
Muita gente me pergunta como eu consigo fazer tantas coisas ao mesmo tempo e mais gente ainda me pergunta por que razão eu quero fazer tantas coisas. Sinceramente, a resposta para isso, para mim, é muito simples, sem segredos. Pode parecer o óbvio, mas consigo porque faço e todo mundo, quando quer, consegue. O tempo é medido da mesma forma para todo mundo e aí é uma questão de possibilidade e de prioridade.
Eu digo isso porque grande parte das pessoas que me fazem essa pergunta, tem tempo disponível, e teria plenas condições de fazer muito mais, de ser mais feliz, inclusive. Acho que algumas pessoas desperdiçam seus potenciais e seu tempo, de forma leviana ou inocente, mas o resultado inevitavelmente será o mesmo.
Por outro lado, é mais do que compreensível que alguém que viva em função de filhos pequenos, por exemplo, não tenha tempo para muita coisa extra, além do seu trabalho, mas, ainda assim, eu conheço muita gente que faz um dia ter 48 horas...Como eu disse, é tudo uma questão de prioridades, de momentos da vida e do que cada um deseja para si.
A única coisa que me desgosta é ouvir gente que tem tudo para ser feliz e ainda assim passa a vida reclamando. Eu acredito que tudo que a gente canaliza, volta para nós, para o bem e para o mal. Creio que passar o tempo reclamando, não tem o condão de fazer com que o universo se apiede e nos cubra de bênçãos. A contrario, aprendi que nada é tão ruim que não possa piorar.
A resposta a outra pergunta é pessoal. Eu faço muitas coisas diferentes porque gosto disso. Eu olho o mundo com os olhos que guardei da criança que um dia fui e da qual prometi nunca me afastar completamente. Há uma quase infinidade de lugares para ir, pessoas para conhecer, coisas a aprender, línguas a falar, risadas a rir e, infelizmente, lágrimas a chorar. Tudo o que temos para isso são, se tivermos sorte, algumas dezenas de anos e isso é muito pouco...
Li dia desses, que a grande tragédia da vida é que demoramos para ficar sábios e, paradoxalmente, ficamos velhos rápido demais. Assim, eu tento experimentar as alegrias que me são possíveis, aquelas que meus recursos econômicos permitem, aquelas que a minha idade ainda não limita, aquelas que fazem me coração bater mais forte e mais corajoso...
Não tenho autoridade para dar conselhos a ninguém e tampouco me considero expert em coisa alguma. Sou apenas uma pessoa curiosa, desejosa de ficar por esse mundo pelo máximo de tempo possível, porque espera dele o bem, mas não se olvida do mal. Se eu pudesse dar uma única sugestão, diria às pessoas para pararem de perder tempo, de desperdiçar o presente e as chances de explorar as coisas simples da vida. Sermos felizes, ainda que hajam dias difíceis, momentos de dor, é parte de nossa missão nesse mundo.
Quando tudo parecer perdido, quando a dor parecer forte demais, sugiro voltar os olhos para a grandeza do universo, na esperança de que em algum lugar as coisas possam fazer sentido. Se nada disso ajudar, procuremos o menor espaço no qual o Criador habita: o abraço de alguém querido...
Por amor à vida, vale tudo que não prejudicar o próximo, vale até fingir que um dia vale por dois e a vida não tem dias finitos...
CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo.