PAZ - Blogue luso-brasileiro
Terça-feira, 21 de Junho de 2011
SÉRGIO BARCELLOS - FANTASMA

 

 

 

Sabe se alguém me perguntasse: - quem foi o seu super herói quando criança, sem duvida a resposta estaria na ponta da língua: - Fantasma, o grande herói da revista em quadrinhos.

Que delicia foram aqueles tempos de leitura, como foram bons aqueles anos cinqüenta e sessenta onde nosso imaginário podia viajar em aventuras, apenas lendo aquelas revistas, cujas estórias ali contadas com desenhos gráficos possibilitando nosso imaginário viajar loucamente.

Como era bom, evidente cada menino da época tinha o seu grande herói, e o meu sem duvida foi Fantasma. Ainda me lembro tantas e tantas aventuras ali contadas.

Sim, Fantasma nunca morre isso era o que acreditavam os selvagens que faziam parte daqueles contos passados em terras africanas.  Uns diziam: ele tem seiscentos anos, mas na verdade quem lia a estória sabia que essa era uma dinastia passando de pai para filho, tornando-se a lenda do Fantasma.

Com que prazer eu lia aquelas passagens, entrava de cabeça naquelas aventuras, devorava aquilo com muita emoção.

Sendo um menino, e naquela época, para variar, não possuía uma moeda sequer no bolso, assim como todos os outros, pois mesmo que os pais tivessem ou não poder aquisitivo, não se dava dinheiro às crianças. Portanto não tínhamos acesso ao maldito mundo da ganância, do vil metal. Acho que esse foi um dos grandes motivos, entre outros, em termos tido uma infância muito feliz, pois esse defeito que corrói as entranhas do homem nós meninos não tínhamos. Portanto fica evidente que sem alguns trocados no bolso não conseguia comprar minha revistinha predileta, ou gibi como era chamado. Sabedor que na barbearia de propriedade de dois irmãos nisseis (filhos de japoneses nascidos no Brasil), existente ali no meu bairro, precisamente na Rua Padre Carvalho, sempre compravam o numero da semana para leitura dos fregueses que esperavam sua vez, e sendo eu, meu pai e meus irmãos fregueses, me achava no direito de entrar a qualquer hora sentar-me, e sem nenhuma cerimônia pegar a revista do fantasma, a mais recente é claro, e “devorá-la”. O ruim era quando alguém já estava lendo, mas eu sempre esperava terminar. Quanto aos dois irmãos já estavam acostumados com o freguês aqui e não se importavam.

Que saudades, Fantasma de uma honestidade invejável, Fantasma que combatia o crime, modelo de honestidade e justiça, Fantasma nunca erra, Fantasma fala sempre a verdade, Fantasma amigo dos animais, sempre acompanhado de seus fieis companheiros Herói seu cavalo branco e Capeto, um lobo. Fantasma amigo dos selvagens acompanhado de seu escudeiro Guran o grande chefe dos pigmeus de Bandar, o único sabedor do segredo do Fantasma. Era ele quem tomava conta da caverna, a morada de nosso herói em terras africanas. Em fim como diziam os selvagens, ele tinha a força de dez tigres.

Como ninguém é de ferro tinha sua namorada Diana. Para ir visitá-la se vestia à paisana e era conhecido como Sr. Walker (o que anda), capa, chapéu e óculos escuros.

Diana a namorada exemplar, modelo de mulher, meiga carinhosa sempre atenta a ele, fazendo com que Fantasma atravessasse o Atlântico só para encontrá-la, no que muitas vezes se envolvia nas aventuras do namorado.

Pois é, Fantasma na grande verdade foi diferente de outros heróis, suas aventuras deixaram para os meninos da época a mensagem de perseverança, honestidade, inclusive de estudo, tendo ele na estória se formado em uma universidade antes de se colocar no lugar do pai. Assim sendo, também teve a obrigação com os estudos. Não era um bruto um ignorante, tinha conhecimento, cultura, falava vários idiomas. Por essas e por outras foi meu grande herói.

Em tempos atrás até tentaram fazer um filme a seu respeito, alguns até o acharam meio “bicha” (homossexual para os que não conhecem a gíria brasileira), particularmente não gostei, nem do filme, muito menos da produção e nem do ator, não fez sucesso, sabem por que:

-Fantasma é inimitável, fantasma como diziam os selvagens é imortal, na verdade está em espírito na cabeça e no coração dos meninos, está presente em seus sonhos, em seus devaneios, nas suas ilusões, habita somente esses corações que mesmo em idade avançada sempre se fará presente na criança que está dentro cada um de nós.

Fantasma deixou essa mensagem, quer queira quer não, influenciou no 

caráter de tantos e tantos meninos da minha época.

Sim, ele foi o grande herói do meu imaginário, dos meus sonhos de menino, das minhas ilusões, de um tempo que vivíamos solto, sem medos sem preconceitos levados pelo vento das ilusões.

Por outro lado a vida se apresenta nua e crua, queira ou não temos de enfrentá-la em sua realidade, e o pior, de frente, como nos apresenta no dia a dia, na luta pela sobrevivência.

Sendo assim, houve outro herói que se apresentou a mim, e sem duvida via uma grande semelhança com Fantasma, sentia neles as mesmas características. Foi ele quem na realidade formou o meu caráter e deixou o maior exemplo de dignidade, honestidade, bondade, apego a família, lutando para manter a mim, meus irmãos e minha mãe, que também ao seu lado nos deixaram essa grande herança.

Esse herói foi meu pai.

O que na verdade foi ele o meu Fantasma o meu grande herói da vida real, via uma grande semelhança entre ambos, o mesmo caráter enfim a mesma dignidade. Portanto, em meu coração tenho certeza que se igualaram na mesma força:

“- A força de dez tigres.”

 

SÉRGIO BARCELLOS   - Agrimensor e escritor. São Paulo



publicado por Luso-brasileiro às 19:47
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