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Quarta-feira, 28 de Julho de 2021
ANTÓNIO FRANCISCO GONÇALVES SIMÕES - 49 - AS VIRTUDES CAPITAIS DO SÉCULO XXI 4ª. SÉRIE 11 FECUNDIDADE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fecundidade é o substantivo feminino que deriva  da palavra latina “fecunditas-atis”que designa  a capacidade de fecundar.

 

A fecundidade pode  existir nos seres humanos, nos animais , nas aves, nos peixes e nas plantas

Na figura humana – no homem- temos aquele que é o fecundador, o semeador, o agricultor que germina a terra.

Na figura feminina – na mulher – temos aquela  que é a terra fecunda, o solo propício para a fecundidade, o campo onde são lançadas as sementes.

Na parábola do semeador  é próprio de Deus lançar a semente, a Palavra que tem força para gerar os frutos. Mas é  próprio do casal criar as condições para que isto aconteça. A mulher é a terra fértil e o homem é aquele que cuida, semeia e cultiva.

Diz a parábola do semeador (Mt 13,4):-“Algumas sementes caíram à beira do caminho e os pássaros vieram e as comeram”. Assim são os casais cujas intensões no casamento fogem do plano pensado por Deus. Na  encíclica “Humanae vitae” do Papa Paulo VI é descrito que existem dois aspectos inseparáveis do  acto matrimonial, a união e a procriação. Há casais que desde o início do namoro já excluem a possibilidade de gerar família. O casal, em sua má compreensão do amor fecha-se ao egoísmo e não permite os frutos próprios da maternidade e da paternidade.

 

A  parábola em (Mat 13, 5-6) diz:”Outras sementes caíram em terreno pedregoso, onde não havia muita terra. As sementes logo brotaram, mas porque a terra não era profunda, quando o sol apareceu, as plantas ficaram queimadas e secaram, porque não tinham raiz”. Assim. são os casais  que casam sem  compreender a responsabilidade que assumem no matrimónio. O Papa Francisco em seu discurso de abertura do Congresso Eclesial de Roma em 2016 disse:” a grande maioria dos nossos matrimónios sacramentais não são  totalmente conscientes porque eles dizem: “sim por toda a vida” mas  não são  coerentes. Nas  primeiras dificuldades abandonam o matrimónio como se fosse uma curta etapa da vida. Quantos  não são os casamentos que duram meses ou mesmo poucos anos? É preciso entender a natureza do matrimónio e não igualá-lo a qualquer simples união.´

 

Mat 13,7 diz:”Outras sementes caíram no meio dos espinhos. Os espinhos cresceram e sufocaram as plantas”. Muitos casais se sufocam e não percebem o mal que fazem a si mesmos:

- a primeira delas é a confiança cega nos bens materiais.    Desde o namoro dizem que não possuem uma casa ou ainda não têm  os meios  para decidirem o casamento.

Mostram uma atitude  de ter muita segurança. Transmitem o receio de construir juntos as coisas. Isso sufoca o matrimónio ao longo do tempo.

-a segunda delas e vida matrimonial que se resume a uma vida d festas, diversões, luxos e viagens. Estes  colocam essas coisas sempre à frente dos deveres para com o próprio matrimónio. Até possuem o desejo de criar família, mas não enquanto não tiverem tudo o que  desejam. O comodismo do prazer não conhece uma vida de sacrifícios.

 

- a terceira delas, não menos comum, é de casais que dedicam a vida inteira às actividades pastorais e passam a maior parte do tempo dedicando-se aos outros, mas esquecem-se de si. Chegam a comemorar 25 anos de casamento mas dizem um ao outro que há coisas que não conhecem entre eles. Isto é uma forma simples de sufocar a comunhão no casamento. A procriação caminha junto com a união e não existe plena comunhão sem que se conheçam, sem que vivam um amor enamorado em cada dia.

 

Mat.13,8 diz: “Outras sementes, porém, caíram em terra boa, e  produziram à base de cem, sessenta e de trinta por semente” A este respeito ouçamos o que disse o Papa Bento XVI: “Somente a rocha do amor total e irrevogável entre o homem e a mulher é capaz de dar um fundamento para a construção de uma sociedade que se tome para todos os homens”. Vemos que é na estrutura de uma família que deseja para a sua vida os planos de Deus, que observamos os maiores e mais grandiosos frutos.

São quatro os caminhos que o casal deve trilhar:

1.Estarem abertos à vida, para que possam gerar os frutos.

2.Busquem compreender a razão e os desafios da decisão que tomam.

3.Esforcem-se  por conhecerem-se em conhecimento íntimo e constante, para assim

   viverem o amor conjugal.

4.Serem capazes de viverem o amor, sendo submissos ao amor de Deus.

 

O amor deve ser fecundo: Santo Inácio de Loyola diz: “O amor deve ser colocado mais nas obras do que nas palavras; assim poderá mostrar toda a sua fecundidade, permitindo-nos experimentar a felicidade de dar, a nobreza e grandeza de  doar-se abundantemente, sem calcular, sem reclamar pagamento, mas apenas  vontade de dar e servir.

 

A fecundidade do amor. O amor é a mais bela expressão  da vida e por  isso comunica espontaneamente a vida. S. Tomás de Aquino afirmou numa homilia o seguinte: “amor est difusivum sui” isto é : ”o amor expende-se a si mesmo”, difunde-se à sua volta. É esta característica di amor que explica o mistério da criação. Deus, o amor absoluto Deus é o  amor que exprime, desde toda a eternidade, a fecundidade desse amor, na vida íntima da Santíssima Trindade, na geração do Filho e na inspiração do Espírito Santo. Deus cria a partir do amor e para o amor; o ser humano foi criado por amor e para o amor.Esta expansividade do amor exprime-se na nossa vida de maneiras muito simples: uma  pessoa feliz  ajuda os outros a serem felizes, alguém que ama traça à sua volta um rasto de luz e de vida. É por esse mesmo dinamismo que a Igreja, amada por Jesus Cristo reflecte no seu rosto a luz e Cristo, O amor gera no coração das pessoas que amam e são amadas, um dinamismo, uma inquietação que as faz sentir-se enviadas a testemunhar o amor..Esta força é a origem. Por exemplo, do dinamismo missionário e apostólico e do ardor de todos os grandes apaixonados pelo serviço dos outros homens e mulheres deste mundo. O fruto espontâneo da fecundidade do amor é semear o amor, amando cada vez mais os que já amamos, descobrindo que amar é anunciar e comunicar a vida Jesus disse: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”.

 

Procuremos  praticar a fecundidade nos diversos sectores  e estados da nossa vida para que contribuamos por um mundo melhor.

 

 

ANTÓNIO FRANCISCO GONÇALVES SIMÕES   -   Sacerdote Católico. Coronel Capelão das Frorças Armadas Portuguesas. Funchal, Madeira.  -    Email   goncalves.simoes@sapo.pt



publicado por Luso-brasileiro às 21:31
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