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Sábado, 7 de Julho de 2018
ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - CINCO ANOS SEM SAMUEL PFROMM NETTO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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                             No dia 17 de novembro de 2012, Piracicaba, São Paulo e o Brasil ficaram culturalmente mais pobres.  Nesse dia, há pouco mais de 5 anos, nos deixou nosso saudoso e queridíssimo amigo Samuel Pfromm Netto (1932-2012). Não há um único dia que não o recorde. Não há como esquecê-lo, por uma curiosa associação de ideias que, a cada dia, me faz lembrar sua figura expressiva e sorridente, sua voz poderosa e persuasiva, sua amizade calorosa e sempre leal.

            Não vou, neste artigo, falar do currículo brilhante que compôs, com sua vida, esse piracicabano ilustre. Já o fiz em diversas ocasiões, inclusive nas páginas da centenária “Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo”, na revista “Cultura Artística”, publicada nesta cidade, e também na coluna que mantenho semanalmente na “Tribuna Piracicabana”. Vou apenas explicar porque recordo de Samuel todos os dias, sem uma única exceção.

Resido no Edifício Alferes, na esquina das ruas Alferes José Caetano e São José, bem no centro da cidade. A porta de entrada é pela Rua São José. Do outro lado da rua, situa-se o prédio em que durante décadas, funcionou o famoso Cine Broadway. Isso nos tempos áureos do cinema, antes da era televisiva. Refiro-me, concretamente, à década de 1950, Naquele tempo, Piracicaba possuía 4 ou 5 grandes cinemas, que todas as noites lotavam os respectivos auditórios. A cada dia era passado um filme novo, pois Hollywood estava lançando suas produções a pleno vapor. Havia, ainda, filmes italianos, franceses, ingleses; sem falar nos brasileiros, que também eram produzidos com relativa abundância. O Jornal de Piracicaba mantinha uma coluna diária de crítica cinematográfica, pela qual era responsável um jovem e  promissor jornalista, de nome Samuel Pfromm Netto. Tinha, na época, concluído apenas a Escola Normal, e já lecionava no Sud Menucci. Mais tarde é que prosseguiria seus estudos superiores, faria o mestrado e o doutorado e chegaria a tornar-se professor de Psicologia Educacional na UNICAMP e na USP, respeitado como autoridade nessa área e todo o Brasil e no Exterior.

Todas as noites, Samuel assistia a um ou dois filmes, em cinemas da cidade. Ao cabo da última sessão, dirigia-se à redação do jornal e escrevia a coluna que seria publicada na manhã seguinte. Essa era sua rotina. De madrugada é que retornava à sua casa.

Certa noite, à porta do Broadway, Samuel foi abordado por uma jovem bela, culta e inteligente, que lhe fez uma pergunta qualquer. Iniciaram uma conversação e, para encurtar a história, alguns meses depois casaram-se.

Muitos e muitos anos depois, certa ocasião em que recebi o casal Pfromm em minha casa, Dona Olga Clementi Pfromm contou porque abordara o jovem Samuel.

Tinha ela uma prima, que residia numa cidade próxima a Piracicaba, já não recordo bem qual. Essa prima tinha acabado de romper um noivado e se encontrava muito entristecida. Hoje, diríamos que estava em depressão, mas a palavra não se usava na época. A prima escreveu, então, uma carta a Olga, narrando suas desventuras e perguntando se não havia em Piracicaba algum rapaz de boa família que pudesse casar com ela. Olga, então, se pôs ativamente à procura de um possível noivo para a prima. Quanto viu Samuel, pensou: “Esse serve!” Foi à procura de um noivo para a prima que encontrou seu futuro marido...

Dona Olga contou o episódio e ela mesma, Samuel e eu rimos muito. Nunca mais esqueci. Lembro disso todos os dias. E recordo a figura amiga e saudosa de Samuel em minhas orações.

 

 

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS, é historiador e jornalista profissional, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Portuguesa da História.

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 18:43
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