PAZ - Blogue luso-brasileiro
Quinta-feira, 31 de Março de 2022
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - PARA QUÊ ARROGÂNCIA ? DEVEMOS TRATAR TODOS IGUALMENTE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


         O ser humano ainda não percebeu o quanto a vida é curta e principalmente, a rapidez com que o tempo passa. Influenciado pelo sistema, que só valoriza os que têm dinheiro e poder, vive competindo com os outros e procurando angariar cada vez mais recursos para talvez se sentir maior ou melhor que as demais pessoas.

        Age apenas em função de suas próprias vantagens. Esquece-se das pequenas coisas, dos gestos simples e se afasta daqueles que não tem as mesmas ou menores condições. E o pior, esnoba-os ou os ignora.
Pratica constante e nitidamente atos de desigualdade, prepotência, empáfia e egoísmo, acreditando que é soberano, melhor que qualquer um e por isso mesmo, tendo “o rei na barriga”, tudo pode.
         Ledo engano. Próximo do fim da vida verificará que as suas verdades não passam de mentiras veladas; remonta o passado e surgem remorsos; descobre que os amigos só se aproximaram por interesse;  procura, mas não acha qualquer relacionamento consistente e  descobre que a falsidade encobriu o manto de todos os que os cercaram.
         Aprende muito tarde a maior de todas as lições: valorizou só a matéria e deixou a espiritualidade de lado. Assim, o seu legado é manifestamente frágil, vazio e inócuo, pois não prezou quaisquer dos valores reais: amizade sincera, simplicidade, solidariedade, amor ao próximo e respeito irrestrito aos indivíduos indistintamente.
O seu passaporte para o outro lado acaba se vencendo e provavelmente não irá a lugar nenhum. Sua nova trajetória será de desencontros, infortúnio e absoluta solidão.

         Vamos pensar muito nestes aspectos e circunstâncias. Talvez assim, trataremos os seres igualmente, sem quaisquer diferenças, lembrando que todos são idênticos perante Deus e que a Constituição Federal dispõe que um dos fundamentos da República Federativa do Brasil é “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”.

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor da Faculdade de Direito Padre Anchieta de Jundiaí. É ex-presidente das Academias Jundiaienses de Letras e de Letras Jurídicas. É autor de diversos livro (martinelliadv@hotmail.com)



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ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - RELENDO GUIMARÃES ROSA

 

 

 

 

 

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Uma das características das obras clássicas de literatura é que nunca se esgotam, nunca expõem de uma única vez todas as suas riquezas, mas contêm profundidades não perceptíveis num primeiro olhar. Sempre permitem releituras e, a cada releitura, novas belezas, antes despercebidas, aparecem e revelam novos encantos.

Um autor brasileiro que nunca se consegue entender devidamente na primeira leitura é, sem dúvida, Guimarães Rosa. Reli, ainda nesta semana, “A hora e a vez de Augusto Matraga”, que considero uma das mais belas obras-primas da literatura brasileira. É um conto muito conhecido que já foi, até mesmo, adaptado para o cinema.

No meu modo de entender, há por trás do seu enredo um problema psicológico e até mesmo existencial muito profundo. É o seguinte: a prática religiosa desviriliza um homem? Essa questão está presente, no conto, desde o início. O herói, Augusto Matraga, era um valentão, façanhudo. A certa altura, abatem-se sobre ele, de uma só vez, todas as desgraças: a mulher o abandona e se amanceba com um rival, a filha foge de casa e se prostitui, um poderoso latifundiário vizinho se apossa de suas terras, rouba sua mulher e o humilha cruelmente. Chega a marcá-lo com ferro em brasa, como a uma rês, e só não o mata porque Augusto, fugindo, se precipita num abismo, onde é dado por morto e abandonado.

Mas, de modo surpreendente, consegue sobreviver e é tratado por um casal de negros velhos, que o acolhem e o a dotam como filho. Entre eles, converte-se a uma religiosidade fervorosa e adota, como lema de sua vida: “Hei de ir para o Céu, nem que seja a porrete”.

Toda essa segunda etapa da vida de Augusto Matraga é marcada, de um lado, por essa determinação de renegar o passado de violências e pecados, mas, de outro lado, por uma nostalgia desse mesmo passado, no qual se sentia mais varonil, mais homem no sentido pleno do termo.

Outra frase que sempre repetia como refrão, e que consistia uma espécie de filosofia de vida para ele é que "todo homem tem sua hora e sua vez". Cabia a ele, Augusto Matraga, esperar sua hora e sua vez, que ainda haveriam de chegar. Bastava ter paciência.

Depois de um longo percurso nessa via, depois de ter, diversas vezes, vencido a tentação de retornar à vida passada e vingar-se de seus desafetos, ocorreu que um violento chefe de cangaceiros, que simpatizava muito com Augusto e várias vezes tentara em vão incorporá-lo ao seu bando, vai cometer uma atrocidade contra uma família inocente.

Augusto se opõe, luta fisicamente com o criminoso e contra todo o seu bando, ferindo o criminoso de morte, matando vários e ficando, também, atingido por ferimentos mortais. Somente então, no extremo fim da vida, compreende que havia chegado "sua hora e sua vez". Conseguira resolver a contento o problema existencial que o atormentara durante anos. Era, sim, homem de verdade, era viril, era varonil. Mas não ia para o Inferno, pois continuava a praticar o bem. Matara e estava morrendo, mas sem pecar, porque estava lutando por uma causa justa, para evitar o mal.

O diálogo final, entre ele e o bandoleiro que, agonizando, o saúda como um bravo, morrendo ambos abraçados e se perdoando mutuamente, é muito bonito. Tem algo que faz lembrar o tom das canções de gesta medievais. Do ponto de vista teológico, é perfeitamente correto, nada se lhe pode objetar. Do ponto de vista psicológico e literário, é das mais belas páginas já escritas em nossa língua.

Grande mestre, realmente, foi Guimarães Rosa! Valeu a releitura.

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS  -  é licenciado em História e em Filosofia, doutor na área de Filosofia e Letras, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Portuguesa da História

 

 

 

João Guimarães Rosa



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CINTHYA NUNES - BARBA, CABELO e BIGODE

 

 

 

 

 

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            —Pode deixar comigo. Já assisti a três vídeos no YouTube e chegou o kit de tesouras que eu encomendei. Mas pensando bem, e se ficar horrível?

            —Daí eu raspo careca, ué?!

            Com a garantia de que haveria uma solução em caso de fracasso, durante a pandemia me tornei cabelereira amadora. Para alívio de todos, não criei nenhum sósia do Kojak ou, para que os mais jovens entendam, do Meu Malvado Favorito.

            Nada contra os carecas, registro antes que protestos sejam enviados à Redação. Apenas que, no caso em concreto, significaria que meu investimento no kit de três tesouras, sete pentes e uma navalha teria sido um desperdício. Quando resolvi que, em meio à pandemia, iria cortar um cabelo masculino, tratei de adquirir o material minimamente necessário.

            Depois de alguns tutoriais, de posse de minhas ferramentas, coloquei mãos à obra. Segui à risca os ensinamentos gratuitamente fornecidos e o resultado final foi bem melhor do que eu imaginava. Não havia nascido ali, no entanto, a cabelereira em mim, pois minha carreira se iniciara havia muitos anos.

            Não me recordo mais como, na adolescência, em tempos pré-internet, comei a cortar os cabelos da minha avó paterna. Em algum momento, talvez pela idade avançada, Dona Sebastiana parou de ir até o local onde cortava os cabelos. Assumi o papel de aparar o cabelo branquinho e fininho, bem como de cortar e pintar as unhas dela. Fiz isso por muitos anos, até próximo de sua morte.

            Naquela mesma época, cortava também as pontas dos cabelos de algumas amigas, desde que fossem lisos e eu achasse alguma tesoura, nas coisas de casa, que não estivesse cega. Eram tempos mais brutos. Muita coragem das minhas cobaias ou vítimas. Fato inconteste é que nunca fiz estragos aparentes nos cabelos alheios, desde que não se compute uma franja um pouco curta demais que fiz em minha irmã, ela com três e eu com cinco anos.

            Já na faculdade, desembaraçava com prazer os longos, grossos e ondulados cabelos de minha colega de apartamento. Sempre achei relaxante desembaraçar cabelos alheios. Até hoje gosto disso e, vez ou outra, quando posso estar com elas, encurralo uma de minhas sobrinhas, com seus cabelos compridos e ali me demoro o tempo que for preciso.

            Aos dezesseis anos, voluntária em uma creche, cometi o erro de inverter as posições e deixei menininhas de seis a oito anos pentearem os meus cabelos. Quando compreendi que os pontinhos brancos nos cabelos delas eram ovos de piolhos, já era tarde demais. Compartilhamos a mesma escova por algumas horas e a mesma coceira por vários dias.

            A pandemia, assim, somente trouxe de volta algo que me acompanhava há tempos. Agora, todos os meses, minhas tesouras quase profissionais se movimentam e cumprem seus desígnios. Há passos que ainda não arrisquei, como usar a navalha, para segurança geral da nação, mas já aprendi, pela observação, a contornar redemoinhos ou a cortar ali sem deixar ninguém com o topete do Pica-pau.

            Não arrisco cortar meu próprio cabelo, no entanto. Sempre achei minha cabeça um pouco grande para o meu corpo, de modo que careca não está entre minhas melhores chances de um bom visual, mas venho arriscando mudar a cor dele, por conta própria. Enquanto minhas opções estiverem entre as cores mais sóbrias, passarei incógnita pela multidão.

 

 

CINTHYA NUNES é jornalista, advogada, professora universitária e pretende, uma hora dessas, fazer um curso de cabelereira – cinthyanvs@gmail.com/ www.escriturices.com.br



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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - CARTA DE ALFORRIA

 

 

 

 

 

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Quando penso que já vi ou ouvi todas as coisas sobre exclusão, fico sabendo que a moça estava feliz por ter conseguido “Carta de Alforria” junto à cafetina. Acreditava que esse termo ficara na história vergonhosa da escravidão, que ainda sangra no dia a dia de tantos afrodescendentes. “Carta de Alforria”, o documento que era dado ou vendido a um escravo pelo seu proprietário e tinha como resultado: liberdade sem estrutura para sobreviver.
Ela veio de um Estado do Norte onde existe parte da Floresta Amazônica. Assim como a floresta, o povo pobre não era considerado como prioridade e ela, com o corpo revolvido por maiores, como lixo para se descartar instintos selvagens. Sem um olhar que cuidasse, sua pureza foi maculada ainda criança. A história de tantos, infelizmente.
Um parênteses: ao pensar nas crianças da Ucrânia que fogem– choro por elas e por todos - para países próximos empurradas pela guerra, tantas vezes rompidos os laços maternos e paternos, com dificuldade de um reencontro, veio-me um fato acontecido aos meus sete anos, em 1961, quando fui operada das amígdalas. Recordo-me com nitidez de nossos pais, ao ser levada para o centro cirúrgico, jogando beijos com expressão de lamento.  Imagino, portanto, a dor dos incontáveis meninos e meninas que não possuem um olhar que os proteja e abrace. Como aconteceu com a moça, filha do seringal, em que as pessoas, para sobreviverem, precisam ter braços e coração de borracha. Quantos seres humanos são arruinados pela miséria.
Depois do corpo desarranjado, alguém sugeriu que viesse para o Estado de São Paulo, onde conseguiria ganhar o suficiente para sobreviver no comércio do sexo. Passou por algumas cidades e, em todas, surgiu de imediato uma cafetina ou cafetão para dizer que as praças e as ruas da cidade possuem “proprietários” para esse tipo de atividade. Teria que escolher entre “proteger-se” ou apanhar. Impossível competir com o poder do ilícito. Voltar para sua terra não desejava, pelo preconceito que sofrera por parte dos próprios que a usaram e outros mais a quem revelaram o que acontecia com ela nos becos escuros. Sem preparo algum escolar para exercer uma profissão e, mais ainda, com a autoestima rebaixada por sentir que era apontada apenas como silhueta. Os pais também a julgavam vergonha da família.
Classificada como os versos de Lupicínio Rodrigues na música “Quem há de dizer”: “Ela nasceu com o destino da Lua/ Pra todos que andam na rua/ Não vai viver só pra mim”. Ou Ana de Amsterdam de Chico Buarque: “Sou Ana do dique e das docas/ Da compra, da venda, da troca das pernas/
Dos braços, das bocas, do lixo, dos bichos, das fichas/ (...) Arrisquei muita braçada/ Na esperança de outro mar/ Hoje sou carta marcada/ Hoje sou jogo de azar. (...).
Durante a pandemia, os programas foram virtuais. Melhor assim, sem ninguém tocar nela. Não suporta mais que a toquem sem delicadeza alguma, como produto comprado que se esfacela nas mãos de perversos.
Juntou os trocados e conseguiu da cafetina a tal da “carta de alforria”. Creio que também não dê mais o lucro de outrora. Deixou de ser novidade. Permitiram-lhe fazer suas próprias escolhas.
Aparece no Bazar da Magdala para compras. Rigorosa nas escolhas. Está montando um brechó onde mora. A partir dele, pensa em reconstruir sua história.  Na entidade, arrisca falar sobre seus sonhos, sem que alguém desacredite da possibilidade deles. Quer se distanciar dos versos de Chico Buarque “Gení y El Zepelín: “Joga pedra na Gení/ Joga pedra na Gení/ Ela é feita pra apanhar/ (...)/ Ela dá pra qualquer um/ Maldita Gení”. Enquanto há os que atiram pedras, o Papa Francisco afirma: “Deus é maior que nossos pecados: Ele é muito maior! Uma coisa Ele te pede: tuas fragilidades, tuas misérias, não as guarde dentro de ti; leva-as a Ele, coloque-as nEle e, por motivo de desolação, eles se tornarão oportunidades de ressurreição”.
Numa propaganda do comércio do sexo, escreveu: “Perdão pela intensidade, só tenho essa vida e nem sei até quando”.
Haverá de realizar sua esperança!

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista.  – Presidente da Associação Maria de Magdala. Jundiaí.



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ANTÓNIO FRANCISCO GONÇALVES SIMÕES - 29 - DESASTROSO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A palavra desastroso provém  do  substantivo “desastre” com o sufixo “oso”, formando o adjectivo “desastroso”. Esta  palavra “desastroso” também provém do francês “désastreux). Tem  como sinónimos:  calamitoso, cataclísmico, catastrófico,  desastrado, infeliz. Eis alguns exemplos em que se emprega o adjectivo catastroso:

“O tento deu mais tranquilidade à  equipe, que  vem tentando recuperar-se de um início desastroso de temporada”.

-“No país onde a pesca é uma das principais actividades económicas, o resultado poderá realmente ser desastroso.”.

-“O uso das duas  drogas pode ter um efeito desastroso.

-“Assim como não se conformava com ver o seu país presidido por um inábil e desastroso, como Donal Trump”

-“De qualquer maneira, ele não se importa com o resultado desastroso”.

.“Fernandinho, criticado por uma actuação  na  eliminação de quatro anos atrás, teve dia desastroso, porque o Flamengo retomava a liderança.”.

-“Improvável e desastroso  porque o Flamengo retomava a liderança”.

-“Lichthart era um importante almirante, que fez um raide desastroso para os luso-brasileiros na baia de  Todos os Santos”.

-“No passado, isso aconteceu e  foi desastroso para a Petrobrás”.

--“Se os Estados Unidos tentassem americanizar o Iraque, seria desastroso”.

-“Senhor Presidente, seria desastroso que os militares voltassem ao poder na Indonésia”.

-“Este ano foi desastroso para a  agricultura”.

“.O desempenho da Europa em termos de competitividade global está longe de ser desastroso”.

 

Há tempos li esta notícia numa revista a qual de uma situação desastrosa:” Nos últimos anos, recorrentemente, divulgam-se, desastradamente, os supostos resultados do Exame Nacional do ensino médio, trazendo  danos profundos e irreparáveis às escolas de todo o país. Ratificando um discurso oficial, travestido de autoridade estaticamente fundamentada, a imprensa acaba, também,  recorrentemente por reproduzi-los de modo absolutamente equivocado e igualmente desastroso.

O equívoco que redunda em desastres anuais refere-se basicamente a uma incongruência estrutural do  Exame, contida entre os objectivos preconizados por meio da “Portaria” nº.109, de  27 de  Maio de 2009. Trata-se do item VI, que explicita ser mais um dos objectivos do Enem o de “promover   avaliação do desempenho académico das  escolas de ensino médio.  De forma que cada unidade escolar receba o resultado global”. A questão elementar é: como um exame individual e  voluntário pode ser utilizado para avaliar o “desempenho académico” de uma instituição escolar? A resposta é simples. Não pode. Não deveria ser divulgado um “resultado global”, por ser resultado  individual e  voluntário! E por que é desastroso? Por que expõe escolas e professores a vexatórias “análises comparativas”, que não se sustentam, a não ser na ignorância de quem desconhece o que sejam avaliação institucional de sistema, entre outras, e que a própria avaliação e sala de aula, quando a elas comparada. O mais lamentável é ver uma instituição do porte do Inep, associada ao Ministério que deveria ter competência indiscutível nesse âmbito, cometer erro tão elementar e injustificável, a considerar a expertice indiscutível dela esperada.

É desastroso  desviar-se das leis e Deus. Vejamos o diz a Bíblia_” Há seis coisas que o Senhor odeia, sete coisas que  ele detesta: olhares altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que traça planos perversos, pés que se apressam para fazer o mal, a testemunha falsas que espalha mentiras e aquele que provoca discórdia entre irmãos”.  Provérbios 6, 16-19.

Passagens da Bíblia que  usam palavra desastroso:

-“Conheço as suas obras, o seu trabalho árduo e a sua perseverança. Sei que você não pode tolerar homens maus, que pôs à  prova o que dizem ser apóstolos mas não são, e  descobriu quem  eles eram impostores”.  Apocalipse  2,2 .

-“Aquele que diz:”Eu o conheço”, mas não obedece aos seus  mandamentos, é mentiroso, e a verdade não está nele”.   1 João  2,4.

-“Eu virei a vocês trazendo  juízo. Sem demora testemunharei contra os feiticeiros, contra os adúlteros, contra os que juram falsamente e contra aqueles que exploram os trabalhadores em seus salários, que oprimem os órfãos e as vi+uvas e privam os  estrangeiros dos seus direitos e não têm respeito por mim, diz o Senhor dos Exércitos”

Malaquias  3,5.

-“Fora ficam os cães, os que praticam feitiçaria. Que  cometem  imoralidades sexuais, os assassinos. Os idólatras e todos os que amam e praticam a mentira”. Apocalipse,  22,15.

-“ A língua deles é como um arco ponto para atirar. É a falsidade, não a verdade, que prevalece nesta terra, Eles vão de crime a outro; declara o Senhor. Cuidado com os  seus amigos, não confie nos seus parentes, porque  cada parente é um enganador, e cada amigo um caluniador. Amigo engana amigo, ninguém

ém fala a verdade. Eles treinaram a língua para mentir; e, sendo perversos,. Eles se cansam demais para se converterem. De opressão em opressão, de engano em engano, eles se recusam a reconhecer-me , declara o Senhor.   Jeremias   9,  3-6.

Impacto desastroso sobre os trabalhadores da região de Santarém.

Os decretos que alteraram as condições de vida e  de trabalho dos portugueses, a propósito da pandemia, tiveram um impacto desastroso sobre os trabalhadores da região de Santarém. Não são mais que uma carta branca às empresas para agirem de maneira  selvagem e desregulada, protegendo os seus interesses en detrimento das vidas dos trabalhadores”, classifica a União dos Sindicatos de Santarém numa  Nota de Imprensa onde faz balanço da situação do  Distrito. Aproximadamente um mês e uma semana após a entrada em vigor dos decretos que alteraram, as condições de vida e trabalho sis portugueses tendo em conta a propagação do novo contravirus, a União  dos Sindicatos do Distrito de Santarém faz um balanço do impacto desastroso que estes vieram a ter sobre os trabalhadores da Região. No distrito de Santarém, têm-se verificado constantes atropelos aos direitos dos trabalhadores  e começa a ser evidente que as alterações decretadas em matérias de trabalho, nomeadamente a “simplificação  do regime da lay OFF”, não mais que uma “carta branca” às empresas para apurem de maneira selvagem e desregrada, protegendo os seu interesses em detrimento da vida dos trabalhadores, salvaguardando a acumulação de lucros fabulosos, em prejuízo dos Cofres da Segurança social que é financiada pelos trabalhadores e sua única rede de segurança em  momentos mais delicados da sua vida,

Um pouco por toda a região e, em todos os sectores, os trabalhadores estão a  ser confrontados com um ataque serrado aos seus direitos fundamentais como o direito ao trabalho, à remuneração, às férias, à compensação de  trabalho estraordinário, entre outros, sujeitos como justificação para despedimentos ilegais, e, de maneira acentuada.

 

 

 

ANTÓNIO FRANCISCO GONÇALVES SIMÕES   -   Sacerdote Católico. Coronel Capelão das Frorças Armadas Portuguesas. Funchal, Madeira.  -    Email   goncalves.simoes@sapo.pt



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FELIPE AQUINO - NOSSA SENHORA RAINHA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“É impossível que se perca quem se dirige com confiança a Maria e a quem Ela acolher” Santo Anselmo 

 

A Igreja celebra a festa de Nossa Senhora Rainha no dia 22 de agosto; isto é sete dias após o dia de sua Assunção ao céu, dia 15 de agosto, que foi colocada no domingo seguinte, depois da reforma litúrgica.

Na belíssima e tradicional Ladainha Lauretana, a Igreja saúda Maria com uma série de invocações que se cantavam no santuário de Loreto, na Itália, onde está conservada, segundo uma tradição piedosa, a casa de Nossa Senhora em Nazaré levada para lá. Essa Ladainha é como se fosse um riquíssimo colar de títulos, honras e glórias de Maria, e revela verdades profundas sobre a Mãe de Deus. Ali encontramos Maria sendo saudada como Rainha dos Anjos, dos Patriarcas, dos Profetas, dos Apóstolos, dos Mártires, dos Confessores, das Virgens, de todos os Santos Rainha concebida sem pecado original, Rainha Assunta ao céu, Rainha do sacratíssimo Rosário e Rainha da Paz.

Ela é a rainha dos Anjos, pois eles a obedecem e, como diz S. Luiz de Montfort, estão ávidos por receber dela uma ordem, a fim de poderem demonstrar seu amor. Também os demônios a obedecem e fogem de sua presença; pois com seus pés virginais ela recebeu de Deus o poder e a missão de esmagar a cabeça de Satanás (Gn 3,15).

Ela é a Rainha dos Patriarcas: Abraão, Isaac, Jacó, David…, os pais do povo de Deus que aguardavam ansiosamente a chegada do reino celeste, o qual veio com Jesus, por Maria.

Se Jesus é o Rei, o Esperado das Nações, Maria é a Rainha que O trouxe.

Ela é a Rainha dos Profetas porque Cristo é o Profeta por excelência. Ele mesmo o disse: “Nenhum profeta é bem aceito em sua pátria” (Lc 4,24). E o povo O aclamava em Jerusalém: “Este é Jesus o profeta de Nazaré da Galileia” (Mt 21,11). Após a multiplicação dos pães o povo dizia: “Este verdadeiramente o profeta que devia vir ao mundo” (Jo 6,14). E todos os profetas antigos O anunciaram.

Ora, se Jesus é o grande Profeta, Sua santíssima Mãe é a Rainha de todos os demais profetas. Santo Efrém, doutor da Igreja, a chamou de “glória dos profetas”; São Jerônimo escreveu que ela foi “a profecia que os profetas profetizaram”; Santo André de Creta dizia que ela era “o resumo das divinas profecias, sobre as quais falaram todos os que receberam o dom de interpretar”, e São Boaventura a louvou como “a voz mais verdadeira das que anunciaram os oráculos de Deus” (Maria Medianeira, p. 90).

Ela é a Rainha dos Apóstolos. Cristo a deu a seus Apóstolos como Mãe aos pés da cruz, para que sob sua proteção materna eles pudessem cumprir a difícil missão de levar o Evangelho a todos. Foi sob sua guarda que a Igreja iniciou sua história missionária no dia de Pentecostes. Nos Atos dos Apóstolos.

 

 

 

 

 

Leia também: 22/08 – Nossa Senhora Rainha

Oração de Santo Afonso a Nossa Senhora Rainha

Nossa Senhora Rainha

 

 

 

Maria aguardava junto com os discípulos o “cumprimento da promessa do Pai” (At 1,4) de que seriam “batizados no Espírito Santo”. E Maria ali presente no Cenáculo, atraiu seu Esposo, o Espírito Santo, sobre todos eles, com suas orações.

Assim, como gerou Jesus, a Cabeçada Igreja, pela ação do Espírito Santo, ela, em Pentecostes, pela ação do mesmo Espírito começava a gerar a Igreja, o corpo Místico de seu querido Jesus.

Quanto não terá Maria consolado, animado e fortalecido aos Apóstolos, com sua fé, seu amor e sua presença!… É fácil de imaginar o quanto ela foi importante para eles após a Ascensão de Jesus ao céu.

Acima de tudo, Maria é a Rainha dos Apóstolos como disse o Papa Paulo VI, na encíclica “Evangeii Nuntiandi”, é “a Estrela da Evangelização”. Em nossos dias sobretudo, com suas mensagens frequentes com muitas aparições, Ela nos ensina como se deve viver o Evangelho de seu Filho.

“Ela tem um poder sobre o coração do homem que só Cristo lhe podia dar, como diz o Pe. Paschoal Rangel. Ela “fala” no mais íntimo dos cristãos, e ali, com essa Palavra interior, é mais apóstola do que o poderiam ser todos os apóstolos” (MM, p. 92).

Ela é também a Rainha dos Mártires que derramaram seu sangue para testemunhar Jesus. Ninguém sofreu tanto por Jesus quanto Maria, por isso ela é a Mártir dos Mártires. Logo na apresentação de Jesus no Templo, quarenta dias após Seu nascimento, o profeta Simeão já lhe avisa sobre o mar de dores que terá pela frente: “Uma espada transpassará tua alma” (Lc 2,35).

O padre Inácio Valle explica muito bem os mistérios ocultos nessa “espada de Simeão”: “Maria compreende a diferença essencial entre o seu oferecimento e o das outras mães, pois estas cumprem uma cerimônia: ofereciam os filhos, e em seguida os tornavam a receber, pagando o resgate no Templo de Jerusalém. Maria sabe que oferece seu Filho para a morte, que Deus o aceita e a morte será infalivelmente executada.

Pela boca do santo velho Simeão, Deus lhe manifesta que também Ela acompanhará os martírios da Vítima com sofrimentos inauditos” (Vamos Todos a Maria Medianeira, p. 51).

Falando sobre isso o Papa Leão XIII, na encíclica “Jucunda semper expectatione”, assim disse: “Quando se ofereceu a Deus como escrava para a missão de mãe, ou quando se ofereceu com seu Filho como total holocausto no Templo, desde esses fatos tornou-se co-participante da laboriosa obra de expiação do gênero humano” (VtMM, p. 51).

Maria sofreu como ninguém por nossa salvação. Ela participou intimamente de toda a paixão de seu Filho, a quem amava infinitamente. Ela viu e experimentou o sofrimento de Jesus, as maiores dores físicas e morais que a um ser humano foi dado experimentar. Por isso é a Rainha dos Mártires, pois viveu o maior martírio.

Podemos dizer com os Santos que Maria sofreu uma série de martírios, mesmo sem morrer. A espada de seu martírio não foi a do carrasco, pior ainda, foi a da alma, da compaixão a Jesus. A dor da alma é pior que a do corpo.

Ensinam-nos os santos que Deus, querendo associar Maria à obra da salvação, fez dela também “a mulher das dores”, e para isto lhe deu a graça e a força sobrenatural para que não desfalecesse em tanto sofrimento.

O Papa Bonifácio IV a chamou de “a Santa dos Mártires”, em 13 de maio de 609, quando incorporou o antigo Panteão ao cristianismo, dedicado a Maria (Temas Marianos, p. 275).

 

 

 

 

Assista também: Festa de Nossa Senhora Rainha

 

Ninguém como Maria viveu também aquilo que S. Paulo disse: “Eu que agora me alegro nos sofrimentos por vós, e completo na minha carne o que falta ao sofrimento de Cristo pelo Seu corpo, que é a Igreja” (Cl 1,24).

Diz o Pe. Faber, sacerdote espanhol, que “a Paixão foi o sacrifício de Jesus na Cruz e a compaixão foi o de Maria ao pé da cruz, sua oferenda ao Eterno Pai, oferenda de uma criatura sem pecado, consumida para expiar culpas alheias” (TM, p. 276).

O Papa Bento XV, na encíclica “Inter Sodalicia”, de 22 de março de 1918, assim se expressa: “Referem comumente os doutores da Igreja que a Santíssima Virgem, a qual como que ‘se ausentou’ durante a vida pública de Cristo, não sem plano divino se achou presente na hora de Sua crucifixão e morte. A saber, de tal modo sofreu e “morreu” com Cristo paciente e agonizante, de tal modo abdicou do seu direito materno sobre a vida do Filho, imolando-O assim, enquanto podia, à divina justiça, que se pode dizer com razão que Ela remiu o mundo juntamente com Cristo” (VtMM, p. 59).

Por tudo isso, a Virgem Maria é Rainha Rainha dos Anjos, dos Patriarcas, dos Profetas, dos Apóstolos, dos Mártires, dos Confessores, das Virgens, de todos os Santos; Rainha concebida sem pecado original, Rainha Assunta ao céu, Rainha do sacratíssimo Rosário e Rainha da Paz.

 

 

 

FELIPE AQUINO - é viuvo, pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br Twitter: @pfelipeaquino



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JORGE VICENTE - N. SENHORA DA VEIGA

 

 

 

 

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Pode ser uma imagem de texto que diz "N. Senhora da Veiga Nossa Senhora da Veiga, Senhora de tantos brilhos. Dá-nos a melhor riqueza, Para salvar os teus filhos! Guardo-te no meu coração. Lembro quando era menino, la p'rá Costa com devoção, Para te ver no caminho! Senhora da Veiga 7a5 Csa Quem é que não tem saudade, Foram dias de felicidade, És a Santa dos fozcoenses! Povo de Foz Côa te venera, Tem dedicação sincera, Em ti confiam seus pertences! Jorge Vicente"

 

 

 

 

JORGE VICENTE - Fribourg ( Suiça)



publicado por Luso-brasileiro às 12:09
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ALEXANDRE ZABOT - HÁ PROPÓSITO NA EVOLUÇÃO ?

 

 

 

 

 

Alexandre Zabot

 

 

 

 

Escrito em 10/2009

 

A Igreja Católica não propõe uma teoria científica para a criação, não é o papel dela. No entanto a Igreja ensina, com base nas Sagradas Escrituras, que há propósito de Deus na criação e ele pode ser percebido pelo homem. Também ensina a Igreja que a ciência verdadeira não se opõe à fé. A conclusão natural para qualquer católico, portanto, é que se uma teoria científica para a criação é verdadeira ela não terá conflito algum com a fé católica. É neste contexto que precisamos entender a oposição de muitas pessoas à teoria da evolução de Darwin. Elas acreditam que a teoria de Darwin elimina o propósito de Deus na criação. Mas por que pensam assim e, será que isso é mesmo verdade?

Geralmente o primeiro argumento contra qualquer evolução, não só a biológica mas também a do universo, é o livro do Gênesis. Sabemos, entretanto, que do ponto de vista católico não há motivos para acreditar na interpretação literal de todo o relato da criação. Parte dele pode ser compreendido como uma metáfora. De fato, entre os que se opõe à teoria de Darwin, poucos se baseiam numa interpretação literal da Bíblia. Até mesmo porque cientificamente a evolução biológica é um fato mais do que comprovado. A evolução do universo também já foi provada depois que Edwin Hubble verificou observacionalmente a teoria do Big Bang proposta pelo padre jesuíta Georges Lemaître. A física, hoje, não duvida dessa descoberta. A expressão de conservação das massas do católico Lavoisier, “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”, deve ser entendida num sentido mais amplo, cientificamente, de que o paradigma da evolução faz parte da ciência moderna.

A evolução é um fato, a teoria é a explicação do fato. Embora as teorias possam estar erradas e mudar, os fatos experimentais não mudam! Do ponto de vista filosófico e teológico o argumento realmente sério é se a teoria de Darwin se opõe ou não ao Propósito de Deus na criação. Esta é a pergunta que realmente importa. A teoria de Darwin, muito aprimorada depois da descoberta da genética pelo monge agostiniano Gregor Mendel, está baseada no conceito de mutações genéticas aleatórias que acontecem na reprodução. Ao longo de milhares de anos essas mudanças fariam que uma população se aprimorasse, evoluísse, através de vários mecanismos, dentre eles a sobrevivência do mais apto.

É justamente a ideia de aleatoriedade das mutações que gera a grande controvérsia pois significa literalmente que as mudanças acontecem ao acaso, sem propósito. Isso implica (será?) que todas as espécies surgiram ao acaso, inclusive nós. Basicamente existem três posturas frente a essa conclusão: nega-se a evolução, aceita-se a evolução mas não a “aleatoriedade” das mutações ou então aceita-se a evolução e a aleatoriedade mas nega-se a consequência de acaso devido às mutações aleatórias. Como foi visto antes, a primeira postura vai contra tudo que a ciência moderna sabe e contra o que convém chamar de “paradigma evolutivo da ciência”. Para dizer pouco, pode-se falar que não é uma posição defensável com a razão, hoje. E como há séculos a Igreja defende que a fé e a razão se complementam, ir contra o fato (não a teoria) da evolução não é uma boa posição para os católicos. O frade franciscano Roger Bacon, um dos pais do método científico, que o diga!

A segunda posição é conhecida com “Design Inteligente”, diz que não há aleatoriedade nas mudanças que acontecem entre uma população e outra, mas que Deus controla tudo. Seus principais defensores tentam lançar mão de uma proposta científica, a complexidade irredutível, para justificar esta posição. Entretanto, argumenta-se muito nos meios científicos que esta teoria não é falsificável e que portanto não é científica. Particularmente, concordo com esta crítica. Não pode-se esquecer que também do lado teológico o Design Inteligente não é bem visto sempre. Muitos alegam, com propriedade, que ele apela a um “Deus das lacunas”, que vive remediando sua criação. Os católicos creem que Deus cria e mantém a sua obra, porém “manter” não significa “consertar”, apesar do “ato criador” poder se estender no tempo. Mas a ação de Deus no Design Inteligente está mais para remendo do que para criação.

A terceira posição, que me parece mais correta, afirma que não há consequência lógica entre “aleatoriedade na mutação” e “aleatoriedade das espécies”. O propósito de Deus está em ter criado um mundo que tem leis naturais que invariavelmente conduzem ao universo como conhecemos hoje. Se as mutações genéticas são aleatórias, as leis físicas não são e conduzem a natureza para um fim específico, em última análise desejado por Deus, que é o criador destas leis. Uma analogia pode ajudar a compreender esta visão. Imagine um estádio de futebol lotado onde explode uma bomba que faz as pessoas quererem sair do estádio. Cada indivíduo é livre para correr na direção que quiser. De fato, uns correm para a saída e outros não. Ou porque estão perdidos ou porque acham que podem ser pisoteados no tumulto, não se sabe. No final a maioria das pessoas se salvaram. Foi o acaso ou foi porque as pessoas têm uma tendência natural de procurar a saída e o engenheiro pensou nos possíveis canais de fuga quando construiu o estádio?

Seguindo esta analogia é evidente que todos os caminhos que levam da “aleatoriedade da mutação” para o surgimento de uma nova espécie (e nós) podem ser compreendidos como o Propósito de Deus na criação. Há inúmeros agentes biológicos, físicos, geológicos e climáticos que controlam todo o processo. Deus que é onisciente certamente sabe que fim levará sua criação e não precisa interferir desnecessariamente criando olhos aqui, asas acolá. Precisamos refletir bem no significado da onipotência de Deus.

 

 

ALEXANDRE ZABOT   -    Fisico. Doutorado em Astrofisica. Professor da Universidade Federal de Santa Catarina.   www.alexandrezabot.blogspot.com.br

 



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JOSÉ RENATO NALINI - ESCOLAS DE TIRANOS

 

 

 

 

 

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            Emil Cioran (1911-1995), o filósofo romeno que passou a maior parte de sua vida na França, escreveu obras de angústia, como “O silogismo da amargura”. No livro “História e Utopia”, tem um texto que chamou “A escola dos tiranos”. Escreve que aquele que não foi tentado a ser o primeiro na cidade, nunca entenderá o jogo político. Este é “a vontade de submeter os outros para convertê-los em objetos”, algo que se realiza mediante o exercício da arte do desprezo. Quem despreza os semelhantes e é movido pela sede de poder, converte-se em monstro perigoso.

            A sede de poder é algo natural, “mas, examinando-a bem, esta sede adquire todas as características de um estado doentio do qual só nos curamos por acidente, ou então por uma mutação interior”.

            A ambição atormenta e causa febre e acessos. Cioran fala aos ambiciosos: “Constatarás que eles – os acessos – são precedidos por sintomas curiosos, por um calor especial que não deixará de seduzir-te nem de alarmar-te. Intoxicado de futuro por haver abusado da esperança, te sentirás subitamente responsável pelo presente e pelo futuro, no coração da duração, carregada de teus estremecimentos, em cujo seio, agente de uma anarquia universal, sonhas explodir”.

            O sedento de poder mergulha em perturbação e adora seus signos. A loucura política é fonte de transtornos e de mal-estar sem igual. Sufoca a inteligência e favorece os instintos. O ambicioso faz-se cercar por áulicos. Estabelece com eles idêntica vibração: “Sentirás à tua volta uma perturbação análoga naqueles que estejam corroídos pela mesma paixão. E enquanto estiverem dominados por ela, estarão irreconhecíveis, vítimas de uma embriaguez diferente de todas as outras. Tudo mudará neles, até o timbre de sua voz. A ambição é uma droga que transforma quem se entrega a ela em um demente em potencial. Quem não observou esses estigmas, esse ar de animal transtornado, esses traços inquietos e como que animados por um êxtase sórdido?”. O ambicioso não permanecerá estranho aos malefícios do Poder, “inferno tônico, síntese de veneno e de panaceia”.

            Só que o poder é ilusório. Ele tem prazo de validade. Assim que ele parte, a febre desaparece e em seu lugar impera o desencanto. Adquire-se a noção da normalidade em excesso. “Nenhuma ambição mais, logo nenhuma possibilidade mais de ser alguém ou algo; o nada em pessoa, o vazio encarnado: glândulas e entranhas clarividentes, ossos desenganados, um corpo invadido pela lucidez, livre de si mesmo, fora de jogo, fora do tempo, sujeito a um eu congelado em um saber total sem conhecimento”.

            Quem devolverá o instante que escapou? Quem o devolverá? Ficarão contigo os “amigos do poder”, os que o incensaram, os que se especializaram na “tática das homenagens”?

            Acabou-se a cumplicidade, acabou-se o séquito, não haverá mais o aplauso fácil, as louvaminhas, os encômios, a busca de “selfies”. O poderoso destituído do cargo ou da função sentir-se-á um leproso. Os antigos subservientes, com suas espinhas dorsais complacentes se inclinarão perante um outro. Fugirão de quem já não encarna o poderio.

            Isso ocorre desde que o mundo é mundo. “Para tornar-se um homem político, isto é, para ter as qualidades de um tirano, é necessária uma perturbação mental”. Ao ser afastado do poder, o antigo poderoso, que se cria soberano e onipotente, sofrerá outra perturbação mental. É uma espécie de “metamorfose do delírio de grandeza”.

            Observa Cioran que “faz séculos que o apetite de poder se dispersou em múltiplas tiranias pequenas e grandes, que causaram estragos aqui e ali, e parece que chegou o momento em que o apetite de poder deva por fim concentrar-se para culminar em uma só tirania, expressão desta sede que devorou e devora o globo, termo de todos os nossos sonhos de poder, coroamento de nossas expectativas e de nossas aberrações”.

            O filósofo pensava no pesadelo que se avizinhava da Europa, com o Führer acometido de insanidade e capaz de acreditar que dominaria o mundo. Deu no que deu. O inacreditável foi a preservação de fiéis seguidores até à catástrofe terminal. Recusavam-se a enxergar a “solução final”, com o extermínio de milhões de judeus. Entregavam seus jovens, cada vez mais jovens, para morrer em território estrangeiro. Acreditando em alguém que faria a Alemanha resgatar o prestígio perdido com a derrota na Primeira Grande Guerra Mundial.

            O perigo maior é que essa loucura é atemporal e cíclica. Enquanto a vacina contra a pandemia comprova que a ciência tem razão, contra a ignorância existe vacina: abrir os olhos, ler, estudar. Mas assim como há os que repudiam a vacina da Covid, existem – e até em maior número – os que rejeitam a vacina contra os perigos da tirania.

 

 

JOSÉ RENATO NALINI  é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2021-2022.    


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PAULO R. LABEGALINI - NADA ALÉM DO POSSÍVEL

 

 

 

 

 

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Um imperador viu-se diante de três dúvidas ao planejar uma atividade:
Qual o tempo ideal para iniciar um planejamento e não deixar nenhum arrependimento? Que tipo de pessoa é mais necessária para ajudar? Qual é o ponto mais importante em qualquer planejamento?

O imperador ficou muito interessado em saber as respostas, pois, com isso, poderia caminhar com sucesso na vida. Então, ele mandou anunciar em todo o país uma grande recompensa àquele que lhe ensinasse as respostas corretas.

Depois de muitas tentativas, o soberano encontrou-se com um sábio e teve os esclarecimentos que tanto buscava: ‘O tempo ideal é este exato momento; a pessoa mais importante é aquela com quem está se relacionando mais; e o melhor trabalho é servir o próximo, fazendo-lhe o bem’.

Assim, o imperador ficou sabendo que o importante é o dia de hoje, pois nele está contido todo o futuro de realizações. Da mesma forma, não existe uma pessoa especial em algum lugar. Não são as pessoas de poder, de fortuna ou eruditas as mais preciosas. Uma pessoa com quem a gente está se relacionando agora é a que mais poderá ajudar. E sábio é aquele que consegue valorizar cada pessoa que se encontra em seu redor, considerando sua melhor característica.

Servir a todos é o caminho para conquistar a confiança desejada. Mesmo que seja uma pessoa simples, se deixa uma história para o bem do seu povo, é alguém que pode ser considerada imperadora da vida. Nada disso é impossível.

Certa vez, eu tive uma experiência ímpar na conferência de vicentinos. Cheguei dizendo que se ninguém quisesse aceitar ser o novo presidente, eu iria sugerir que o grupo fosse extinto e cada um se unisse a outra conferência que desejasse. Há muito tempo vinha comentando que, devido minhas inúmeras atividades, jamais aceitaria a presidência.

Mesmo sem candidato, fizemos a eleição e acabei sendo o mais votado. Pensei em repetir tudo o que já havia dito, mas me emocionei, não tive força para frustrar aqueles que esperavam um pouco mais de esforço no meu trabalho, e acabei aceitando. Fiquei sobrecarregado por três anos, mas tenho certeza que muitas bênçãos vieram dessa caminhada. Com amor e oração, nada é impossível.

Outra antiga história se refere a um rei da Tartária, que foi pescar acompanhado pelos nobres da corte. No caminho, cruzaram com um andante que proclamava em voz alta:

– Aquele que me der 100 dinares, retribuirei com um conselho que lhe será extremamente útil.

O rei disse ao homem:

– Que bom conselho poderá me dar em troca?

– Senhor, primeiro providencie os dinares e imediatamente o aconselharei.

O rei assim o fez, esperando dele alguma coisa realmente extraordinária, mas o andante se limitou a dizer:

– Meu conselho é: ‘Nunca comece nada sem ter pensado no resultado final daquilo que está para fazer’.

Ao ouvir estas palavras, os nobres riram com gosto, comentando que o ‘conselheiro’ tivera razão ao tomar o cuidado de pedir o dinheiro adiantado.

– Vocês não têm razão em rir do excelente conselho que acabo de receber – disse o rei. – Certamente, ninguém ignora o fato de que se deve pensar antes de fazer alguma coisa, mas todos cometemos o erro de desprezar isso, e as consequências são trágicas! Darei muita atenção ao conselho deste homem.

Procedendo de acordo com suas palavras, ele decidiu escrever o conselho com letras douradas nos muros do palácio e até gravá-lo em sua bandeja de prata. Dias depois, um cortesão ambicioso concebeu a ideia de matar o rei. Para tanto, subornou o cirurgião real com a promessa de nomeá-lo primeiro-ministro se introduzisse uma agulha envenenada no braço da majestade.

Quando chegou o momento de colher sangue do rei, a bandeja de prata foi colocada sob o seu braço, e o cirurgião não pôde deixar de ler: ‘Nunca comece nada sem ter pensado no resultado final daquilo que está para fazer’.

Então, o cirurgião deu conta de que se fizesse o que o cortesão lhe tinha proposto e este subisse ao trono, simplesmente sua ambição poderia executá-lo antes de cumprir o trato. O rei, percebendo que o cirurgião estava tremendo, perguntou o que havia de errado com ele. Descoberto o complô, o cortesão foi preso e o rei passou a perguntar aos nobres:

– Ainda riem daquele conselheiro andante?

Pois é, isso completa a história anterior. Não só devemos iniciar rapidamente o que precisamos fazer, mas também contarmos com pessoas de boa vontade, servindo o próximo e avaliando os melhores resultados das nossas ações.

Um outro fato aconteceu comigo anos atrás. Mesmo sabendo que estávamos precisando de um coordenador na música da Comunidade Nossa Senhora do Sagrado Coração, eu dizia que não tinha tempo para assumir esse compromisso.

No mesmo dia em que aceitei ser presidente da conferência de vicentinos, recebi uma ligação do amigo Moacir, pedindo que reconsiderasse as justificativas anteriores e, para o bem da linda Comunidade que participo, aceitasse a coordenação. Avaliei as consequências, pedi ajuda a ele sempre que precisasse, e decidi aceitar. Nada além do possível

 

 

PAULO R. LABEGALINI   -  Cursilhista e Ovisista. Vicentino em Itajubá. Engenheiro civil e professor doutor do Instituto Federal Sul de Minas (Pouso Alegre - MG).



publicado por Luso-brasileiro às 11:50
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PÉRICLES CAPANEMA - BRADOS PENETRANTES DE GEORGE SOROS

 

 

 

 

 

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Figura de posições controvertidas. De pais judeus, George Soros nasceu em Budapeste, 1930. Fugindo da perseguição nazista, a família homiziou-se na Inglaterra. De lá, em 1956, Soros emigrou para os Estados Unidos. Empregou-se no setor bancário e ali fundou em 1973 a Soros Fund Management, estabelecendo-se com rapidez como dos mais destros financistas de Wall Street. Ainda jovem, ficou bilionário. Vem praticando o que qualifica de filantropismo político, além de outras formas de filantropismo. Fundou as “Open Society Foundations” em 1993; são várias as fundações, com frequência uma em cada país, daí o plural (desde 1979 já agia como filantropo político). Canaliza para ela bilhões de dólares e custeia entidades que promovem a “sociedade livre”; à vera, com muita frequência as chamadas causas progressistas. Em 2017, doou 80% de seu patrimônio para a entidade por ele instituída ▬ mais de 32 bilhões de dólares no total, desde o início. Por suas atividades, é figura controvertida e muito combatida, tantas vezes com fundamentos sólidos. Ninguém, contudo, nega a George Soros inteligência privilegiada, autoridade e hábito dos assuntos internacionais. Escreveu recentemente, 11 de março, artigo sobre a guerra da Ucrânia, que ontem me chegou ontem às mãos: “Vladimir Putin and the Risk of World War III” ▬ Vladimir Putin e o risco da 3ª Guerra Mundial. Na matéria manifesta Soros o desejo de que Putin e Xi Jinping sejam depostos para o bem da humanidade. Mas não é sobre isso que pretendo chamar a atenção. Chama atenção outra coisa, o contraste do estado de espírito, profundidade de observação e seriedade de análise de lá e o de cá. Para vantagem deles e tristeza nossa..

 

Advertências que não se ouvem no Brasil e nem até aqui chegam. Convém, de passagem, antes de me reportar ao artigo acima referido, destacar recente pronunciamento de Soros na Hoover Institution, dos mais prestigiados think tanks norte-americanos, 31 de janeiro de 2022: “[Xi Jinping], em vez de deixar o setor privado prosperar, impôs seu próprio ‘sonho chinês’, que pode ser resumido em duas palavras: controle total. Xi Jinping   acredita piamente no comunismo. Mao Tsé-Tung e Lênin são seus ídolos. Na comemoração do 100º aniversário do Partido Comunista Chinês ele usava túnica Mao enquanto o resto vestia terno. Xi, inspirado em Lênin, tem controle total sobre os militares e domina as instituições de repressão e supervisão. Xi Jinping acredita que está pondo de pé sistema de governo superior à democracia liberal”.

 

Circunspecção. Vale como advertência de “insider” de Wall Street, vale ainda mais como sintoma de opinião presente nos círculos frequenta\ados por George Soros. Circunspecção, o olhar vigilante ao redor de si de setores expressivos na mais poderosa nação da Terra.

 

A guerra só começou depois da luz verde chinesa. Agora, o artigo mencionado. Assim George Soros dá o pontapé nicial: “Depois de receber luz verde do presidente chinês XI Jinping, o presidente russo começou sua guerra”. O megacapitalista se dirige em especial aos colegas de Wall Street, acadêmicos e, em geral, figuras de expressão dos Estados Unidos. Garante com certeza, Putin só começou a guerra depois de receber luz verde do dirigente comunista chinês. Sem o “vá em frente” não teria havido guerra.

 

A batuta chinesa. O que leva a supor que o desenvolvimento da guerra de alguma maneira obedece a conveniências políticas do Partido Comunista Chinês. Soros chama a atenção para este ponto: o foco dos analistas deve estar em Xi Jinping. De outra maneira, como a China estará colocada logo após o fim do tsunami provocado pela agressão russa. Circunspecção, de novo.

 

Análise objetiva, fugir do escapismo. Permito-me chamar a atenção para recente post meu, 20 de março, em que expressava apreensão parecida: “Escapismo. Relaciono agora a matéria com a atualidade mundial. É normal, louvável, indispensável mesmo que, a propósito da agressão russa à Ucrânia, os olhares se voltem para a possibilidade da 3ª Guerra Mundial. Entre muitos males dantescos, poderia ser nuclear, acarretar morte de milhões, talvez bilhões de pessoas, representar o fim da era histórica em que nos encontramos. Contudo, postas as informações que me chegam, não é o mais provável. Vislumbram-se pistas de acomodação e acordo. O que, de momento, parece mais provável e está sendo colocado em segundo plano, pelo menos no material que conheço? Enfraquecida e mais isolada por causa da investida criminosa na Ucrânia, a Rússia está se afastando ainda mais da Europa e dos Estados Unidos e se aproximando ▬ aumento da dependência ▬ da China. O antigo Império do Meio joga parado, fortalece seu cacife e seu jogo. Cada vez mais se coloca em condição de grande “player”. Em tais circunstâncias, constitui escapismo não ficar o olhar em fatores de aumento e consolidação da área de influência chinesa. Ou sino-russa, para o caso, a mesma não faz diferença”.

 

O que se lê e se ouve no Brasil. Apontei circunspecção acima. Mesmo em ambientes progressistas, vislumbram-se olhares apreensivos e lúcidos para aspectos fundamentais de perigos que rondam os Estados Unidos (e o Mundo Livre).

 

Dessiso, leviandade, inconsequência. E mentiras a granel. Tratarei agora, para desgraça nossa, de dessiso, leviandade e inconsequência. O portal UOL, 27 de março, divulgou ampla matéria sobre tema candente no País, o preço da gasolina e do diesel. Título: “Refinaria privatizada tende a vender combustível mais caro, dizem analistas”. Afirma o texto, a gasolina e o diesel, vendidos pela refinaria de Mataripe, responsável por 14% do refino nacional, está quase 30% acima dos preços praticados pela Petrobrás. E que será essa a tendência da privatização do setor, com a lógica do lucro imperando. Numerosas matérias tratam da “refinaria privatizada” e seus preços.

 

Estatização selvagem. Só falta um detalhe: a refinaria de Mataripe (refinaria Randulpho Alves) não foi privatizada, houve ali à veraprocesso de estatização selvagem, retrocesso pavoroso. Ela pertencia antes a uma sociedade de economia mista (Petrobrás), com maioria de capital privado, em torno de 65%, mas com controle estatal, pouco mais de 50% das ações ordinárias com direito a voto pertencem à União. Agora é propriedade de uma empresa inteiramente estatal, o Fundo Mubadala, por inteiro dependente do governo de Abu Dhabi. De forma enganosa a imprensa divulga quer ali houve um processo de privatização e desestatização. O que seria um bom avanço. Um segundo ponto, relacionado com o anterior. A CTG Brasil publicou material propagandístico de página inteira no “Estado de S. Paulo”, 29 de março último. Informa a propaganda da CTG: “Desde que iniciou atividades no Brasil em 2013, a empresa já investiu R$23 bilhões no País. A CTG Brasil é a segunda maior geradora privada de energia do País”. Existe um erro aqui? Sim, informou de forma a enganar. A CTG Brasil não é geradora privada, é estatal chinesa, dirigida pelo governo de Pequim ▬ se quisermos, “longa manus” do Partido Comunista Chinês. No citado diário, impulso de mesma\ direção, 28 de março, consta entrevista do CEO da empresa Azimut Brasil (gestora de ativos). Seu presidente Giuseppe Perrucci, aconselha os investidores brasileiros, na busca de estabilidade e rentabilidade, a investir nas empresas que compõem o índice de Xangai. Por dinheiro nas empresas com ações na bolsa chinesa. Das três empresas em que sugere aplicações, duas, PetroChina e China Life, são estatais. O conselho é esse, então: para obter segura\nça, estabilidade, rentabilidade, compre ações de estatais chinesas.

 

Esfera de influência. Por que trago tais fatos à atenção do leitor? Para que não esqueçamos, o Brasil está realizando um perigoso deslizamento, afasta-se da área ocidental e se afunda no pântano chinês. Não é atitude de homens de bem circunspectos. Revela, no mínimo, falta de siso, leviandade, inconsequência. Rumo contrário ao que foi constato acima, vivo em setores dos Estados Unidos. É um bom exemplo, pode nos afastar de maus caminhos. Ainda há tempo para mudar o rumo. Cada vez mais, irá ficando mais difícil.

 

 

 

PÉRICLES CAPANEMA - é engenheiro civil, UFMG, turma de 1970, autor do livro “Horizontes de Minas



publicado por Luso-brasileiro às 11:38
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - QUE INGRATIDÃO!...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Durante longos anos que fui redator de jornal local, realizei numerosas entrevistas a figuras públicas: industriais, grandes proprietários, políticos e artistas de renome...

Durante a conversa, perguntei, também, a alguns milionários, como conseguiram obter os avultados bens.

Grande parte, informaram-me: que na realidade, o mérito – se mérito havia nisso, – era devido aos avós, que começando de quase nada, com grandes sacrifícios e privações, acumularam, aos poucos, avultados bens.

Mas, ao interrogá-los como se iniciou: a fábrica, a indústria, a casa agrícola, a maioria respondiam-me de olhos vagos, balbuciando:

- "É uma boa pergunta! Sabe? Nunca tive o cuidado de saber. Vou tentar informar-me, junto de familiares, para lhe dar os dados que precisa."

Diretora de importante instituição, a quem fui recolher elementos para a biografia do tio. Benemérito, que fez fortuna na América, e como não tivesse descendentes, tudo deixou para se criar a fundação, olhou-me espantada, e apontando, com o indicador direito,  solene retrato, ricamente emoldurado, pendente na parede do salão nobre, limitou-se a dizer-me:

-"Meu tio..."

Nada mais conhecia, que o retrato, mesmo sendo a responsável.... De sorriso envergonhado, confessou-me que ia investigar…

Outra senhora, muito afável, sobrinha de ricaço, cujo pai herdara do irmão, incomensurável fortuna, pouco conhecia desse tio, nem foto tinha. Se quis ilustrar o texto, não tive outro remedio, senão fotografar a lápide, que estava no cemitério!...

Certa ocasião coube-me entrevistar figura conhecida da cidade do Porto, para publicar curta biografia do pai.

Recebeu-me, amavelmente, no luxuoso gabinete, lamentando não poder ser-me útil, porque do pai, só conhecia o nome e pouco mais...

Argumentou, que em criança, o paizinho, contava curiosas peripécias ocorridas durante a infância, na casa dos avós, mas nunca lhe prestara atenção. Não lhe interessava saber velharias, e cenas do passado...

Admirava-me, de início, que não soubessem, nomes, datas e curiosidades da vida dos ascendentes (pais e avós,) mas fui concluindo, estupefacto: que estavam mais interessados nos bens que herdaram, que lhes permitia viverem folgadamente, que conhecerem, verdadeiramente, quem eram e o que fizeram os pais e avós...

Que pura ingratidão!...

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA

 



publicado por Luso-brasileiro às 10:18
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