PAZ - Blogue luso-brasileiro
Sábado, 28 de Janeiro de 2017
CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - CURIOSIDADE

 

 

 

 

 

 

 

 

Cinthya Nunes Vieira da Silva.jpg

 

 

 

 

 

 

 

 

 

            Se é verdade que o excesso de curiosidade muitas vezes pode se tornar um inconveniente, também acredito que esse impulso humano foi o responsável pela evolução da humanidade. Creio que a maior parte das pessoas tenha dentro de si uma gota que seja de curiosidade, até porque um dia todos foram crianças e poucas criaturas são tão curiosas quanto elas, exceção feita, talvez, aos gatos, campeões nessa categoria.

            Até que eu tivesse duas gatas em meu convívio diário nunca tinha entendido completamente aquele ditado segundo o qual “a curiosidade matou um gato”. Hoje, no entanto, sei a sabedoria popular é incrível, porque não há nada que passe aos olhos de um gato sem que ele queira saber do que se trata. Em casa temos que ter cuidado quando abrimos e fechamos coisas, como malas, máquinas de lavar louça e roupas e caixas de todo gênero, sob pena de “extraviarmos” um felino para todo o sempre.

            Mas não foi a curiosidade dos gatos que me inspirou ao texto de hoje. Em verdade eu me refiro mesmo à curiosidade humana. Penso que essa pode ser dividida em algumas categorias que ora me ocorrem, como: mórbida, natural, exacerbada e inconveniente.  Alguma delas, no mínimo, cada um traz em seu pacote de dados, no software divino que ganhamos de fábrica. O problema é o que fazemos com isso.

            A curiosidade natural é aquela que nos permite sobreviver e caminhar, que nos impulsiona a conhecer coisas, pessoas e lugares novos. É aquele olhar que direcionamos para algo que nunca vimos e que nos atrai ou nos assusta de algum modo. Essa curiosidade nos salva e nos permite transcender, em uma espécie de upgrade.

            Já a curiosidade mórbida, ao meu sentir, é menos nobre. Trata-se, por exemplo, do impulso que faz muitos motoristas diminuírem a velocidade de seus veículos para tentar olhar um acidente recém-ocorrido, bem como o ato de, diante de qualquer desgraça alheia, chafurdar nela como se isso pudesse trazer algum benefício. Acho que o curioso mórbido se contenta em saber do outro, mas nunca se satisfaz enquanto não fizer uma verdadeira autópsia dos fatos.

            O curioso exacerbado pode ser alguém que tem um excelente fator como aliado. Se usa disso para saber mais, para entender o mundo, para conhecer, para se aperfeiçoar, nada melhor do que ter essa sede eterna, essa certeza de que o mundo que conhecemos é a mísera ponta de um infinito iceberg. A história da humanidade é repleta de pessoas que usaram a curiosidade para o bem e, infelizmente, também para o mal.

            O curioso inconveniente, vez ou outra é até engraçado, pois é aquela pessoa que não pode ouvir alguém conversando que quer saber do que se trata, muitas vezes sem se dar conta do papel que desempenha ao se portar assim. Muitos de nós, em algum momento da vida, acabamos sendo dessa espécie, como a criança que pergunta para a professora gordinha se ela está grávida, o amigo que pergunta os recém-casados quando providenciarão um herdeiro, a sogra que, na maternidade, pergunta à nora para quando será o segundo neto dela, a atendente que pergunta se a namorada mais jovem é a filha do homem que a acompanha, e assim por diante, em uma infinidade de perguntas indiscretas.

            De um jeito ou de outro, todos somos curiosos, cada qual em uma medida, à exceção dos gatos, é claro, que completamente os curiosos mais divertidos e insanos que já habitaram esse planeta...

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo.  -  cinthyanvs@gmail.com

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 19:30
link do post | favorito

Comentar:
De
 
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres




mais sobre mim
arquivos

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

pesquisar
 
links