
Muito se diz sobre a rapidez na comunicação e os variados meios para postarmos nossas vidas, expormos histórias e sentimentos. A tecnologia e seus benefícios estão a serviço – dentre outras necessidades – de satisfazer nossos desejos, vaidades, frustrações, nossa autonomia e nossa escravidão.
Somos atores, autores, protagonistas, coadjuvantes, voyeurs, cúmplices, culpados, acusadores... de verdades, meias verdades, falácias, tudo corre rede a fora, e vem para os nossos domicílios virtuais; e dentro dele também criamos e expelimos a continuação de histórias, a produção de novos e velhos enredos.
Antes, se quiséssemos nos comunicar por escrito com alguém, era preciso aguardar o prazo do correio. Sem contar atraso ou extravio.
Hoje as correspondências são em larga escala e nossas missivas virtuais alcançam conhecidos e desconhecidos.
Extravios acontecem, mas em escala proporcionalmente menor, se levarmos em conta as mensagens que mandamos aqui e acolá, em tempo integral.
O que fazíamos em dois meses, hoje consuma-se em dois dias.
A comunicação de fato criou asas, percorre redes sociais, fios, wi fi (sou da época do hi fi, uma bebida feita com vodca e suco de laranja), 3G, ondas de rádio, numa velocidade incrível.
E pensar que a expectativa em ver as imagens registradas nas últimas férias ou numa festa de aniversário começava na compra do filme, na escolha de sua asa, na quantidade determinada de fotos, doze, vinte e quatro... um, dois, três filmes... a terrível possibilidade de queimar a foto, velar o filme, ou ter de esperar para terminar aquele filme em algum outro evento, para só então revelá-lo.
Tudo isso hoje revela-se mais simples. Em nosso bolso (ou bolsa) carregamos uma máquina fotográfica, acoplada ao nosso celular, que nos permite closes e zooms desde a unha do dedinho do nosso pé até o bem-te-vi que pousa num fio entre os postes que percorremos enquanto estamos no trânsito.
Essa gama de ofertas e essa rapidez em nos encontrarmos com aquilo que queremos não pode nos deixar esquecer da qualidade nessa comunicação, da cautela nesse excesso de exposição, do critério nas escolhas, da importância das relações humanas... Não podemos perder a capacidade de nos indignarmos. A banalização é algo que está sendo oferecido gratuitamente, e de nosso crivo depende todo o futuro.
Renata Iacovino, escritora, poetisa e cantora / reiacovino.blog.uol.com.br /
reval.nafoto.net / reiacovino@uol.com.br
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