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Sexta-feira, 18 de Junho de 2021
ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - REFLEXÕES E CONJECTURAS SOBRE O CONFLITO ´ÂRABE - ISREALENSE

 

 

 

 

 

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A existência de conflitos é algo natural. Se já individualmente cada um de nós sente e tem, no nosso âmbito interno, conflitos entre tendências e influências diversas, quanto mais na vida social e política! Talvez nenhum conflito da História da Humanidade seja tão antigo e tão paradigmático como o árabe-israelense.

Do ponto de vista geopolítico, desde a mais remota Antiguidade a região é conflitiva e objeto de disputa. O atual Estado de Israel fica bem no centro da ampla região outrora denominada Crescente Fértil, constituída, de um lado, pelo ubérrimo vale do Rio Nilo e, na outra extremidade, pela Mesopotâmia, igualmente fértil, situada entre o Tigre e o Eufrates. Não apenas fica Israel no centro, mas fica num ponto de passagem obrigatória.

Do ponto de vista cultural é também um foco contínuo de conflitos, desde os tempos mais remotos. Etnicamente, o conflito entre árabes e israelenses perde-se na noite da História, podendo-se recuar até o conflito entre as duas mulheres do bíblico Abraão: a esposa Sara, mãe de Isaac e avó de Israel, e a escrava Agar, mãe de Ismael. Da descendência das duas saíram dois povos que, como uma sina inevitável, lutam em perpétua inimizade até o fim do mundo...

Do ponto de vista religioso, por ali se lutou muito e se continua lutando. Talvez em nenhuma região da terra tanto sangue tenha corrido por razões religiosas quanto na Palestina. Ali teve berço o Judaísmo, a primeira religião monoteísta formalmente estruturada, ali nasceu e dali partiu para conquistar o mundo o Cristianismo, ali também considera solo sagrado o Islamismo, que conquistou Jerusalém aos cristãos no século VII. As Cruzadas, convocadas séculos depois, foram uma reação retardada dos europeus, no desejo de reconquistarem uma cidade que, antes da agressão maometana, fora durante 300 anos pacificamente cristã (cfr. SANTOS. A. A. dos. Dialética pró e contra as Cruzadas em documentos do século XIII. Piracicaba: Editora Equilíbrio, 2ª. edição, 2012).

Para Israel, do ponto de vista econômico, é uma calamidade manter o Estado de Israel. Se as correntes judaicas antissionistas tivessem realizado o intento que tinham em princípios do século XX, teriam comprado a Ilha de Madagascar e lá teriam instalado um estado judeu, sem guerras nem conflitos. Era essa a solução mais razoável do ponto de vista econômico. Mas, por razões simbólicas e históricas, prevaleceu o anseio sionista de retornar à Terra Prometida, à Canaã dos antepassados, por maiores e mais custosos que fossem os problemas que isso levantasse. Mais uma confirmação de que não é somente em torno de questões econômicas que gira o eixo da História, como pretendeu Marx.

No final do século XIX e na primeira metade do século XX, uma nova riqueza passou a atrair as atenções e o interesse dos povos europeus sobre a região: o petróleo. Depois do término da Segunda Guerra Mundial, já no âmbito da Guerra Fria, os interesses políticos, girando já em torno do problema econômico das reservas petrolíferas, fizeram da região o ponto geopolítico mais explosivo do planeta. De um lado, judeus apoiados pelos Estados Unidos, de outro árabes apoiados, teoricamente, pelos russos. Mas tanto israelitas quanto árabes recusando-se a serem meros piões no tabuleiro dos dois grandes e procurando desenvolver jogos próprios. Os árabes, divididos entre nações, povos e tribos muito diversas, e também dando, internamente, sequência à divisão multissecular entre sunitas e xiitas, divisão essa já surgida entre os primeiros sucessores do fundador Maomé. Os israelenses, por sua vez, unidos quando agredidos externamente, mas internamente divididos em correntes e subcorrentes antagônicas e rivais - pombos e falcões, fundamentalistas e liberais, religiosos e laicos, askenazis e sefarditas etc. etc.

Mesmo os cristãos, que ali ainda residem muito numerosos, são também divididos entre católicos (por sua vez, seguidores de vários ritos diferentes, melkitas, maronitas, latinos etc.) e ortodoxos (também com várias divisões internas).  Há, ainda, drusos, grande número de ciganos etc.

Depois do fim da Guerra Fria, acendeu-se novo estopim, ameaçando a paz mundial: o terrorismo, fortemente embasado em correntes fundamentalistas islâmicas.

Tudo isso faz, da região, o lugar mais explosivo do planeta. Tudo isso explica que o Estado de Israel, em pouco mais de 70 anos de vida independente, já se tenha envolvido em 4 conflitos seríssimos em que correu grande risco de perecer.

Sinceramente, não vejo que exista solução para esse caos todo. Se no final da Segunda Guerra a região tivesse sido internacionalizada, com uma força internacional permanente garantindo ordem e assegurando uma convivência mais ou menos normal entre todos, talvez o caso tivesse podido encaminhar para uma solução mais estável. Mas, hoje em dia, não vejo saída.

Falar, no singular, de um único conflito árabe-israelense também não me parece muito correto. Na realidade, são inúmeros os conflitos envolvidos no entorno da questão árabe-israelense, porque às múltiplas causas de fricção - históricas, culturais, religiosas, políticas, geopolíticas, econômicas, étnicas - correspondem múltiplos conflitos paralelos.

As manifestações conflituosas são igualmente múltiplas. Dependem das várias forças em equilíbrio, mutáveis por definição. Talvez se possa dizer que a característica maior daquela região conflagrada é a mutabilidade e a variabilidade das situações. Assim como o rio é sempre o mesmo, mas a água nunca é a mesma, assim também o conflito é permanente e uno, mas assume formas e aspectos a cada momento diferentes.

Os atores principais e os coadjuvantes, já os nomeei. Imediatamente, árabes e israelenses. Por trás, forças internacionais e políticas, o capitalismo norte-americano, o capitalismo de outras potências, as forças da esquerda internacional, o que sobrou do chamado Terceiro-mundismo, os Palestinos, a El-Fatah, a organização conhecida como Autoridade Palestina, os potentados árabes, as forças do terrorismo internacional etc.

As consequências e repercussões também são notórias... e igualmente imprevisíveis. Ninguém, absolutamente, pode ter certeza de que chegaremos ao fim de 2020 sem uma nova guerra...

Muito próximo do local, temos o Golfo Pérsico, onde nos últimos 30 anos já tivemos duas guerras armadas violentíssimas que poderiam ter sido estopim de uma conflagração mundial.

Tudo isso posto, como prever o futuro? Ele é, literalmente, imprevisível.

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS  -  é licenciado em História e em Filosofia, doutor na área de Filosofia e Letras, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Portuguesa da História.



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CINTHYA NUNES - VIAGENS

 

 

 

 

 

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            Depois de quase seis meses minha família decidiu que era hora de arriscarmos um pouco e de estarmos juntos novamente. A pandemia que parece nunca se findar nos impôs uma separação indesejada. A saudade só aplacamos graças à tecnologia das vídeo-chamadas. Não fosse por elas e sequer seria capaz de reconhecer minha sobrinha, ontem um bebê e hoje com quase dois anos. Acabamos resignados com quase nada, para não perdermos quase tudo.

            Tomadas as devidas precauções, enfim nos reencontramos e os abraços virtuais se materializaram, ganhando cheiros e texturas. Cada contato, no entanto, parecia meio proibido, perigoso como jamais se poderia supor no tempo do antes. Sem nos darmos conta, demoramos um pouco até estarmos confortáveis uns com os outros, estranhamente familiares.

            Girem os ponteiros do tempo o quanto quiserem, sempre serei capaz de reconhecer a casa dos meus pais, mesmo de olhos fechados, pela profusão de aromas que lá habitam. Um misto de café coado, com amaciante de roupas e madeira. Invariavelmente é uma experiência sensorial, uma viagem à juventude que já me virou as costas.

            As incursões pelo tempo das lembranças têm a duração dos compromissos profissionais e os boletos a pagar acabam por limitá-las. São poucos os dias para a família, para preservamos os pedaços mantidos juntos às custas de muita oração e sorte. Tudo agora é tão fugaz, tão frágil, sentimentos líquidos que parecem escorrer entre os dedos.

            Alocada em meus aposentos de menina, agora dividido por alguns dias com minha cara metade, fecho os olhos e me transporto para os distantes dias nos quais eu só “queria estar no escuro do meu quarto, à meia noite, à meia-luz, sonhando”. Fecho os olhos e é como se eu estivesse lá, de volta aos momentos de sonhar com o futuro, de acreditar que tudo podia ser.

            Vasculhei gavetas há tanto fechadas e encontrei tesouros esquecidos. Fotos, cartas, agendas, recortes de jornal e todo tipo de recordações. Declarações de amores não correspondidos, bilhetes enviados com o coração aos trancos, anotações sobre as muitas vidas que experimentei em uma só.

            Pensei em todas as trilhas que não percorri, deixadas para trás pelas escolhas que precisei fazer nas encruzilhadas. Para onde teriam me levado? Quais sorrisos ou quais lamentos esses outros caminhos me roubaram? De repente senti o vazio infinito daquilo tudo que não vivi e de como jamais poderei existir.

            Eu que conjugava saudades com passado, descobri ser possível fazer o mesmo com o futuro. Recolhi meus fragmentos e decidi levá-los comigo, desocupando as gavetas de minha infância. De certa forma continuo meu processo de partida da casa dos meus pais, aquele que iniciei há algumas décadas. Por outro lado, tenho a paradoxal sensação de que o essencial em mim permanecerá naquela casa mesmo quando não houver mais regressos possíveis, no tempo do inevitável depois.

            Os dias passaram a galope e mesmo a contragosto já se anunciava o momento do retorno às nossas vidas cotidianas. Mais um dia e somente na tela do celular estaremos juntos, ao menos por um tempo. A esperança agora mora em seringas. Abraço a todos mais uma vez, no desejo de congelar o tempo, esse bufão sádico. Na mala, em meio à roupa suja, levo as lembranças que encontrei ao acaso. No coração sigo carregando o desejo de que a vida de antes possa ainda existir em algum lugar, esperando por nós nos dias do porvir.

 

 

CINTHYA NUNES, é jornalista, advogada, professora universitária e já está com braço e coração a postos para a vacina – cinthyanvs@gmail.com/www.escriturices.com.br



publicado por Luso-brasileiro às 14:28
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - ALERTA AOS CRIMES SEXUAIS

 

 

 

 

 

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Um alerta aos crimes sexuais, aliás alerta tenebroso, foi a live, no Instagram, da @comissaoheroisdainfancia no último dia trinta e um de maio. Dela participaram: a Dra. Daniela Duarte, advogada criminalista e presidente da Comissão Heróis da Infância; a Dra. Maria Valéria Novaes – Delegada de Polícia de Proteção à Pessoa com Deficiência e também da 1ª. Delegacia da Mulher; a Dra. Mariana da Silva Ferreira, médica legista chefe do Hospital Pérola Byington e o Sr. Wilson Domingues, ativista no combate ao abuso sexual infantojuvenil e diretor na Comissão Heróis da Infância.
A fala versou, principalmente, sobre os abusos sexuais dos quais são vítimas crianças com deficiências intelectuais e/ou motoras. Como constatar, denunciar e rede de apoio às vítimas? Segundo a Dra. Maria Valéria, em sua delegacia existem profissionais gabaritados que conseguem identificar o que se passa com a crianças e/ ou adolescentes. Eles sempre dão alguma espécie de sinal.
Os organizadores do evento comentaram que muitos casos não são denunciados ou relatados porque mais de 70% dos casos de abuso sexual são intrafamiliar, ou seja, ocorrem dentro ou muito próximo da casa das vítimas e o abusador/a é alguém da própria família. Consideram que, com a pandemia, aumentou a violência dentro de casa e a pornografia infantil. Destacaram que 10% de abusos têm como responsáveis mulheres, porém é mais difícil de identificar, pois as práticas são menos invasivas ou não invasivas. Além disso, o vínculo das mulheres com as crianças, culturalmente, não chama tanto a atenção.
Dentre os fatos relatados, o de uma criança com paralisia cerebral, mas que não perdeu as faculdades cognitivas. Dependente de forma motora, negava-se a ir ao banheiro, o que antes acontecia, e passou a fazer suas necessidades fisiológicas na roupa. Até então, era o avô o único capaz de carregá-la até o banheiro. Trataram-na com agressividade por sua regressão nesse aspecto, até que foi constatado que o avô abusava dela no banheiro. Como a violência acontece na clandestinidade, a vítima, incontáveis vezes, é desqualificada. Muitos agressores se utilizam de anestésicos e lubrificantes. Outros cuidam para não deixarem lesões, com modalidades que não propiciem vestígios. E há aqueles/as que, após mexer com uma criança, lhe dão banho.
Falou-se, ainda sobre os tipos virtuais de violência sexual em que o agressor usa um filtro próprio para adulterar a sua imagem e até sua voz.
Fez-me lembrar de São João da Cruz que medita sobre “os apetites” que embotam a visão e o comportamento humano. Ele reflete sobre o crescimento na fé, na comunhão com Deus. Seria a purificação dos sentidos, da inteligência, da memória e da vontade, libertando-os de tudo que não é de Deus. No pensamento sanjuanista, os apetites são os apegos ou desejos em estado desordenado que nos impedem de ser verdadeiramente livres. O Santo propõe a educação do desejo e aí uma de suas máximas: “não ao mais fácil, senão ao mais difícil. Não ao mais saboroso, senão ao mais insípido. Não ao mais agradável, senão ao mais desagradável. Segundo São João da Cruz, o problema está no ‘apego”, que poderíamos traduzir como ‘amor de propriedade’.
O abusador é escravo de seus apetites e coloca uma forquilha no pescoço da vítima, pois independente dela possuir deficiência intelectual e/ou motora, não dispõe de condições para se defender.
Que a sociedade faça a sua parte: denuncie.

  

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil



publicado por Luso-brasileiro às 14:14
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ANTÓNIO FRANCISCO GONÇALVES SIMÕES - 42 - AS VIRTUDES CAPITAIS DO SÉCULO XXI 4ª.Séri 5ª.. A CREDIBILIDADE

 

 

 

 

 

 
 
 

 

                          

 

 

 

Credibilidade é a palavra que expressa a qualidade do que crível. Tem origem na  palavra latina “credibilitas – atis” e que  ´

É a característica de quem consegue ou conquista a confiança de alguém- que possui crédito. Tem como sinónimos: a credulidade e a confiabilidade. Tem como antónimo: a incredibilidade.

 

Origem filosófica da credibilidade. Para melhor compreender o significado e os sentidos atribuídos ao termo credibilidade, é preciso fazer menção à Grécia antiga e recuperar conhecimentos atinentes à filosofia. Aristóteles(384-322 a.C.), ao propor  a definição da palavra retórica, é quem primeiro a relacionou à credibilidade. Na visão do filósofo grego, para definir conceitualmente o termo retórica, é preciso considerar três instâncias presentes ao  discurso. Ethos, Pathos e Logos. Cada uma possui suas especificidades  está presente diferentes discursos, mas é o ethos que  exerce maior poder de persuasão entre essas três instâncias. Assim, a retórica vincula-se à definição de credibilidade porque dentre outros factores, é a partir da maneira como o texto é apresentado que se sustenta a relação de confiança entre os interlocutores.

 

A credibilidade jornalística.. A credibilidade  jornalística é uma característica elementar e definidora para o Jornalisno. Capital social e simbólico essencial à actividade do jornalista, em qualquer uma das mídias existentes, a credibilidade foi sendo consolidada a partir de confiança estabelecida entre a sociedade e os veículos jornalísticos, sendo, ainda hoje, reconhecida como uma virtude quase que naturalmente conferida a esse fazer profissional. As origens da atribuição de credibilidade ao jornalismo derivam dos primórdios do oficio, quando a actividade, que se profissionalizava cada vez mais, buscava atender aos ideais do iluminismo, no fim do século XVIII.

O nascimento do termo credibilidade, no entanto, é anterior à  formação do conceito de credibilidade jornalística e não há consenso quanto à sua etimologia.

 

A credibilidade jornalística e o contrato de comunicação. O Jornalismo é um tipo de discurso  inserido num sistema de mídia. Fazem parte desse sistema de mídia, além dos jornalistas profissionais(jornalistas e público) que serão estabelecidas ou não, as condições para que a credibilidade seja atribuída às produções jornalísticas(reportagens, entrevistas etc.). As actividade que os jornalistas desenvolvem em suas rotinas produtivas tomam como base um conjunto de procedimentos de ordem ética, os chamados princípios deontológicos, e também, técnicos, com habilidades directamente vinculadas a esse conhecimento perito, especializado.

Em linhas gerais, é possível comparar a relação da credibilidade  no trato com a informação e o público com a definição do que vem a ser o fair play nas práticas desportivas, ou seja, a consecução de actividades comprometidas com uma postura ética. As representações sociais em torno da credibilidade jornalística fazem com que a relação entre jornalistas e público seja calcada de um pressuposto, o da confiança entre esses dois pólos do processo informativo. Neste contexto, o que se pactua é um compromisso com a verdade em torno dos factos e acontecimentos reportados pelo jornalista. Trata-se do chamado contrato de comunicação.

A credibilidade jornalística no século XXI. Dentro da cultura profissional jornalística, a credibilidade  é um dos valores mais caros, pois ela auxilia na conformação dos ethos jornalístico. Para  Francisco Karam, noções como a de credibilidade jornalística” representam selos que qualificam o jornalismo e, por isso, devem ser mantidos como norteadores da conduta quotidiana dos profissionais e instituições que actuam no jornalismo. Entre outros termos, a credibilidade jornalística  é uma espécie de chancela que atesta o pacto de confiança estabelecido entre os jornalistas e o público,                                                                     

 

A credibilidade das autoridades. Todos aqueles que exercem  funções de chefia(política, militar, religiosa, comercial, social e familiar) devem  ser coerentes com os princípios inerentes às suas funções  para que as suas palavras tenham credibilidade.

 

Há dias  li uma notícia que dizia o seguinte: “Um político  e um padre (Arcebispo D.José Tolentino Mendonça) afirmavam: a Igreja  está a “aprender” e a ganhar” credibilidade” com o Papa Francisco.

“O Jornalista Daniel Oliveira considera que o Papa Francisco tem “mais sentido político”, que usa os “instrumentos conhecidos da democracia” para “ganhar força dentro da Igreja”. “O Papa percebeu que era nos mecanismos da democracia, no apoio popular que é necessário em democracia, que encontraria a força para fazer a transformação da Igreja”.

 

Para que haja credibilidade tem de haver coerência e exemplo entre o que se ensina ou se prega( no caso sacerdotal) e o que  se faz ou se pratica.

Por exemplo: Um sacerdote perde a sua credibilidade se prega  a fidelidade,  a castidade e  o amor conjugal  e   tem  uma  relação amorosa com uma mulher, surgindo dessa relação o nascimento de um filho.

Os pais perdem a sua credibilidade  quando  ensinam aos seus filhos os princípios da  pontualidade, da  educação, do respeito, da obediência , e os pais não dão exemplo.

O médico perde a sua credibilidade quando receita a um seu paciente a privação da bebida alcoólica, quando ele  se embriaga frequentemente.

Um gerente de um banco perde a sua credibilidade quando ele  desvia somas de dinheiro  e exige seriedade  aos seus empregados.

 

 

A credibilidade e a Bíblia.

“Deus não é homem para que minta, nem filho de homem para que se arrependa. Acaso Ele fala e deixa de agir? Acaso ele promete e deixa de cumprir?”. Números 23, 19.

 

“Retenha, com fé e amor em Cristo, Jesus, o modelo da sã doutrina que você ouviu de mim”.  2 Timóteo 1,13.

 

“Eu disse estas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo! S. João  16, 33-

 

Procuremos praticar a  integridade nos nossos pensamentos  e nas nossas obras

Deste modo estamos a contribuir  para  a  construção de um mundo melhor.

 

 

 

ANTÓNIO FRANCISCO GONÇALVES SIMÕES   -   Sacerdote Católico. Coronel Capelão das Frorças Armadas Portuguesas. Funchal, Madeira.  -    Email   goncalves.simoes@sapo.pt



publicado por Luso-brasileiro às 14:07
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VALQUÍRIA GESQUI MALAGOLI - PASTOR ALADO

 

 

 

 

 

 

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Hoje eu vi, neste bosque encantado,

pica-paus amarelos, vermelhos...

e caí sob o sol de joelhos

para ouvir o sabiá alaranjado.

 

De repente, um ruflar de asas e eis:

se juntou à oração silenciosa

um tucano, e a paineira viçosa

acolheu nos seus braços dois reis.

 

Ai, que nada me vi! Bem menor

que a formiga, a libélula, a aranha...

O sabiá a natureza arrebanha.

 

Qual pastor, ele sabe de cor

a canção que as ovelhas encanta,

e à tardinha a inicia... à hora santa.

 

In Testamento (2005)

Livro disponível para download – gratuito – em www.valquiriamalagoli.com.br

 

Valquíria Gesqui Malagoliescritora e poetisa, vmalagoli@uol.com.br



publicado por Luso-brasileiro às 14:02
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PÉRICLES CAPANEMA - CENTO E TRINTA ANOS À DERIVA

 

 

 

 

 

 

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Lia no Estadão dias atrás artigo de Pedro Malan (O terceiro inverno do governo Bolsonaro), quando, de repente, trombei com essa: “O processo que nos trouxe até aqui está em curso há décadas. Estamos há mais de 130 anos em busca de uma República democrática digna desse nome”.

 

 

Crise velhíssima. De outro modo, até hoje, não terá havido entre nós república digna de tal nome. À vera, Malan recorda o óbvio. Ela começou com uma quartelada, logo despencou num bonapartismo caboclo que esfrangalhou as liberdades reinantes na monarquia, a seguir eleições “a bico de pena” e de lá para cá barafusta meio bêbada entre golpes, anarquia administrativa, roubalheiras e ditaduras. Currículo consagrador, dúvida nenhuma.

 

Infelizmente, pelo sacolejar costumeiro da carruagem, Deus nos proteja, parece que não teremos caminho fácil pela frente, pelo menos até onde a vista alcança. República digna do nome? Peraí, devagar, dr. Pedro. Vamos esclarecer um ponto. Talvez o articulista tenha se referido à república romana, inspiração para muitos republicanos ao longo da história. Quereria um país com homens públicos dotados da “gravitas”, “prudentia”, “honestas”, varões de Plutarco. Se, contudo, tiver como ideal, a república francesa, nascida de 1789, santo Deus! Assassinatos, terror, opressão, tirania, guerras sem fim, e vai por aí afora. Seria então congruente termos com a mão no leme do Estado a homens públicos despreparados, inescrupulosos, toscos, aproveitadores, arrivistas, debochados, useiros e vezeiros da linguagem chula e do palavrão, na realidade, hedionda caquistocracia. Marat, Fouchet e Fouqier-Tinville constituiriam lídimos marcos para comportamentos “autenticamente republicanos” do segundo modelo. A propósito, sobre a Revolução Francesa, um de seus corifeus, Georges Clemenceau (1841-1929), afirmava que, por coerência, era preciso aceitá-la “en bloc”; nada de fatiamentos, uns comestíveis, outros intragáveis. “A Revolução Francesa é um bloco, um bloco do qual nada pode ser retirado. Esta revolução admirável ainda não acabou, continua, somos dela os atores”. E ainda, na mesma direção: “A Revolução Francesa é um bloco, que é preciso aceitar ou rejeitar em sua integralidade”.

 

Deixo de lado a alusão ao modelo que animaria Malan, não sei se o da Antiguidade, se o sanguinolento da Modernidade. Ou se seria outro, quem sabe mescla de várias realizações históricas.

 

 

Desalmado processo de décadas. Nota ainda o celebrado economista, padecemos desestabilizador processo de décadas, coisa longa, confusa e desagregadora. Bosqueja traços dessa construção empobrecedora, cujo resultado é cruel exclusão social; ao longo dos anos milhões e milhões de brasileiros impedidos de ter vida melhor.  Processo aponta para ação concatenada, fio de meada. Qual processo? Explica ele meio atabalhoadamente: “Ações e omissões, erros e acertos, paixões e interesses, conflitos e compromissos que nos trouxeram, como país, ao que somos hoje. Entender como um país se tornou o que é, e o que poderia vir a ser, exige consciência do peso ou do empuxo do passado”. Deveras, está descrevendo processo que em muitos traços se poderia chamar de demolição. E o conserto não pode vir só de uma eleição, de troca de gerentes, de medidas entufadas, aparatosas e estrepitosas ▬ vazias, no miolo. Requer muito mais, mas desborda os limites do artigo o trato circunstanciado dos remédios contrários ao retrocesso. De qualquer maneira, já é um avanço ter clara a noção do buraco em que nos metemos.

 

 

Barco no meio da borrasca. Malan lembra o clima de incerteza, os riscos atuais à liberdade, a possibilidade concreta das surpresas desagradáveis. Borrasca, barlavento e sotavento em mutação rápida, rajadas desorientadoras sacudindo o navio (ou o Brasil). De fato, confessa-o chapada e candidamente, estamos há décadas agredidos pelo fracasso estrondoso da república.

 

 

Conscientização. Vamos, pelo menos muito por alto, aludir à consciência e ao peso do passado, circunstâncias lembradas pelo antigo ministro da Fazenda. Cento e trinta anos batendo cabeça, crâneo lotado de galos doloridos, olhos cansados divisando fantasmas no fundo do panorama. Inevitável a conclusão, a solução (emplastro) gizada às pressas e irrefletidamente pelo marechal Deodoro não funcionou; deu com os burros n’água. Na prática, ova emplastro infeccionou ainda mais a ferida.

 

 

A “ordem e progresso”, no real, a regressão bagunçada, nasceu da credulidade, enraizada no mimetismo subserviente, de acreditar em fórmulas cerebrinas que, aliás, já caminham celeremente para o ostracismo: positivismo e bonapartismo. Caudatários apaixonados de correntes já meio moribundas e desvalorizadas nas origens, empurraram na época, goela abaixo do Brasil, poções pretensamente mágicas de feiticeiros desmoralizados. Intoxicou, enrijeceu; desnaturou.

 

 

Peso do passado. O peso a que alude Malan é a carga jogada nos ombros do povo pelos descaminhos da era republicana. Existe outro passado, anterior ao republicano: teve pesos, mas também teve empuxo e até luz. Não sustento que a monarquia, como existiu entre nós, constituiu governos sem máculas. Longe disso. Apenas que foi começo promissor, carregado de esperanças bem fundadas e realizações de valor. O Brasil poderia ter dado muita coisa boa para seu povo e para o mundo.

 

 

Gravitas. Chamo a atenção para um ponto.  A “gravitas”, “honestas” e “prudentia” da generalidade dos homens públicos do Império era penhor de caminhada na direção de um bem comum cada vez mais amplo, criador de espaços de oportunidades e realizações, aperfeiçoando pessoas e instituições. A tal perspectiva foram dadas as costas e despencamos. Um exemplo só, revelador, e para fechar: qual foi o homem público mais prestigioso da república, o maior de seus ministros, exemplo de lucidez na ação, clareza de rumos e proficiência para a pátria? Em sua procura de respeitabilidade e eficiência, a república o buscou no Império: o barão do Rio Branco. Que, aliás, nunca deixou de usar o título em ocasiões públicas e privadas. Na república triunfante, seguro, perfil de medalha, ostentava-o: era “o barão”.

 

 

Governo do bom exemplo. Por que lembrei tudo isso? Melhor, recordo; repito o que já tenho escrito. Se quisermos progresso para todos, será condição indispensável o cultivo lúcido de elites aptas a conduzir a nau pública com elevado senso do bem comum. Competentes e preparadas, é o início indispensável, mas também com a clara noção do dever da exemplaridade. O bom exemplo dos governantes é fundamento de aperfeiçoamento nacional, pressuposto para amplíssima e benéfica política de inclusão social.

 

 

 

 

 

PÉRICLES CAPANEMA - é engenheiro civil, UFMG, turma de 1970, autor do livro “Horizontes de Minas"

 

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 13:52
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ALEXANDRE ZABOT - A EVOLUÇÃO NA FISICA E NA ASTROFÍSICA (parte IV)

 

 

 

 

 

 

Alexandre Zabot

 

 

 

 

 

 

Foi nas ciências exatas que a ideia de evolução encontrou mais terreno fora das ciências biológicas. No quarto artigo da série evolução, vou mostrar algumas das aplicações mais interessantes do conceito dentro da Física e a Astrofísica.

Muito antes da teoria darwiniana os físicos já pensavam na questão da evolução. Naturalmente não estavam preocupados com o que se passa com os seres vivos, mas nos movimentos e transformações da natureza. A partir de 1850 o físico alemão Rudolf Clausius desenvolveu e aplicou o conceito de evolução na Física, que os físicos chamam por outro nome: entropia. Clausius foi buscar a palavra entropia no grego: significa transformação.

Imagine que você veja só uma cena de um filme: um carro andando para trás. Com base só nessa pequena cena você não pode dizer se o carro está dando marcha à ré ou se a cena está sendo passada ao contrário. Por outro lado, se a cena for de um carro destruído contra um muro voltando a se tornar inteiro e perfeito antes da colisão, você saberá que a cena está sendo passada ao contrário.

Sua intuição, ou bom senso se preferir, conhece algo que os físicos demoraram para conseguir definir corretamente mas já percebiam há tempo: que alguns fenônemos na natureza são reversíveis e outros são irreversíveis. Costuma-se dizer que há uma “seta do tempo”, que indica o sentido do passado para o futuro.

A entropia é uma medida física que especifica quais fenômenos são irreversíveis e como isso acontece. A maneira mais comum de explicá-la é através do conceito de desordem de um sistema físico, ou também complexidade. Um carro todo destruído é muito mais desordenado, ou complexo para se compor a posição da infinitude de partes quebradas, do que um carro inteiro, todo ordenado conforme o projeto inicial.

Na natureza, a entropia é mais que evidente! Não vemos, como no belo filme “O curioso caso de Benjamin Button”, os seres ressuscitarem, rejuvenescerem e depois voltarem ao estado embrionário para então desaparecerem. A lei mais inexorável da natureza é a ordem: nascimento, crescimento e morte. Os físicos entendem essa sentença como a entropia, que eu chamo de “teoria da evolução dos físicos”.

Na Astrofísica acontece algo ainda mais belo: as estrelas evoluem, e levam todo o universo a evoluir com elas. Talvez você não saiba, mas toda estrela nasce, cresce, torna-se adulta e depois morre. Nenhuma escapa disso. E, na morte, pode ainda “fecundar” o espaço e fazer nascerem outras milhares de estrelas, planetas e seres vivos.

No começo do universo praticamente só havia dois elementos: hidrogênio e hélio. As primeiras estrelas forjaram os outros elementos no seu interior ou na explosão final da morte de muitas delas: ferro, carbono, oxigêncio, nitrogênio, etc.

Sem esses elementos, não é possível formar água e terra. Ou seja, nada de planeta Terra e seres vivos. Tanto o Sol quanto o Sistema Solar só puderam existir depois que as primeiras estrelas morreram e espalharam os elementos químicos pelo espaço. Por isso é comum ouvir os astrofísicos dizerem que somos poeira das estrelas. Naturalmente, chamo o estudo da vida das estrelas de “teoria da evolução dos Astrofísicos”.

Quase todos já ouviram falar da teoria do Big Bang, segundo a qual o universo surgiu de uma explosão inicial e desde então está em expansão, sempre crescendo. Na verdade, não é só uma questão de expansão, mas de transformação. Vão se formando estruturas de estrelas, galáxias, aglomerados e super-aglomerados de galáxias ao longo do tempo. Toda esta transformação – leia-se evolução – acontece sob determinadas regras cósmicas que hoje denominamos Cosmologia.

Erra muito quem diz que o Big Bang é uma teoria do surgimento do universo. Na verdade ele é uma teoria da evolução do universo. A questão do surgimento é só um detalhe na teoria. Assim, costumo chamar o Big Bang de “teoria da evolução dos cosmólogos”.

Por fim, é muito bonito ver como todas estas teorias da Física, Astrofísica e Cosmologia (que bem pode ser vista como a união da Física com a Astrofísica) nos mostram que todo o universo, desde as escalas mais microscópicas às imensidões do cosmo, caminha sob leis de transformação e evolução bem definidas.

A ideia teológica e filosófica de finalidade, ou propósito, encontra terreno fértil na Física. Ao estudarmos as leis do universo, não é possível descartar facilmente o sentimento de que o universo foi criado para um fim específico, que tudo aqui está maravilhosamente planejado e orientado. Toda a natureza é incrível e nos remete sempre a ideias ainda mais incríveis.

Santo Agostinho disse isso ainda melhor: “Eis que o céu e a terra são; e dizem-nos em altos brados que foram feitos, pois modificam-se e variam. Porque, naquilo que é sem ter sido feito, não há coisa alguma agora que antes não houvesse: que isso é modificar-se e variar. O céu e a terra clamam também que não se fizeram a si mesmos: somos porque fomos feitos; não éramos antes que fôssemos, de modo a termos podido ser por nós mesmos. Basta olhar para as coisas para ouvi-las dizer isso. Tu, Senhor, fizeste essas coisas. Porque és belo, elas são belas; porque és bom, são boas; porque tu és, elas são.” (Santo Agostinho, Confissões, livro 11)

04/2015

 

 

ALEXANDRE ZABOT   -    Fisico. Doutorado em Astrofisica. Professor da Universidade Federal de Santa Catarina.   www.alexandrezabot.blogspot.com.br



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FILIPE AQUINO - 5 CONSELHOS PARA EDUCAR UMA CRIANÇA DE TEMPERAMENTO FORTE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dicas eficazes e criativas para os pais

 

Se você ensinar uma criança teimosa a fazer o que é correto, ela fará o que é correto com toda a determinação de que é capaz.

Educar um filho de temperamento forte pode esgotar suas energias se você não tiver esmero e criatividade em sua formação. Quanto mais esperto seu filho for, mais difícil será seu trabalho como pai ou mãe.

Apresentamos, a seguir, 5 conselhos que poderão ajudar você a educar seus filhos de temperamento forte sem perder a alegria e a diversão desta nobre tarefa:

 

Leia também: A sublime missão de Educar

A importante missão de educar para a vida

Educar é uma missão maravilhosa

Os filhos também nos educam…  

 

 

 

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  1. Nunca brigue para demonstrar quem manda em casa

O truque para educar uma criança temperamental com amor é jamais bater de frente com ela. Você terminará esgotado(a), e poderá fazer seu filho perder a força de vontade. Sua tarefa não é ensinar seu filho quem manda em casa, e sim ajuda-lo a canalizar seu temperamento na direção do bem, ao mesmo tempo em que reforça certas normas básicas do lar.

 

  1. Escreva as regras da casa e siga-as à risca

Faça uma lista das normas básicas do lar, escrevendo-as de maneira clara. Os filhos mais novos precisam de menos regras. Você pode usar uma norma para cada ano de idade: para uma filha de 4 anos, 4 regras serão suficientes, por exemplo. Se tem vários filhos, escreva normas suficientes para suprir as necessidades do mais velho.

Coloque a lista em um lugar visível da casa (por exemplo, na geladeira) e leia-a com regularidade. Quando um filho quebrar uma regra, releia a norma para ele. Por exemplo, uma norma poderia ser “Seja grato, não invejoso”. Assim, cada vez que começam as reclamações de caprichos, vale a pena repetir: “Seja grato, não invejoso”.

 

 

 

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Ouça também: A educação depende dos pais

 

  1. Nunca castigue com dor; use as consequências naturais e a reflexão pessoal

Com um filho de temperamento forte, sempre existe a tentação de impor disciplina pela força: ficar sem sair do quarto, não jogar, ficar sem sobremesa, dar palmadas, gritar etc. Isso não funciona a longo prazo. A criança não precisa de castigos corporais, e sim de uma educação harmônica, para um desenvolvimento mental saudável.

Seja criativo, optando por medidas que exijam reflexão ou que permitam que seu filho possa compensar seu comportamento inapropriado. Por exemplo: se seu filho tratou alguém mal, poderia compensar isso fazendo um favor à pessoa prejudicada. Outra opção é fazer o filho escrever uma reflexão sobre a regra da casa que ele quebrou, sua importância etc.; isso o ajudará a refletir sobre seu comportamento.

 

  1. Canalize os desejos egoístas

Os caprichos obstinados são fundamentalmente egoístas. Nossa tarefa como pais é reconduzir esta força de vontade na direção do bem. Ofereça ao seu filho oportunidades de liderança, mesmo que ele tenha pouca idade: ele pode cuidar do irmão mais novo por alguns minutos, por exemplo. Se já tiver idade escolar, você pode envolvê-lo em causas nobres: refúgio de animais, banco de alimentos, cuidado de idosos etc. Quanto mais idade, maior deve ser o desafio, para que sirva de válvula de escape para o temperamento forte e incentivo para a vivência dos valores.

 

Assista também: Alguns conselhos para os pais sobre a educação dos filhos

Um conselho de Deus para educar os filhos – Eclo 30,1-13

 

 

 

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  1. Acalme o temperamento forte do seu filho por meio da ternura

Com um filho de temperamento forte, é comum que o cansaço e a frustração nos façam esquecer da ternura, do carinho e do amor. Mas, sem o nosso exemplo, nossos filhos não poderão aprender a ser amáveis e carinhosos por si mesmos. Dedique sempre alguma atividade ou momento do dia para o contato físico, para um abraço, uma conversa carinhosa. Boas oportunidades para isso podem ser: a hora de acordar, a volta do colégio, a hora de dormir.

Seus filhos são o maior e melhor investimento da sua vida. Dedicar seu tempo a amar e educar seus filhos lhe oferecerá abundantes doses de alegria.

 

Fonte: http://pt.aleteia.org/2016/01/22/5-conselhos-para-educar-uma-crianca-de-temperamento-forte/

 

 

 

 

FELIPE AQUINO   -      é viuvo, pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br Twitter: @pfelipeaquino.



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PAULO R. LABEGALINI - ALGUÉM IMPORTANTE E FELIZ

 

 

 

 

 

 

 

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Conheço a história de um rei que se sentiu intrigado com algumas perguntas e, desejando obter respostas, resolveu fazer um concurso. O prêmio seria um punhado de ouro e alguns títulos de nobreza a quem respondesse a estas três indagações:

1 – Qual é o lugar mais importante do mundo?

2 – Qual é a tarefa mais importante do mundo?

3 – Quem é o homem mais importante que vive no mundo?

Assim, intelectuais e analfabetos, ricos e pobres, jovens e adultos se apresentaram, mas nenhum deles deu respostas que satisfizessem o rei. E, souberam, só um homem não se apresentou para tentar solucionar os questionamentos. Ele era considerado sábio, mas não se importava com fortuna e nem com honrarias pessoais.

O rei, então, o convocou para vir ao palácio, e o velho sábio discursou à multidão:

– O lugar mais importante do mundo é aquele onde você se encontra. Onde você vive e trabalha é o lugar em que você deve ser útil e amigo, porque este é o seu lugar.

Quando completou a primeira resposta, todos se espantaram e sorriram admirados. Em seguida, ele continuou:

– A tarefa mais importante não é aquela que você deseja fazer, mas sim aquela que você deve fazer. Por isso, pode ser que o seu trabalho não seja o mais agradável e nem muito bem remunerado, mas é ele que lhe permite o seu próprio sustento e o da sua família. Se você não tem o que ama, é importante que ame o que tem!

E, mais uma vez, todos sorriram e começaram a aplaudir. Finalmente, veio a terceira resposta:

– O homem mais importante que vive neste mundo é aquele que precisa de você, porque é ele que lhe possibilita praticar a mais bela das virtudes: a caridade. Somente através da caridade você pode demonstrar o amor que tem no irmão, sem limites e exclusões. Através da caridade e da oração, um dia, você chegará ao Céu!

Muito feliz e agradecido, o rei disse-lhe que suas respostas seriam o maior tesouro que deixaria ao príncipe do próximo reinado. Mas, quando quis entregar o ouro ao sábio, recebeu um último conselho:

– Dê tudo ao homem mais importante do mundo.

Portanto, você pode pensar que tem muitos defeitos, pode viver ansioso e irritado, mas não se esqueça que sua vida é o maior milagre do mundo e só você pode evitar que ela deixe de dar bons frutos. Sempre haverá muitas pessoas que precisam, admiram e torcem por você.

E este texto completa as mensagens anteriores:

“Ser feliz não é ter um céu sem tempestades, caminhos sem acidentes, trabalhos sem fadigas e relacionamentos sem decepções. Ser feliz não é apenas valorizar o sorriso, mas acabar com a tristeza! Não é comemorar o sucesso, mas aprender lições nos fracassos. Também não é ter júbilo nos aplausos, mas encontrar alegria no anonimato.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver a vida, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. A felicidade não é simplesmente uma fatalidade do destino, mas uma conquista de quem sabe viajar para dentro do seu próprio ser.

Ser feliz é ter coragem para ouvir um ‘não’ e ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta. É beijar os filhos, curtir os pais e ter momentos poéticos com os amigos, mesmo que eles nos magoem.

Ser feliz é deixar viver a criança livre, alegre e simples que mora dentro de cada um de nós. É ter maturidade para falar ‘eu errei’ e ter ousadia para dizer ‘me perdoe’. É, ainda, ter sensibilidade para expressar ‘eu preciso tanto de você’ ou ‘eu te amo’.

E, quando você errar o caminho, recomece tudo de novo, pois assim você será cada vez mais apaixonado pela sua existência e descobrirá que ser feliz não é ter uma vida perfeita, mas usar as lágrimas para irrigar a tolerância. Use também as perdas para refinar a paciência e se inspire nas falhas para esculpir a serenidade.

Jamais desista de si mesmo e das pessoas que você ama. Use os obstáculos para abrir as janelas da inteligência e jamais desista de ser feliz”.

Eu desconheço o autor da mensagem, mas incluiria mais uma frase da primeira história: ‘Através da caridade e da oração, um dia, você chegará ao Céu’. Agora sim, acho que o texto ficou mais completo.

 

 

 

PAULO R. LABEGALINI   -  Cursilhista e Ovisista. Vicentino em Itajubá. Engenheiro civil e professor doutor do Instituto Federal Sul de Minas (Pouso Alegre - MG).



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HUMBERTO PINHO DA SILVA - EDUCAÇÃO E INSTRUÇÃO

 

 

 

 

 

 

 

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                  Sob frondosa tília, em flor, leio o “ Bom Jesus do Monte”, de Camilo.

                  É manhã. Uma luz morna, doirada, transparente, cai sobre o relvado verde do jardim, que permanece em doce silêncio.

                  Das árvores frondosas, saem festivos gorjeios. De longe, chega-me o arrulhar manso, de pombas mansas e enamoradas.

                  Diante de mim, estende-se o manto verde-escuro do relvado, desprendendo agradável odor a erva recentemente cortada.

                  Bando alegre de ruidosas crianças traquinas, rompe do arvoredo. Todas vestem vaporoso babeiro cor-de-rosa e bonezinho alaranjado.

                   Como alegres pardalitos, saltam, correm, brincam, soltando agudos gritinhos de contentamento, sob vigilância de zelosa educadora.

Não gosto do termo: educadora.

Para educar, é mister ser educado. Ter boa formação cultural e moral, que, geralmente não acontece, porque na escola, em regra, ensina-se, não se educa…

Há várias educações, consoante o meio que se vive, e a religião que se professa.

Educar, como il fault, é incutir bons hábitos. É educar a alma, como dizia Barrés

Como ia escrevendo, estava compenetrado na leitura, quando jovem casal de namorados, de lábios grudados, caminhavam como caranguejos.

Achei graça. Confesso que receei que a moça viesse a estatelar-se, já que usava curtíssima e apertada saia.

Notei que encaminhavam para carreirinho, cortado na relva, em diagonal, pisado por apressados e preguiçosos, que só seguem o empedrado, se o guarda estiver presente.

Carreirinhos, existem em quase todos jardins, criados por quem não respeita o trabalho dos outros.

São nadas, que servem para avaliar a educação de um povo.

Povo, que destrói plantas; corta flores; não respeita regras de trânsito; maltrata animais; escarra no chão; lança, para a rua, papeis; fura filas; que insulta; fala alto; é povo imaturo.

Não basta instrução, é mister ser educado; e educação, em norma, recebe-se em casa, com os pais e avós.

Basta ouvir os nossos políticos, ver os gestos, o modo de falar, o vocabulário, para verificar, que podem ter instrução superior, mas em educação, muitos encontram-se a nível de antigos saleiros.

Fala-se de crise económica e no recrudescer da violência, mas a verdadeira crise, a que crassa pelo mundo, ainda é a da educação.

 

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



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EUCLIDES CAVACO - APOCALIPSE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

***

 

 

 

 

 

 

 

 
 
  Com o meu fraterno abraço de sincera amizade.
 
 
 

  EUCLIDES CAVACO  -   Director da Rádio Voz da Amizade , CanadáCapa 14 e 15 (1).jpg

 

***

 

 

NOTICIAS DA DIOCESE DO PORTO

 

 http://www.diocese-porto.pt/

 

 

NOTICIAS DA DIOCESE DE JUNDIAÍ - SP

 

 

 https://dj.org.br/

 

***

 

 

 

Leitura Recomendada:

 

 

 

 

 

Resultado de imagem para Jornal A Ordem

 

 

 

 

 

Jornal católico da cidade do Porto   -    Portugal

 

Opinião   -   Religião   -   Estrangeiro   -   Liturgia   -   Area Metropolitana   -   Igreja em Noticias   -   Nacional

 

 

https://www.jornalaordem.pt/

 

***

 

HORÁRIOS DAS MISSAS NO BRASIL

 

 

Site com horários de Missa, confissões, telefones e informações de Igrejas Católicas em todo o Brasil. O Portal Horário de Missas é um trabalho colaborativo onde você pode informar dados de sua paróquia, completar informações sobre Igrejas, corrigir horários de Missas e confissões

 



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Sexta-feira, 11 de Junho de 2021
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - DOAR SANGUE: A SOLIDARIEDADE CORRE PELAS VEIAS

 

 

 

 

 

 

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Quatorze de junho  é o Dia Mundial do Doador de Sangue. Essa data comemorativa visa difundir nas pessoas a importância de doarem sangue e salvarem a vida dos que dele necessitam, como vítimas de acidentes, mães com complicações durante o parto ou a gravidez, crianças anêmicas e pacientes com câncer, ressaltando-se que em nosso país, a cada dois minutos um ser humano precisa de sangue. Ainda assim, uma das maiores dificuldades é encontrar indivíduos dispostos a doá-lo para suprir a demanda diária dos hospitais pelo tecido. Para reverter essa situação, o melhor caminho, é investir em educação e infraestrutura, transformando a doação de sangue em uma questão prioritária das políticas nacionais de saúde.

 

Um dia para trocar juras de amor

 

         O DIA DOS NAMORADOS, 12 de junho, amanhã, surgiu no Brasil inspirado por comemoração dos Estados Unidos em 14 de fevereiro, o Dia de São Valentim. E nada tem haver com outra figura santificada, Santo Antonio, celebrado no dia 13 e cuja fama de casamenteiro é bastante divulgada, embora com o tempo, em nosso país, consolidou-se sua figura à às graças de um possível namoro ou matrimônio.  O que efetivamente contribuiu à concepção brasileira foi o empenho dos comerciantes, que tinham nessa época do ano um período de baixas vendas e acreditaram que seria  lucrativa a ideia de estimular a troca de presentes entre os que se amam. E deu certo, já que se revela no terceiro momento mais rentável, superado apenas pelo Natal e pelo Dia das Mães.

         E devemos destacar um aspecto salutar, apesar dessa onda consumista. São comuns na época momentos de grande romantismo revelados em encontros festivos e até íntimos entre casais e que tendem a beneficiar qualquer relacionamento entre homem e mulher, mesmo unidos há vários anos. As juras de amor traduzem os sentimentos que nutrem uns pelos outros, renovando seus propósitos de vida comum, provocando declarações de todas as formas, até poéticas, sobre suas paixões.       Além do mais, também ressalta a importância do namoro como fase de preparação que os levem ao casamento e que se constitui numa opção extremamente séria e que possam concretizá-lo cientes de sua relevância como instituição legal e como sacramento religioso.

 

          AMANHÃ É O DIA MUNDIAL CONTRA O TRABALHO INFANTIL

 

A data foi instituída pela  Organização Internacional do Trabalho objetivando  alertar a população para o fato de muitas crianças serem obrigadas a trabalhar diariamente quando deveriam estar na escola, promovendo o direito de serem protegidas da exploração infantil e de outras violações dos seus anseios humanos fundamentais Há casos, no entanto, que poderiam ser melhor debatidos e até adequados em nosso país, protegendo-as inclusive da ociosidade e da permissividade que às vezes o sistema educacional e as famílias não conseguem evitar.

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉMARTINELLI éadvogado, jornalista, escritor e professor da Faculdade de Direito do Centro Universitário Padre Anchieta de Jundiaí. Ex-presidente das Academais Jundiaienses de Letras e de Letras Jurídicas (martinelliadv@hotmail.com)



publicado por Luso-brasileiro às 11:25
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ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - DERROTA DA FRANÇA: COMO EXPLICAR O INEXPLICÀVEL ?

 

 

 

 

 

 

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A Blitzkrieg das forças nazistas foi lançada a 10 de maio de 1940, precisamente no dia em que ca iu o gabinete pacifista de Neville Chamberlain e se tornou primeiro-ministro britânicoo belicoso e determinado Winston Churchill. O ataque alemão se deu, simultaneamente, por três frentes. Ao norte, um grupo de divisões relativamente pequeno atacou a Bélgica e atraiu as atenções e as forças dos aliados, numa inteligente manobra diversionista; parecia ser aquela a principal força alemã empenhada no conflito, numa repetição, pura e simples, da ofensiva de 1914. Um outro grupo de divisões atacou frontalmente a Linha Maginot, ao sul, parecendo aos aliados ser uma manobra diversionista para afastá-los da frente belga... Mas a principal e decisiva força alemã atacou mais ao centro, pelas florestas das Ardenas, exatamente onde o incompetente comando militar aliado se julgava protegido das Panzerdivisionen. O avanço rápido desse grupo rompeu facilmente a linha de defesa dos franceses e conseguiu o grande efeito tático de isolar os britânicos e parte do exército francês, ao norte, das demais forças francesas, sediadas mais ao sul.

O mais curioso é que o plano de invasão da França pelas Ardenas, executado magistralmente pelas Panzerdivisionen, tinha quase um século de existência. Tinha sido concebido em meados do século XIX, até nos pormenores, por um jovem cadete, como exercício de curso numa academia militar prussiana. Ficara arquivado durante décadas e foi posto em prática, com algumas pequenas adaptações, pelos alemães em 1940. Havia centenas de planos de invasão da França, nos arquivos das academias militares germânicas. Possivelmente muitos outros teriam sido igualmente eficazes.

A consequência do rompimento da frente aliada é que, praticamente, ficaram abertas as portas para a invasão em profundidade do território francês e o acesso a Paris. O plano tático inicial alemão parece que teria sido uma reunião das suas três forças de invasão, convergindo todas para o centro, mas isso se tornou dispensável, diante da facilidade com que a França entrou em colapso. Ocorreu o chamado o écroulement (desabamento) total da França, em apenas 5 semanas.

Para explicar a espetacular derrota do poderoso exército francês naquelas fatídicas semanas, a análise deve ir muito além dos aspectos puramente militares.

O norte-americano William Shirer escreveu sobre o assunto uma obra clássica em três volumes, intitulada “A queda da França - O colapso da Terceira República”. Shirer também escreveu “Ascensão e queda do Terceiro Reich”, em quatro volumes, sua obra mais conhecida e divulgada. No tocante ao desabamento francês de 1940, Shirer sentiu necessidade, para “explicar o inexplicável”, de recuar até 1870, quando da Guerra Franco-Prussiana, e escreveu uma história completa da Terceira República Francesa, desde o final da Guerra Franco-Prussiana, até 1940. Expôs e analisou em pormenores as crises internas da República francesa, profundamente dividida do ponto de vista ideológico, político, social e econômico, e mostrou que a union sacrée (união sagrada) da França inteira somente tinha podido se realizar provisória e efemeramente durante a Primeira Guerra Mundial, mas logo ao fim desta os fatores de desagregação tinham voltado a atuar à maneira de vetores, prevalecendo as forças centrífugas sobre as centrípetas. A tendência era a desagregação, a desunião, a falta de comando unificado. Isso somente se acentuou com as crises econômicas do pós-Primeira Guerra, e com o acentuado desgaste dos modelos de república liberal e pluripartidária, que nos anos 20 e 30 tenderam a ser substituídos por regimes autoritários de direita ou de esquerda.

Esses fatores todos atuaram no Exército francês que sempre desempenhou, ao longo de toda a Terceira República, um papel de importância essencial na França, papel que ia muito além do campo estritamente militar.

Shirer focaliza e analisa esses aspectos gerais e, no contexto deles, trata do que foi, propriamente, a débacle do Exército francês mal comandado por Gamelin, diante da fulminante Blitzkrieg dos “boches” - como pejorativamente eram designados, na França, os tradicionais inimigos germânicos. A parte do livro dedicada aos aspectos puramente militares do conflito é relativamente pequena, em face do contexto político e cultural mais amplo.

A mesma visão de Shirer é compartilhada por um amigo de juventude meu, que atualmente, já no posto de general, é professor na Escola de Estado Maior francês. Segundo ele, o tema da débacle de 1940 é ainda hoje matéria de estudo e debate nas academias militares francesas, mas existe um consenso generalizado de que não existe explicação razoável para ele se ficarmos no campo estritamente militar. Somente abordagens políticas e sobretudo culturais mais amplas, como a de Shirer, podem ser bem sucedidas na busca de uma explicação razoável e convincente. Exatamente o mesmo pensa outro amigo meu, um diplomata francês já idoso que vive em São Paulo, e cujo pai foi coronel do Exército francês, ativo durante toda a fase inicial da Segunda Guerra Mundial. Mantenho, com esse diplomata, longas conversas semanais sobre temas históricos e inúmeras vezes conversamos sobre o desabamento francês de 1940.

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS  -  é licenciado em História e em Filosofia, doutor na área de Filosofia e Letras, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Portuguesa da História.



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