PAZ - Blogue luso-brasileiro
Sábado, 27 de Maio de 2017
CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - LIBERDADE DE EXPRESSÃO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cinthya Nunes Vieira da Silva.jpg

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

             A despeito das críticas de alguns mais conservadores, por vezes avessos à tecnologia,  gosto das redes sociais. Acredito, contudo, que devam ser usadas com moderação, tal como  deveria ser com todas as coisas, aliás.

            Ainda que eu não tenha nascido na era das inovações tecnológicas, ao menos aquelas de uso pessoal, tão logo conheci os videogames fui arrebatada e, de lá para cá, tenho usado todas as novidades que estão ao meu alcance. Gosto de celulares, tablets, computadores pessoais, leitores de livros e de grande parte dos aplicativos disponíveis, sejam úteis ou para recreação. A grande questão é que não sou escrava disso. Minha vida fora das máquinas  não perde espaço para o que não é real. Complementam-se, assim, o real e o virtual e a oportunidade de poder ver tudo isso, para mim, é algo incrível.

            Por conta disso, por considerar que o virtual não pode ser dissociado completamente do real, busco que, nas redes sociais, eu seja coerente com o que sou de verdade. Não tenho fotos corrigidas, até porque nem sei como se faz, bem como manifesto-me com o mesmo senso de comprometimento que tenho em relação ao que sai diretamente dos meus lábios. Assim, sei que minhas palavras podem ofender, magoar terceiros que, por detrás dos computadores, são pessoas de carne e osso. Sem dizer que não posso desconsiderar os riscos de responsabilidades jurídicas imputáveis nos casos de excesso.

            Não são raras as vezes nas quais eu discordo do que alguém posta no facebook por exemplo. Só que se a pessoa o faz na página, no espaço dela, qual direito me assiste de ficar impondo minha opinião? Nenhum, por óbvio. Qual direito eu tenho de atacar a opinião alheia e de rotular a pessoa de ser isso ou aquilo? Absolutamente não tenho! Então, claramente não o faço. Não é, entretanto, o que acontece no meu espaço, ironicamente.

            Sabendo que muitos acreditam que o fato de estarem supostamente ocultos pelo teclado o transforma em inatingíveis, já evito postar assuntos polêmicos como política e religião, por exemplo. Vez ou outra, entretanto, aventuro opinar sobre algo assim, mas logo me arredondei de fazê-lo. Registro que não se trata da intolerância de receber posicionamentos contrários, desde que isso seja feito com respeito, é claro. Considero que os espaços virtuais que possuo são democráticos, inclusive. Gosto de conhecer pontos de vista diferentes e os respeito, sempre parando para pensar se posso aceita-los como razoáveis, se podem abalar minhas convicções.

            Penso que é importante expandir os horizontes, estar atenta os fato de que posso estar muito errada e mesmo que eu não concorde com alguns comentários, deixo que lá fiquem, como mostra da diversidade de pensamentos. O que não posso admitir é a agressão, quase sempre gratuita, através de comentários que beiram o fanatismo, de gente que defende um ponto de vista de forma cega, radical, sem sequer considerar remotamente a chance de as coisas não serem exatamente daquela forma.

            O pior, segundo me parece, é que se esquecem de que, enquanto debatem questões políticas, acertos e erros de figuras nacionais, vão quebrando os delicados vínculos da amizade, do coleguismo. Tudo se torna pessoal na internet, mas nada parece levar em conta, paradoxalmente, as pessoas envolvidas. Tenho resistido ao máximo excluir pessoas que um dia adicionei ao meu perfil como amigos, até porque não aceito quem não me seja familiar de algum modo, mas tenho considerado fazer isso em alguns casos, tamanha a veemência, a ironia e a falta de educação que alguns tem empregado.

            Um exemplo recente disso foi quando comentei que não aceito protestos, manifestações públicas que se tornam simples vandalismo. Só faltou me chamarem de idiota, de vendida, de ingênua e alienada. Parece que ou se aceita tudo ou se é alguém indigno. Desculpem-me os defensores da violência gratuita, mas sou uma pacifista, não uma alienada. São coisas diferentes, assim como há diferentes formas de reagir ao mal.

            Ademais, não espero estar certa. Somente exijo o respeito de ser quem eu sou, de defender meus pontos de vista sem ofender ninguém, ainda mais na casa (perfil) dos outros. Tanto se reclama de violação de direitos, mas pouco se respeita a liberdade de expressão alheia...

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo.  -  cinthyanvs@gmail.com



publicado por Luso-brasileiro às 19:16
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