PAZ - Blogue luso-brasileiro
Sexta-feira, 31 de Janeiro de 2020
CINTHYA NUNES - UMA HISTÓRIA DE AMOR

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cinthya Nunes Vieira da Silva.jpg

 

 

 

 

 

 

 

 

            Há vinte cinco anos, no dia 31 de janeiro, comemorávamos as Bodas de Prata dos meus pais. Naquela época, ainda bem jovens, somente pudemos mandar fazer mais uma aliança para ambos, com um filete de prata, para registrar os vinte e cinco anos de casamento deles.

Desde aquela data ou até um pouco antes, meu pai sempre dizia que no dia em que completassem 50 anos juntos, fariam uma grande festa. Fiquei com isso na cabeça, sempre achando, no entanto, que um quarto de século era tempo que custaria muito a chegar. Parecia algo para uma outra vida. Ledo engano. O tempo foi passando e de repente faltavam apenas alguns meses.

Houve momentos nos quais eu secretamente temi que tal data não chegasse, sobretudo quando vi indo embora para outro plano tantos contemporâneos de meus pais, mas eis que era hora de pensarmos nas comemorações. Nossa família já não era a mesma, contudo. Nossos avós já haviam partido, bem como muitos outros parentes e amigos queridos. Por outro lado, meus pais se tornaram avós de quatro crianças cheias de vida, meus sobrinhos.

Decidimos organizar uma festa surpresa. Escolhemos um local para reunirmos os mais chegamos em um almoço e saímos providenciando o necessário. O mais difícil foi saber quem convidar, porque além de termos uma limitação de pessoas, não conhecíamos todos os amigos de nossos pais. Investigamos agendas, celulares e jogamos perguntas ao ar, tudo na tentativa de acertarmos nos convites.

Fiquei encarregada de montar uma apresentação, uma homenagem com fotos e músicas especialmente escolhidas. Com a ajuda de minhas irmãs escolhi fotos que representassem momentos especiais ou que transmitissem emoções especiais. Poucas vezes fiz algo tão difícil. A cada foto eu me via envolta em sentimentos profundos e alternei riso e choro nessa tarefa.

Depois de muito trabalho e de várias pequenas, inocentes e necessárias mentiras, chegou o grande dia. Era preciso leva-los até o local sem que desconfiassem. Dissemos que estávamos todos saindo apenas para almoçarmos em família. Assim que eles entraram e se depararam com rostos familiares e os gritos de Surpresa, a emoção se apossou de todos.

Eu não poderia aqui mencionar todos os nomes daqueles que nos ajudaram, até para não ser injusta com ninguém, mas eu particularmente tirei desse evento único em nossa família, lições para o restante de minha vida. A principal delas é a de que amigos são o bálsamo da vida. Sem eles pouco seria suportável. Nesse sentido, estou certa de que muito mais do que marido e mulher, meus pais são dois grandes amigos. Afinal, como seria possível viver ao lado de alguém por 50 anos sem que entre eles também houvesse amizade?

Outro aprendizado valioso foi de que não podemos deixar passar os bons momentos, pois eles não voltam. Se temos a oportunidade de fazer algo para quem amamos não se deve deixar para o dia seguinte, muito menos para o ano seguinte, já que tudo pode deixar de existir em um átimo de segundo. Assim, as famílias, se querem manter unidade, laços fortes, precisam se reunir também na alegria e no amor e não somente nos momentos de perda ou de dor.

A festa em si foi simples, mas teve cada detalhe pensado com carinho e cuidado de quem esperou 25 anos para tanto. Jamais ouvirei as músicas escolhidas como trilha sonora sem que elas me transportem para aquele dia, para os sorrisos e lágrimas que se misturaram com ternura. De repente, naqueles instantes agora instalados apenas nas memórias afetivas de quem esteve lá conosco, a expressão Bodas de Ouro fez todo sentido. Nos sorrisos dos nossos pais, nosso amor maior, refletia toda a riqueza de uma vida em família.

 

 

 

CINTHYA NUNES  -   é jornalista, advogada, professora universitária e gostaria que os pais fossem eternos – cinthyanvs@gmail.com

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 17:09
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