
Poucos se lembraram de que em 5 de dezembro dever-se-ia celebrar os 127 anos da morte de Pedro II, o injustiçado Imperador do Brasil. Morreu no Hotel Bedford, de Paris, então um estabelecimento singelo. Seu travesseiro tinha um pouco da terra do Brasil, que ele nunca deixou de amar.
Nesta Pátria em que a educação é tema de discurso, mas não encontra eco na prática de governo, o comportamento de Dom Pedro II devia ser paradigma e cobrado dos atuais detentores do poder.
Seu avô João VI estava com os olhos no reino europeu. O pai ficou muito pouco tempo no Brasil, depois da Independência. Só Pedro II percebeu que a instrução era a maior carência brasileira. Foi um verdadeiro “fiscal do ensino”. Uma de suas principais preocupações era a educação. Assistia a todos os exames, concursos e provas entre candidatos a cadeiras das escolas científicas. Chegava inesperadamente e assistia aulas. Repetia, incansavelmente, que a missão de ensinar era a mais relevante para a sociedade. Promoveu conferências públicas, auxiliou pesquisadores, investigadores, viajantes e cientistas e foi mecenas de artistas.
Voltava para assistir aulas já anteriormente assistidas. Arguia os discípulos, conferia se haviam de fato aprendido. Questionava as congregações. Não confiava nas informações oficiais, porque gostava de acompanhar o desenvolvimento do processo educativo com seus próprios olhos.
Não se fez ainda justiça com o vilipendiado Imperador, que teve de deixar o Brasil ainda noite, sem poder se despedir, como se estivesse em fuga. Impossível detalhar tudo o que ele fez em benefício da educação integral, não apenas teórica, mas no aprimoramento do espírito, através de todas as artes, as quais ele prestigiou e permitiu se desenvolvessem numa sociedade ainda precária e ignorante. Ao ser destituído, em 1889, deixou duas Faculdades de Medicina e de Cirurgia, duas Academias de Direito, que seu pai criara para produzir a burocracia para o Império nascente, uma Escola de Minas, uma de Belas Artes, um Conservatório de Música, uma Escola Politécnica, três Escolas Militares e uma Escola Naval.
Mas também deixou Bibliotecas Públicas, Arquivos, Museus. Tudo amparado pelo Governo Imperial. Ele próprio era culto e um cientista, mais do que diletante. Tudo o que se referisse à educação e à ciência o interessava no mais alto grau, testemunha Pandiá Calógeras.
O Brasil só terá futuro digno quando um governante repetir, agora já municiado pelos contributos da 4ª Revolução Industrial, um projeto sério e consistente como aquele desenvolvido por Dom Pedro II.
JOSÉ RENATO NALINI é Reitor da Uniregistral, ex-Secretário da Educação do Estado de São Paulo – 2016/2018 e Presidente da Academia Paulista de Letras – 2019/2020.

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