PAZ - Blogue luso-brasileiro
Sábado, 22 de Dezembro de 2012
CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - O ÚLTIMO NATAL DO MUNDO

 

 

 

 

 

 

            Depois de muitas especulações, algumas pessoas em pânico e muita exploração da credulidade alheia, o mundo não acabou e as pessoas tem que seguir suas vidas. É óbvio que a grande maioria das pessoas conservou a lucidez necessária para não acreditar em mais uma profecia de catástrofe, mas, pelo sim e pelo não, não faltou quem estivesse com um pé atrás, daquele tipo de inquietação inconfessável e da qual se tem vergonha de admitir.

 

            Seja como for, para alívio geral, o mundo não chegou ao fim e, para o bem e para o mal, tudo permanece como antes. Nenhuma grande revelação surgiu, bem como os alienígenas não se apresentaram para um colóquio ou para conquistar o planeta. O sol está forte, não se nega, mas não apareceu outro, gêmeo dele, pronto para nos transformar em pururuca. Por outro lado, se os planetas estão com as órbitas desalinhadas, vão ter que dar outro jeito nesse problema, pois nada indica que farão isso como em um nado sincronizado ou coisa do gênero.

 

            E já que as coisas continuam, nada de esquecer a fatura do cartão. Vale o mesmo para quem preferiu não comprar os presentes de Natal, pois o dia 25 está com sua vaga garantida no calendário de 2012. Eu já me perguntei se essa história toda dos maias não foi um belo de um trote para gerações futuras. Aliás, alguém deveria ter se tocado que se eles fossem infalíveis, ainda estariam por aí, não é? 

 

            Enfim, diante dos fatos, eu mesma me coloquei a pensar nesse Natal e em tudo o que representa, ao menos no que me é dado compreender. Eu penso que já faz certo tempo que o Natal vem perdendo o seu verdadeiro espírito. A coisa toda tomou a proporção de caixinhas e presentes e pouca coisa mais, infelizmente.

 

            Já escrevi sobre isso em outra oportunidade, mas sinceramente eu não me conformo com essa mania vergonhosa das tais caixinhas para todos os lados. É com se tudo o que importasse fosse o dinheiro e a chance de recebê-lo de forma fácil. E o impressionante é que nem a possibilidade de que esse fosse o último Natal de todos os tempos fez com que as pessoas pensassem de forma mais desprendida. Na verdade, nem Natal, a rigor, teríamos tido...

 

            Fiquei pensando do que me arrependeria ou o que desejaria se o mundo tivesse de fato, acabado. Com certeza, sentiria por não ter amado mais, por não ter me divertido mais e por ter dado muita importância ao que não tinha. Sentiria falta de dormir abraçada, de rir com meus sobrinhos, de ouvir a voz dos meus pais, de passear de mãos dadas, de existir sem pressa, de chorar de emoção, de sentir meu coração batendo bobo por aí...

 

            Talvez tenhamos ganho uma moratória, talvez o mundo sempre permaneça, de alguma forma, mas eu sei que já considero presente suficiente, estar respirando e com saúde, ao lado dos meus... Feliz Natal a todos!

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo.

 



publicado por Luso-brasileiro às 18:21
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