PAZ - Blogue luso-brasileiro
Quarta-feira, 21 de Outubro de 2009
DIA DE FIEIS DEFUNTOS

 

O QUE È A MORTE ?

 

                                                                                                                       

 

 

No início de Novembro, seguindo o antigo costume, o povo desloca-se ao cemitério para homenagear seus mortos.

Atitude louvável e digna de aprovação, se houver respeito pelos entes querido, por aqueles que repousam debaixo das pesadas lajes e no interior das sólidas urnas de chumbo.

É ou devia ser, dia de oração; mas, que seja, pelo menos, tempo de reflexão; e já não será pouco.

Sob essa terra sagrada, sob esculturas de bronze e pedra de cantaria, encontram-se os ossos daqueles que nos geraram, dos nossos filhos e quantas vezes dos nossos netos, assim como os que foram companheiros de recreação e folgaram connosco em horas festivas.

Mas o que é a morte?! S. Paulo, em carta aos corintos, compara-a ao grão de trigo que cai à terra e renasce noutro corpo. Mas, também há quem a compare à porta que separa o conhecido do desconhecido; à crisálida, fabricada zelosamente pela desprezível lagarta, para desabrochar na bela e colorida borboleta; ou ainda ao segundo nascimento:

A criança, após a concepção, nasce, cresce, desenvolve-se sempre no aconchego do ventre materno. Vive na escuridão. Sem esforço, obtêm: comida, calor, conforto e carinho de mãe. Um dia, sem saber como nem porquê, é violentamente expelida em prantos, e depara um mundo desconhecido, cheio de luz e cor. O mesmo irá acontecer quando se morre.

Houve, em Atenas, famoso filósofo que asseverava inequivocamente, a existência da alma, por isso tomou, em serenidade, a cicuta, confiado que matavam o corpo, mas o espírito não parecia.

Quatro séculos depois, nascia em terras de Israel, Jesus, Filho de uma Virgem e do Altíssimo, segundo a Bíblia e o Alcorão.

Cristo, como Filho de Deus, garantiu a todos que O queriam ouvir, que ninguém pode matar a alma, mas apenas o corpo, porque esta é divina.

 Jesus, confirmou o que Sócrates já sabia séculos atrás. Cristo, por inspiração divina, o filósofo, por aturada reflexão.

Uma coisa é certa e ninguém pode contestar: ano a ano, mês a mês, semana a semana, dia a dia, caminha-se para a morte. A velhice pode tardar, mas chega. O crepúsculo da vida, pode ser lento, mas será dissolvido em trevas… para alumiar outros mundos e outras terras.

A vida é eterna cadeia que nos une uns aos outros, numa infindável fila indiana, que marcha – quer se queira ou não, -  para o abismo, para o desconhecido.

Como seria bom, ao colocarmos flores na campa de nossa avó, nossa mãe, do nosso conjugue, do nosso filho ou neto, recordássemos e meditássemos no mistério da morte.

Fernando Nobre, médico, fundador em Portugal, da Assistência Médica Internacional (AMI) declarou à Revista da Família Salesiana – Set. – Out. /07:

Se nos déssemos ao trabalho de pensar nisso (na morte), regularmente, talvez pudéssemos construir relações humanas mais autênticas, verdadeiras, genuínas, sem arrogância. A morte que nunca será possível vencer é que é a grande justiça. Felizmente que não é possível aos poderosos e multimilionários comprarem a sua imortalidade. Vamos ser confrontados com o último momento. Se pensássemos nisso de vez em quando, acho que as matanças cessariam, a ganância também, e as pessoas aceitariam redistribuir um pouco melhor os seus bens. Acredito que pensar na morte é extremamente salutar. Coloca-nos os pés no chão “ .

Será que o leitor pensa na morte?! Mas, como há-de pensar, se no íntimo sempre se julga imortal!; se, desde criança, julga que só os outros, os mais velhos, serão ceifados  pela impiedosa foice! Assim pensa; assim pensamos todos, ainda que sejamos mortais vivemos e agimos como imortais!

 

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 17:13
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