PAZ - Blogue luso-brasileiro
Sexta-feira, 25 de Abril de 2014
CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - ÉTICA E EDUCAÇÃO

 

 

 

 

 

 

 

            Há dias nos quais eu conto até um milhão para não ser grosseira com as pessoas. Primeiro porque não tenho esse direito, sobretudo gratuitamente. Segundo porque isso me machuca mais do que me faz feliz. Contudo, há situações nas quais eu, que não sou feita de aço, não posso e não consigo simplesmente deixar passar.

 

            Tenho recebido, há meses, ligações de certo banco, em meu celular, procurando por alguém que eu não conheço e que jamais tive qualquer contato. Sequer, inclusive, sei se referida pessoa existe. O problema é que dito banco me liga várias vezes ao dia, nos mais variados horários, inclusive à noite e aos finais de semana.

 

            Nas primeiras vezes, pedi, educadamente, que excluíssem meu número, eis que em nada tenho a ver com a tal mulher. Tudo em vão. Minutos depois, lá vinha a ligação novamente. Comecei a não atender, como estratégia, até para não me estressar. Entretanto, as ligações foram se intensificando e eu perdi a paciência, sendo incisiva e exigindo a providência.

 

            Quando nada adiantou, minha compostura foi para o brejo e eu, ainda que se ofender os atendentes, acabei me exaltando. Eles passaram a desligar na minha cara, no meio da minha reclamação. Pois bem, entrei no site deles, fiz uma reclamação e esperei o prazo de três dias úteis informado no sistema. Outra vez, sem efeito.

 

            Hoje, depois de receber um email muito mal educado, de alguém grosseiro e desinformado, falando sobre coisas que não tinha conhecimento ou razão, entrei na Ouvidoria deles e falei como advogada, deixando claras as medidas a serem tomadas e que, para além de tudo, não sou e nunca pretendo ser cliente de um banco que não respeita o consumidor e que contrata gente mal preparada, que desliga o telefone em meio a um atendimento, sem qualquer satisfação. Menos de duas horas depois recebi outra ligação, agora da ouvidoria, pedindo desculpas e dizendo que meu número, por fim, seria excluído..

 

            Pergunto, assim, se tudo isso foi necessário, se todo esse mal estar, meu sobretudo, poderia, não ter ocorrido. A resposta, sem dúvida, é positiva. Bastaria um pouco de respeito, de educação, de ética nas condutas interpessoais e as pessoas sofreriam menos, assim como haveria menos ações judiciais em andamento e menos violência.

 

            Infelizmente, muitos preferem a impunidade da falta de bom senso que vem se instalando na sociedade moderna. Todos querem apenas aquilo que lhes favorece, independentemente do outro, do direito do outro. Pouco importa se lhes falta razão, se lhes sobra desejo, ganância ou inveja.

 

            Hoje, estou de luto pela ética e pela boa educação, sabedora de que, para algumas pessoas, elas não podem ressuscitar. Quem é grosseiro, assim sempre o será...

 

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA -  Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora   -  São Paulo.

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 12:01
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