PAZ - Blogue luso-brasileiro
Sábado, 29 de Dezembro de 2012
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - ANO NOVO

 

 

 

 

        Que mudanças concretas se sobreponham aos

        sentimentos repentinos e às manifestações     artificiais!

 

                               

Após as comemorações, voltamos a viver em constante tensão, preocupados com a sobrevivência e isolados em nossos mundos particulares. Mais do que nunca, é hora de assimilarmos gestos de boa vontade e unirmos nossas mãos em atitudes concretas de partilha, para a construção de uma nova sociedade, em que as desigualdades não sejam tão ostensivas e chocantes e o Direito possa efetivamente regular a ordem social.

           

 

            Já se disse que a condição humana está determinada pelo caráter do tempo. Por isso, no fim de cada ano, fazemos de conta que o seu fluir inexorável abre uma porta e fecha outra, lançando uma ponte para podermos atravessar de uma época para outra. Até tentamos mitificar esse momento de passagem, criando novos propósitos, prometendo o abandono de vícios e comodismos, além de aspirarmos cuidar melhor de nós mesmos, da família e do próximo. Enfim, esse período nos convida a um balanço e reflexões, ao mesmo tempo em que impõe a inevitável sensação de urgência em terminarmos e fecharmos assuntos pendentes

.

                        No entanto, transcorridos os festejos e o “reveillon”, vem a triste realidade:- continuamos os mesmos do ano passado e os problemas, os suplícios e os conflitos mais primitivos permanecem assolando nossa convivência e a mídia em geral. Parece que todas as esperanças lançadas entre os dias 31 de dezembro e 01 de janeiro são de artifício, como os fogos que estouram durante a euforia sem limites das comemorações tradicionais de final de ano.

 

                        Na realidade, buscamos ser felizes, mas não conseguimos nos realizar coletivamente. Sonhamos em ser iguais, mas cultuamos os piores contrastes. O egoísmo gera o anonimato que impede o surgimento de alianças sólidas entre os indivíduos e as relações tendem a ser fortuitas e passageiras. O tempo passa mais rápido que nossa capacidade de doação e um cenário promissor à solidariedade acaba sempre se distanciando.

 

                        Assim, não haverá prosperidade, tão desejada nos votos de “boas festas”, enquanto persistir a concentração de riquezas nas mãos de poucos; as gritantes injustiças cometidas sob os mais frágeis argumentos; a corrupção devassadora e outros males provocados pela prevalência das questões econômicas sobre as sociais – verdadeiros acintes aos valores cristãos. E voltamos, após as comemorações, a vivermos em constante tensão, preocupados com a sobrevivência e isolados em nossos mundos particulares.

 

                        Diante da ameaça que paira sobre todos, é hora de assimilarmos gestos de boa vontade e unirmos nossas mãos em atitudes concretas de partilha, para a construção de uma nova sociedade, em que as desigualdades não sejam tão ostensivas e chocantes e o Direito possa efetivamente regular a ordem, para progredirmos em conjunto rumo a tão almejada paz, compreendida como fruto da eliminação da miséria e do desenvolvimento integral de todos os povos.

 

                        A título de reflexão, publicamos um trecho da mensagem do saudoso papa João Paulo II para o Dia Mundial da Paz , em primeiro de janeiro de 2000:- “Os pobres, quer dos países em vias de desenvolvimento quer dos países prósperos e ricos, pedem o direito de participar no usufruto dos bens materiais e de fazer render a sua capacidade de trabalho, criando assim um mundo mais justo e mais próspero para todos. A elevação dos pobres é uma grande ocasião para o crescimento moral, religioso, cultural e também econômico da humanidade inteira”.

 

           Vale dizer que será muito bom quando sentirmos sede de justiça, para lutarmos pelo direito de todos.. Será ótimo, enfim, quando nos motivarmos a seguir o caminho correto, para transformarmos esse mundo velho em um mundo novo, mais fraterno e solidário. Nesta época do ano sobram simpatias, análises, cultos esotéricos e religiosos para que tudo melhore. Sobram desejos e pedidos de paz, prosperidade, saúde. Ao encerrarmos, esperamos sinceramente que as mudanças concretas se sobreponham aos sentimentos repentinos ou as manifestações artificiais.

 

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário. É vice-presidente da Academia Jundiaiense de Letras.

                                    



publicado por Luso-brasileiro às 14:36
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