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Quarta-feira, 20 de Outubro de 2021
ANTÓNIO FRANCISCO GONÇALVES SIMÕES - 58 - AS DOZE VIRTUDES CAPITAIS DO SÉCULO XXI 5ªSÉRIE 8ª. A ESPONTANEIDADE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A espontaneidade  é uma palavra que vem do latim”sponte”, que significa livre,de boa vontade, voluntário..É a  condição de algo ou alguém que é espontâneo, ou seja, que age de modo natural, verdadeiro e simples. É uma resposta imediata a uma situação, a  um desafio, mostrando a nossa atitude perante um problema.

 Algumas pessoas têm dúvidas sobre a grafia correcta desta palavra: espontaneidade ou espontaniedade. A forma correcta é espontaneidade. Quando se diz que determinada pessoa age com espontaneidade significa que o seu comportamento é original, simples e verdadeiro.

Sinónimos da espontaneidade:- aquiescência, naturalidade, fluência e  voluntariedade.

 

Espontaneidade das reações. Em química, são conhecidas como reações espontâneas aquelas que são iniciadas sem a necessidade d uma influência externa. Por outro lado, as substâncias(químicas ou físicas) que necessitam de uma influência externa para que possam originar uma transformação são conhecidas como não espontâneas.

 

Ser espontâneo. Não é este um os valores que o homem e a mulher actuais mais apreciam? Para muitos, ser espontâneo é a única maneira de ser autêntico. Perdida a espontaneidade, perdida a autenticidade. Espontaneidade e autenticidade s

Ao duas atitudes que não se identificam, ainda que muitos pensem o contrário. Para esclarecer esse equívoco, é preciso afirmar que a espontaneidade, em si mesma, Não é nem boa nem má, pela simples razão de que a  espontaneidade é apenas uma constatação; a única coisa que fazem o pensamento espontâneo, a palavra espontânea, o gesto espontâneo  é abrir uma janela na alma,. mostrar como que através  de um vidro o que no interior. O que temos dentro vê-se pelo que sai espontaneamente  para fora.

Se alguém tem preguiça, vai sair preguiça,  se guarda rancor., vai sair rancor; se cultiva amor, vai sair amor. Como uma chapa do pulmão, que revela, mas não melhora nem piora a saúde Então por que chamamos “autenticidade” a uma coisa  como a espontaneidade  que, em termos de valor, é perfeitamente neutra? No caso, a confusão não é só de palavras, mas de ideias. ; e isso é muito perigoso, porque as ideias determinam a conduta. Nada há, talvez, mais espontâneo do que os nossos desejos, «bons ou ruins. Pois bem, se confundirmos a autenticidade com a  espontaneidade, será  lógico pensarmos – como muitos fazem – que a atitude mais “autêntica” é a de seguir os nossos desejos sejam ele quais forem, deixar-nos levar pelas nossas apetências e “vontades”.

Quando perdeu a sua espontaneidade?

Imagine-se a entrar numa sala com uma palavra com 500 pessoas desconhecidas, e  um senhor no palco o chama para falar durante 30 minutos. Foi apanhado se surpresa, sem aviso prévio,  nos dois minutos que  caminha até ao palco, sabe que terá que ter um discurso de improviso.  Um discurso de improviso  é um bom exemplo de espontaneidade. Quantos de nós iríamos caminhar até ao palco de ânimo leve e descontraído?.

 

Quando crianças somos espontâneos .Falamos o que penamos sem medo, sem o autojulgamento se a palavra está certa ou errada, bem pronunciada ou não .Resolvemos ir ter com alguém à rua, mesmo que nos seja totalmente desconhecido, sorrir, abraçar, sem o filtro de devemos ou não fazê-lo Fazemos pelo acto em si. Contudo, também em criança, aprendemos regras d convívio social, regras morais, valores,os comportamentos certos e os errados, que nos irão moldando. E .essas regras nos vão castrando, pouco a pouco, a espontaneidade. Na educação, nos ensinam a desenvolver o intelecto, a coordenação motora, mas não nos ensinam ou incentivam a manutenção da espontaneidade. Na educação, nos ensinam a desenvolver o intelecto, a coordenação motora, mas não nos ensinam ou incentivam a manutenção da  espontaneidade. A espontaneidade é o que permite mostrar-se, sem se reprimir, sem ultrapassar  limites, com bondade no coração, para com o outro, para consigo mesmo, e por isso flui, como o fluir da água nas curvas e contracurvas de um rio. A espontaneidade permite-nos entrar em contacto com a liberdade, de fazer a coisa de uma nova forma, sem medo, actuando no agora, no presente, com as circunstâncias que nos encontramos e da maneira mais adequada. Para isso a espontaneidade é a  manifestação do seu ser, da entrega, que abandonou a censura dos pensamentos – certo  ou errado, devo ou não devo. É o momento da expressão do seu ser.

 

Para reconquistar a espontaneidade que foi assaltada pelo medo, e refém das convenções morais e sociais a que fomos formatados, e que continuamos a sê-lo na sociedade que vivemos, temos de vencer os medos – medo de rejeição, da exclusão, de errar, de se expor, de não ser bom o suficiente, de como o outro irá reagir, de dizer amo-te sem pensar que é fraco. É no medo. Nas regras e limitações que deixa de ser expontâneo. Passa a ser rígido, a viver no mundo do preto e branco, deixa de responder criativamente a realidade, deixa de passar os momentos de alegria, as oportunidades, deixa adormecida uma grande riqueza interna, que o permite ser mais quem, é, deixa de expressar mais a sua alma, e ser mais feliz. A espontaneidade permite-o libertar-se das amarras, de deixar partir a paralisia, de fazer realmente o que gostaria e não o que a convenção social dita como certo, de respirar vida, de amar livremente, de expressar a sua alma, de viver o momento que em criança a espontaneidade permitia-o ser feliz no momento, naquele instante.

 

Já referia Jacob Moreno:”Se a espontaneidade é o factor para o mundo do Homem, porque é tão pouco desenvolvida? A resposta é: o Homem tem medo da espontaneidade, como seu ancestral tinha medo do fogo; teve medo do fogo até que aprendeu a fazê-lo. O Homem terá medo da espontaneidade até que aprendeu a treiná-la. Eu diria, vença o  medo, use o momento, expresse a sua alma que emergirá a sua espontaneidade.  Recorde que de momento em momento, o caminho da sua vida é  construído, de forma mais leve, original, livre ou de forma mais limitada, repressiva e  pesada.

 

A espontaneidade e a Bíblia.

*S. Mateus 6,7 : “E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos”.

*Carta de S. Paulo a Filemon: 1,14 “Todavia, não quis fazer nada sem o teu consentimento, para que qualquer favor que venhas a fazer seja fruto da tua espontaneidade e não por constrangimento”.

 

Procuremos fazer as coisas  com espontaneidade.  

 

  

ANTÓNIO FRANCISCO GONÇALVES SIMÕES   -   Sacerdote Católico. Coronel Capelão das Frorças Armadas Portuguesas. Funchal, Madeira.  -    Email   goncalves.simoes@sapo.pt



publicado por Luso-brasileiro às 19:53
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