PAZ - Blogue luso-brasileiro
Sábado, 30 de Março de 2013
CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - SAUDADES
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

            Muita gente gabaritada, poetas, filósofos, já escreveram sobre esse sentimento, traduzido, na língua portuguesa, por uma palavra única, que não encontra sinônimo em lugar algum do mundo. Assim, embora um tanto sem jeito para falar sobre isso, tendo em vista as vozes que já me antecederam e entre as quais não me ombreio, acordei hoje com saudades e não consegui pensar em outra coisa para escrever.

            Nem sei direito do que ou de quem a saudade me tocou nessa manhã, mas o fato é que em meu coração, em minha alma, eu a encontrei. De um jeito como quem não quer ser incomodada, como quem não quer ser vista, mas que fica sussurrando baixinho, na esperança de ser sentida, a saudade fez pouso em mim e, agora, escorre pelos meus dedos, em busca do papel.

            O que sei da saudade?  Não muita coisa, mas muita gente. Sei que funciona como uma máquina do tempo, que sem que eu perceba, leva-me para longe, para ontem ou para um abraço de um segundo atrás. Sei também que é possível sentir saudades do que não foi, daquilo que deveria ter sido, saudades da esperança ou da ilusão do possível, do sonhado. O contrário dessa saudade se chama realidade e ao seu vetor podemos chamar o tempo...

            Não muito mais sei desse sentido, muito embora, com frequência, ele me inunde por completo. Sei que dói demais a saudade daqueles que já se foram, aqueles para os quais eu poderia ter sido mais ou aos quais eu poderia ter conhecido melhor. Sinto saudade de vozes, de olhares, de risadas, de conversas e fico pensando que é muito injusto haver despedidas eternas, mesmo que terrenas.

 

            Sinto saudades de amigos que se foram cedo demais, que deixaram hiatos impreenchíveis, desoladores. Hoje, sobretudo, tenho saudades dos meus avós, aos quais não posso mais abraçar, com os quais não posso mais aprender, para os quais não há mais endereço ou telefone...

            Sinto saudades dos meus animais de estimação, com os quais vivi momentos incríveis, únicos e que não posso reviver exceto em minhas lembranças e sonhos. Fecho os olhos e posso sentir o calor de seus pequenos corpos e constato que eu também não sou mais a mesma que habitou essas recordações.

            Sei da saudade é que ela é irmã do tempo e com ele anda de mãos dadas. Mestres da vida, são donos da história, daquela que já não nos pertence. Sei da saudade é que ela me ensina que não há ensaios ou tecla que nos permita voltar. Por isso, a todo tempo, sei do tempo que me foge e que me presenteia com o hoje, mas que nunca me devolverá o ontem, por mais que ele me preencha de saudades...

            Hoje, em que a saudade me domina, só posso deixa-la fluir de mim, pois sei que, nessa vida, ainda irei acumula-la muito mais do que gostaria...

 

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo.



publicado por Luso-brasileiro às 14:56
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