PAZ - Blogue luso-brasileiro
Quarta-feira, 25 de Setembro de 2013
PAULO ROBERTO LABEGALINI - VELHOS TEMPOS

 

 

 

 

 

 

O que vem a seguir não fui eu que escrevi, mas reproduzo porque também ando com saudades de ver: namorados inocentes dando beijinhos no portão; crianças pedindo bênção a pai e mãe; pessoas fazendo sinal-da-cruz quando passam na frente da igreja; adultos sentindo respeito pela polícia; patriotas cantando o hino nacional com as mãos no peito e lágrimas nos olhos.

 

Dá saudades de saber que: o Zezinho, filho do porteiro, não vai morrer de dengue; a Maria feirante poderá ter um filho médico; homens mantêm apenas o assobio ‘fiu-fiu’ como galanteio; o presidente de uma nação é o mais respeitado cidadão do país.

 

Ando com saudades de: galinha de galinheiro; macarrão feito em casa; boa novela com final feliz; pipoca doce de pipoqueiro; dar bom-dia à vizinha feliz; ouvir alguém dizer obrigado ao motorista e ele frear devagarzinho, preocupado com o passageiro. Saudades de gritar que a porta está aberta para os que chegam, saudades do tempo em que educação não era confundida com franqueza. Hoje, se fala o que quer e pedir perdão virou raridade.

 

Ando com saudades de ver no céu pipas não atingidas pelo efeito estufa. Saudades das chuvas sem acidez, que não causavam aridez. Saudades de poder viajar sem medo de homem-bomba, e ser recebido com alegria em outra nação. Atualmente, reina a desconfiança no coração.

 

Sinto muitas saudades do rubor das faces de minha mãe quando se falava de sexo. Hoje, isso é tão vulgar que até eu banalizei. Mas, acho que a maior saudade que tenho é a saudade de tudo que acreditei. Para meus filhos, não poderei deixar sequer a esperança. Aliás, hoje já não se nasce criança!

 

O texto que me referi no início termina aqui, porém, não posso deixar de citar que também tenho saudades das famílias que iam às missas domingo à noite. Nos velhos tempos, víamos pais e filhos juntos nos bancos das igrejas, rezando com muito respeito e devoção. Ainda hoje isso acontece, mas em menor número ou quase exclusivamente em missas da catequese.

 

Rezar já não é prioridade nos lares cristãos, mas os maus exemplos de Big Brother e outras indecências continuam fazendo sucesso. Sei que pouca gente sentirá saudades dessas baixarias um dia, mas, como Deus tudo perdoa quando há arrependimento sincero, sempre é tempo de melhorar.

 

E para refletir um pouco mais na vida que estamos levando, passo a narrar esta história:

 

Havia um professor de química que ministrava aulas para alunos que faziam intercâmbio. Um dia, enquanto a turma estava no laboratório, o professor notou um jovem que continuamente coçava as costas e se esticava de dor. Questionado do problema que sentia, o aluno respondeu:

 

–Tenho uma bala alojada nas costas. Fui alvejado enquanto lutava contra os comunistas de meu país, para derrubar o governo e instalar um novo regime.

 

Depois da aula, retomando sua história, ele olhou para o professor e fez uma estranha pergunta:

 

O senhor sabe como se capturam porcos selvagens?

 

O professor achou que se tratava de uma brincadeira e esperava uma resposta engraçada. O jovem disse que não era piada, e continuou falando:

 

Captura-se porcos selvagens encontrando um lugar adequado na floresta e colocando algum milho no chão. Os porcos vêm todos os dias comer o milho gratuito. Quando eles se acostumam a voltar, você coloca uma cerca de um só lado do lugar em que eles chegam. Quando se acostumam com a cerca, voltam a comer o milho e você coloca outro lado da cerca. Mais uma vez eles se afastam e voltam a comer.

 

O mestre não estava entendendo nada, mas o deixou prosseguir.

 

Você continua desse jeito até colocar os quatro lados da cerca em volta do milho com uma porta no último lado. Os porcos que já se acostumaram ao milho fácil e às cercas, começam a vir sozinhos pela entrada. Você então fecha a porta e captura o grupo todo. Assim, os porcos perdem a liberdade, ficam correndo e dando voltas dentro da cerca, mas já foram pegos. Logo, voltam a comer o milho gratuito. Eles ficaram tão acostumados a ele que esqueceram como caçar na floresta por si próprios e, por isso, aceitam a servidão.

 

O jovem, pasmo, disse ao professor que era exatamente isso que ele via acontecer em seu país. O governo ficava empurrando-os para o comunismo e o socialismo, espalhando ‘milho gratuito’ na forma de programas de auxílio de renda, bolsas disso e daquilo, cotas para estes e aqueles, subsídio para todo tipo de coisa, programas de bem-estar social, medicina e medicamentos ‘gratuitos’,tudo ao custo da perda contínua da liberdade – migalha a migalha!

 

E concluiu o seu pensamento:

 

Devemos sempre lembrar que não existe esse negócio de almoço grátis e também que não é possível alguém prestar um serviço mais barato do que seria se você mesmo o fizesse com dignidade.

 

Pois é, com mais esta cutucadinha na consciência de cada um, espero que possamos trabalhar para um futuro melhor. E que Deus nos ajude quando trancarem mais alguma porteira!

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI -    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI.



publicado por Luso-brasileiro às 10:22
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim
arquivos

Dezembro 2020

Novembro 2020

Outubro 2020

Setembro 2020

Agosto 2020

Julho 2020

Junho 2020

Maio 2020

Abril 2020

Março 2020

Fevereiro 2020

Janeiro 2020

Dezembro 2019

Novembro 2019

Outubro 2019

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

pesquisar
 
links