PAZ - Blogue luso-brasileiro
Sábado, 23 de Fevereiro de 2013
CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - AOS MEUS PAIS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

            No dia 31 de janeiro passado meus pais completaram 43 anos de casados. Antes que algum engraçadinho comece a fazer contas em meu desfavor, compete informar que eles demoraram para ter filhos. Ok, confesso que não tanto, mas ao menos alguns anos. Enfim, deixemos isso de lado. Passadas várias semanas, somente hoje eu  consegui organizar meus pensamentos para escrever, sem lhes fazer injustiça, sobre essa data tão especial para eles e para todos nós que deles descendemos, filhas e netos...

 

            Fiquei matutando se escreveria o quanto eles são pessoas maravilhosas, o quanto eu os amo e coisa e tal, mas isso seria apenas o aspecto subjetivo da coisa e não lhes faria jus. O que causaria espanto seria o contrário, ou seja, uma filha dizer que não ama os pais ou que os acha pessoas deploráveis. Então, nesse quesito, meu texto seria um tanto chavão e, para o bem de todos, caberia melhor em um cartão privado.

 

            O que realmente me fez pensar é que não deve ser nada simples conviver com alguém por tanto tempo, dividindo não apenas espaço físico, mas os ganhos, as perdas, as dores, as alegrias e mais uma quase inominável gama de sentimentos e acontecimentos. Não creio que somente o amor tenha sido o responsável pelo sucesso dessa relação, honestamente. Claro que, sem amor, nada faria sentido, porém, hoje, entendo que a causa maior da manutenção de tantos anos de vida em comum tenha sido o mútuo respeito...

 

            Entendo, nessa altura da minha vida, que o maior mestre é o exemplo e, por isso até, a importância da família como formadora da sociedade, como construtora do futuro. Estou convicta de que meus pais devem ter tido várias brigas, mas minha imensa felicidade foi nunca ter presenciado isso, nunca ter visto meu pai em fúria, minha mãe aos prantos, não porque estivessem se matando em frente das filhas.

 

            Vimos, minhas irmãs e eu, que éramos e somos filhas de gente de carne e osso, que sangra, ri, chora, brinca, tem decepções, sucessos e fracassos, mas que teve sempre o cuidado de preservar a prole do que não era inevitável, do que não precisava ser visto ou marcado na vida de crianças pequenas...

 

            Não existe, creio, alguém que possa ser o melhor pai ou a melhor mãe do mundo. Quem avaliaria isso? Os próprios filhos? Sem chance dessa votação ser isenta. Mas tenho, sem dúvida, os melhores pais que eu podia ter, e essa sorte grande de ter nascido e crescido em um ambiente saudável, de respeito, de afeto, de cuidados, ainda que com os defeitos humanos de qualquer família, estou certa, fez de mim alguém de bem, ainda que tão imperfeita quanto deveria ser.

 

            Aos meus pais, Luiz e Elizabeth, não apenas dou os públicos parabéns pelos muitos anos de união, mas agradeço, imensamente, pelo exemplo do pai como profissional reto, firme, competente, pai amoroso, compreensivo e justo. À minha mãe, pela ternura que sempre invade minhas

 

lembranças mais caras, pela bondade infinita, pelo exemplo de mulher honesta, equilibrada e digna. Embora tudo isso possa ser atribuído a ambos, em meu coração, cada qual ficou marcado de um jeito especial, sobretudo pelo amor incondicional que sempre me dedicaram.

 

            SE eu pudesse escolher, jamais teria escolhido ser filha de outras pessoas. Aos meus, todo meu amor, meu respeito, minha devoção e minha gratidão por me darem a chance de ser alguém como vocês!

 

 

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo.

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 12:23
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim
arquivos

Dezembro 2020

Novembro 2020

Outubro 2020

Setembro 2020

Agosto 2020

Julho 2020

Junho 2020

Maio 2020

Abril 2020

Março 2020

Fevereiro 2020

Janeiro 2020

Dezembro 2019

Novembro 2019

Outubro 2019

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

pesquisar
 
links