PAZ - Blogue luso-brasileiro
Sexta-feira, 25 de Junho de 2010
MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - PELO AMOR

                       

 

Não sei direito qual seria a melhor sequência para esta crônica a respeito do livro “A LUTA POR UM AMOR” da escritora RAY RUAS MENDES. São dois fatos que desejo ressaltar: o livro em si e a atitude de bem dela, voltada às mulheres excluídas.

Foi no “Roberto Cabeleireiro”, em meio a apetrechos e produtos que embelezam, que aquela senhora de olhar meigo, expressão determinada e cabelos azulados me disse que o trabalho da Pastoral da Mulher/ Magdala lhe tocava o coração. O ambiente era propício. O Roberto é sensível às dores das pessoas, não vive de aparências. Contou-nos ela, naquela manhã, que adolescente ainda, em Araçatuba, tivera uma amiga que fora afastada do convívio dos que eram próximos. Desonrada pelo namorado, o pai, com apoio de autoridade policial, como era costume na época, entregou a filha, “considerada morta”, a um cabaré. Dona Ray jamais a esqueceu e, quando em visita a Araçatuba, chega a procurá-la nos asilos da cidade e da região. Ela gostaria de tê-la visitado na casa frequentada por “homens de bem” que usavam meninas e mulheres consideradas do mal. Desejaria tê-la resgatado da prostituição como trajetória de vida imposta. Mas como romper, na década de 30 – Dona Ray está com 87 anos -, as cercas obrigatórias da hipocrisia da sociedade? Incompreensível encaminhar uma menina para o comércio do sexo. Compreensível a Da. Ray não conseguir transpor as fronteiras que também lhe eram estabelecidas.

Seu livro, “A Luta por um Amor’, pela Editora In House, foi lançado no final de maio. Vem nele a história de sua família desde 1883, em Brejo das Almas, Minas Gerais, com seu avô. Ao longo dele, Da. Ray se revela com o que seus olhos captam e sua alma diz. A lavoura de feijão, arroz milho; as carroças com seis burros em cada uma; a produção de tijolos, telhas, ladrilhos; os periquitos, galinhas d’angola, porcos, patos, gansos; as cigarras no pomar; os vidros com vaga-lumes... As músicas: “Saudade de Matão”, “Adeus, amor, eu vou partir...”, “Encosta sua cabecinha no meu ombro e chora...”, a “Canção do Expedicionário”; os seriados do Tarzan, Flash Gordon no cinema. Valsa, conga, tango, fox, rumba e sapateado nos salões de dança e no coreto da praça. Os programas radiofônicos: “A voz do Brasil” e o “Repórter Esso”. A sua grande história de amor, com luta e resistência, junto ao Major Lourival Jorge Mendes, convocado para a FEB em 1944, que foi seu marido adorado por 58 anos e com quem teve oito filhos. Em 27/04/1943, em acróstico, Mendes lhe escreveu: “Sou um peregrino, implorando o direito de te amar”. Ele que ansiava melhorar o mundo.

Na véspera do lançamento do livro, Da. Ray me informou que parte do resultado da venda seria destinada à Pastoral da Mulher/ Magdala. Emocionei-me. “A Luta por um Amor” dela, dentro da proposta do Amor de Deus para mulheres que foram empurradas às margens. Veio-me o Livro do Gênesis (1,31): “Deus viu tudo o que tinha feito: e era muito bom”. Bendito seja Deus! Obrigada, Da. Ray.

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE É coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher e autora de “Nos Varais do Mundo/ Submundo” –Edições Loyola

 



publicado por Luso-brasileiro às 10:42
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