PAZ - Blogue luso-brasileiro
Sábado, 26 de Janeiro de 2019
CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - PLANETA LIXO

 

 

 

 

 

 

 

Cinthya Nunes Vieira da Silva.jpg

 

 

 

 

 

 

 

            Quando li pela primeira vez, ainda criança, como eram, a séculos, as ruas de cidades que hoje são modernas metrópoles, eu fiquei chocada. Como as pessoas poderiam jogar excrementos na rua? Por qual razão as pessoas eram incapazes de perceber que viviam em meio ao lixo, expostas a todo tipo de doenças? Hoje, para minha tristeza, percebo que eu vivia no tempo da feliz ignorância sobre o mundo, sobre o quanto o ser humano pode ser extraordinário e paradoxalmente cretino.

            Quando caminho pelas ruas, tanto de cidades pequenas, como em uma gigante São Paulo, noto que não estamos assim tão longe de  tempos medievais. Se é verdade que não andamos propriamente entre fezes pela rua (não em todos os lugares, pelo menos), alguns lugares como praças e outros logradouros públicos cheiram tanto a urina que afastam qualquer observador.

            Além do mais, a quantidade de lixo que se pode encontrar pelas ruas em uma simples volta por um quarteirão qualquer é assustadora. Eu simplesmente não consigo conceber a razão pela qual alguém não pode levar seu lixo até uma lixeira mais próxima ou, na ausência de uma, dentro de suas bolsas ou sacolas. As coisas que as pessoas deixam pelas calçadas são de todas as cores, formas e tamanhos, mas, sem dúvida, a campeã é a maldita bituca de cigarro.

            Se eu fosse uma inventora de coisas reais e não alguém que sonha com o que não existe, eu criaria um cigarro que não fizesse mal a ninguém, pois acho uma tristeza que, nos dias de hoje, com toda informação disponível, as pessoas se injetem fumaça cancerígena. Mas, se isso não fosse possível, preservado o livre arbítrio de quem quer fazer de sua saúde o que bem quer, eu ao menos criaria um cigarro que em uma das pontas tivesse uma semente. Assim, de tanto que são jogadas por todos os lados, as bitucas seriam bem vindas, tornando verdes os lugares por onde fossem se acumulando.

            A vida, entretanto, é mais complexa do que devaneios de quem sonha com um mundo menos poluído, no qual o meio ambiente não se transformasse em um depósito do lixo humano. E digo isso em sentido real e no figurado. Em verdade somos a praga do planeta terra. Vamos destruindo tudo e rezando para que as consequências não nos atinjam, como um tolo que faz uma fogueira estando ensopado de álcool.

            Descobri, dia desses, olhando pela internet, que uma moçada do bem, aqui no litoral paulista, consciente, criou um projeto chamado Ecofaxina (https://www.institutoecofaxina.org.br) e, reunidos, saem catando lixo de manguezais e praias. O montante que recolhem é assustador. Sei que há outras iniciativas iguais no Brasil mesmo e pelo mundo agora, mas é deprimente saber que envidam esforços para combater o que outros seres humanos, que desfrutam dos mesmos lugares, dão causa.

            Parece-me muito razoável e óbvio que se cada qual cuidasse de não jogar lixo pelas praias, pelas ruas, pelas matas, muitos animais não perderiam suas vidas pelo plástico que infesta o mundo. Muitas enchentes não levariam vidas e casas. Outro sem número de enfermidades seriam evitadas. Não é tão complicado assim. Basta ter um pingo de educação, valor que, em época de tanta informação, parece estar fora de moda...

 

 

 

 

CINTHYA NUNES – jornalista, advogada e professora universitária.

cinthyanvs@gmail.com



publicado por Luso-brasileiro às 15:27
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim
arquivos

Dezembro 2020

Novembro 2020

Outubro 2020

Setembro 2020

Agosto 2020

Julho 2020

Junho 2020

Maio 2020

Abril 2020

Março 2020

Fevereiro 2020

Janeiro 2020

Dezembro 2019

Novembro 2019

Outubro 2019

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

pesquisar
 
links