PAZ - Blogue luso-brasileiro
Segunda-feira, 25 de Novembro de 2013
EUCLIDAS CAVACO - TEMPO VELOZ
 
 
 
 
Boa tarde estimados amigos
TEMPO VELOZ Volto ainda esta semana com um breve poema sobre o TEMPO. Tema que continua a excitar a minha curiosidade e sobre o qual escrevi diversos poemas como este que pode ver  aqui neste link:

 http://www.euclidescavaco.com/Poemas_Ilustrados/Tempo_Veloz/index.htm
 
 
 

Euclides Cavaco  - Director da Rádio Voz da Amizade.London, Canadá

cavaco@sympatico.ca
 
 
 
 
***
 
http://www.publico.pt/sociedade/noticia/nao-farei-qualquer-exame-retroactivo-1613548
 
CARTA ABERTA AO PRIMEIRO MINISTRO
 
 

Porto, 20 de Novembro de 2013

 

 

Exmo. Sr. Primeiro-ministro,

 

 

O meu nome é Manuel Maria de Magalhães e sou professor profissionalizado do grupo 410 (Filosofia), desde 2002. Desde então fui contratado por treze escolas, em cinco distritos diferentes (Viana do Castelo, Braga, Porto, Guarda e Viseu). Em todas excedi sempre aquilo que me era pedido, como prova o reconhecimento, em alguns casos público e formal, que alunos, colegas, órgãos das escolas e encarregados de educação prestaram ao meu trabalho. Em termos de formação contínua de professores desprezei sempre as acções de formação promovidas pelo ministério através das suas direcções regionais, que conjugam o verbo «encher» na perfeição, para procurar na academia a continuação dos meus estudos sobre a forma de congressos ou mesmo na execução de duas pós-graduações nas áreas em que o meu grupo disciplinar se move. Em todas as escolas o meu trabalho foi avaliado, de acordo com o estipulado, tendo inclusivamente sido dos primeiros a submeter-se voluntariamente às «aulas assistidas». Em consequência das suas políticas educativas encontro-me no corrente ano desempregado e sem perspectivas de encontrar colocação nesta área, tal como dezenas de milhares de colegas meus, muitos deles com uma história profissional bem mais dura do que a minha e muitos mais anos de serviço. É neste quadro que vossa excelência, através do seu ministro da educação, nos quer obrigar a fazer um exame para poder continuar a concorrer ao ensino. Era a humilhação que faltava e a maior de todas.

 

Ao enveredar por este caminho vossa excelência está a descredibilizar todos os docentes com provas dadas nesta causa que é tomada como uma missão em prol do desenvolvimento do país. Está a descredibilizar as universidades que nos formaram e as escolas que nos avaliaram. Está a destruir a credibilidade do próprio ensino, através de uma avaliação retroactiva, sem fundamento, obscura nos seus contornos, pois até esta data pouco se sabe sobre o processo, que é mais próprio de regimes ditatoriais revolucionários do que de democracias maduras, onde todas as partes devem ser ouvidas.

 

Estou de acordo consigo num ponto: a educação não está bem apesar dos esforços de tantos, mas residirá apenas na classe docente a causa desse mal? Já reparou que todos os governos eleitos impuseram uma política de educação diametralmente diferente dos anteriores? Já se deu conta que a educação foi verdadeiramente uma área em que se «atirou dinheiro» para cima dos problemas na esperança que passassem? No ensino, como em muitas outras áreas, também existiu o privilégio do betão face à formação. Quantas escolas não têm psicólogos, sobretudo clínicos, que tanta falta fariam aos inúmeros casos dramáticos que assolam milhares de alunos? Que vínculos tem o Estado, através da Segurança Social, para ajudar a estabelecer pontes entre as famílias e a Escola? O que se (não) tem feito em termos de prevenção da indisciplina em ambiente escolar, seja na sala de aula ou fora dela? O que fez o Estado para promover a autoridade (não autoritarismo) do professor e do auxiliar de acção educativa que ainda é tratado, à maneira do Estado-Novo, como um mero contínuo, desprezando o seu vital papel nas escolas? Construir ou renovar escolas não chega…

 

Se quer introduzir alterações em atitudes e comportamentos dos docentes este não é seguramente o melhor caminho. Se analisar a formação que o Ministério nos disponibiliza constatará que não tem, na maioria dos casos, qualquer interesse em termos pedagógicos. Já pensou em fomentar a ligação entre as universidades e as escolas neste sentido? Ao persistir neste caminho Vossa Excelência encerra em si o pior modelo de docência: o do professor que obriga os alunos a uma avaliação para a qual não os preparou.

Não temo como nunca temi qualquer forma de avaliação, mas não me sujeito ou humilho perante este cenário que vossa excelência nos quer forçar. NÃO FAREI QUALQUER EXAME RETROACTIVO, imposto de forma ditatorial. Se o preço a pagar for a exclusão definitiva do ensino assumo-o. Mais importante do que as palavras que proferimos é o exemplo que perdura. A dignidade não está à venda e não posso ser incoerente com tudo o que tenho passado aos alunos que o Estado me entregou. Ainda assim tenho a esperança que Vossa Excelência tenha a humildade (uma das maiores, se não a maior, virtude humana) de reconhecer o erro que esta medida encerra e procurar novas soluções.

 

 

Com os melhores cumprimentos,

 

Manuel Maria da Rocha Melo de Magalhães

C.C. – 10282310 3ZZ5

 
(Carta publicada no jornal Público em 25 de Novembro de 2013)
 
Por abordar  assunto de grande interesse, trancreveu-se, do matutino lisboeta, a presente carta, enviada pelo ilustre  professor.


publicado por Luso-brasileiro às 10:12
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