PAZ - Blogue luso-brasileiro
Sexta-feira, 30 de Março de 2012
CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - O MISTÉRIO DO CARAMUJO

 

 

 

 

 

 

            Hoje, dando uma pausa na minha “série” sobre os Sete Pecados Capitais, não consegui resistir a escrever sobre uma história que me intriga, além de causar-me risos. Além disso, acho que estou sob a influência do pecado do pecado da semana passada, a preguiça. Fiquei com preguiça de prosseguir pecando literariamente e optei por outro assunto, algo que já estava fazendo cócegas nas minhas ideias.

 

            Já até escrevi sobre essa minha faceta, mas sou, como se costuma chamar no interior, uma pessoa “lombriguenta”. Assim, quando vi na casa do meu Sensei de aikido, de quem já tinha copiado o aquário de kinguios (peixes dourados), dois caramujos amarelos, logo perguntei para que serviam e, ao descobrir que tinham função de limpar o limo das paredes do aquário, debrucei-me sobre a internet, pesquisei e não sosseguei enquanto não comprei os meus também.

 

            O problema que o primeiro deles, o Juju, que já protagonizou outro texto meu, era um caramujo abandonado, que nem o pessoal da loja sabia o que era ou de onde tinha vindo. Mesmo assim, porque minhas “lombrigas do desejo” clamavam, comprei sem estar muito certa do que poderia vir dali. Meses depois, o Juju estava enorme, quase quatro vezes o que era e eu já andava meio com medo de onde aquilo iria parar. Contudo, para minha tristeza, certa tarde, ao me aproximar do aquário, percebi que a bomba estava parada e, descobri que o causador era o Juju, sugado que estava pela pressão que fazia o cano que levava a água para o filtro. Ainda tentei salvá-lo, mas ele estava perdido, com as “tripas” esticadas...

 

            Esse foi o fim do Juju que, embora tenha me deixado triste, até porque eu podia estar próxima de algum recorde de crescimento “caramujal”, não chegou nem perto de me causar a estranheza do que me foi reportado pelo meu Sensei.

 

            Pois bem, ele tinha dois caramujos, os quais chegaram até mesmo a depositar lindos e gosmentos ovos no aquário, devidamente exterminados para evitar uma praga. Ocorre que um dia, de um deles, aparentemente, restou somente a concha. Ele procurou daqui, procurou dali e nada de achar o, digamos, recheio do bicho. Teriam os peixes, à semelhança de como se come escargot, mandado o coitado para a pança?

 

            Dias depois, já dando o caramujo por perdido, não foi sem surpresa que ele constatou que, inexplicavelmente, o caramujo “descascado” havia se mudado para dentro da concha do outro. Detalhe: sem que o dono saísse da casa! Espremidos, pareciam estar literalmente no aperto! O mais curioso é que lá ficaram, como se tivessem resolvido morar juntos, sei lá.

 

            Como se não bastasse, mais uma semana e um deles (não se sabe qual!) simplesmente evaporou. Sumiu. Não há rastros, vestígios ou peixes empanturrados. Tudo o que restou foi uma concha, uma casca, vazia, boiando em meio aos peixes. Mistério....

 

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo.

 



publicado por Luso-brasileiro às 18:50
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