
Ser patriota parece estar fora de moda. Confunde-se, muitas vezes, patriotismo, com nacionalismo:
Patriotismo, é amar a terra onde se nasceu e se criou. Ter orgulho na língua materna, e nas tradições e costumes da sua pátria.
Nacionalismo, exalta acerbamente o patriotismo. Pode degenerar em xenofobia, e pior ainda: em chauvinismo, provocando agressividade aos que possuam nacionalidade diferente.
A globalização, as duplas ou mais nacionalidades, o receio de ser apelidado de xenófilo, vai esbatendo o amor á pátria.
Verifica-se isso em figuras públicas – intelectuais, políticos, desportistas, – quando se encontram no estrangeiro, ao exprimirem-se, quase sempre em inglês, como se a língua portuguesa não fosse a quarta mais falada no mundo…
Francisco Moita Flores, no seu artigo: “ Uma Pátria Imensa”, na revista “Montepio” – 2015, referindo-se aos que desprezam a língua portuguesa, escreveu: “ Mesmo aqueles que são eleitos e representam Portugal, descem os degraus da grandeza que receberam como herança, para discursarem em inglês. Com todo o respeito pelo inglês, jamais ouviremos uma rainha ou um primeiro-ministro britânico fazer o mesmo”.
Sobre línguas estrangeiras, que os portugueses e brasileiros tentam exprimirem-nas o mais corretamente possível, escutemos a opinião de Eça de Queiroz, in: “ A Correspondência de Fradique Mendes”:
“ Um homem deve falar com impecável segurança e pureza a língua da sua terra: todas as outras as deve falar mal, orgulhosamente mal, com aquele acento chato e falso que denuncia logo o estrangeiro. Na língua verdadeiramente reside a nacionalidade, e quem for possuindo com crescente perfeição os idiomas da Europa vai gradualmente sofrendo uma desnacionalização. Não há para ele o exclusivo encanto de falar materno com as suas influências efetivas, que o envolvam, o isolam das outras raças e o cosmopolitismo do verbo irremediavelmente lhe dá o cosmopolitismo do carácter. Por isso o poliglota nunca é patriota. Com cada idioma alheio que assimila introduzem-se-lhe, no organismo moral modos alheios de pensar, modos alheios de sentir. O seu patriotismo desaparece diluído em estrangeirismo.”
A respeito do amor à língua, disse também António José Saraiva, numa entrevista ao: “Publico” (02/03/93): “ Um castelhano só fala castelhano em qualquer parte do mundo. A gente ouve em Paris, um castelhano falar francês duma maneira que se percebe logo que ele é castelhano. Não sabe falar francês direito. O português coitadinho, adapta-se, fala português, pretendendo falar francês, e quando chega, vem cheio de “pierres”, “à gouche”…
Queixam-se que a língua portuguesa é um túmulo. Se o é, deve-se aos que a beberam com o leite materno, envergonharem-se dela; já que são 361 milhões os que a falam, sem contar a diáspora portuguesa, brasileira e países africanos…
O complexo de inferioridade, está tão entranhado na alma dos que falam português, que disseram-me que certa figura publica, da área da ciência, quando esteve em França, falava em francês com os patrícios, para não ser reconhecido como português! …
HUMBERTO PINHO DA SILVA - Porto, Portugal
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