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Sexta-feira, 26 de Abril de 2019
CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - PANCS

 

 

 

 

 

 

 

 

Cinthya Nunes Vieira da Silva.jpg

 

 

 

 

 

 

 

 

                Há algum tempo descobri, meio por acaso, que de uma bananeira se aproveita muito mais do que as bananas. Vendo uns vídeos disponíveis na internet eu aprendi que do tronco das bananeiras se pode extrair um saboroso palmito, coisa que eu nem desconfiava. Usar as folhas da bananeira como opção ecológica para embalar alimentos, bem como assá-los, são mais algumas das formas de se aproveitar essa planta.

                Lendo um pouco mais sobre o assunto, descobri ainda que as bananeiras são o que se chama de PANC – planta alimentícia não convencional. Desconhecia o termo até a semana passada, mas não pude me contentar apenas com essa informação e fui pesquisar melhor. Fiquei encantada com minhas descobertas. As PANCs são plantas cujas propriedades alimentícias ou são mais amplas do que as conhecidas ordinariamente ou que praticamente são desconhecidas como alimento.

                Muitas PANCs são consideradas mato e até mesmo erva-daninha. Paradoxal termos comida nascendo por aí e gente morrendo de fome, sobretudo em um país de um solo tão rico e fértil. Como morei no interior e em uma chácara durante vários anos, até me gabo de conhecer muitas plantas, mas a maior parte das PANCs me passou despercebida. A “ora por nobis” é uma delas.

                Trepadeira, a “ora por nobis” tem folhas, flores e frutos comestíveis. As Folhas, ricas em proteínas, fibras e vitaminas, podem ser secas, trituradas e usadas como suplementos em sopas, sucos ou misturada à comida. Verdes, podem ser usadas na salada ou refogadas. Ainda é possível fazer chá com as folhas e utiliza-lo como substituto da água na preparação de pães, enriquecendo-os.

                As flores, perfumadas, abrem uma única noite e também são comestíveis. Os frutos, amarelos e pequenos, são doces e podem ser utilizados para fazer geleia ou doce em compotas. Em resumo, é uma planta que pode ser amplamente utilizada, com muito potencial. Além de tudo, é rústica e se adapta a várias regiões do país, sem requerer muitos cuidados. Fiquei feliz da vida quando ganhei de um amigo, uma pequena muda.

                Quando estive dias depois em uma loja de plantas para comprar um pé de limão, encontrei outra PANC para comprar, com folhas que também podem ser usadas em salada. Comprei na mesma hora, mesmo sem saber onde colocaria mais uma trepadeira que logo estará esticando seus “braços” e gavinhas por aí. Mas nem tentei resistir. Agora, somadas à pequena bananeira que plantei em um vaso, já são três as minhas PANCs.

                Li praticamente tudo que achei sobre o assunto na internet e, nessas pesquisas, vi que há algumas publicações sobre o tema. E foi assim que encomendei o livro Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil, de Valdely Ferreira Kinupp e Harri Lorenzi. Hoje, dia em que escrevo esse texto, recebi o exemplo e, para quem deseja saber mais sobre as PANCs, recomendo a leitura. Repleto de fotos, descrições e receitas, o livro é um verdadeiro e belíssimo manual.

                Gosto muito de novidades, ainda mais aquelas que acrescentam valor à vida. No caso das PANCs, ainda acrescentam sabor e a certeza de que, com informações e boa vontade, ninguém poderia morrer de fome nesse país.

 

 

 

 

CINTHYA NUNES   -   é jornalista, advogada e professora universitária – cinthyanvs@gmail.com

 



publicado por Luso-brasileiro às 12:10
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