PAZ - Blogue luso-brasileiro
Quarta-feira, 25 de Setembro de 2013
JOÃO CARLOS MARTINELLI - 02 DE OUTUBRO. DIA INTERNACIONAL DA NÃO VIOLÊNCIA

 

 

 

 

 

 

 

  

            A Organização das Nações Unidas declarou a data de 2 de outubro, aniversário do líder pacifista e advogado Mahatma Gandhi, como o  Dia Internacional da Não Violência, através de resolução que recomenda a todos os Estados-membros e organizações internacionais que comemorem a data divulgando “a mensagem da não violência a partir da educação e da conscientização pública”. Efetivamente para se construir um mundo mais fraterno e digno, é preciso, em  primeiro lugar, firmar um compromisso sincero com a vida. Um gesto concreto é defender com garra os direitos de cidadania, sobretudo das pessoas mais humildes.

 

 

 

Cognominado o Mahatma (Grande Alma), apóstolo nacional e religioso da Índia, o advogado Mohandas Karamchand Gandhi estudou Direito em Londres de 1888 a 1891, tendo depois residido na África do Sul, de 1893 a 1914, onde tomou a defesa da comunidade indiana, sujeita a um racismo que as instituições tendiam a legalizar. Seus pais eram descendentes de mercadores e a palavra gandhi identificava os vendedores de alimentos e a casta à qual a família pertencia.

 

 Sua doutrina ─ baseada no hinduísmo, no cristianismo e em pensadores como Tolstoi – está exposta em “A autonomia da Índia” (1909), obra que contém um verdadeiro requisitório contra o materialismo da civilização ocidental e contra a violência. Após o massacre de Amritsar (1919), quando os ingleses mataram diversos hindus, já vivendo em terras indianas desde 1915, ele se engajou em lutar contra o domínio da Inglaterra, motivo que o levou diversas vezes à prisão, tornando-se líder inconteste do ideal nacional de independência e liberdade.

 

Transformando-se num fenômeno de massa que conseguia mobilizar também os muçulmanos, seu movimento se alicerçava na religiosidade e na política e, a partir de 1922, consagrou-se à educação popular. Os períodos de intensa militância e jornadas pacifistas eram seguidos de retiros, onde aprimorava seus meios de ação, inspirados no princípio do Satyagraha, “reivindicação cívica da verdade” por meios não violentos (ahimsa).

 

            A independência do subcontinente indiano foi obtida em 1947, ao mesmo tempo em que a Índia foi divididaem dois Estados, a União Indiana hindu e o Paquistão muçulmano, um racha que Gandhi considerou inaceitável. Dedicou-se, então, a reconciliar as duas comunidades, mas, em 30 de janeiro de 1948, foi assassinado por Nathuram Godse, um extremista hindu que acreditava que o líder havia feito muitas concessões ao novo país (Paquistão), embora o criminoso tenha sido seu discípulo.

 

Em homenagem à dedicação e repercussão de sua causa e a seu intenso apreço por princípios fundamentais de Direito, de respeito à dignidade humana e de combate à tirania que sempre manifestou, a Organização das Nações Unidas, através de resolução,  declarou a data de 2 de outubro, aniversário de Gandhi, como Dia Internacional da Não Violência. A medida recomenda que todos os estados-membros e organizações internacionais comemorem a data de  “forma apropriada”, divulgando “a mensagem da não violência a partir da educação e da conscientização pública”. A adoção unânime desta iniciativa foi muito bem recebida na Índia, tendo o primeiro-ministro Manmohan Singh descrito essa decisão como “um grande tributo ao líder pacifista e um momento de orgulho para o seu País de origem”, de acordo com comunicado de seu gabinete, recentemente divulgado.

 

Trata-se de uma iniciativa muito importante, pois a sua figura nos inspira a algumas reflexões. Para se construir um mundo mais fraterno e digno, é preciso, em primeiro lugar, firmar um compromisso sincero com a vida. Um gesto concreto é defender com garra os direitos de cidadania, sobretudo das pessoas mais humildes.“Para tanto, é fundamental a mediação da política, da qual todos os leigos conscientes são convidados a lançar mão, mesmo porque  a solidariedade, um dos fundamentos da fé cristã, só se concretiza na ação; nunca na omissão.” (Família Cristã, pág. 3, fevereiro de 1996).

 

 

 


 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário.

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 10:39
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