PAZ - Blogue luso-brasileiro
Sábado, 22 de Fevereiro de 2014
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - PADRE ANTÓNIO VIEIRA E A LUTA CONTRA AS INJUSTIÇAS SOCIAIS.

 

 

 

 

 

 

 

 

No último dia 06 de fevereiro, comemorou-se quatrocentos e seis anos do nascimento em Lisboa (Portugal) do Padre ANTONIO VIEIRA, cuja vida e obra no Brasil têm sido objeto de muitos trabalhos literários, alguns produzidos com base nos noves anos em que ele viveu no Maranhão, onde também se notabilizou como orador no púlpito do convento das Mercês, em São Luís onde desenvolvia os seus admiráveis sermões.

 

Faleceu em 1697, na Bahia depois de ter ocupado vários cargos importantes na Colônia e na Corte. Sempre foi um defensor da liberdade religiosa dos judeus e, ao se contrapor à Inquisição, acabou preso por 813 dias “num covil apertado e escuro”, um sertão frigidíssimo, como costumava se referir ao clima de Coimbra. O seu legado literário mais importante foi “Os Sermões”, conjunto de peças ditas em público e que ia arquivando até a publicação final, depois de várias intervenções para melhorar o estilo e aprimorar as expressões.

 

            De acordo com o jornalista José Pedro Martins, “nos Sermões, Vieira fez a defesa dos indígenas, a crítica aos fazendeiros do Maranhão, às guerras entre Portugal e Holanda. Mas o sermão talvez mais importante, lapidar, de Vieira tenha sido o Sermão da Sexagésima, ou da “Palavra de Deus”, dito na Capela Real de Lisboa, em março de 1655. Objetivo do sermão era fustigar as ordens adversárias dos jesuítas, mas o seu conjunto representa importante peça de oratória, em que mais do que tudo Vieira expõe suas idéias sobre linguagem e a sua extensão, a literatura. O pregador tinha status correspondente ao do escritor atual. A arte da oratória era para muitos ´a` arte. A crítica da oratória é a crítica da literatura” (Correio Popular- 07.01.2007- A.8).

 

A forma como o religioso enfrentou inúmeras situações e desafios é a maior prova da dignidade desse ser humano, que para o mesmo jornalista foi “um sinal de que é possível crer, sempre, no brilho do pensamente, acima de toda a mediocridade e de todas as condições sociais, econômicas, culturais e políticas que parecem dizer o contrário, só poderia vir de Antônio Vieira”.

 

            Em determinada ocasião, quando esteve em Portugal para lutar por medidas que pusessem fim ao cativeiro dos indígenas, aproveitou para pregar em Lisboa o “Sermão do Bom Ladrão”, diante de Dom João IV e sua corte. Conforme o educador Arnaldo Niskier da Academia Brasileira de Letras, houve um “desconforto do auditório – formado por juízes, ministros, conselheiros da coroa e os mais altos dignitários do reino- forçados a ouvir Vieira falar obsessivamente de ladrões e ladroeiras: Já a tese inicial é implacável: “Nem os reis podem ir ao paraíso sem levar consigo os ladrões, nem os ladrões podem ir ao inferno sem levar consigo os reis. O que vemos praticar em todos os reinos do mundo é, em vez de os reis levarem consigo os ladrões ao paraíso, os ladrões são os que levam consigo os reis ao inferno. Prosseguirei com tanto maior esperança de produzir algum fruto quanto vejo enobrecido o auditório de tantos ministros de todos os maiores tribunais, sobre cujo conselho e consciências costumam se descarregar a dos reis” (Folha de São Paulo, 10.09.2007- A.3).

 

        Parece que as palavras de Pe. Antonio Vieira c permanecem atuais. As pessoas continuam descompromissadas com os valores cristãos, humanos e familiares, sem os quais não se operam necessárias transformações sociais. No entanto, faltam homens corajosos e sensatos como ele, que lutem para que contra os favorecimentos espúrios e outros aspectos, caracterizados pela baixeza e total falta de ética de muitas de nossas autoridades e detentores do poder econômico.

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário

 



publicado por Luso-brasileiro às 10:16
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