PAZ - Blogue luso-brasileiro
Quinta-feira, 24 de Junho de 2010
HUMBERTO PINHO DA SILVA - PAROLISMO NACIONAL

                      

 

 

Tendo visitado casal amigo, que vive para as bandas da Maia, encontrei menina, sobrinha da dona da casa, que fora convidada a passar férias em Portugal.

 

A jovem nascera em França e ainda que seja filha de portugueses, considera-se parisiense, o que é natural, já que nasceu na Cidade da Luz.

Mas, o que é extraordinário é não conhecer a nossa língua e exprimir-se apenas em francês.

 

Interrogada porque não lhe ensinaram a língua dos progenitores, declarou que os pais não queriam que se soubesse que era portuguesa, para não sofrer zombetices na escola.

 

Que somos um país pobre e pequeno, todos sabemos, mas que os nossos compatriotas se envergonhem da nossa terra, quando estão fora da comunidade lusa, pelo menos em França, foi para mim novidade e triste novidade.

 

Também não admira que seja assim. Não há político que se preze, empresário, intelectual, jogador de futebol, de nacionalidade portuguesa, que não fale a língua onde temporariamente vive.

 

No final de 1987, António José Saraiva foi entrevistado por três estudantes universitários. Nessa curiosa entrevista, publicada no “ Público ”, a 02/Abril/90, declarou, a propósito dos portugueses que moram na Comunidade Europeia:

 

“ Os portugueses são acomodatícios. Perdem facilmente o sentimento. Por exemplo, os filhos dos portugueses em Paris quase todos decidem ser franceses. Uma coisa que a mim entristece. Um português acha sempre que o estrangeiro é melhor. Tem razão para achar quando olha para uns pais desenvolvido. Mas a gente vê um país como o país basco a lutar pela sua personalidade e percebe o que é o nacionalismo, o que é patriotismo. “

 

E referindo-se a Espanha afirma: “Um castelhano só fala castelhano em qualquer parte do mundo. A gente ouve, mesmo em Paris, um castelhano falar francês duma maneira que se percebe logo que é castelhano. O português, coitadinho, adapta-se, fala português pretendendo falar francês e quando chega vem cheio de “pierres”, “ à gouche”…

 

Já Eça criticava o nosso parolismo. A seu parecer devia-se falar mal o idioma estranho.

 

Mais de cem anos passaram sobre as palavras queirozianas e continuamos a ser os mesmos “coitadinhos”. Agora virados para a Inglaterra e América do Norte, mas com o mesmo servilismo, sempre a reconhecer o eterno complexo de inferioridade.

 

Sempre a imitar o que se faz e se diz lá fora. Sempre a bajular tudo e todo que não se exprima na nossa língua. Até os brasileiros, que sofrem o mesmo complexo, e não são capazes de visitar a Argentina sem falarem castelhano apalhaçado, ao visitarem Portugal, não deixam de empregar palavras - ao contrario dos portugueses, - que apenas se usam no seu país…e muitos têm dupla nacionalidade!...  Até eles se riem do nosso parolismo!

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA  -  Porto, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 18:17
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