PAZ - Blogue luso-brasileiro
Segunda-feira, 25 de Novembro de 2013
CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - AMIZADES

 

 

 

 

 

 

 

            Já diz a letra da música “que amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito”.Com o passar do tempo, embora goste da música, concluí que amigo está mais é  planta pra se cuidar. Até a água deve ser na medida certa. Demais ou de menos pode colocar tudo a perder.

            Sempre gostei de ter muitos amigos, de conhecer bastante gente. Depois descobri que na verdade nem todo mundo pode ser classificado de amigo e que de muita gente já é  suficiente ser colega. Aprendi também que amigos não são para frente, mas que podem ser infinitos enquanto durem, porque amizade também é amor, e se engana quem achar que uma espécie de amor menos exigente.

            Como acontece com muitos relacionamentos, amigos, não raras vezes, “pisam na bola”.Uma hora somos nós que fazemos isso; outra hora somos as vítimas. Grande parte disso acontece sem que ninguém se dê conta, mas pode causar estragos eternos, irreparáveis.

            A gente pensa que os amigos deveriam relevar nossos erros, mas aprendi que às vezes é o contrário. Como as expectativas mútuas são elevadas, é mais fácil se decepcionar e já se diz por aí que a intimidade pode ser um problema, até por não preservar o outro, por entendê-lo mais nosso do que ele é ou se dispôs a ser.

            Já tive amizades perdidas e, nesse tocante, não creio que o dito popular segundo o qual“se você perdeu é porque nunca foi seu”, aplique-se totalmente quando o assunto é amizade. Tenho comigo que várias dessas amizades que hoje são apenas lembranças, foram verdadeiras, recíprocas e importantes. Um dia, porém, acabaram. Algumas pela distância,  pelo tempo; outras sem motivo sabido, mas que deve ter sido sentido em algum dos corações envolvidos.

            É certo que jamais deixei de lamentar essas perdas, pois sou do tipo de pessoa que se apega, que gosta da ideia de amizades eternas, da imagem de estar sentada em um banco, velhinha, falando com alguém sobre o tempo em que éramos crianças. Ainda acredito, para dizer a verdade, mas começo a crer que essas serão lembranças que no futuro me recordarei ao lado de minhas irmãs e primas, se tivermos sorte...

            Em quatro décadas de vida eu me entristeço pelo fato de não me lembrar dos nomes de todos aqueles que um dia chamei de amigos, por ter esquecido alguns rostos, por ter perdidas, em algum lugar do meu coração, emoções que me foram significativas, mas sei que esse é um mecanismo que permite sobrevivermos, sob pena de que não pudéssemos nos esquecer também das mágoas que nos alcançaram.

            Hoje entendo que tudo na vida são fases e que para cada uma delas, somos agraciados com ao menos um amigo querido, alguém que nos irá ouvir, ajudar, dividir sorrisos e lágrimas. Quando a missão dele acaba, ou a nossa missão para com ele se finda, cada um segue seu caminho, sua estrada e resta a certeza de que outras amizades se achegarão de nós e que nosso coração se esquece para poder se renovar, para podermos renascer sempre.

            A cada amigo que passou ou que passará pela minha vida, minha gratidão é eterna. Espero, tão somente, que, em algum lugar do mundo, nossas histórias juntos permaneçam indeléveis, como as boas histórias de amor...

 

 

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA    -  Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora   -  São Paulo.



publicado por Luso-brasileiro às 11:59
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2 comentários:
De Jorge a 27 de Novembro de 2013 às 14:50
Concordo com o que voce diz. Por isso me considere como amigo e colega de profissão em São Paulo.
Quando puder visite meu blog Almas Castelos.


De Cinthya Nunes Vieira da Silva a 10 de Dezembro de 2013 às 19:37
Caro Jorge, Obrigada pelo comentário. Irei visitar seu blog, com certeza! Abraços!


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