PAZ - Blogue luso-brasileiro
Terça-feira, 17 de Setembro de 2013
CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - MEUS " DIREITOS "

 

 

 

 

 

 

            Não advogo na área trabalhista e, do operacional, do procedimento, inclusive, pouco conheço. Contudo, não é necessário ser um expert nesse ramo do Direito para perceber que há muitas demandas que são temerárias, movidas pela má-fé, pelo oportunismo, pelo mal caratismo.

            Quando o empregador não cumpre com o avençado em contrato, quando o empregado é assediado moral ou sexualmente, quando não são pagas as verbas trabalhistas referente a trabalho efetivamente prestado, a ação trabalhista é mais do que legítima, pois se configura no exercício de um direito, o direito a ser remunerado pelo trabalho, físico ou mental, despendido.

            Não é, portanto, do constitucional direito a que me refiro, mas sim de gente que acha que vai resolver a vida à custa alheia. Gente que é capaz de inventar toda sorte de mentiras, de arrumar testemunhas vendidas, de fraudar cartões de ponto e outros tantos documentos. É claro que também há o empregador desonesto, aquele que acha que, por estar em uma condição econômica superior, é senhor da lei e da (in)justiça. É para esse tipo de gente que a Justiça do Trabalho deveria existir, para que fossem honrados os compromissos assumidos.

            O que me causa revolta, contudo, é ver quanta gente se vale de qualquer motivo para faltar ao trabalho, juntando atestados fajutos ou apenas dando desculpas já há muito “manjadas” e puídas, ou que aceita as condições apresentadas, de livre e desimpedida vontade e, depois, pura e simplesmente, age como se tivesse sido ludibriado.

            Lembro-me de um caso real de um sujeito que alegou trabalhar 24 horas por dia, sem descanso, ininterruptamente. Para alívio de todos, o “super homem” foi condenado por litigância de má-fé, porque mais do que mentir, ainda zombava da seriedade e do bom senso da Justiça.

            Outro caso curioso foi de uma doméstica que, após a morte dos empregadores, resolveu ingressar em juízo alegando, contra os herdeiros dos idosos, que trabalhou por vinte anos sem ganhar um único centavo! Ou seja, isso só seria crível se fosse trabalho escravo, porque quem é que trabalharia, em sã consciência, por vinte anos em qualquer espécie de remuneração, na casa de estranhos?

            A jurisprudência é repleta de exemplos absurdos, desde gente que trabalhou por um mês ganhando um salário mínimo e que pede indenização por dispensa de mais de trinta salários, sem qualquer fundamento, como gente que inventa ter exercido funções que nunca teve...

            Particularmente, sinto-me envergonhada desse tipo de gentinha que quer se dar bem a todo custo. Não consigo entender quem crê que a vida deve ser levada na base do prejuízo do outro e no benefício próprio tão somente. Por conta de gente desonesta é que os honestos, muitas vezes, perdem oportunidades, infelizmente.

            Gente que apenas postula seus “dereitos”, mas que olvida de seus deveres não merecia nem passar pelas dignas portas da Justiça do Trabalho, que é do trabalhador e não do vagabundo!

 

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA    -  Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora   -  São Paulo



publicado por Luso-brasileiro às 12:02
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