PAZ - Blogue luso-brasileiro
Sábado, 27 de Janeiro de 2018
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - DIA DO ENFERMEIRO, OCASIÃO PARA SE PRESTAR ESPECIAL ATENÇÃO AOS DOENTES

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Desde outubro de 2005 foi lançada pela Organização das Nações Unidas e pela Associação Internacional para o Estudo da Dor (JASP)  uma campanha mundial  visando ar atenuar os sintomas de dores nas pessoas, tema considerado de extrema  importância. Tanto que sobre o assunto, transcrevemos parte de editorial publicado pelo jornal “Folha de S. Paulo” (17.10.2004, A2): “Apesar de a farmacologia oferecer amplo arsenal para controlar a dor, sem mencionar tratamentos cirúrgicos, muitos pacientes, especialmente em países em desenvolvimento, como o Brasil, ainda são forçados a conviver com ela. São várias as razões para o paradoxo. Elas vão desde situações prosaicas, como a burocracia para prescrever medicamentos de uso controlado, até fatores como a subjetividade da dor”.

Vislumbra-se assim em relação à questão, que se situa hoje entre as mais graves  de ordem pública, medidas que visem diminuir cada vez mais o sofrimento físico, bem como os efeitos de moléstias mentais. Com efeito,  o lema desse trabalho  em nível mundial é  “O alívio da dor deveria ser incluído entre os direitos humanos” e segue a concepção de que atualmente tudo deve girar em torno do respeito irrestrito à dignidade humana. cuja proteção se estende a todos os indivíduos, independentemente de idade, sexo, origem, cor, condição social, capacidade de entendimento e autodeterminação ou ‘status jurídico’.

         Nesta trilha, a Associação Médica Mundial num de seus documentos mais importantes ─ a Declaração sobre os Direitos do Pacie e ─, aprovada em 1981 durante a sua 34ª Assembléia, realizada em Lisboa (Portugal) e revista em Santiago (Chile) no ano de 2005, conclama: “O direito à dignidade, que implica respeitar a privacidade do paciente, sua cultura e seus valores; ter o sofrimento aliviado segundo o estado atual de conhecimento médico; e contar com cuidados terminais que dêem a ele toda assistência possível para tornar a morte tão digna e confortável quanto possível” (os grifos são nossos).

Apesar dessa moderna visão do problema, a situação brasileira ainda não é das melhores. Ocorre que em nosso País, apesar da saúde se revelar num dos direitos fundamentais constitucionalmente garantidos, o que se verifica é uma enorme distorção que também evidencia a dramática característica da desigualdade, inerente a outros setores sociais de igual relevância. E, dentre as inúmeras e sérias circunstâncias que afetam e prejudicam a área, talvez o pior se constitua no fato do sistema atual transformá-lo, de uma garantia legal do cidadão, em um privilégio econômico, acessível a poucos. Diante da fragilidade dos órgãos públicos, proliferam-se os planos de saúde da área privada, enfraquecendo os previdenciários de natureza oficial, sendo àqueles, no entanto, praticamente inacessíveis à maior parte do povo, que, além de precisar do uso de certos remédios, específicos para determinadas moléstias e muito dos quais importados, ainda acaba dependente de embates jurídicos.

         Embora de “competência comum” da União, dos estados e dos municípios, com reduzidas exceções, constata-se que os poderes públicos não realizam uma partilha eficiente das responsabilidades, o que impede desdobramentos práticos capazes de promover uma assistência, senão correta, pelo menos coerente, colocando-se os aspectos administrativos acima do dever de solidariedade e de respeito ao próximo. Assim, alguns indivíduos conseguem resolver o problema da dor física ou amenizá-lo, enquanto grande parcela da população a acumula com uma mais forte e constrangedora: a de não receber atendimento adequado por não ter recursos financeiros suficientes. Até quando?

 

 

                            DIA DO ENFERMO

 

Por iniciativa do então Papa João Paulo II, a Igreja Católica, a partir de 1993, celebra anualmente, em 11 de fevereiro – dia de Nossa Senhora de Lourdes -, o Dia Mundial do Enfermo, domingo próximo. Uma ótima oportunidade para que nossas autoridades reflitam e trabalhem para melhorar a situação em nosso país. Mais do que nunca, é preciso modificar o triste quadro que prevalece e nesta trilha, há diversas metas a serem alcançadas visando o seu aprimoramento. Este ano, o tema do Dia do Doente é tomado das palavras que Jesus, do alto da cruz, dirige a Maria, sua mãe, e a João: «“Eis o teu filho! (…) Eis a tua mãe!” E, desde aquela hora, o discípulo acolheu-A como sua» (Jo 19, 26-27).

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário. É presidente da Academia Jundiaiense de Letras (martinelliadv@hotmail.com).

 



publicado por Luso-brasileiro às 19:11
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