PAZ - Blogue luso-brasileiro
Sábado, 26 de Janeiro de 2013
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - DIA MUNDIAL DA RELIGIÃO

 

 

 

 

  Professar um credo é muito

                   mais que ir ao templo e rezar.

              

                        

No dia 21 de janeiro, comemora-se o Dia Mundial da Religião, cuja origem ocorreu nos Estados Unidos da América, em dezembro de 1949, quando a Assembleia Espiritual Nacional dos Bahá'is sugeriu que ela fosse celebrada anualmente com o objetivo de fomentar a compreensão, a reconciliação e a harmonia inter-religiosa, ou seja, a unidade na diversidade, mediante a ênfase no denominador comum que existe em todas as religiões, a crença num Ser superior, a mediação de um sacerdote ou líder com esse ser divino e um sentido corporativo ou de comunidade.

 

Trata-se de uma data muito especial no Brasil, que conta com dezenas de credos religiosos, ligados às culturas dos povos que ajudaram a construir a Nação. Em nosso país todos são livres para seguir qualquer religião. O inciso VI do art. 5 da Constituição Federal dispõe que “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias”, estendendo no inciso VII, que “ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa...” .

 

Essa liberdade de religiões não acontece em todos os lugares do planeta, nos quais muitas delas são proibidas e seus fiéis, perseguidos, apesar do Art. I da Declaração Universal dos Direitos Humanos dispor “todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade" e do Art. II do mesmo documento estabelecer que “todo homem tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidas nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento ou qualquer outra condição”.

 

Apesar de tais aspectos, todos os grupos sociais do mundo têm as suas próprias religiões, ressaltando que há mais delas do que culturas desenvolvidas pelo ser humano. Tanto que Liev Tolstói chegou a afirmar que “o homem pode ignorar que tem uma religião, como pode também ignorar que tem um coração; mas sem religião e sem coração, o homem não pode viver.»

 

No entanto, vale ressaltar aqui, que professar um credo, não é apenas ir ao templo e rezar. É amar todas as coisas vivas sobre a terra, ser solidário e generoso, perdoar e reverenciar os outros. Notadamente em nosso país, onde a materialização nas relações passou a ser aspecto fundamental, a hegemonia do ter e do parecer, prevalece sobre o ser; o estímulo à futilidade ganha cada vez maior espaço e o exclusivismo, gera um isolamento humano, onde a igualdade fundamental da pessoa é freqüentemente violada; mais do que nunca temos que nos conscientizar que o amor próximo e à natureza devem abalizar qualquer crença.

 

Num momento em que a cidadania é abafada pela ação do poder econômico, ou prejudicada pela morosidade na prestação jurisdicional, temos que professar nosso credo com autenticidade. De nada adianta nos mostrarmos pessoas religiosas se os atos que praticamos são contrários aos princípios básicos do Direito, da Moral e da Ética. Por inúmeras circunstâncias, nossa sociedade é marcada por gritantes contrastes, descasos, segregação, violência, crimes ambientais e uma série infindável de ocorrências que lesam e impedem a satisfação das mínimas aspirações populares. Esses quadros demonstram que a presença de Deus na vida humana se faz necessária para propiciar o equilíbrio dos justos.

 

Por outro lado, devemos questionar com profundidade, sob pena de descaracterizá-la, se a religião que praticamos evidencia a necessidade de se questionar com a máxima urgência e clareza, os efeitos danosos de uma concepção estreita e distorcida de toda a amplitude da dignidade humana. Assim, aliados a nossa fé e à simpatia que temos por determinado credo precisamos alcançar uma convivência humana harmoniosa, na qual todos os seres humanos sejam respeitados, independentemente de sexo, raça, situação financeira e principalmente da religião que adotam.

 

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário. É autor, entre outros, do livro “O Sentimento de Justiça” (Ed. Litearte), obra requisitada pela Biblioteca da Faculdade de Direito da Universidade de Harvard.



publicado por Luso-brasileiro às 11:56
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