PAZ - Blogue luso-brasileiro
Quinta-feira, 27 de Janeiro de 2022
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - HISTÓRIAS QUE DIVERTEM GERAÇÕES

 

 

 

 

 

 

 

 

        30 de janeiro no Brasil é o Dia Nacional da História em Quadrinhos, já que nessa mesma data, em 1869, o jornal Vida Fluminense (RJ) publicou a primeira "tirinha" de uma história ilustrada chamada “As Aventuras de Nhô Quim”, contando as peripécias de um caipira perdido na cidade grande - escrita e desenhada por Ângelo Agostini.

As revistas e as tiras nos periódicos apresentam uma linguagem importante ao desenvolvimento recreativo e cultural das crianças, exercitando a criatividade de forma prazerosa e divertida, além de entreterem os adultos.

Tanto que o cineasta Federico Fellini lia. O filósofo Umberto Eco era ávido consumidor e o artista plástico Roy Lichtenstein fez uso de balões com falas em algumas de suas obras. Esses artistas declararam que a leitura das histórias em quadrinhos serviu de inspiração e influenciou seus trabalhos. 

Atualmente, com o progresso tecnológico e o crescente aumento do uso da informática nos mais diversos meios, as revistas em quadrinhos já não tem a mesma influência que em anos passados. Ainda assim, é muito grande o poder das histórias em quadrinhos. Mais do que um divertido passatempo, elas são um valioso instrumento para despertar o gosto pela leitura!

Outro fator que os torna tão atraentes para as crianças é a ligação emocional que elas costumam desenvolver com os personagens. Um exemplo da força dessa conexão está na pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada em 2012 pelo Instituto Pró-Livro, na qual Mauricio de Sousa, o pai da Turma da Mônica, aparece em sexto lugar na lista dos escritores mais admirados pelos leitores, depois de Monteiro Lobato, Jorge Amado, Machado de Assis, entre outros.

É possível definir as HQs como arte sequencial, pois a história é narrada quadro a quadro através de sequência de acontecimentos ilustrados, trazendo benefícios há muitas gerações.

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor da Faculdade de Direito do Centro Universitário Padre Anchieta de Jundiaí. Ex-presidente das Academias Jundiaienses de Letras e de Letras Jurídicas e autor de inúmeros livros (martinelliadv@hotmail.com)

 

 



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ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - POR QUE DECAIU O IMPÉRIO DE CARLOS MAGNO?

 

 

 

 

 

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O reinado de Carlos Magno marcou um período de grande esplendor político e também cultural, a ponto de muitos historiadores utilizarem a expressão “Renascimento cultural carolíngio”. Foi esse o tema do nosso último artigo.

Entretanto, depois da morte de Carlos Magno, ocorrida em 814, seus senhorios foram divididos entre seus três filhos, mas por morte de dois deles, o total do espólio acabou sendo atribuído a Luís, o Piedoso (778-840), que no ano de 817 proclamou o Império como único e indissolúvel, indicando como seu futuro sucessor seu filho Lotário, e designando para os outros filhos que tinha os reinos da Aquitânia e da Baviera. Após a morte de Luís, entretanto, ocorrida e 840, os três filhos sobreviventes, Lotário Luís e Carlos, entraram em disputa pela herança imperial, do que resultou, em 843, a chamada Partilha de Verdun.

Durante quase um milênio o Sacro Império se manteve uma monarquia eletiva, por um sistema eleitoral que se firmou no século XIII, se sistematizou no século XIV e permaneceu em vigor até o século XIX. Cada vez que morria um imperador, era eleito seu sucessor por um colégio eleitoral constituído por um número reduzido de Príncipes Eleitores (Kurfürsten) - senhores eclesiásticos e temporais aos quais incumbia esse privilégio. O número de eleitores, entre o século XIII e o fim do Império, variou de 6 a 10. Sem embargo dessa eletividade teórica, ao longo de mais de 800 anos quase sempre foram eleitos imperadores os filhos ou herdeiros imediatos do imperador falecido, de modo que, na prática, o Império era uma monarquia hereditária, embora se mantivesse formalmente eletiva.

Os historiadores se perguntam quais as causas do declínio do Império Carolíngio. Sem dúvida, Carlos Magno foi um grande chefe, um colossal administrador, um conquistador sem igual, que se mostrou inteiramente à altura de seu papel histórico - mas não teve sucessores à sua altura. Se ele tivesse tido, nas duas ou três gerações seguintes, sucessores com sua mesma capacidade excepcional, provavelmente se teria fixado um modelo de grande imperador, que tenderia a se prolongar para os séculos seguintes. Mas acabou prevalecendo o costume dos reinos bárbaros de dividir os domínios de cada rei falecido entre vários herdeiros seus, de modo que a tendência centrífuga do Império Carolíngio acabou prevalecendo sobre a centrípeta.

Ainda não estavam bem assentados, naquele tempo, os mecanismos reguladores da sucessão dinástica, que se estabeleceriam e fixariam nas monarquias europeias no segundo milênio. Tais mecanismos não foram meras convenções sem razão de ser, nem resultaram de planejamentos. Foram, pelo contrário, produtos da experiência dos séculos, como meio eficaz de assegurar a unidade dos reinos e a continuidade pacífica das sucessões. Foi só aos poucos, muito gradualmente, que se desenvolveu o princípio da sucessão dinástica através dos primogênitos. Inicialmente, a designação dos monarcas se fazia por eleição, não evidentemente pelo sufrágio universal que conhecemos, mas por escolha entre os chefes.

Nos tempos primitivos, o monarca era precisamente aquele dentre os chefes militares que se mostrasse o mais forte, o mais capaz de defender a comunidade contra os inimigos que de todos os lados a cercavam. Mas já se notava uma tendência natural para a continuidade das chefias, pois era normal um chefe ir preparando o próprio filho para a sucessão, por vezes associando-o ao governo ou até fazendo com que fosse desde logo reconhecido e jurado como seu futuro sucessor. Ainda entre os povos bárbaros ou semibárbaros europeus foi-se estabelecendo como natural a monarquia hereditária. Tudo isso, insista-se, pouco a pouco, fruto de uma lenta evolução. Mas ainda não se havia chegado à perfeição do sistema. Pois quando morria um rei, ou os filhos concertavam pacificamente, entre si, a divisão dos domínios paternos (o que não era muito frequente e acarretava o inconveniente de enfraquecer as parcelas resultantes do fracionamento, como ocorreu com a herança carolíngia), ou havia que eleger um dos filhos, com preterição dos outros. Eram, então, mais comuns, quase regra geral, as disputas renhidas pela totalidade da herança paterna - ou pela melhor parte dela - nas quais se empenhavam os príncipes interessados e as facções que cada um deles liderava. Essas disputas o mais das vezes eram violentas e degeneravam em guerras cruéis.

Precisamente a fim de evitar as escolhas, que sempre semeavam divisões, é que se foi fixando o princípio da primogenitura na transmissão do poder. Não era qualquer um dos filhos do monarca falecido que sucedia a ele, mas era sempre o seu primogênito, de tal modo que pacificamente se assegurava a transferência do poder através das gerações.
A monarquia hereditária de primogênito a primogênito, tal como a conhecemos em tempos menos recuados da História, é, portanto, fruto de uma elaboração processiva, de um aperfeiçoamento gradativo através dos tempos. Foi a solução que a sabedoria e a experiência de gerações e gerações de antepassados nossos encontraram, vendo nela uma fórmula eficaz para evitar as divisões, as disputas, as rixas, as guerras civis ocasionadas nas eleições de chefes supremos.

Por falta desse elemento, e também por falta de sucessores com o mesmo valor individual de Carlos Magno, a dinastia capetíngia decaiu e o seu Império desmoronou.
Sobreviveram, é claro, as instituições feudais, que tiveram grande desdobramento nos séculos seguintes, e, formalmente, conservou-se a dignidade imperial, já bem menos ampla e expressiva do que no projeto carolíngio, até princípios do século XIX, quando Napoleão extinguiu o Sacro Império e seu último soberano, Francisco II, passou a ser Francisco I, Imperador do novo Império da Áustria. Foi o pai de nossa primeira imperatriz, D. Leopoldina. E, paradoxalmente, o sogro de Napoleão Bonaparte...

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS  -  é licenciado em História e em Filosofia, doutor na área de Filosofia e Letras, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Portuguesa da História.



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CINTHYA NUNES - CRIME E CASTIGO

 

 

 

 

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            Gostem ou não, algumas coisas estão mudando para melhor, mesmo que a passos muito lentos. Há algumas décadas as pessoas falavam abertamente, sem qualquer risco de reprimenda, que iriam jogar filhotes de gatos dentro de um rio ou que levariam animais para longe, para que não soubessem mais como voltar. Toda forma de abandono e de crueldade parecia justificável para alguns e, o pior, na quase totalidade dos casos, não havia o menor risco de punição.

            Lamento que ainda hoje haja uma parcela de pessoas indiferentes a essas práticas abomináveis e, pior, que submetem os animais a maus-tratos. Sei que a questão animalista é muito complexa e passa por discussões éticas, filosóficas, jurídicas e econômicas, o que não caberia no espaço dessa crônica, entretanto penso que vale analisar alguns pontos.

            Ainda que aos poucos venham mudando de status, os gatos têm sido, historicamente, alvo de incompreensão e extrema crueldade. Muita bobagem é dita por quem não conhece esses animais incríveis. Gatos são amorosos, inteligentes, apegados aos donos e vivem muito melhor, mais protegidos, se estiverem castrados e sem acesso à rua e aos perigos que ela oferece.

            Gatos não oferecem risco de transmissão de toxoplasmose se não estiverem eles mesmos contaminados, o que pode ser descoberto através de exame laboratorial. Risco maior corre quem come salada mal lavada. Mas a ignorância leva muita gente a “aconselhar” grávidas a se livrarem de seus gatos, entre outras coisas idiotices.

            É fato que os gatos, se deixados ao abandono, reproduzem-se rapidamente e, realmente, podem virar um problema nos centros urbanos. Reunidos em bandos, caçam e matam pequenas aves, às vezes até causando desequilíbrio ecológico. A urina dos machos, sobretudo, tem odor forte.

            Políticas públicas adequadas podem tratar do manejo e castração dos animais abandonados, de modo a controlar suas populações. Sobre o cheiro forte da urina, penso que nem se equipara ao fedor deixado pelos humanos em locais públicos, como praças, por exemplo. Diferente das pessoas, caçam quase sempre para aplacar a fome, ainda que entre seus instintos esteja o de serem caçadores eficientes.

            Nada justifica, a meu ver, barbáries como a ocorrida na cidade onde cresci e onde vivem meus pais, no noroeste paulista. Em Lins, há alguns dias, mais de seis felinos, segundo acompanhei pela imprensa, foram encontrados mortos por envenenamento. Diverso do que ocorria no passado, fatos assim não passam mais despercebidos.

            Aprovada no ano de 2020, a Lei Sansão (Lei Federal n.14.064) acrescentou um parágrafo ao art. 32 da Lei do Meio Ambiente para fazer constar que, em se tratando de maus tratos contra cães e gatos, a pena é de reclusão de 2 a 5 anos, além de multa e proibição de guarda de outros animais. Além disso, em caso de morte do animal a pena pode ser aumentada de um sexto a um terço.

`          Não me cabe, de forma leviana, apontar, nesse caso, suspeitos ou responsáveis pela chacina. Deixo isso ao encargo da polícia que, espero, faça seu trabalho com primor. O que me cabe, contudo, é registrar que fiquei orgulhosa de ver a população linense indignada e exigindo apuração de responsabilidades. Matar animais indefesos, hoje, não é mais ato que encontra eco de aprovação.

            Tantas outras medidas poderiam ter sido tomadas para retirada dos gatos do local, mas alguém preferiu tirar-lhes a vida. Confiantes de que estavam sendo alimentados por mãos bondosas, ingeriram o veneno que, de modo doloroso, ceifou deles a existência. Sem ter quem os socorresse, agonizaram sozinhos, inocentes diante da execução sumária.

            Quem quer que tenha feito isso deverá pagar de acordo com a lei aplicável, mas por certo sofrerá também a condenação social, vingança de uma sociedade que não aceita mais esse tipo de atitude. Nada do que for feito, por certo, trará de volta os animais assassinados, mas talvez sirva de lição futura para quem se ache intocável ou considere os animais como simples coisas. Crime e castigo, uma equação milenar.

            Seja como for, dê uma chance a um felino. Adote um gatinho abandonado e ganhe um amigo, um companheiro para o resto da vida. Às vezes, tudo é uma questão de chances...

 

 

 

CINTHYA NUNES é jornalista, advogada, professora universitária, tem cinco gatos e um deles foi retirado das ruas de Lins cinthyanvs@gmail.com/www.escriturices.com.br



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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - CORAÇÃO EM PAZ

 

 

 

 

 

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Não tinha dúvida de que era ele o homem de sua vida. Trazia-lhe um mundo sobre o qual ouvira apenas nas aulas de História e Geografia.  Nascida em cidade pequena do interior, as paisagens que dispunha eram restritas.
Comentou que viajariam muito e ela admiraria, do passado e do presente, o que mais lhe chamava a atenção. Mulher inteligente e preparada. Lamentou, somente que, pela pressa de seus negócios em outras plagas, seria impossível subirem ao altar.
Foi com ele e os percursos se tornaram de amargura e dependências.
Passaram-se décadas e, mesmo assim, não se esquecia de cantarolar do tempo da Jovem Guarda: “Vestido Branco” da Martinha: “Hoje vou sair de casa/ De vestido branco/ Vou mostrar que tenho/ Um sorriso franco. / Vou mostrar que venho/ De um sol distante/ Mas num só instante/ Eu vou mostrar quem sou...” E parava nas duas primeira estrofes.
Interessava-se muito, há tempo, pela manifestação de Deus às pessoas, pelos textos bíblicos, pelas revelações que fazem o ser humano compreender, pela fé, que vamos além da casca que nos envolve.
Foi em dezembro, durante o Advento, que resolveu dar o primeiro passo para o vestido branco que ficara em seus sonhos de menina. Compreendeu que, sem exceção, Deus pode restaurar as pessoas e até mesmo socorrê-las, se clamarem por Ele, dos pântanos do mundo.  Decidiu fazer a Primeira Comunhão. Pediu para se confessar com o Padre Márcio Felipe de Souza Alves que, no próximo domingo, assume, como Reitor, o Santuário Santa Rita de Cássia. Considera-o próximo, demais próximo, e do acolhimento, a partir da pandemia em março de 2020, quando ele, às quartas-feiras, enviava uma mensagem, via WhatsApp, e a bênção para todas as integrantes da Pastoral, a partir da Palavra de Deus e fortalecendo a esperança no Céu.
Confessou-se e a Primeira Comunhão aconteceu recentemente. Vestiu-se de branco, a filha fez a trança da infância e colocou um arco com pedrinhas brilhantes.
Serena, consciente e voltada para seu interior, subiu ao altar com o sorriso meigo que a caracteriza. No dia seguinte, colocou em seu Facebook: “Onde o verdadeiro Espírito de Deus habita... Deus vivo me recebeu em Seus braços afetuosos e me embalou... Nada mais temo... Pois Ele é COMIGO... Huuuuuhuuu Pastoral da Mulher, Associação Maria de Magdala. Amoooooo!” Padre Márcio Felipe disse: “Palavras de quem de fato encontrou o Amado de sua alma”.
Recordei-me da música “Um coração para amar” do Padre Zezinho:

“Um coração para amar, pra perdoar e sentir
Para chorar e sorrir, ao me criar Tu me destes
Um coração pra sonhar, inquieto e sempre a bater
Ansioso por entender as coisas que Tu disseste

Eis o que eu venho Te dar
Eis o que eu ponho no altar
Toma, Senhor, que ele é Teu
Meu coração não é meu"

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil



publicado por Luso-brasileiro às 14:03
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PÉRICLES CAPANEMA - ENIGMA CHINÊS DESAFIA O OCIDENTE

 

 

 

 

 

 

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Um intelectual público abre dissidência. Amigo dileto meu de muitos anos encaminhou-me artigo publicado em 20 de dezembro último no “Wall Street Journal” (WSJ), sob o título “The slow meltdown of the chinese economy” [O lento derretimento da economia chinesa, em tradução livre]. O autor é Thomas J. Duesterberg. Todos conhecemos a importância do WSJ, em especial para o setor econômico. Nem todos entre nós conhecem a importância do articulista, eu era um dos ignorantes. Fui então examinar quem é Thomas Duesterberg; favorável a primeira impressão, tinha valor a análise econômica no artigo. Surpreendia, contudo, a saída proposta pelo articulista; não era econômica, era política. Aqui vão dados a respeito do homem. É scholar respeitado, especializado em Economia, professor e pesquisador conhecido, ocupou posições políticas de importância em Washington no Departamento do Comércio e no Congresso; por fim, tem e teve presença destacada no setor privado. Ele é, caracteristicamente, o que hoje se intitula intelectual público. Sem mandato eletivo, participa ativamente da vida pública do país. Tem títulos para tal.

 

Verifiquei depois de pesquisa rápida que o mencionado artigo publicado por ele no WSJ é síntese (resumão) de trabalho mais extenso e circunstanciado postado anteriormente, 10 de dezembro, em site de estudos especializado. A mais, a mesma matéria vem sendo tratada pelo autor em diversos órgãos de divulgação. Enfim, ele tem uma opinião bem fundamentada e a vem divulgando ativamente. Breve, está em campanha. Afã especialmente dirigido a público que influencia de forma relevante os Estados Unidos ▬ políticos, homens da academia, executivos, jornalistas.

 

Existe crise grave na China. Reconhece Thomas J. Duesterberg, suas opiniões não são consensuais: “O público em geral, e aqui incluo os líderes da opinião política e os analistas do governo, via de regra não entendeu ainda a gravidade do perigo posto pela crise econômica da China. Minha análise vai por outro caminho”. De outro modo, ele acha que a crise é profunda e vai deixar sequelas grandes. Desconhecê-la seria quase suicídio. Não a aproveitar, imensa tolice.

 

Mais estatismo, mais repressão, menos liberdade. Para enfrentar a crise, o PCC (Partido Comunista Chinês), sustenta Duersterberg, está abandonando o modelo “socialista de mercado” e adotando outro, mais estatista, baseado nas estatais, com maior repressão política. Enfim, menos abertura, fechamento na economia e na sociedade. Duersterberg julga que referida direção trará diminuição do ritmo de crescimento chinês, talvez até mesmo uma recessão.

 

Pão versus liberdade. Aqui segue o miolo da tese que advoga: “Se os crescentes problemas com o atual modelo econômico chinês trouxerem a diminuição do ritmo de crescimento ou até a recessão na China, teremos impactos fortes sobre os Estados Unidos e seus aliados de duas maneiras importantes. Em primeiro lugar, dado que a economia da China é a segunda do mundo (em alguns aspectos, a primeira), e tem sido motor de crescimento para economias na Europa e no restante da Ásia, crescimento menor ou recessão na China acarretará provavelmente diminuição do crescimento no mundo ou até a recessão. Em segundo lugar, como o crescimento tem grande significado na China ▬ justifica o sistema autoritário de governo ▬ significativa diminuição no índice de crescimento ou recessão pode trazer instabilidade política. Considerando a retórica nacionalista da China em relação a Taiwan, poderia a instabilidade política, por sua vez, ser causa de arriscadas atividades militares que desembocariam em confrontação com países de mercado livre. Da perspectiva dos Estados Unidos, a diminuição do ritmo de crescimento da China poderia exacerbar as já sérias tensões comerciais e econômicas, sobretudo se as forças nacionalistas na China escolherem os Estados Unidos como bode expiatório para seus problemas internos”. Neste ponto, Thomas Duesterberg teme revoltas internas na China: “De outro modo, o derretimento econômico potencialmente ameaça o pacto social implícito na China entre governantes autoritários e população sossegada”. Simplificando, há um pacto tácito, a população aceita não ser livre, se houver melhoria de vida. Não havendo mais melhoria de vida, quererá de volta a liberdade.

 

Discernimento do perigo. Aqui surge a proposta política do articulista. Diante dos problemas econômicos chineses, que reverberam no ânimo da população, os Estados Unidos e seus aliados devem endurecer o relacionamento comercial, limitar o acesso chinês à tecnologia e financiamento ocidentais, bem como impor sanções econômicas por causa da violação de direitos humanos. E assim, propõe ele, é hora de aproveitar com desembaraço os instrumentos de que dispõem os Estados Unidos e aliados para proteger as economias ocidentais e, ao mesmo tempo, forçar rumo menos nocivo da política chinesa. Entre tais instrumentos, divulgar mundo afora que a economia chinesa está enfrentando dificuldades das quais não será fácil escapar. Resta saber se os governos ocidentais estão dispostos a aproveitar a ocasião propícia para ação que decorre do quadro desenhado pelo articulista do WSJ. Tenho minhas dúvidas.

 

Lucidez corajosa. Admito, o quadro pintado por Thomas Duesterberg pode ter carências e imprecisões. Importa pouco. Prevalece a constatação animadora: um intelectual público de expressão batalha nos Estados Unidos para que o país tenha maior consciência dos perigos que o ameaçam e tome logo medidas preventivas eficazes para manter abertas no futuro, no mundo inteiro, as portas da liberdade e da prosperidade. Portas abertas inclusive, e de forma especial, para a população da China. Em suma, suas opiniões esclarecedoras, raras e corajosas, desvendam enigmas. Merecem não só atenção e estudo, postulam a mais ampla divulgação.

 

 

PÉRICLES CAPANEMA - é engenheiro civil, UFMG, turma de 1970, autor do livro “Horizontes de Minas



publicado por Luso-brasileiro às 11:40
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ANTÓNIO FRANCISCO GONÇALVES SIMÕES - 20- CONTAGIOSO (completo)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Contagioso é uma palavra que deriva do substantivo “contágio” com o sufixo “oso” formando o  adjectivo  contagioso. É aquilo que se  transmite por contágio. Dum modo figurado, é aquilo que se imita sem querer. É o que se passa pelo contacto, que se transmite ou se propaga por contágio . Por exemplo : doença  contagiosa . bactéria contagiosa .É capaz de contagiar, de influenciar o comportamento de alguém: que se  espalha de uma pessoa para outra , de um lugar para outro. Por exemplo : tristeza contagiosa. Há alguns sinónimos: transmissível e  contagiante.

Contagioso pode ser uma infecção  viral comum  e contagiosa  provocada por um vírus. Muito frequente em crianças, sobretudo  nas que têm eczema atópico. Embora por vezes também possa aparecer em adultos. Causa nódulos ou  pápulas elevadas com o centro deprimido, semelhante a pérolas, de cor branca, rosada ou amarelada. O vírus  afecta principalmente menores de 15 anos. As pápulas  geralmente  são indolores e não dão prurido. Podem afectar  qualquer área da pele, mas situam-se normalmente no tronco, braços e pernas. Geralmente curam sem intervenção entre seis a  doze meses e não deixam cicatrizes. Em casos menos  comuns, pode levar até quatro anos para a cura ocorrer. Não tem qualquer gravidade ou influência na saúde geral e, por isso, não faz parte legal de doenças de evicção escolar obrigatória.

Várias doenças contagiosos que podem existir no nosso corpo:

A Influenza.  É uma doença infecciosa causada por um vírus. Existem os tipos  A,B e C. Os tipos que afectam o ser humano, actualmente, são:do tipo A  de  Hong Kong., A da Rússia e B. São doenças altamente contagiosos, espalham-se  com facilidade nas famílias, colegas de classe etc. Os sintomas são mais graves que a gripe normal.

Febre: bastante alta, persiste durante 3 a 7 dias. Mesmo baixando, ressurge após 1 ou 2 dias. A febre vai e volta. Corpo: causa moleza e falta e apetite. Dores: causa  dores de cabeça, nas articulações e nos músculos. Barriga: frequentemente surgem dores, vómitos e  diarreia. Tosse; agravam  posteriormente e casa muita secreção  nazal.

O  Sarampo.. É uma doença infecciosa causada pelo  vírus do sarampo. Altamente contagiosa, surgem muitas complicações associadas com a  doença, considerada como doença grave.

A Rubéola. É uma doença contagiosa causada pelo vírus da rubéola. Conhecida também como sarampo de três dias. Contrair robéola no início da gestação pode causar anomalias ao bebé.

A Caxumba. É uma doença  contagiosa causada pelo vírus da caxumba.

A Varicela. É uma doença contagiosa  causada pelo vírus”herpes Zoster”.

A Erisipela. Doença  causada pelo vírus B 19 parvovírus humano. Caso contrai na gestão   há  risco de aborto.

A  Herpangina . É gripe de Verão causada pelo vírus. São vários  os vírus causados e herpangina, surgindo com frequência. A doença causa febre alta 38º. A 40C durante 1 a 4 dias surgem  bolhas na língua e no interior da garganta, que uma vez rompidas, viram estomatite causando muita dor.t

Doença de mão, pé e boca. Infecção causada por virus, constantes no verão. Devido à existência de vários tipos de virus causadores da doença, pode-se contrair várias vezes. Restabelece após alguns dias.

 

Roséola infantil. Doença infecciosa causada pelo vírus de herpes 6 que  geralmente afectam as crianças de 4 meses e 2 anos. A febre após 3 dias. É  impossível diagnosticar  até surgirem as erupções cutâneas

Febre da Piscina. Doença contagiosa causada por vírus. Contrai-se principalmente em piscinas, mas também há risco e contágio em noutros locais Causa febre alta de 39º. a 40ª. C(principalmente à noite durante 5 dias(média). Causa dor de garganta e congestão da membrana  conjuntiva(olhos vermelho) causando também dor e cabeça, dor e barriga e  diarreia,

Molusco contagioso O molusco contagioso(Molluscum contagiosum) é uma infecção viral cutânea causada pelo  vírus Poxvirus, comum e frequente nas crianças, embora também possa aparecer em adultos. Nos adultos é na maioria dos casos uma infecção sexualmente transmissível. Como se transmite?A transmissão ocorre por contacto pele com pele, durante as relações sexuais.Pode, muito raramente, ocorrer transmissão através de objectos ou roupa(toalhas) em ambientes húmidos(saunas, piscinas).

Como e manifesta?    Manifesta-se  pelo aparecimento na pele de pequenas pápulas/vesículas, de cor branca ou rosada de centro deprimido. Podem atingir qualquer parte do corpo, dependendo do local de contágio, mas nos adultos localiza-se no púbis e área genital, incluindo o períneo. As lesões são geralmente assintomáticas, mas pode  existir comichão ou inflamação(por coceira) Nos imunodeprimidos podem estender-e a várias partes da pele e/ou confluir formando massas volumosas.

Como se trata?  Não há um tratamento específico para o molusco  contagioso.A opções terapêuticas são: aplicação de agentes tópicos que destroem as lesões, ou destruição mecânica com rotura das vesículas.

O câncer é contagioso?

Não. O câncer não é contagioso. Mesmo os cânceres causados por vírus não são contagiosos  como um resfriado, ou seja, não passa de uma pessoa para a outra por contágio . No entanto,, alguns vírus oncogénicos, isto é, capazes  de produzir câncer, podem ser transmitidos através do contacto sexual, de transfusões  de sangue ou de seringas contaminadas utilizadas, por exemplo para injectar drogas.

O amor é contagioso, disse o Santo Padre Francisco..Nas palavras do  Papa Francisco, cada um dos nossos actos tem uma  consequência, e até o mais pequeno vestígio de injustiça e de maldade põe ser uma ameaça para o mundo. Os insistentes apelos do Papa em defesa da dignidade e dos direitos humanos são o principal tema dos ensinamentos neste livro,., se não se promove a justiça. Não basta evitar a injustiça, se não se promove a justiça. Com palavras genuínas e alerta, Sua Santidade ensina-nos a  sermos misericordiosos, como Jesus foi quando perdoou aqueles que o cruxificaram, e a recusarmos a justiça de olho por olho, dente por dente”. Ser cristão é viver e testemunhar a fé mediante a oração, as obras de caridade, a promoção da justiça, a prática do  bem. Este é um evangelho de amor e de justiça, que iluminará  o leitor nas suas escolhas e acções ao longo da vida. Não é a cultura do egoísmo e o individualismo que muitas vezes regula a nossa sociedade e a capacidade de ver no outro, não um concorrente ou um número, mas um irmão. E todos nós somos irmãos.    

 

 

ANTÓNIO FRANCISCO GONÇALVES SIMÕES   -   Sacerdote Católico. Coronel Capelão das Frorças Armadas Portuguesas. Funchal, Madeira.  -    Email   goncalves.simoes@sapo.pt



publicado por Luso-brasileiro às 11:35
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ALEXANDRE ZABOT - MAGIA EM " SEGREDO "

 

 

 

 

 

Alexandre Zabot

 

 

 

 

 

Resposta escrita a uma pessoa que me perguntou por que eu afirmo que "A Lei da Atração" em "O Segredo" é um pensamento mágico, condenado como pecado pela Igreja.

Essa pessoa confidenciou que sofre de um problema muito difícil em sua vida e que "O Segredo" tem lhe ajudado a procurar uma solução.


Boa tarde XXXX

De fato, penso que o filme "O Segredo" (e o livro inspirado nele) inspiram pensamentos associados a magia. Por que penso assim?

Bem, em primeiro lugar é preciso entender o que é a magia:

Dicionário Michaelis:

"Ciência, arte ou prática baseada na crença de que é possível, por intervenção de entes sobrenaturais e fantásticos, produzir efeitos inexplicáveis, especiais, irracionais e sobrenaturais, através de fórmulas mágicas e rituais ocultos."

No caso, o núcleo lógico de "O Segredo" é (resumo que peguei na Wikipedia):

[Existe uma] "lei da atração (...) que sempre está agindo em todos nós assim como todas as leis naturais, como a lei da gravidade, como a lei da ação e reação, etc. É uma lei que explicaria o porquê de tudo que acontece em nossa volta, dizendo que as nossas emoções, produto de nossos pensamentos, que produzem os acontecimentos do dia-a-dia, se tivermos boas emoções, então teriamos bons acontecimentos na nossa vida, e se tivermos más emoções, então teremos maus acontecimentos na nossa vida. O filme defende que devemos ter um cuidado na hora de pensarmos, para não pensarmos o que não queremos e assim isso não acontecer na nossa vida."


Não está nesse resumo, mas é comum associarem essa "Lei da Atração" à Mecânica Quântica, especialmente ao "Princípio da Indeterminação".
No entanto, essa associação é completamente falsa pois esse princípio só tratade realidades microscópicas simples e isoladas de outras interferências.
Ela não faz qualquer sentido no mundo macroscópico, para os objetos e os acontecimentos com os quais lidamos diariamente.
Também não tem relação alguma com "poder da mente".

Assim, como essa conexão é falsa desde o princípio pois parte de uma premissa errada, esse suposto "poder da mente" não é algo científico. É uma crença!
E mais, como ninguém que propaga essas ideias entende realmente de Mecânica
Quântica, eles propagam uma crença baeada em um ente "sobrenatural efantástico", como diz a definição do Dicionário.

As pessoas que são levadas a acreditar nessa suposta "Lei da Atração" são motivadas por uma pseudo-base científica e também porque ela parece razoável.
Entretanto, no fundo elas são motivadas por um desejo de mudar a realidade por meio de algo fácil, ao alcance de suas mãos, ainda que não possam controlar devidamente os princípios.

Veja que normalmente esse desejo nasce, antes de tudo, por um sentimento de inconformação com a realidade.

Isso tudo que eu descrevi é o que chamo de pensamento mágico, que consiste em querer mudar a realidade usando algo exótico mas que parece ao meu alcance.
Começa com pequenas simpatias - não passar por baixo de escadas, não cruzar com gatos pretos, e termina com ações mais sofisticadas - pactos demoníacos etc.
 
No meio termo tem todas essas falsas filosofias orientais e um mundo demisticismos c omo de "O Segredo".


A postura cristão é totalmente contrária a isso.Para o cristão:

"Todas as práticas de magia ou de feitiçaria com as quais a pessoa pretende domesticar os poderes ocultos, para colocá-los a seu serviço e obter um poder sobrenatural sobre o próximo - mesmo que seja para proporcionar a este a saúde - são gravemente contrárias à virtude da religião." (Catecismo da Igreja Católica - CIC - 2117)


Porque a "Virtude da Religião" é:

"A justiça para com Deus chama-se "virtude de religião" (CIC 1807)

"A adoração é o primeiro ato da virtude da religião. Adorar a Deus é reconhecê-lo como Deus, como o Criador e o Salvador, o Senhor e o Dono de tudo o que existe, o Amor infinito e misericordioso. "Adorarás o Senhor, teu Deus, e só a Ele prestarás culto" (Lc 4,8), diz Jesus, citando o Deuteronômio (6,13)." (CIC 2096)


Ou seja, consiste em aceitar a vontade de Deus para nossas vidas e para as vidas dos outros. Isso pode, em muitos casos, estar disposto a aceitar uma imensa Cruz, como a de Cristo, que irá nos santificar.

Não há vida cristã sem aceitar, amar, a Cruz:

"Jesus disse a seus discípulos: “Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me." (Mt 16, 24)

A doutrina cristã a respeito da cruz é muito profunda e, para muitas pessoas, é o ponto de entrada pela verdadeira vida cristã.

Não significa resignar-se diantes das dificuldades, mas tampouco significa lançar mão de pensamentos e atos mágicos para mudar as realidades que Deus quis!

Recomendo o texto do Pe Francisco Faus como ponto de partida para a reflexão no tema:
https://www.padrefaus.org/2018/03/28/confianca-na-cruz/

E a busca de um Diretor Espiritual.


Espero que você encontre uma solução para o seu problema de XXXXX, mas também que encontre nessa Cruz uma proximidade maior com Cristo crucificado!

 

 

ALEXANDRE ZABOT   -    Fisico. Doutorado em Astrofisica. Professor da Universidade Federal de Santa Catarina.   www.alexandrezabot.blogspot.com.br



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FELIPE AQUINO - CINCO CONSELHOS PRÁTICOS PARA UMA BOA ORAÇÃO COM A BÍBLIA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dom José Gómez, Arcebispo de Los Angeles (Estados Unidos), falou sobre a importância de poder falar com Deus por meio da oração e indicou um método perfeito para fazê-lo: a Lectio divina.

Transformação por meio da Palavra de Deus

“A Lectio divina transforma nossa leitura das Escrituras em uma audiência privada com o Deus vivo que vem a nós com amor e nos fala nas páginas dos textos sagrados. Se a oração for conversação, então, temos de escutar Deus tanto como falamos com Ele. ‘Ao lermos a Bíblia, Deus fala conosco’, disse Santo Agostinho. ‘Quando rezamos, falamos com Deus’”, assinalou.

Por isso, o prelado deu estes cinco conselhos para meditarmos com uma passagem bíblica, de preferência com o Evangelho do dia

  1. Procurar um lugar tranquilo

Antes de lermos as Sagradas Escrituras, devemos procurar estar na presença de Deus. Portanto, Dom Gómez recomenda procurar um lugar tranquilo, onde ninguém interrompa, e apagar todas as telas – computador, celular, televisão – e, assim, poder estar, no mínimo, 15 minutos “a sós com o Senhor”.

Depois, “peçam que Seu Espírito Santo abra seus corações. Peçam a Mãe Santíssima que os ajude a meditar, em seu coração, os mistérios de Cristo, como Ela o fez”.

Leia também: 
Como ler a Bíblia?

Pode aprender-se a orar com a Bíblia?
Interpretar a Bíblia ao pé da letra?
Como ler e entender a Bíblia?
Orar sempre e orar bem
Orar sem Cessar

 

 

  1. Deter-se nos detalhes

Depois da oração, “comecem a ler devagar o texto do Evangelho desse dia. Podem ler uma e outra vez. E conforme leem, observem os detalhes. O que está acontecendo? Quais são os personagens principais? Detenham-se nas palavras ou nas frases que lhes chamaram à atenção. Prestem atenção, especialmente, no que Jesus está dizendo e fazendo”.

Desse modo, Dom Gómez assinalou que não devemos ler a Bíblia como se estivéssemos lendo um romance. “Trata-se de um encontro com o Deus vivo. Jesus vive nos textos sagrados. Deus está falando com vocês de maneira pessoal”.

  1. Meditar sobre a leitura

Depois de identificar a passagem que lhes chamou à atenção, o prelado indicou que se deve perguntar a Deus o que está tentando dizer por meio dessas palavras específicas.

“Existe aqui uma promessa para vocês? Uma ordem? Uma advertência? Como se pode aplicar esse texto na situação que está vivendo neste momento?”, propôs o bispo.

“Permitam que a Palavra de Deus se transforme em um desafio para vocês. Se tiverem dificuldade para entender o que estão lendo, peçam ajuda ao Espírito Santo”, sobretudo, para compreender os ensinamentos que “não estão de acordo com a nossa maneira de pensar, com nossas expectativas e nossos preconceitos”.

 

 

 

4 Orar

Depois de compreender o que Deus quis dizer, Dom Gómez indicou que é preciso responder-lhe. Isso se faz por meio da oração.

“Pode ser uma oração de agradecimento ou de louvor. A oração de vocês pode ser uma prece, podem pedir que Deus lhes dê a força para seguir em frente ou a fim de que lhes conceda alguma graça ou uma virtude”, explicou.

Também acrescentou que “quanto mais rezamos com os Evangelhos, mais conseguiremos pensar segundo ‘a mente de Cristo’, mais nos apropriaremos dos seus pensamentos e sentimentos; poderemos ver mais a realidade conforme Ele vê”.

Do mesmo modo, ao rezar mais, experimenta-se com maior intensidade “o chamado de Cristo a mudar o mundo, para que, dessa forma, possamos mudar a sociedade e a história de acordo com o desígnio amoroso de Deus”.

Ouça também: Podemos abrir a Bíblia ao acaso para tirar uma palavra?

  1. Contemplar

A Lectio divina termina com a contemplação. Esse momento se trata de permanecer em silêncio e “contemplar Deus”.

“Na contemplação, somos como crianças que buscam conhecer a maneira de pensar e a vontade do Pai que nos ama. Com nossa mente tranquila, descansa na presença de seu olhar. ‘Eu olho para Ele e Ele olha para mim’”, comentou o Arcebispo de Los Angeles.

Com a contemplação, “a Lectio divina nos leva a tomar resoluções concretas e levá-las para a ação”.

 

Fonte: http://www.acidigital.com/noticias/cinco-conselhos-praticos-para-uma-boa-oracao-com-a-biblia-68100/

 

 

FELIPE AQUINO - é viuvo, pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br Twitter: @pfelipeaquino



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PAULO R. LABEGALINI - EM TUDO, DAI GRAÇAS

 

 

 

 

 

 

Paulo Labegalini.jpg

 

 

 

 

 

 

Blasfemar nunca foi um de meus pecados. Em todas as dificuldades que vivi – e não foram poucas! –, continuei rezando e agradecendo pelo dom da vida, sempre com esperança de receber mais uma grande graça. Tenho dito às pessoas aflitas que, perseverando na fé, um dia irão entender os motivos das provações que estão passando.

Eu também não poderia imaginar em 1983 que, ao perder uma menina na semana do parto de minha esposa, seríamos tão abençoados três anos depois. O Alexandre, nosso terceiro filho, chegou para comprovar o presente que recebemos ao acreditar no amor de Jesus Cristo. Hoje, temos uma filha que intercede por nós no Céu e outros três conosco aqui na Terra – tudo pela graça de Deus!

Há uma história de um professor que pediu para os alunos levarem batatas e sacolas de plástico na aula.  No dia seguinte, ele os orientou a separarem uma batata para cada pessoa que sentiam mágoas, escrevessem os seus nomes nas batatas e as colocassem dentro das sacolas. Algumas ficaram muito pesadas, e a tarefa consistia em, durante algumas semanas, levarem a todos os lugares as sacolas com batatas.

Naturalmente, o aspecto das batatas foi se deteriorando com o tempo e o incômodo de carregar as sacolas mostrava-lhes o tamanho do peso espiritual diário que a mágoa ocasiona. Ao colocarem a atenção nas batatas para não esquecê-las em algum lugar, os alunos também deixavam de priorizar outras coisas que eram importantes para eles.

Esta é uma grande metáfora do preço que se paga, todos os dias, para manter consigo a dor, a raiva e a negatividade. Principalmente quando damos importância aos problemas não resolvidos ou às promessas não cumpridas, nossos pensamentos enchem-se de mágoa, aumentando o estresse e tirando nossa alegria. Rezar, perdoar e deixar estes sentimentos irem embora é a única forma de trazer de volta a paz e a felicidade.

E após algumas semanas, o professor disse aos alunos que poderiam ir jogando fora as batatas que tivessem os nomes das pessoas que deixaram de ter ressentimentos. Mas, para isso, teriam que tomar a iniciativa de procurar cada desafeto e pedir ou dar o seu perdão. Com o tempo, muitos sacos ficaram quase vazios e, rapidamente, outros se esvaziaram completamente!

Da mesma forma, aprendendo a dar graças a todo momento, estaremos deixando de colocar ‘batatas’ nas nossas sacolas espirituais. E como é bom estar em paz com a consciência e sorrir para a vida! Eu me lembro que, antigamente, saía do caminho de algumas pessoas para não precisar cumprimentá-las, e ainda dizia: ‘Perdi o meu dia hoje!’ Na verdade, eu perdia o dia sim, mas por deixar de perdoar e de receber mais graças do Céu.

Com a experiência e a espiritualidade de agora, se eu tivesse que orientar você a viver com alegria e ser mais abençoado a cada momento, diria assim:

1. Afaste-se dos pecados e das pessoas vingativas. 

2. Não reclame e não fale mal dos outros.

3. Cultive a alegria, o riso e o bom humor.

4. Evangelize mais o ambiente de trabalho e a sua casa.

5. Esteja sempre pronto a colaborar com as necessidades alheias.

6. Surpreenda as pessoas com convites para participar de orações.

7. Faça tudo com sentimento de amor e sem ressentimentos.

8. Ande com algum sinal de fé em você: terço, imagem na corrente, oração na carteira etc.

9. Confesse e comungue regularmente.

10. Dai graças pelos dons que Deus lhe deu.

Albert Einstein dizia: “Não basta ensinar ao homem uma especialidade, porque se tornara assim uma máquina utilizável e não uma personalidade. É necessário que adquira um sentimento, um senso prático daquilo que vale a pena ser empreendido, daquilo que é belo, do que é moralmente correto”. E Dom Helder Câmara, sabiamente completou: “Só sabe receber quem primeiro se dá”.

Portanto, dar graças é a condição necessária para receber graças e se doar ao próximo. A consequência disso, como todos sabem, é se aproximar do Reino de Deus. Existe coisa melhor do que isso? Quem já experimentou o imenso amor do Pai sabe que nada pode superar tamanha bondade! Mas, também gosto disto que li há pouco:

‘Se for para esquentar, que seja no sol. Se for para enganar, que seja o estômago. Se for para chorar, que seja de alegria. Se for para mentir, que seja a idade. Se for para roubar, que seja um beijo. Se for para perder, que seja o medo. Se for para cair, que seja na água. Se for para ter guerra, que seja de travesseiros. Se for para ter fome, que seja de amor. Se for para ser feliz, que seja o tempo todo.’

Muito legal, porém, não custa dizer que, nas dificuldades, cada caso é um caso e os Dez Mandamentos devem prevalecer em qualquer situação. Quem obedece a Deus, colhe os melhores frutos de todos os tempos. Pena que nem todos acreditam nisso e alguns até preferem viver no pecado. Se ao menos dessem graças de vez em quando, já seria um bom começo.

 

 

 

 

PAULO R. LABEGALINI   -  Cursilhista e Ovisista. Vicentino em Itajubá. Engenheiro civil e professor doutor do Instituto Federal Sul de Minas (Pouso Alegre - MG)



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HUMBERTO PINHO DA SILVA - A NOVA FORMA DE VIVER DE ALGUNS JOVENS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Meu pai – que Deus o tenha em bom recado, – apesar das dificuldades financeiras em que viveu, nunca deixou que minha mãe, o auxiliasse. A seu parecer, a mãe, devia ser dona de casa: cuidar do maneio do lar e da educação dos filhos.

Nesse recuado tempo, a mulher só devia trabalhar fora, por extrema necessidade. Era deprimente para alguém, da classe média, viver à custa da esposa.

Seguiam o velho rifão:” o homem abarca e a mulher arca”.

Só as operárias ou algumas licenciadas, exerciam a profissão. Umas, por necessidade, porque o salário do marido, não chegava; outras, porque queriam ser independentes.

A classe média – sempre a mais esquecida pelos políticos, – é que tinha o " preconceito" da esposa ser, somente, dona de casa.

Os tempos mudaram. A mulher tornou-se autónoma. Deixou de ser dependente do marido. Vive com o conjugue, porque o ama, não porque dependa dele economicamente.

Infelizmente há quem se aproveite dessa mudança. Quem dependa da mulher, não por necessidade – o que seria justo, – mas por comodismo.

Os rapazes da nossa época – pelo menos alguns, – ao procurarem moça para casar, verificam antes se tem bom emprego.

Desta forma, ao libertarem-se economicamente do marido, passaram, em muitos casos, a sustentarem o companheiro interesseiro e preguiçoso...

Se outrora o homem labutava, sem cessar, para sustentar a família, agora alguns (são muitos? Não sei) preferem vagabundear ou a dedicarem-se a divertimentos, à custa do trabalho da mulher.

É justo ambos colaborarem no sustento do lar, mas não me parece digno aproveitar, sem necessidade, do trabalho da esposa, como outrora, esta vivia do trabalho do marido.

É bem verdade: que o mundo dá muitas voltas…Mudam-se as vontades e as posições....

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



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EUCLIDES CAVACO - ALMA LUSÍADA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O meu fraterno abraço de sincera amizade.
 
 
 

  EUCLIDES CAVACO  -   Director da Rádio Voz da Amizade , Canadá.

 

 

 


***

NOTICIAS DA DIOCESE DO PORTO

 

 http://www.diocese-porto.pt/

 

 

NOTICIAS DA DIOCESE DE JUNDIAÍ - SP

 

 

 https://dj.org.br/

 

***

 

Leitura Recomendada:

 

 

Resultado de imagem para Jornal A Ordem

 

Jornal católico da cidade do Porto   -    Portugal

 

Opinião   -   Religião   -   Estrangeiro   -   Liturgia   -   Area Metropolitana   -   Igreja em Noticias   -   Nacional

 

https://www.jornalaordem.pt/

 

***

HORÁRIOS DAS MISSAS NO BRASIL


https://www.horariodemissa.com.br/#cidade_opcoes 

 

Site com horários de Missa, confissões, telefones e informações de Igrejas Católicas em todo o Brasil. O Portal Horário de Missas é um trabalho colaborativo onde você pode informar dados de sua paróquia, completar informações sobre Igrejas, corrigir horários de Missas e confissões.

 



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Quinta-feira, 20 de Janeiro de 2022
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - 21 de Janeiro é o DIA MUNDIAL DA RELIGIÃO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Comemora-se a  21 de janeiro, o Dia Mundial da Religião, cuja origem ocorreu nos Estados Unidos da América, em dezembro de 1949, quando a Assembleia Espiritual Nacional dos Bahá'is sugeriu que ela fosse celebrada anualmente com o objetivo de fomentar a compreensão, a reconciliação e a harmonia inter-religiosa, ou seja, a unidade na diversidade, mediante a ênfase no denominador comum que existe em todas as religiões, a crença num Ser superior, a mediação de um sacerdote ou líder com esse princípio divino e um sentido corporativo ou de comunidade. Trata-se de uma data muito especial no Brasil, que conta dezenas de credos religiosos, ligados às culturas dos povos que ajudaram a construir a Nação. Em nosso país todos são livres para seguir qualquer religião, conforme preceito constitucional expresso.

Essa liberdade de religiões não acontece em todos os lugares do planeta, nos quais muitas delas são proibidas e seus fiéis, perseguido mesmo estando a liberdade de cultos prevista na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Ressalte-se que todos os grupos sociais do mundo têm as suas próprias religiões, informando-se que há mais delas do que culturas desenvolvidas pelo ser humano. Tanto que Liev Tolstói chegou a afirmar que “o homem pode ignorar que tem uma religião, como pode também ignorar que tem um coração; mas sem religião e sem coração, o homem não pode viver”.

No entanto, mais do que nunca temos que nos conscientizar que o amor próximo e à natureza devem abalizar qualquer crença. Notadamente em nosso país, onde a materialização nas relações passou a ser aspecto fundamental, a hegemonia do ter e do parecer, prevalece sobre o ser; o estímulo à futilidade ganha cada vez maior espaço e o exclusivismo, gera um isolamento humano, onde a igualdade fundamental da pessoa é frequentemente violada.

Num momento em que a cidadania é abafada pela ação do poder econômico, ou prejudicada pela instabilidade de nossas instituições, temos que professar nosso credo com autenticidade. De nada adianta nos mostrarmos pessoas religiosas se os atos que praticamos são contrários aos princípios básicos do Direito, da Moral e da Ética. Por inúmeras circunstâncias, nossa sociedade é marcada por gritantes contrastes, descasos, segregação, violência, crimes ambientais e uma série infindável de ocorrências que lesam e impedem a satisfação das mínimas aspirações populares. Esses quadros demonstram que a presença de Deus na vida humana se faz necessária para propiciar o equilíbrio dos justos. Por isso, reitero que devemos observar com profundidade, sob pena de descaracterizá-la, se a religião que praticamos evidencia a necessidade de se questionar com a máxima urgência e clareza, os efeitos danosos de uma concepção estreita e distorcida de toda a amplitude da dignidade humana.

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor da Faculdade de Direito do Centro Universitário Padre Anchieta de Jundiaí. É ex-presidente das Academias Jundiaienses de Letras e de Letras Jurídicas e autor de diversos livros (martinelliadv@hotmail.com)



publicado por Luso-brasileiro às 12:06
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ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - COMO SE FORMARAM OS BURGOS MEDIEVAIS

 

 

 

 

 

Armando Alexandre dos Santos.jpg

 

 

 

 

 

Houve uma grande variedade no desenvolvimento das instituições medievais nas várias partes da Europa. Nada menos condizente com a realidade que imaginar a Europa Medieval como algo homogeneizado e padronizado. As variantes eram muitas, mas, de um modo geral, por volta do ano mil acentuou-se em toda a Europa a concentração populacional em aglomerados urbanos. A população, que até então vivera dispersa pelas zonas rurais, em torno de castelos e mosteiros, foi sendo gradualmente atraída pelos burgos que possibilitavam uma vida diferente, com outras possibilidades e perspectivas. Nesses burgos desenvolveu-se uma nova mentalidade, articularam-se relações novas e até mesmo os costumes, as artes e a cultura em geral adquiriram uma conformação diferente da anterior.

Alguns autores, aplicando linearmente os princípios marxistas, desejam ver na formação desse movimento comunal uma forma de resistência contra o feudalismo. O crescimento dos burgos e sua estruturação seriam, pois, uma forma de luta de classes. Ora, o próprio Marx recomendava que se tomasse muito cuidado na aplicação dos princípios que ensinava, às sociedades pré-capitalistas. Já no século XIX, houve quem procurasse ver, no surgimento das sociedades urbanas supostamente antifeudais do medievo, uma prefigura do que seria, em fins do século XVIII, a Revolução Francesa. Tal ideia, como salienta Jacques Heers, professor da Faculdade de Letras e Ciências de Paris-Nanterre, não passa de “um mito nascido no século XIX, no momento em que se exaltavam as agitações comunais da Idade Média, apresentadas como uma prefiguração, senão um início da revolução de 1789” (História Medieval. São Paulo: Difel, 1981, p. 121).

Sem nos atermos a esquemas ideológicos, perguntemos como surgiu o movimento comunal e quais as consequências desse movimento para o sistema feudal.

Respondamos à primeira pergunta, considerando mais especificamente a realidade da região europeia em que o feudalismo propriamente dito vigorou, ou seja, na França e no mundo germânico - abrangendo também, por extensão, algumas regiões da Itália. As mesmas considerações poderiam também se aplicar a outras regiões da Europa, mas necessitariam de adaptações pontuais que os limites de espaço deste artigo não comportam.

Vários foram os fatores que, nessas amplas áreas, atuaram para que, em primeiro lugar, a população tendesse a se reunir em centros mais coesos; e, em segundo lugar, para que, uma vez assim reunida, desenvolvesse um senso comunitário para afirmação e defesa dos seus interesses coletivos.

O feudalismo nasceu, como é sabido, num contexto de populações que se haviam dispersado pelas áreas rurais em decorrência das invasões bárbaras (ou "bárbaras", com aspas, como é mais "politicamente correto" grafar-se hoje em dia). Nesse contexto de ameaça constante, a existência de aglomerados urbanos era particularmente perigosa, pelo atrativo que estes exerciam sobre invasores. A dispersão populacional representava uma forma de defesa, completada pela proteção que os nobres, que constituíam a classe militar, podiam oferecer em troca de serviços e preito de honra.

Tendo cessado a ameaça constante das invasões de povos remotos do Oriente e tendo sido contida a ofensiva maometana proveniente da Península Ibérica, a tendência foi um apaziguamento e uma reordenação da vida, em geral. As estradas foram pouco a pouco se tornando mais seguras, em boa parte como um efeito do próprio sistema feudal, já que competia à nobreza exercer funções de polícia, perseguindo e eliminando bandidos, assaltantes e grupos de out-law, e caçando animais ferozes.

Por outro lado, houve na passagem do primeiro para o segundo milênio da Era Cristã um efetivo progresso nas técnicas de agricultura, o que permitiu, como destacam todos os estudiosos de História econômica medieval, sensível melhoria na produção de alimentos e na saúde da população. Esse progresso se acentuou nos séculos seguintes, de modo tão marcado que, sobre ele, Jean Gimpel publicou um livro que se tornou clássico: A Revolução Industrial da Idade Média (Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1977). Dessa melhoria decorreram o aumento da população e uma natural tendência a utilizar o excedente produzido como moeda de troca (numa primeira fase, no sistema de escambo, mais tarde já se adotando um sistema monetário). Todos esses são fatores que permitiram e favoreceram a natural tendência do ser humano para a vida social, já que o Homo sapiens nunca deixou de ser político no sentido original do termo, ou seja, nunca deixou de ser um animal social.

Outro modo de aglomeração, muito disseminado na região que estamos considerando, foi o de pessoas em torno de edificações religiosas. Numerosas cidades europeias têm origem em torno de velhos mosteiros ou santuários. Não se esqueça que, na pior fase das invasões, quando todas as instituições do mundo antigo se dissolviam, a Igreja permaneceu, se adaptou às transformações e assegurou um elemento de continuidade e proteção paralelo e complementar ao elemento militar. O feudalismo, como salientou o brilhante historiador francês Alain Guerreau - que tive o privilégio de conhecer pessoalmente na UNICAMP - é incompreensível sem o papel da Igreja (O Feudalismo: um horizonte teórico. Lisboa: Edições 70, 1980, p. 244-257).

Prosseguiremos o tema na próxima semana.

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS  -  é licenciado em História e em Filosofia, doutor na área de Filosofia e Letras, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Portuguesa da História.



publicado por Luso-brasileiro às 11:59
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