A santíssima Igreja romana crê e confessa firmemente que no dia do Juízo todos os homens comparecerão com o seu próprio corpo diante do tribunal de Cristo para dar contas de seus próprios atos” (DS 859,1549)

1038 – A ressurreição de todos os mortos, “dos justos e dos injustos” (At 24, 15), antecederá o Juízo Final. Este será “a hora em que todos os que repousam nos sepulcros ouvirão sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para uma ressurreição de vida; os que tiverem praticado o mal, para uma ressurreição de julgamento” (Jo 5, 28-29). Então Cristo “virá em sua glória, e todos os seus anjos com Ele. (…) E serão reunidas em sua presença todas as nações, e Ele há de separar os homens uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos…”

1039 – É diante de Cristo – que é a Verdade – que será definitivamente desvendada a verdade sobre a relação de cada homem com Deus (Jo 12, 48). O Juízo Final há de revelar, até as últimas conseqüências o que um tiver feito de bem ou deixado de fazer durante a sua vida terrestre.

1040 – O Juízo Final acontecerá por ocasião da volta gloriosa de Cristo. Só o Pai conhece a hora e o dia desse Juízo, só Ele decide de seu advento. Por meio de seu Filho, Jesus Cristo, Ele pronunciará então sua palavra definitiva sobre a história. Conheceremos então o sentido último de toda a obra da criação e de toda a economia da salvação, e compreenderemos os caminhos admiráveis pelos quais sua providência terá conduzido tudo para seu fim último. O Juízo Final revelará que a justiça de Deus triunfa de todas as injustiças cometidas por suas criaturas e que seu amor é mais forte que a morte (Ct 8,6).

1041 – A mensagem do Juízo Final é apelo à conversão enquanto Deus ainda dá aos homens “o tempo favorável, o tempo da salvação” (2Cor 6,2). O Juízo Final inspira o santo temor de Deus. Compromete com a justiça do Reino de Deus. Anuncia a “bem-aventurada esperança” (Tt 2,13) da volta do Senhor, que “virá para ser glorificado na pessoa dos seus santos e para ser admirado na pessoa de todos aqueles que creram” (2Ts 1,10).

681 – No dia do juízo, por ocasião do fim do mundo, Cristo virá na glória para realizar o triunfo definitivo do bem sobre o mal, os quais, como o trigo e o joio, terão crescido juntos ao longo da história.

682 – Ao vir no fim dos tempos para julgar os vivos e os mortos, Cristo glorioso revelará a disposição secreta dos corações e retribuirá a cada um conforme as suas obras e segundo tiver acolhido ou rejeitado a sua graça.

 

 

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Ouça também: O que é o juízo particular?

Todos nós iremos passar pelo juízo final?

 

 

Juízo Particular

 

1051 – Cada homem, em sua alma imortal, recebe sua retribuição eterna a partir de sua morte, em um Juízo Particular feito por Cristo, juiz dos vivos e dos mortos.

1021 – A morte põe fim à vida do homem como tempo aberto ao acolhimento ou à recusa da graça divina manifestada em Cristo (2Tm 1,9-10). O Novo Testamento fala do juízo principalmente na perspectiva do encontro final com Cristo na segunda vinda deste, mas repetidas vezes afirma também a retribuição, imediatamente depois da morte, de cada função das suas obras e da sua fé. A parábola do pobre Lázaro (Lc 16,22) e a palavra de Cristo na cruz ao bom ladrão (Lc 23,43), assim como outros textos do Novo Testamento (2Cor 5,8; Fl 1,26; Hb 9,27; 12,23) falam de um destino último da alma, que pode ser diferente para uns e outros.

1022 – Cada homem recebe em sua alma imortal a retribuição eterna a partir do momento da morte, num Juízo Particular que coloca sua vida em relação à vida de Cristo, seja através de uma purificação (Conc. de Lião II, DS 856; Conc. de Florença, DS 1384; Conc. de Trento, DS 1820), seja para entrar de imediato na felicidade do céu (Con. de Lião II, DS 857; João XXII, DS 991; Bento XII, Benedictus Deus; Conc. de Florença, DS 1305), seja para condenar-se de imediato para sempre (Conc. de Lião II, DS 858; Bento XII, Benedictus Deus; Conc. de Florença, DS 1306).

 

 

 

 

 

FELIPE AQUINO   -      é viuvo, pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br Twitter: @pfelipeaquino

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:11
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PAULO R. LABEGALINI - MÉTODO DE SALVAÇÃO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Muita gente tenta viver sem Deus no coração; outros, falam ‘graças a Deus’ e ‘se Deus quiser’ a toda hora, mas não querem se comprometer com nenhum trabalho na Igreja; e há aqueles que explicitamente são desobedientes aos Mandamentos e vivem enfurnados no pecado. Como resgatar essas pessoas? Há um ‘método’ comum para todos?

Primeiro, é necessário saber que Deus não nos ama porque somos bons, mas porque Ele é bom! Aquele que não ama o próximo é porque não buscou a Deus – Ele é puro amor! – e não irá se salvar se for desobediente ao Criador.

Pela desobediência, Adão destruiu brutalmente a familiaridade com Deus e, por inveja, Caim matou Abel, seu irmão. Desde então, teve início a ânsia pelo poder, as injustiças... as guerras. Males, os mais diversos, se disseminaram pelo mundo e, diante dessa realidade, não podemos negar que somos pecadores e, quase sempre, produzimos frutos mortais.

O pecado nos separa do Senhor, nos leva à completa escuridão e nos torna inimigos uns dos outros – sem perspectiva de paz! A única saída para esse sofrimento é ser luz sem sombra. Precisamos entender que a solução definitiva é Deus: o médico que cura a escuridão provocada pelo pecado e, através da sua Palavra, garante a salvação que tanto precisamos. Ele pode nos libertar do pecado e de tudo aquilo que não provém da fé católica.

Sabemos que o salário do pecado é a morte, mas, antes disso, o homem luta contra um inimigo que se mostra poderoso e que o leva a fazer o mal que não quer. Por suas próprias forças, não pode renovar-se e solucionar os problemas que lhe afligem. Quem procurar ajuda em outra pessoa também afastada de Deus, será o mesmo que dois cegos caminhando juntos.

Definitivamente, por nossas próprias forças, nunca chegaremos ao Céu, mas temos uma grande vantagem: liberdade para reconhecermos que somos pecadores e pedirmos perdão, como nesta história:

Quando um rei completou 25 anos de monarca, decidiu libertar o prisioneiro que o convencesse de sua inocência. Quatro foram trazidos até ele e disseram:

- Majestade, nunca fiz nada de errado. Um inimigo acusou-me falsamente!

- Eu jamais matei alguém. Confundiram-me com um assassino – disse o outro.

- Estou aqui porque o juiz não gostava de mim – falou o terceiro.

- Não posso negar que tirei a vida de um homem, senhor. Naquela época, eu era muito violento e não tinha controle sobre a minha coragem. Hoje, arrependo, mereço o castigo que recebo, mas peço a Cristo que, um dia, todos venham a me perdoar – suplicou o último.

Diante deles, o rei colocou o cetro na cabeça do quarto prisioneiro e tomou a decisão:

- É você quem vai sair daqui. Vou aproveitar o seu arrependimento e dar-lhe uma nova chance de permanecer bom antes que volte a ser malvado e ponha tudo a perder.

Pois é, assim nosso Pai age conosco: no primeiro sinal de arrependimento sincero, nos perdoa e nos envia para os caminhos da salvação. Portanto, bastaria um pouquinho de fé e bom senso para que o pior dos homens se reconciliasse com Ele, porém, para muita gente, isso parece impossível.

Contam que, conversando sobre cristianismo, um cosmonauta ateu disse a um fervoroso neurocirurgião: ‘Eu sempre viajo pelo céu e nunca vi um anjo. A mim, isso prova que eles não existem!’ O médico, então, respondeu: ‘Eu também já operei cérebros de pessoas geniais e jamais vi uma ideia. Isso nos torna menos inteligentes?’

É, na verdade, fica difícil a graça divina atingir alguém que não aceita as verdades contidas no Evangelho, mas, mesmo assim, não podemos desanimar em levar mais almas para o Céu porque, para Deus, nada é impossível.

E embalado nas histórias de médico, contarei outra:

Um mecânico estava desmontando o cabeçote de uma moto, quando viu na oficina um cardiologista muito conhecido. Deu um sinal a ele e falou: ‘Doutor, olhe este motor. Eu abro seu coração, tiro as válvulas, conserto-as e ponho tudo de volta para trabalhar perfeitamente. Como é que ganho tão pouco comparado ao senhor, se o nosso trabalho é praticamente o mesmo?’ O cirurgião deu um sorriso, se inclinou e disse baixinho ao mecânico: ‘Tente fazer isso com o motor funcionando!’

Independente de quanto cada um ganha, são dois trabalhos dignos e de respeito, mas, concluindo este artigo, pense no seguinte:

Você gostaria que Jesus operasse um grande milagre no seu coração? Para que isso acontecesse, escolheria estar vivo ou morto? E quanto pagaria a Ele por isso? Seria capaz de pedir-lhe perdão e deixá-lo morar em você para sempre? Se respondeu ‘sim’, tem absoluta certeza disso? Então, chegamos ao ‘método de salvação’:

‘Plantar a verdade para colher confiança; plantar o amor para colher amizade; plantar a vida para colher gratidão; plantar a fé para colher milagres; e plantar a caridade para, enfim, colher salvação’. Boa colheita!

 

 

 

 

 

PAULO R. LABEGALINI    -  Cursilhista e Ovisista. Vicentino em Itajubá. Engenheiro civil e professor doutor do Instituto Federal Sul de Minas (Pouso Alegre - MG).



publicado por Luso-brasileiro às 10:58
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - O QUE É A VIDA ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Hoje vou apresentar-vos dois encantadores textos, que me pareceram excelentes, para demonstrar, o que é a vida: um é extracto do magnífico sermão do Padre Manuel Bernardes: “ Prática do Domingo da Sexagésima; outro, de Guerra Junqueiro, in: “ Musa em Férias” “ No Boulevard”.

A maioria de nós, tão atarefados andamos envolvidos, nos nossos problemas, nos nossos ensejos, que raras vezes paramos para meditar: o que é a vida.

Só quem observa o homem, sua vaidade, sua cobiça e inveja, a ânsia de ser importante, famoso, admirado pelos demais, é que pode compreender, verdadeiramente, o que é a vida.

Mas vamos ao admirável sermão de Manuel Bernardes:

 

“ (…) Aqueles cantam, dali a pouco choram; estoutros choram, daqui a pouco cantam; aqui se está enfeitando um vivo, paredes meia estão amortalhando um defunto; aqui contratam, acolá destratam; aqui conversam, acolá brigam; aqui estão à mesa rindo e fartando-se, acolá estão no leito gemendo o que riram, e sangrando-se do que comeram…

Lá vai um no seu coche com os pés sobre tela e veludo; atrás das rodas vai um pobre nu e descalço. Que turba-multa é aquela que vai cobrindo os campos de armas e carruagens? É um exercito que  vai a uma de duas causas, ou a morrer ou a matar. E sobre que? Sobre que dois palmos de terra são de cá e não são de lá. E que árvores são aquelas que vão voando pelas ondas com asas de pano? São navios que vão buscar muito longe cousas que piquem a língua para comer mais, cousas que afaguem a pele, cousas que alegrem os olhos, isto é especiarias, sedas, ouro, etc.

Olhai o tráfego! Tudo ferve, tudo se muda por instantes. Se divertires os olhos, dali a nada tudo acharás virado. O rico já é pobre, o mecânico já é fidalgo, o moço já é velho, o são já é enfermo, e o homem já é cinzas.

Já são outras cidades, outras ruas, outra linguagem, outros trajes, outras leis, outros homens…tudo passará!”

 

 

E para terminar, o que escreveu Guerra Junqueiro sobre a vida e o comportamento humano:

 

 

“O ponto essencial é não trazer grilheta.

Uma camisa branca, uma consciência preta.

Um ar pouco sério, um nome, algum dinheiro,

Eis tudo que se exige a qualquer bandoleiro

Para apresentar a farsa desta vida.

A virtude consiste em ter folha corrida.

A moral é um blague; apenas se suporta

Num drama ou num sermão; de resto é letra morta.”

 

( No Boulevard) - in “ Musa em Férias”.

 

 

Infelizmente…a vida é isto! Uma comédia ou farsa, mutações de mascaras…Teatro. Vive-se a representar, a jogar com palavras e ilusões, mentiras, hipocrisia e meias verdades.

Assim rola a vida, como se não houvesse outra Vida…

 

 

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   PORTO, PORTUGAL

 

 

 

***

 

 

VACINAR PELA IDADE, SERÁ CERTO?

 

 

 

 

 

 

Não sou médico, mas um simples leigo, em tudo que diz respeito à medicina. Gosto, contudo, de pensar, refletir e de estar atualizado.

Não pensem que considero a minha opinião a melhor. Muitas vezes me engano, o que não impede – não estamos num país de liberdade de expressão? - de expor o meu pensamento.

O plano de vacinação – a meu ver, – está errado, na maioria das nações.

Considerou-se, que os mais expostos são: os idosos e os doentes com enfermidades graves, e apressou-se a vacinar os utentes dos lares, e os de avançada idade.

As infeções nas casas de recolhimento, foi calamitoso, uma vergonha para os países. Mas, quem contagiou os idosos? O pessoal desses lares e possivelmente, as visitas.

Quem contamina os avós que se encontram no seio da família? São, certamente, os filhos e os netos.

Por isso, quem necessita de ser vacinado, com prioridade, parece-me ser quem tem vida ativa. Os que necessitam de estar em contacto com o público, e não os pensionistas, que só frequentam os lugares de aglomeração, se quiserem.

Portanto, vacinar pela idade, parece-me erro.

Acerca da vacina da Astrageneca – sendo boa e recomendável, – devido às indecisões dos políticos e alguns virologistas, desacreditou-se, perante o público, e muitos receiam-na.

É erro, mas infelizmente, os efeitos psicológicos, que causa e irá, possivelmente causar, no futuro, pode ser desastroso.

Estas considerações, ao correr da pena, não passam de meros pareceres pessoais, de quem não tem competência para tal. Mas podem ser achegas para pensar sobre o assunto.

 

 

 H.P.S.



publicado por Luso-brasileiro às 10:34
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