PAZ - Blogue luso-brasileiro
Quarta-feira, 25 de Setembro de 2013
VALQUÍRIA GESQUI MALOGALI - LIVRE TRAJETÓRIA

 

 

 

 

 

 

 

Manuel Bandeira (1886-1968) buscou climas propícios desde 1904, quando soube que estava tuberculoso.

 

A perspectiva da morte permeia sua obra: “Quando a Indesejada das gentes chegar/ (Não sei se dura ou caroável),/ Talvez eu tenha medo./ Talvez sorria, ou diga:/ – Alô, iniludível!/ O meu dia foi bom, pode a noite descer./ (A noite com seus sortilégios.)/ Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,/ A mesa posta,/ Com cada coisa em seu lugar.”.

 

Segundo Davi Arrigucci Jr., importante crítico do autor, sua poesia: “tem início no momento em que sua vida, mal saída da adolescência, se quebra pela manifestação da tuberculose, doença então fatal. O rapaz que só fazia versos por divertimento ou brincadeira, de repente, diante do ócio obrigatório, do sentimento de vazio e tédio, começa a fazê-los por necessidade, por fatalidade, em resposta à circunstância terrível e inevitável”.

 

Dois anos antes de falecer, Bandeira declarou: “Tive de parar os estudos por causa da doença. Não estudei cálculo infinitesimal ou integral e isso me impediu de ler muitas coisas, inclusive a teoria de Einstein. Nas horas de ócio da doença, não me apliquei ao estudo de grego e latim, iniciados no Colégio Pedro II. Isso é quase tudo o que não fiz. E, naturalmente, sinto pelos amores frustrados por causa da doença”.

 

Mário de Andrade, porém, pelo que ele fez, chamou-o de “São João Batista do Modernismo”, ele que, mesmo não participando diretamente da Semana de 22, teve seu poema “Os Sapos” lido durante o evento marco do movimento no Brasil.

 

Não o bastasse, é considerado o mais hábil poeta brasileiro de versos livres, e é notória sua constante evolução. Em seu primeiro livro, “A Cinza das Horas” desfilava sua verve sob vestes parnasiano-simbolistas, já “Carnaval” detonou a libertação das formas fixas.

 

Sua trajetória versejante e versátil, ora medida ora desmedida, denota seu inquestionável exemplo de opção por liberdade – de expressão.

 

 

 

Valquíria Gesqui Malagoli, escritora e poetisa, presidente da Academia Feminina de Letras e Artes de Jundiaí. vmalagoli@uol.com.br / www.valquiriamalagoli.com.br



publicado por Luso-brasileiro às 10:30
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