PAZ - Blogue luso-brasileiro
Segunda-feira, 30 de Julho de 2012
FRANCISCO VIANA - ISRAEL ACUSA HUGO CHÁVEZ DE ESTAR AJUDANDO O IRÃ A CONSTRUIR A BOMBA NUCLEAR

 

 

 

 

 

 

 

            Tanto na área diplomática quanto na área de comércio exterior, cada vez mais o regime de Caracas procura ajudar o Irã a construir uma bomba nuclear e a escapar das sanções internacionais impostas pela ONU a Teerã Venezuela e conseguir por vias transversas tecnologia militar, como denunciou por esses dias, por escrito os jornais ocidentais, Yigal Palmor, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel. Na sua carta aos jornais, comentou sobre a crescente interação entre Caracas e Teerã, que se tornou uma aliança crucial para o regime de Ahmadinejad.

            No entanto, Palmor deixou claro que, pelo menos por enquanto, Chávez não está financiando diretamente o programa nuclear iraniano, mas apenas colaborando de modo indireto ou, possivelmente, de modo secreto. “Mas o fôlego econômico que a Venezuela dá, nesse momento, à economia iraniana em detrimento do rápido empobrecimento do povo venezuelano – ao ajudar Teerã em desbordar as sanções internacionais da ONU – especialmente através de sua assistência aos setores chaves, petroquímico e de armamentos, além de um incansável respaldo político na arena internacional, permite que o Irã possa concentrar seus recursos e esforços no projeto nuclear. Toda a parceria entre ambos faz parte de um ‘grande objetivo’”, disse Palmor. Disse ainda que “a complacência do regime de Caracas tem sido essencial para que o Irã consiga o espaço de manobra que precisa para tocar adiante seu programa nuclear e militar, que tem sido denunciado internacionalmente”.

            Os comentários de Palmor seguem o tom das declarações feitas previamente pelo ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, que admitiu o fato de que, cada vez mais, se justificam as razões para se suspeitar que a Venezuela esteja ajudando ostensiva e secretamente o programa nuclear e militar do Irã.

            A ação da Venezuela, provavelmente, se dá pela promessa não divulgada explicitamente de Teerã de que os avanços tecnológicos serão compartilhados com ambos os países, como sugeriu numa conversa que teve com o vice-presidente da Costa Rica, Alfio Piva.

            O colunista Uri Dromi, que acompanha de perto os temas relativos à defesa do Estado de Israel, concordou que a ajuda venezuelana se converteu numa ajuda incalculável para as aspirações nucleares e militares iranianas. “Ao ajudar o Irã a desbordar as sanções da ONU, a Venezuela está ajudando os persas a continuarem com seu programa nuclear bélico”, comentou Dromi numa entrevista por telefone.

            Estados Unidos e União Europeia impuseram, através do Conselho de Segurança da ONU, uma série de sanções econômicas contra o país islamofascista para obrigá-lo a permitir uma ampla monitoração de seu programa nuclear pela AIEA, ante o temor de que seja usado para desenvolver ogivas nucleares e armas de destruição em massa, uma alegação que Teerã nega. Tais sanções, em sua maioria, têm a finalidade de cortar o acesso aos mercados internacionais do petróleo persa e incluem proibições a bancos e outras empresas integrantes do sistema financeiro internacional a se envolverem nas operações de compra e venda de petróleo iraniano.

            Outras sanções também estão dirigidas ao Banco Central Iraniano, uma vez que a União Europeia estabeleceu um embargo ao petróleo desse país. Dromi disse ainda que o Irã não apenas está recebendo ajuda material da Venezuela, mas que o país sulamericano está exercendo um papel essencial nos esforços para conseguir respaldo no terreno diplomático. “Nunca antes, a situação do Irã chegou a ficar tão sombria. As sanções estão surtindo um efeito devastador… E agora, com a queda da Síria, um aliado importante, os persas têm mais necessidade do que nunca de contar com os poucos amigos de outros lugares”, explicou Dromi.

            E a Venezuela se converteu assim num dos melhores e mais amplos colaboradores do regime antissionista persa, já com mais de 150 adidos diplomáticos creditados em Caracas e de outro pessoal que toca um porto exclusivo cedido ao Irã pelo mandachuva venezuelano. Com isso, o Irã já produz uma ingerência nos assuntos internos da Venezuela comparável a exercida por Cuba.

            A Venezuela, considerando-se o tamanho do “corpo diplomático” iraniano, se converteu num importante centro de operações antiamericanas e antidemocráticas da América do Sul, com um contingente de inteligência iraniana e cubana agindo livremente no país. Trata-se de uma aliança estratégica que permite ao regime de Teerã “estender suas unidades militares” a toda a América Latina, o que significa que “pode executar ataques terroristas” muito mais além de sua esfera geográfica e de influência.

            Chávez já revelou que está construindo aviões não tripulados – “drones” – para Teerã, e em contrapartida engenheiros persas supervisionam este e outros projetos militares venezuelanos. Tem também enviado ao Irã um número ainda desconhecido de caças F-16, comprados dos EUA, sob a alegação de “treinamento e de calibração de radar”, segundo Palmor.

            “Em troca, o Irã está montando fábricas para a produção de petroquímicos e munições de armas leves na Venezuela, alem de ter aberto sucursais bancárias e empresas de transporte de fachada para serem usadas na evasão das sanções internacionais”.  Além disso, Chávez permite que o Irã obtenha tecnologia e conhecimentos que precisa, e que de outra maneira seria impossível conseguir devido às sanções impostas pela ONU, às quais está conseguindo contornar com a ajuda venezuelana.

            Palmor deu ênfase ao fato de que as aspirações iranianas de desenvolver ogivas nucleares e a decisão de Teerã de perpetrar ataques terroristas ao redor do mundo para alcançar seus objetivos são as grandes preocupações de Israel, e deveriam ser também as do resto do mundo. “Foi o regime dos aiatolás iranianos que criou o conceito moderno dos “homens-bomba” e o introduziu no Oriente Médio, com base no conceito teológico jihadista extremo de que o suicídio é bendito e recompensado por Alá caso resulte na matança de soldados ou civis inimigos, como os judeus”. “Pode-se dissuadir os que aderem à “glorificação do suicídio”? Essa é a razão pela qual Israel considera essencial evitar que o Irã obtenha armas nucleares e a razão pela qual a assistência venezuelana está dando ao regime islamofascista dos aiatolás uma ajuda irresponsável e execrável”, disse o porta-voz.

            A situação pode chegar a um ponto de que, qualquer ação militar contra o Irã, subentenda a inclusão de uma ação militar contra a Venezuela, concomitante.

 

 

Segunda feira, 23 de julho de 2012

 

 

 

FRANCISCO VIANNA  -    Médico, comentador político e jornalista  - Jacarei, Brasil



publicado por Luso-brasileiro às 12:49
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