Vou vos contar uma pequena história para desopilar a mente, ocorrida no Médio-Oriente, entre beduínos, que cruzavam largo e árido deserto.
Este caso explica perfeitamente, o curioso fenómeno psicológico, que nos ilude – pensamos erradamente, que estamos naufragados em complicado labirinto ou cativos em fortes grilhetas, que, na realidade, nunca existiram:
Atravessava imponente caravana de beduínos, extenso deserto, levando numerosa cáfila, carregada de tendas e mercadorias.
Pelo declinar do sol abrasador, abrigaram-se num aprazível oásis. Os criados apressaram-se a prender os quadrúpedes, mas verificaram que perderam uma estaca. Eram trinta camelos e só havia vinte e nove varas.
Pensaram prender dois animais na mesma estaca, mas recearam que brigassem.
Não sabendo como resolver o problema dirigiram-se ao senhor da caravana, para pedir-lhe conselho.
Após aturada ponderação, recomendou-lhes:
- Espetem as 19 estacas, e prendam os camelos. O que sobrou, levem-no, mansamente, e executem os mesmos gestos, como se o tivessem, realmente, a prendê-lo
Assim fizeram. O camelo a tudo assistiu, pacientemente. De seguida deitou-se, permanecendo quieto e tranquilo.
Ao romper da alva, levantaram o acampamento. Desmontaram as tendas e foram libertar os animais.
Ao chegarem junto do camelo, que permaneceu solto, verificaram atónitos, que continuava sossegado, aguardando a hora de o soltarem.
Pontapearam-no brandamente, para que se erguesse, mas o animal não obedecia.
Foram contar ao amo o sucedido, estupefacto pelo que viram.
Este apenas lhes disse:
- Ide! Façam todos os gestos como tivesse sido aferrado, e verão que prontamente obedecerá às vossas ordens.
Assim fizeram. O animal levantou-se, aguardando calmamente que o carregassem.
Esta inocente historieta é uma, entre outras, que o conhecido psiquiatra e psicólogo Platanov, narra no interessante livro: " Psicologia Recreativa", e recorda que "existem" amarras que não passam de ilusões, que nos dominam, criadas pelo nosso cérebro.
HUMBERTO PINHO DA SILVA
Quando estou na cidade de São Paulo, fico estupefacto com o movimento atordoador das viaturas. São filas intermináveis de ciclistas e motociclos, que sem respeito se enfiam, quase entalados, a grande velocidade, pelos estreitos intervalos dos automóveis, fazendo autênticas e perigosas habilidades circenses.
Sempre tive alma de montesino. Aprecio a calma da minha modesta casa; e dentro dela, a paz do meu quarto – apesar de viver no centro da cidade, – quiçá por isso, o transito da Pauliceia, estonteava-me.
Nunca entendi como é possível conduzir, com segurança, nessa balbúrdia, e chegar a casa (depois de um dia de trabalho) sem ter os nervos em frangalhos.
Talvez, por isso, adorava a minha pacata cidade onde sempre residiu: paz, concórdia e respeito.
Desgraçadamente, para meu infortúnio, a sossegada e quase familiar cidade do Porto, está, agora, transformada num saricoté endiabrado.
Não falo dos turistas, que chegam aos montes, com malas, malinhas e maletas, param e conversam nos passeios, desesperando o portuense apressado, mas as malfadadas motos e as impertinentes trotinetes.
De início pareciam brinquedos engraçados, quase infantis, transformados num rápido e simples transporte citadino, prático e económico.
Mas, rapidamente se tornaram indesejáveis e ameaçadoras.
Adolescentes irresponsáveis, quase crianças, correm de trotinetes, pelas ruas, passeios, jardins e até pelas estradas, a alta velocidade, algumas vezes em perigosas competições.
Circulam sem seguro, sem licença, sem capacete, sem regras, sem conhecerem os sinais de transito, sem ordem, como se fossem donos da via pública.
O que era um brinquedo, pratico, útil e económico, passou a ser praga, um perigo para todos nós.
HUMBERTO PINHO DA SILVA
Subi para o seu quarto. Abri a porta.
Gritei: - "MAMÃ!...MAMÃ!... QUE ESTÁ A FAZER?!"
A pobre, não podia responder:
deitada num lençol...estava morta!
Rolaram muitos anos. Não se corta,
todavia, esta imagem do morrer:
a minha mãe, já fria, e sem me ver,
deitada num lençol, como absorta!
Mas no meu coração desamparado,
chamei sempre por ela, lá do fundo
da saudade sem fim que ma recorta;
porém, nunca ela ouviu este meu brado:
- MAMÃ!...MAMÃ!...MAMÃ!...", terno e profundo,
que a minha querida mãe,há muito é morta!...
Quando meu pai resolveu realizar a exposição dos seus quadros, uma senhora amiga, muito rica, encontrou-o no Passeio das Caridosas, e após o formalismo da praxe, disparou:
- Quando faz a exposição? Avise-me para a ver!
- Estou a fazer aguarelas e desenhos para ela!
--Pinta só a aguarela?!
- Sim! Deixei de pintar a óleo há muitos anos. Não gosto do óleo, mas da luz e da cor da aguarela, como Daniel Constant. É uma festa, para os olhos!
- Bem, bem: Estou ansiosa de ver essa exposição, até preciso de um bom quadro.
Meu pai agradeceu o elogio e a preferência, talvez prevendo possível comprador.
Mas a senhora continuou muito interessada:
- Tem de me dar um dos seus quadros!
Meu pai sorriu contrafeito e tentou desembaraçar-se da "simpática" senhora, que se declarou conhecedora de arte, tecendo pictóricas opiniões. Já na despedida, voltou à carga:
- Não se esqueça de me ofertar o quadro! Que não esqueça!
Afasta-se um pouco, e volvendo, diz, em alta voz:
-Ah! Já me ia esquecendo: que seja a óleo. Sim! É que para o ambiente de minha casa, com marfins, tapetes... o quadro tem de ser a óleo!
A mim aconteceu, também, caso semelhante:
Entrevistei poetisa. Recebeu-me festivamente numa mesa recheada de vistosos bolos. Servido o chá, realizei a entrevista de gravador em punho.
Decorrido uma semana, soou o telefone. Era ela, dizendo que acabara de editar um livro seu, e mo ia enviar, contrarreembolso.
Desculpei-me, argumentando que não podia comprar os livros e os quadros de todos que entrevistava.
- Mas, são só vinte euros!...Não me diga que não tem vinte eurinhos!?...
Ficou amuada, e deixou de me chamar " ilustre" jornalista, coisa que não me preocupou, porque sou tudo, menos ilustre...
Há pessoas de inaudito descaramento. Uma, queria um quadro de graça; outra desejava vender um livro por vinte euros!...
HUMBERTO PINHO DA SILVA
Encostado ao teu peito, já de tísica,
ouvi bater, lá dentro, o coração...
( Meu Deus, meu Deus! - com quanta comoção
lhe recordo a presença quase física!)...
A linha do teu rosto, metafísica,
linha aérea de rosa inda em botão,
surgindo, tranparente, do roupão,
tombava sobre mim, suava e lísica.
E ouvindo no teu peito, esse bater,
um bater de trinta anos já velhinhos,
cansados de chorar, chorar, chorar;
aconcheguei-me a ti, sem perceber
que gozava os teus últimos carinhos
e que o teu coração ia parar!...
Aquele, serei eu ?...Nem acredito,
pois que era um rapazinho sonhador!...
Quem será, todavia, este senhor,
assim gordo, assim calvo?!...Que esquesito!
Eu, não, que o meu cabelo era bonito;
meus dentes, de marfim, eram alvor;
o resto, de cetim, como uma flor,
nos lábios, um sorriso tinha escrito.
Pois onde está tudo isso, por favor,
que não me reconheço neste espeelho
nem quero acreditar que seja eu?!...
Mas cogitando assim ( espanto e dor!),
vou percebendo, então, que já estou velho,
e que o jovem que fui... desapareceu!
Levantou-se recentemente grande polémica em Lisboa, que ecoou com indignação pelo País. O motivo foi o preço da construção do altar onde Sua Santidade, o Papa Francisco, presidirá às cerimónias da JMJ.
A construção rondava cinco milhões de euros! Digo: rondava, porque já foi reduzida a quase metade.
Acrescente-se ainda que a despesa para a realização do evento, sobe a dezenas de milhões, mesmo com a redução drástica, que se fez atualmente!
Os católicos ao tomarem conhecimento da colossal despesa, dividiram-se; e os não crentes, aproveitaram, a ocasião, para criticarem a Igreja.
Uns, lembram, com razão: que o País é pobre. A miséria alastra, devido à Covid e à guerra que explodiu à porta da Europa Ocidental; acrescentam ainda, que grande franja da Classe-Média, já se inclui no limiar da pobreza, principalmente as famílias que vivem com um só salário ou pensão.
Argumentam outros, igualmente com razão: que nem sempre teremos, entre nós, o Papa; o dinheiro empregado terá retorno certo, e as estruturas servirão para outros eventos; a JMJ atrairá jovens de todo o mundo, e com eles, jornalistas e sacerdotes, que gastarão muito dinheiro, e além disso, será um bom investimento turístico.
Pode ser que seja assim. Mas será bom recordar, que o mesmo se dizia ao construírem-se os Estados de Futebol, ao levantarem a Expo, até o Centro Cultural de Belém; mas, terminando os eventos, a população, em geral, ficou tão pobre como era.
Quem me lê, diga com sinceridade:
Ficaram a viver mais desafogados? Subiram os salários? As pensões e o bem-estar do povo após esses eventos? Não creio.
Todos sabemos que o Estado não tem condições de pagar a totalidade, que é devido ao professorado, nem aos reformados, e muito menos pagar salários e pensões a nível europeu; por isso é difícil compreender como pode despender milhões para atividades religiosas.
Será que o Papa irá concordar com tanto luxo? Creio que não. Se bem conheço Sua Santidade. Não é verdade que adotou o nome de Francisco? Não se preocupa com os necessitados de Roma e de todo mundo? Não é Ele homem simples, como Jesus?
Além disso os que vêm a Lisboa serão todos crentes ou alguns meros turistas? Meio fácil de viajar a preços módicos?
Concluindo: recorde-se a visita do Santo Arcebispo de Braga ao Concilio de Trente, onde teve oportunidade de conviver com Sua Santidade. E de lhe criticar as colossais despesas:
Visitando o jardim Belveder, O Papa mostrou-lhe o que pretendia construir. Então sugeriu-lhe: " Porque não faz lá na sua Braga uns paços como aquele?"
- " Santíssimo Padre – respondeu-lhe o Arcebispo – não é de minha condição ocupar-me em edifício que o tempo gasta.
- " Pois o que vos parece desta minha obra?
- " O que me parece Santíssimo Padre, é que não devia curar Vossa Santidade de fabricar, que cedo ou tarde, hão-de acabar. E o que digo delas é que, de tudo isto, pouco e muito pouco e nada, e do edifício temporal das Igrejas seja mais do que se faz; mas no espiritual, ai sim, que é razão ponha Vossa Santidade toda a força e meta todo o cabedal dos seus poderes."
A que o Papa respondeu:
- " Não fui autor dela, que não sou amigo de gastar dinheiro em vaidades; achei-a começada, folgarei de a acabar." - " Vida de Fr. Bartolomeu dos Mártires", por Frei Luís de Sousa.
HUMBERTOPINHO DA SILVA
Nos derradeiros dias de verão, ainda com sol amigo, decidi abalar além Marão.
Instado por companheiro de infância, sai contrafeito do aconchego do lar – coisa rara, – e viajei comboianamente até a pequena Vila, agora cidade transmontana.
Recebeu-me de braços abertos com a tradicional franqueza tão característica da gente montesina.
Após me ter dito que já não se dorme de portas destrancadas, como outrora – que só se cerravam quando se pressentia gente estranha, acrescentou:
- Efeitos da globalização! E facilidade de transporte...
Depois, a prosa derivou para as corriqueiras novidades: casamentos, namoricos e...
- Já te contei que o meu Jorge está em Coimbra?
- Não sabia! O que faz o pequeno na cidade dos doutores?! - Perguntei curioso.
- Foi frequentar a Universidade...A propósito: vou-te contar uma muito boa: Não queria que fosse para uma república. Quarto a preço módico, é difícil. Então pensei alugar pequeno apartamento. Assim podia visitá-lo, sem pagar hotel...
- Fizeste bem.
- Mas, decorrida uma semana – prosseguiu, – aparece um homem, a fazer-me uma proposta. Era pai de menina que vai frequentar a Faculdade, e se estivesse de acordo, ela iria para o apartamento do rapaz. Rachava-se o aluguer. Até, me disse, que a rapariga podia ajudar... cozinhando alguma coisa.
- Concordaste?! - Perguntei estupefacto.
- Fiquei varado, mas acabei por concordar. Tinha sido colega do Jorge e é de boas famílias...; mas fiquei banzado. Qual era o pai, do nosso tempo, que deixava uma filha viver com adolescente, quase homem!... Se tivessem de apresentar IRS até podiam dizer que eram casados!... - União de Facto!...
A conversa discorreu para outro tema mais interessante, mas fiquei a matutar:
No meu tempo de rapaz só havia dois meios de formar família: casamento civil ou religioso; ou amancebarem-se, mas deste modo não havia regalias fiscais...nem eram reconhecidos oficialmente.
Enfim: mudam-se os tempos...assim como os costumes,e a Moral. Efeito da ausência de Deus e degradação da sociedade, que se diz cristã.
HUMBERTO PINHO DA SILVA
Tanta gente com fome, e tu tão farto;
tanta gente com frio, e tu tão quente!...
Que razão faz a sorte tão diferente,
se somos tão iguais na morte e parto?!...
Quando medito nisto, não reparto,
não percebo, não vejo, como há gente
tão feliz, tão alegre, tão contente,
sabendo outra sem pão, sem luz, sem quarto!
E se fossemos nós os que têm fome?!
E se fossemos nós os que têm frio,
sendo filhos de Deus, como somos?!
Irmãos?!... Pois sim, pois são...mas só de nome!
- Separa-nos um Letes!...Desconfio
que...irmãos, irmãos...nunca nós fomos!
A primeira vez que entrei num estabelecimento hospitalar, era adolescente, mal despontava a barba.
Minha mãe acabara de ser trepanada por causa de um meningioma. Operação, na época, considerada bastante perigosa e só realizada na Capital.
Meu pai ausentou-se para falar com o cirurgião – especialista de grande gabarito.
Subitamente entrou no quarto Senhora muito elegante, muito gentil, com braçado de rosas encarnadas.
Estranhei a visita inesperada, mas rapidamente se desfez o receio:
- Sou Graciette Branco!...
Já tinha ouvido falar da escritora, que ficou conhecida, como a Menina do Pim Pam Pum (suplemento juvenil de "O Século".)
Visitei depois vários amigos enfermos, em hospitais, mas nunca fui interceptado para conhecerem quem era e o que andava a fazer nos corredores!...
Eu próprio, após ligeira operação, fui obrigado a permanecer acamado.
A cada passo era surpreendido por amigos, que por sua vez se admiravam de não terem sido identificados à entrada.
Certa ocasião dirigi-me a hospital particular. Na portaria informaram-me do número do quarto. Penetrei no edifício. Percorri desertos corredores; galguei escadarias; passei por portas semicerradas, e não consegui atinar com o quarto.
Por fim deparei com enfermeira, que gentilmente indicou-me onde ficava, e o caminho correcto.
Estranhei e estranho, que as portas hospitalares estejam escancaradas, acessíveis a qualquer um.
Por que será? - Não sei se ainda é assim, – que não se pede identificação à entrada, e não se telefona para o quarto a perguntar, se o doente quer receber a visita.
Será difícil e trabalhoso esse cuidado?
HUMBERTO PINHO DA SILVA
Passo por ti -" Quem é?!" - : eu mal te vejo;
passas por mim - "Quem é?!" - : tu mal me vês!...
E moramos no mesmo lugarejo;
e nós ambos falamos português!...
Nunca te vi ao pé, nem o desejo;
se, acaso tu me viste...de revés!
Nunca para falar temos ensejo:
não sabes quem eu sou; não sei quem és!
O que fazes, não sei, nem como vives;
não sabes o que eu faço ou do que eu vivo,
nem, jamais,apertamos nossas mãos;
não conheço, sequer, com quem convives;
nem tu sonhas, sequer, com quem convivo,
contudo ( sabes tu?)...somos irmãos!...
Disse escritor argentino, cujo nome varreu-se completamente – a idade não perdoa, –: " Que de longe tudo parece pequeno, menos o intelectual".
Na verdade, a excessiva familiaridade, diminui o: escritor, articulista, poeta ou o professor.
Já São Tomás recomendava o apartamento do seu público.
O próprio conjugue e filhos, apesar de se orgulharem do sucesso, devido ao frequente convivo e conhecerem perfeitamente: hábitos, costumes e até vícios, raras vezes lhe dão o devido valor, chegando a considerá-lo: lunático.
Muitos, nunca lhe deram o devido valor, nem o escutaram com atenção.
Em entrevista ao semanário " SETE", a grande fadista Amália Rodrigues, declarou ao perguntarem:
- " Costuma ler com frequência?
-" Eu? Já nem leio. Houve uma altura em que eu acreditava que as pessoas que escreviam aquilo que eu lia, eram realmente pessoas maravilhosas.
- " Depois conheci essas pessoas. E tive muitas desilusões. Agora já quase nem leio. Tive uma temporada em que para adormecer, lia histórias de " Cow-boys" (Num à parte: Não escreva isso, que é uma vergonha, mas não tenho vergonha nenhuma...) Agora já nem isso. Tenho outra " chucha" para adormecer: ouço cassetes, chega ao fim e volto ao princípio. Mas leio pouco, infelizmente, porque gostava de ler. Mas por um lado é bom, porque me evita esse desencanto de que lhe falei, se calhar é melhor assim. - "SETE" (1-11-83)
Foi o desencanto que Clarissa sentiu ao conhecer o poeta Paulo Madrigal. - " Música ao Longe", de Érico Veríssimo.
É o desencanto de todos nós, após conhecer: o artista plástico, o escritor ou o jornalista da moda.
O escritor, o intelectual, tem de ser um mito para o leitor ou aluno, como se vivesse, permanentemente, no Olímpico, acompanhado de coorte, que sem cessar, proclamem na: tv, rádio, imprensa e redes sociais: - " É grande! É mestre! É Mestre entre os Mestres!..."
Então o Zé-povinho, extasiado, repete entusiasmado:
- " Sim: a prosa, os quadros, são magníficos, perfeitos, divinais!..."
Mesmo que não goste, não aprecie e jamais terá coragem de discordar ou de o criticar em público, porque não quer passar por néscio...
É a velha e revelha história do Rei Vai Nu.
HUMBERTO PINHO DA SILVA
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