PAZ - Blogue luso-brasileiro
Domingo, 30 de Outubro de 2016
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - FINADOS NOS CONVIDA A REFLETIR SOBRE A MORTE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

           

No século X, o monge francês Odilon Cluny iniciou uma série de rezas e festas sacras para os cristãos mortos, em 02 de novembro de cada ano, costume que se espalhou por outras religiões. As pessoas acreditavam que, rezando para os falecidos, nesse dia, os vivos diminuiriam os castigos das almas que pecaram durante a vida terrena. Após quatro séculos, a Igreja Católica oficializou a comemoração, instituindo o Dia de Finados ou Dia dos Mortos, que chegou ao Brasil pelos portugueses. Na ocasião, os templos e os cemitérios são visitados, os túmulos decorados com flores e milhares de velas acesas, aspectos que já se tornaram tradicionais.

            A data nos convida a refletir sobre a morte. Constatamos que raramente nos detemos a meditar e nem mesmo a lembramos, embora se constitua em evento comum a toda humanidade, inevitável e certo. Efetivamente, é um dos poucos fenômenos acerca dos quais temos absoluta certeza: basta ter nascido para que se venha a morrer. Espelhando-se no que acontecia com o sexo, antes da revolução sexual, a morte se tornou um tabu e ao mesmo tempo em que está sendo cada vez mais banalizada em nosso país e as conseqüências deste quadro, geram uma situação de quase absoluto desprendimento.

 Transformada em mera fatalidade biológica, as pessoas não se importam mais com a vida dos outros e ela passou a ser um evento quase neutro, revestido da aparência de mero espetáculo. Tanto que se assiste pela TV, a centenas de mortes por dia, numa visível demonstração de abandalhamento de princípios, que rendem exclusivamente, altos índices de audiência.         O Direito consagra a vida como o mais valioso bem a ser protegido e impõe respeito aos mortos, tanto que considera crime a violação de sepultaras.

Apesar dessa circunstância, as pessoas ainda não tratam a morte como sendo rito de passagem, como deveriam entendê-la, tanto no aspecto religioso, como no moral, nem lhe outorgam as condições de dignidade exigidas por sua concepção jurídica. Tais constatações nos levam à melancólica conclusão de que a solidariedade está se exaurindo no ser humano, tanto na vida – dom maior de Deus -, como no final dela. Triste realidade...

 

 

                        DIA DA CULTURA

 

 

Em homenagem a RUI BARBOSA, nascido aos 05 de novembro em 1849, comemora-se nessa data no Brasil o DIA NACIONAL DA CULTURA, uma celebração de grande importância, principalmente porque em nosso país os aspectos culturais são colocados em plano extremamente secundário. Nessa trilha, invocamos Arnaldo Niskier - “...Características levantadas pelo professor Sérgio Werlang: a cultura preserva o passado e as tradições das pessoas; a cultura reflete os usos, costumes e a ética das sociedades; e a cultura gera felicidade em quem a aprecia. Com esses referenciais, conclui-se que a cultura é um  direito de todos, não podendo ser apenas privilégio dos abonados. Cultura, qualquer que seja ela, clássica ou popular, classificação que, por ser limitadora, não tem unanimidade. Só se pode afirmar que a cultura merece o investimento, estatal ou não, pois ela é um instrumento para garantir retorno, irmã siamesa do que deve ser feito pela educação, hoje entregue ao Deus dará, em nível federal”(Revista TCMRJ- 04/2005- p. 78)

 

 

                SITUAÇÃO ATUAL DO PAÍS

 

 

 

Diz o ditado popular que “quando uma estrutura está rachada, todo o prédio pode ruir”. Parece que este preceito retrata com fidelidade a atual situação de nosso país: a corrupção corre solta, atingindo elevados níveis e minando quase todos os segmentos sociais. E o que é pior: os que têm a força e o poder nas mãos acabam se esquivando por seus interesses pessoais e impedem quaisquer avanços em favor de uma sociedade mais igualitária e participativa.

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário. Presidente da Academia Jundiaiense de Letras (martinelliadv@hotmail.com).



publicado por Luso-brasileiro às 18:57
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