PAZ - Blogue luso-brasileiro
Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2013
CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - AREIA MOVEDIÇA E SAUDADE

 

 

 

 

 

 

 

No final de 2012, a  Escola Estadual “Parque  Residencial Almerinda Chaves”,  localizada no referido bairro em Jundiaí - SP, em evento da Casa da Fonte – CSJ - no Centro das Artes, expôs trabalhos dos alunos relacionados às brincadeiras e personagens da infância.  Havia, ainda, uma parte em que a pessoa poderia escrever sobre sua saudade e depositá-la em uma urna.  Uma forma, dentre outras, na montagem, de interagir no espaço, ao qual se tinha acesso através das casas do tabuleiro, riscado no chão, conhecido como amarelinha.

A maioria destacou, na recordação maior, a de familiares e amigos que partiram para além do horizonte e da inocência da infância.  Foram citados folguedos e brincadeiras como: balanço, boneca, subir em árvores, pega-pega, esconde-esconde, fogueiras e quadrilhas nos grandes quintais. Comentaram sobre: brincar na rua sem risco de violência, vizinhos com as cadeiras na calçada em noites claras, os desejos ingênuos realizados sem se preocupar com julgamentos, o amor que os pais cultivavam,  ser mais feliz,  quando os pais eram casados, o respeito que os alunos nutriam pelos professores, a família unida,  não ter responsabilidades, a pizza feita em casa, as brigas – que não passavam de cinco minutos – com os colegas. Alguém salientou, como saudade grande, a do chinelo perdido, quando menino, em areia movediça.

Ficou comigo essa colocação.  A areia movediça do tempo leva com ela inúmeras pessoas, acontecimentos, vivências, lugares... Permanecem, porém, em um canto da memória e do coração: silhuetas, paisagens, aromas, sons, impressões táteis, olhares que falam, emoções, sonhos...  A areia movediça transporta gente que amamos e fatos que nos encantam para as pegadas que ficaram aquém, todavia não consegue enterrar, sem a nossa vontade, aquilo que marcou com ternura e sabedoria a história de cada um.

Veio-me a canção do Padre Zezinho: “Alô meu Deus,/senti saudades Tua/ e acabei voltando aqui./ Andei por mil caminhos/ e, como as andorinhas,/ eu vim fazer meu ninho/ em Tua casa e repousar./ Embora eu me afastasse/ e andasse desligado,/ meu coração cansado, /resolveu voltar. /Eu não me acostumei,/ nas terras onde andei. (...) Gastei a minha herança,/ comprando só matéria,/ restou-me a esperança/ de outra vez Te encontrar./ Voltei arrependido,/ meu coração ferido/ e volto convencido/ que este é o meu lugar”.

É possível reaver, a cada dia, o chinelo que a areia movediça do passado absorveu, quando a alma, não importa a idade, no amanhecer e no poente, se banha no azul do oceano.

 

 

 

Maria Cristina Castilho de Andrade

Coord. Diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala, Jundiaí, Brasil.



publicado por Luso-brasileiro às 18:29
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