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Sexta-feira, 31 de Julho de 2020
ANTÓNIO FRANCISCO GONÇALVES SIMÕES - 7 -AS DOZE VIRTUDES CAPITAIS DO SÉCULO XXI - 1ª 8ª – A LEALDADE (A)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Coronel Capitão.jpg

 

 

 

                    

 

 

 

 

 

                 

 

Lealdade  é um substantivo  feminino que significa a  qualidade de alguém que é leal. Também é  sinónimo  de fidelidade, dedicação e sinceridade. Esta palavra tem origem  no termo “legalis”, que em latim remete para o conceito de lei. Inicialmente esta palavra designava alguém em quem era possível confiar e que cumpria as suas obrigações legais, ou seja, alguém que não falha com os seus compromissos, demonstrando responsabilidade, rectidão, honra e decência.

Uma pessoa leal é alguém que é fiel e dedicado, e sempre cumpre as suas promessas.

Podemos dizer que lealdade é o atributo que designa alguém que é digno de confiança, que cumpre as obrigações e não falha com os seus compromissos, demonstrando responsabilidade, honestidade, rectidão, honra, decência e ética. Pessoas leais são pessoas de carácter.

 

Origem e evolução da palavra “Lealdade”. Pela sua própria natureza, a lealdade terá  acompanhado a hominização. Desde os primórdios. Os “homines  sapientes” terão sabido, para sua sobrevivência, distinguir entre elementos leais e desleais. Apenas os primeiros eram fiáveis : apenas  neles se poderia confiar. Sem lealdade não há  acordos possíveis, sem estes não há mercado. A capacidade, exibida pelo ser humano, de se comprometer e de se conservar fiel ao compromisso está na base de qualquer organização social.

 

Na Roma antiga, a lealdade foi objectivada na deusa “Fides”, centrando-se na mão direita,o instrumento do aparato ritual que  exprimia o compromisso mútuo. A fides traduzia a necessidade ético - jurídica de respeitar  a palavra dada.

A carga significativa subjacente à fides permitiu ao pretor, o  seu aproveitamento vocabular, fazendo-a  acompanhar do adjectivo “bona” (boa). Conseguiu, assim, compor novas fórmulas destinadas a legitimar os “ bonae  fidei iudicia”, base de todos os contratos modernos. Embora se trate de uma criação técnico jurídica, é seguro que , subjacente aos novos contratos, esteve sempre a ideia de lealdade ao compromisso.

 

A noção da lealdade, ligada à confiança, foi acolhida no antigo Direito Alemão. Recebeu aí um contributo objectivista importante. A lealdade era retirada do ritual  solene e da a aparência dele resultante. Além disso, impôs-se uma funcionalização do conceito: a lealdade é devida à chefia por via desta.

 

O racionalismo adoptou a lealdade, ligada à confiança, dando-lhe uma cobertura sistemática,  a inferir da própria natureza humana. O desenvolvimento conferido, por Grotius  à lealdade, na  recentemente redescoberta obra Parallenon, exprime a sua  recepção na fase histórica seguinte.

 

Posteriormente, o liberalismo e as condições dele  tributárias foram pouco sensíveis, no início, à ideia de lealdade. Aos cidadãos eram reconhecidos direitos que eles  exerceriam, como bem lhes parecesse. Apenas era devida obediência aos contratos livremente celebrados e, naturalmente, à lei. Para além disso , não haveria  mais “lealdades” exigíveis.   

 

 

(continua no próximo número)        

 

      

ANTÓNIO FRANCISCO GONÇALVES SIMÕES   -   Sacerdote Católico. Coronel Capelão das Frorças Armadas Portuguesas. Funchal, Madeira.  -    Email   goncalves.simoes@sapo.pt



publicado por Luso-brasileiro às 11:29
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