
Civilidade é o conjunto de formalidades adoptadas pelos cidadãos entre si para demonstrar consideração e respeito mútuo, boas maneiras e urbanidade. Tem como sinónimos: educação, cortesia, gentileza e polidez.
No passado era muito comum ouvir elogios destinados às pessoas reconhecidamente civilizadas, qualidade que define homens e mulheres comprometidos com a conduta ilibada e honesta, dedicados ao exercício da cidadania de forma admirável. Importante sublinhar: ser civilizado não é apenas dominar o conjunto de formalidades e etiquetas exigidas em certos ambientes. Trata-se de, orientar a própria conduta a partir de parâmetros humanitários cultivados na consciência humana.
Parece estar cada vez mais distante o tempo em que se investia em civilidade e urbanidade. Era comum. nos lares ouvir os pais corrigirem seus filhos, valendo-se de expressões com tons de advertência: “cria modos”, “ tenha compostura”. De modo semelhante as escolas, instituições religiosas e culturais costumavam investir em processos formativos para que os alunos aprendessem as normas da boa convivência.
Com o passar dos anos, esses necessários requisitos foram perdendo a importância, comprometendo os princípios de urbanidade que poderiam garantir processos relacionais qualificados e imprescindíveis para a civilidade. .Não há dúvidas de que a qualidade na dimensão relacional de um povo é determinante para o bem ou para o mal,
Dinâmicas sociais. Por isso é importante reconhecer, investir em civilidade real e urgente.Pode parecer que esse investimento seja supérfluo ou esteja em contramão no mundo pós-moderno. Afinal, vive-se num tempo em que as subjectividades reivindicam absoluta autonomia. Um contexto que leva à consideração de que tudo aquilo que não corresponde aos interesses individuais imediatos é indevido e, consequentemente, inaceitável. Com isso, cada pessoa orienta seu comportamento observando apenas as suas ambições, desconsiderando a vida dos outros. O abandono do necessário processo de aprendizagem das posturas que garantem civilidade contribui para que haja um terrível primado do subjectivismo. Consequentemente, cada pessoa passa a considerar-se como norma e referência absolutas.A possibilidade de “cada cabeça” estar livre para proferir “sentenças” contribui para alimentar uma perversa anomia. Com a falta de regras e normas, cada um passa a fazer o que quer e como bem entende, sem obediência e reverência a parâmetros inegociáveis. Caminho livre para que a arbitrariedade se instale e alimente violências, descasos, subestimando, assim, a sacralidade da vida. Não cultivar a reverência às posturas que garantam a civilidade compromete o respeito, a percepção das diferenças, a competência para valorizar aquilo que realmente conta e sustenta o equilíbrio da vida em sua complexidade. Esse mal atinge a todos, desencadeando descompassos no âmbito da cultura. Alimenta prejuízos que incidem na economia, no tecido social e no conjunto dos hábitos e das vivências que definem o jeito de ser um povo.
Diante da hegemonia da lógica do mercado, com suas dinâmicas que pesam principalmente sobre o ombro dos mais pobres, torna-se mais fácil perceber e considerar a influência determinante da civilidade, que abrange desde as pequenas atitudes aos gestos mais significativos, capazes de configurar, no dia a dia, avanços rumo a uma sociedade mais solitária e justa.No entanto, sem investir na civilidade, todos continuarão a conviver com situações problemáticas, a exemplo da frequente incapacidade para respeitar o bem comum, das tendências ao desperdício e à depredação. Não se pode deixar de constatar de certos estilos de vida social -com suas práticas, privilégios, gastos excessivos e desnecessários- alimentam um imaginário que está longe daquilo que constitui a dignidade humana. Também é sintomática a insensibilidade diante de um dever, que é de todos: contribuir para o cuidado social e o amparo aos mais pobres, a partir do apoio a projectos que tornem a sociedade um lugar melhor para se viver, marcado por valores alicerçados no amor e no respeito à vida.
A civilidade não e uma questão de educação, mas sim de proporcionalidade; não é uma virtude de moderação. Esta proporcionalidade não é uma previsão privada. O protesto, de várias maneiras, tem sido uma expressão legítima nas sociedades civis, inclusive protestos ilegais, especialmente em sociedades onde a s leis servem mais à censura do que à promoção do bem comum das sociedades.
A civilidade está ao serviço da promoção de um discurso que visa o bem comum. Como uma virtude, ela requer uma expressão de boa vontade entre todos os cidadãos, que se expressa não apenas em posições de respeito e tolerância, mas também na devida diligência para verdadeiramente expressar as posições reais da própria contrapapartida. Mas essa boa vontade deve propor o seu argumento de uma forma prudente e, portanto, proporcional, de maneira a promover o bem comum.
Falta de civilidade. A falta de civilidade é muitas vezes definida como um conjunto de comportamentos rudes ou desrespeitosos que vão contra as normas do respeito mútuo.
Nos últimos anos, estes comportamentos estão a difundir-se cada vez mais e estão a prejudicar silenciosamente muitas organizações e as pessoas que nelas trabalham. Infelizmente, como os gestores estão preocupados com as principais formas de violência física e agressão psicológica, tendem a subestimar formas subtis de tratamento interpessoal indevido. Contudo os comportamentos que demonstram desprezo pelos outros, incluindo dar respostas duras, fazer expressões faciais negativas, ou ignorar alguém podem ocorrer com maior incidência do que a violência física.
A investigação na área da gestão e da psicologia classifica muitos destes comportamentos desviantes da baixa intensidade como incivilidade no trabalho. Embora seja mais subtil do que a violência física ou a agressão psicológica, as suas consequências não nada subtis. As implicações da incivilidade incluem baixa satisfação no emprego, stresse psicológico e diminuição de saúde física do colaborador. Mas talvez a consequência mais nociva da falta de civilidade nas organizações seja a saída de colaboradores. Para evitar, as organizações podem implementar duas estratégias diferentes antes ou depois de haver um aumento de incivilidade. Durante o processo de contratação, os gestores podem realizar uma na+alise do pessoal para avaliar as predisposições dos colaboradores para se envolverem, em actos de incivilidade, Depois da ocorrência e aumento de incivilidade, os gestores podem aplicar uma política de “tolerância zero” para abuso de tratamento no local
ANTÓNIO FRANCISCO GONÇALVES SIMÕES - Sacerdote Católico. Coronel Capelão das Frorças Armadas Portuguesas. Funchal, Madeira. - Email goncalves.simoes@sapo.pt
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